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Retrospectiva 2018 | Os 10 maiores escândalos tech de 2018

Por| 31 de Dezembro de 2018 às 17h28

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Retrospectiva 2018 | Os 10 maiores escândalos tech de 2018
Retrospectiva 2018 | Os 10 maiores escândalos tech de 2018

Se fosse possível definir a indústria tech em 2018 em algumas palavras, entre elas certamente estariam “escândalos”. O Spectre e o Meltdown, as vulnerabilidades nos processadores Intel que foram constatadas no início do ano – mas que Brian Krzanich, CEO da companhia, já sabia –, foram só um presságio do que verdadeiramente estava por vir.

As polêmicas foram inúmeras: só as declarações controversas de Elon Musk em seu Twitter ou os vazamentos de dados de milhões de usuários pelas mãos de N empresas seriam suficientes para preencher um top 10. Contudo, a lista seria muito específica e aqui, queremos relembrar dos acontecimentos que realmente causaram rebuliço na indústria.

Confira, portanto, nossa lista com os 10 maiores escândalos de 2018 da indústria tecnológica!

10) Carro autônomo atropela pedestre

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Em meados de março, um carro autônomo, ainda em estado de testes pela Uber no Arizona, nos Estados Unidos, atropelou uma ciclista, levando-a a óbito. A mulher foi a primeira vítima de um acidente do gênero, ainda que houvesse um condutor humano auxiliar dentro do veículo – o qual estava aparentemente assistindo a vídeos na internet no momento do ocorrido.

Na época, a Uber tinha acabado de chegar a um acordo com a Waymo em corte após ter sido acusada roubar informações sigilosas sobre projetos de tecnologia autônoma, incorporando-as em seus próprios carros. Os testes com veículos autônomos foram suspensos após o acidente e deram lugar às investigações.

A polícia local concluiu que a companhia de corridas não foi responsável pelo ocorrido e, após alguns meses, o projeto voltou à ativa com motoristas auxiliares treinados e com limite de velocidade dos carros reduzido pela metade. Mais recentemente, Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, admitiu que sua empresa foi culpada pelo acidente.

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2) Facebook e Cambridge Analytica

Como já comentado por aqui, houve diversos casos de vazamentos de dados de usuários ao longo deste ano. Netshoes, Uber, Banco Inter, Timehop, MyHeritage, HSBC, Google, Marriott, PayPal… Estes foram apenas alguns. Entretanto, ainda no mês de março, veio à tona a descoberta de que o Facebook repassou informações de cerca de 87 milhões de pessoas de sua rede social à Cambridge Analytica sem devido consentimento.

A Cambridge Analytica faliu no início do ano, mas até então, era uma empresa de consultoria política britânica que combinava dados coletados com análises de comunicação estratégica. As informações pessoais cedidas pelo Facebook foram manipuladas incorretamente durante a campanha eleitoral dos Estados Unidos em 2016 e continuaram circulando ainda em 2018.

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Tal violação da privacidade de dados levantou inúmeros movimentos como o #DeleteFacebook e debates pela internet acerca da coleta de informações feitas pelas principais companhias de tecnologia. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi convocado pelo Senado norte-americano para depor, bem como pelo Parlamento do Reino Unido. As autoridades britânicas multaram a rede social em £ 500 mil.

Recentemente, o Facebook identificou um “roubo de tokens” e obrigou os usuários a fazerem login novamente; e há duas semanas, um bug expôs as fotos de mais de 6,8 milhões de usuários. A rede social está sendo considerada uma das menos confiáveis na internet em termos de privacidade.

3) Google multada na Europa em £ 5 bilhões

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A Google recebeu uma multa de £ 5 bilhões (o equivalente a R$ 19 bilhões), no mês de julho por violar a Lei antitruste na Europa – o maior valor por violações do gênero que já existiu. As investigações já estavam em vigor desde maio e, em junho, as autoridades dos Estados Unidos e da União Europeia começaram a sinalizar algo negativo, enquanto analisavam o caso da gigante de tecnologia.

As acusações de monopólio da Google consideravam que a empresa estaria fazendo uma espécie de “venda casada”, exigindo às fabricantes que instalassem aplicativos específicos nos aparelhos celulares, além de impedir a criação de versões modificadas do Android. O SO e seus devidos apps estariam sendo, portanto, usados como alavanca pela empresa – algo que a Lei antitruste europeia proíbe.

A Google afirmou que recorreria da multa, mas veio cumprindo as demandas da União Europeia até então. Além disso, a Alphabet apresentou um 2º trimestre consistente apesar da multa bilionária; e algumas das mudanças exigidas no acordo também já foram divulgadas, incluindo a cobrança de fabricantes de celulares que desejam pré-instalar o pacote de aplicativo da gigante de tecnologia.

4) Projetos Maven e Dragonfly

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Em março foi revelado o projeto Maven, uma iniciativa da Google feita em parceria com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos voltado ao desenvolvimento de uma tecnologia com base em inteligência artificial que avaliaria em tempo real feeds de vídeo capturados por drones em ambientes de guerra. Em resposta, milhares de funcionários da gigante de tecnologia protestaram contra, argumentando que a “Google não deveria se envolver no setor de guerras”.

Alguns empregados chegaram inclusive a pedir demissão, o que levou a Google a reavaliar o projeto e afirmar que não tinha intenções de renovar a parceria com o Pentágono – ainda que o órgão de defesa tenha aumentado em 580% as verbas para programas baseados em IA. Então, em agosto, veio à tona o projeto Dragonfly, o qual desenvolveria uma versão censurada do buscador para o governo da China.

Em resposta, cerca de 1,4 mil funcionários protestaram com uma carta aberta, argumentando que “O [projeto] Dragonfly representa uma ameaça à liberdade de expressão e à dissidência política global”, além de violar os princípios relacionados à inteligência artificial”. A gigante de tecnologia pareceu ter desistido de lançar o seu “Google Chinês”, apesar de algumas notícias recentes levantarem algumas preocupações sobre o assunto.

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A exemplo disso, foi revelado que a Google teria excluído do projeto o time de privacidade, além de estar promovendo uma espécie de caça às bruxas dentro da companhia, demitindo funcionários que vazam informações. Há cerca de duas semanas, porém, a gigante de tecnologia teria afirmado que desistiu de levantar dados na China, uma etapa essencial para continuar o desenvolvimento do motor de buscas chinês.

5) Alex Jones e Infowars banidos da internet

Em agosto, Alex Jones, responsável pelo Infowars, um site de compartilhamento de teorias da conspiração, começou a ser banido de diversas plataformas de interação social da internet. Tudo isso porque ele começou a difundir discursos de ódio e ameaças de violência física direcionadas a muçulmanos, transexuais e à mídia tradicional.

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Começou com suas contas sendo suspensas do Facebook e quatro de seus vídeos mais famosos foram posteriormente excluídos do YouTube. Em seguida, a Apple retirou seis podcasts de Jones e do Infowars do iTunes e do app Podcasts, e então foi a vez do Twitter. Daí em diante praticamente todas as plataformas o excluíram também, incluindo o Spotify, Vimeo, PayPal, Periscope, LinkedIn e Pinterest.

6) Os assédios na Riot Games

No mundo dos games também houve escândalos. Em setembro, a TellTale subitamente anunciou que fecharia suas portas, demitindo seus funcionários e cancelando seus jogos; e em outubro, os funcionários da Rockstar Games admitiram que a companhia esteve praticando “crunch”, o famigerado período em que funcionários fazem hora extra para finalizar um projeto – no caso, Red Dead Redemption 2.

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Contudo, o grande merecedor da posição foi o escândalo envolvendo a Riot Games em agosto, quando o site Kotaku publicou uma matéria revelando que conversaram com diversos empregados e ex-funcionários da desenvolvedora de League of Legends, detalhando histórias de sexismo envolvendo o estúdio.

Após a publicação da reportagem, a Riot se desculpou publicamente e prometeu fazer mudanças em sua administração. Entretanto, a maioria dos funcionários que haviam sido acusados de assédio sexual e conduta imprópria não foram devidamente punidos e continuaram trabalhando como se nada tivesse acontecido.

Em resposta a isso, a Riot foi processada por uma atual funcionária e uma ex-empregada da empresa, sob acusação de discriminação de gênero do ambiente de trabalho.

7) Elon Musk “metendo o louco”

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Em setembro, Elon Musk foi multado em US$ 20 milhões por conta de uma ação judicial levantada pelo Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC, em inglês). Isso porque o CEO da Tesla enviou um tweet cerca de um mês antes, afirmando que estava pensando em manter sua companhia privada.

Apesar de o ocorrido ter sido visto como uma “brincadeira”, já que houve muitos boatos de que Musk estava “chapado” quando enviou o tal tweet na plataforma, o caso resultou em um aumento de US$ 1,4 bilhão no patrimônio pessoal do empresário e, logo em seguida, em um processo pela SEC.

O argumento foi de que Musk fez “declarações falsas e enganosas” em seu tweet, o que pode ser encarado como “fraude corporativa” por parte do CEO. Além disso, o empresário se meteu em confusões com a rapper Azealia Banks, e fumou maconha em um programa ao vivo, levando executivos da Tesla a pedirem demissão.

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Por fim, além de pagar o US$ 20 milhões à SEC, também foi exigido que Musk se afastasse da presidência da Tesla. Em resposta, o empresário deixou a presidência do Conselho de Diretores da companhia.

8) As Fake News nas eleições do Brasil

Outubro foi um mês difícil para o Brasil graças às Eleições. Laços foram rompidos entre amigos e famílias por conta de crenças políticas e, enquanto isso, pesquisas apontavam que os casos de compartilhamento de fake news estavam crescendo cada vez mais no país – só no terceiro trimestre foram mais de 4 milhões de casos.

A principal ferramenta de compartilhamento de fake news? O WhatsApp. O aplicativo é muito popular no Brasil, contando com uma média de 120 milhões de usuários brasileiros, e foi usado de maneira generalizada para espalhar falsas propagandas e mensagens de spam e de fraude — tudo de viés político. A propagação atingiu o ápice durante as eleições presidenciais no país.

O aplicativo de bate-papo foi o epicentro dos compartilhamentos de notícias falsas no Brasil neste ano, assim como o Facebook foi nas eleições de 2016 para os Estados Unidos. Para se ter uma ideia do quão grande foi o caso, o Ministério Público passou a investigar um suposto “esquema industrial” e ilegal de envio de notícias falsas, e a Organização dos Estados Americanos (OEA), afirmou que o país representou o primeiro caso de disseminação maciça de notícias falsas que influenciaram uma eleição.

9) Adeus Google+, olá vazamentos de dados

A novela do Google+ já havia começado em agosto, quando a Google da França anunciou que encerraria sua página oficial, além de recomendar aos usuários que migrassem para o Facebook ou Twitter. Com isso, os boatos de que a rede social da gigante de tecnologia acabaria, e isso de fato aconteceu dois meses depois, em outubro.

Contudo, junto do encerramento da rede social da Google, também foi revelado por meio de uma reportagem do The Wall Street Journal que a gigante de tecnologia teria deixado vazar os dados pessoais de mais de 500 mil usuários do Google+ entre 2015 e 2018, graças a uma falha no software.

Durante todo esse tempo, a companhia tentou esconder o vazamento com medo da reação dos internautas e do que esse caso poderia causar à reputação da Google. A vulnerabilidade foi aparentemente resolvida em março deste ano e, segundo um comunicado interno, os dados vazados “não foram utilizados para práticas antiéticas como cibercrime ou venda de informações”.

10)  A Amazon e a ira dos políticos

Mais recentemente, em novembro, a Amazon anunciou que vai dividir seu aguardado campus, conhecido como HQ2, em duas sedes localizadas em Long Island City, no Queens, e Arlington, na Virgínia. O processo de licitação para a construção desta sede foi disputado por diversas cidades e chegou ao fim apenas no último mês.

Contudo, com esta empreitada, a Amazon provocou a ira de vários lados, entre eles políticos que criticaram a empresa, alegando que ela havia pedido grandes isenções fiscais e subsídios em dinheiro, além de moradores que afirmam que os preços de habitação vão disparar em seus bairros. Por fim, figuras grandes da indústria tech que apontaram para uma “grande falta de transparência” quanto à decisão final de dividir a sede.

Há ainda quem diga que a decisão de dividir o HQ2 foi uma grande jogada estratégica de relações públicas. De toda forma, a Amazon, que recentemente tomou o lugar da Apple como a “empresa mais valiosa do mundo”, ainda pretende abrir seu campus no Queens e na Virgínia em um futuro não muito distante e pretende empregar 25 mil trabalhadores em cada uma das duas sedes.