Carro autônomo da Uber não foi responsável por atropelamento, indica polícia

Por Felipe Demartini | 20 de Março de 2018 às 12h41
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Uma investigação preliminar da polícia da cidade de Tempe, no estado americano do Arizona, concluiu que a Uber não tem responsabilidade sobre a morte de Elaine Herzberg, de 49 anos, atropelada por um carro autônomo da empresa na madrugada desta segunda (19). O caso é o primeiro do tipo a ser registrado em todo o mundo e aconteceu durante uma etapa de testes da tecnologia.

A conclusão das autoridades foram baseadas tanto em imagens de câmeras de segurança instaladas no próprio carro quanto no depoimento do motorista e testemunhas. Na visão da polícia, o acidente não poderia ter sido evitado nem mesmo por um condutor humano, em condições normais de tráfego, devido à forma como a vítima invadiu a pista a bordo de uma bicicleta carregada de sacolas de compras.

O inquérito policial aponta para negligência da própria vítima, que adentrou a pista a partir de uma área pouco iluminada, a 90 metros de uma faixa de pedestres. A SUV da Volvo, usada pela Uber para testes do sistema de direção autônoma, contava com um motorista humano como supervisor, que não estava no controle do carro no momento da colisão. O veículo estava a 61 quilômetros por hora, um pouco acima do limite de velocidade da via, que é de 56 km/h.

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Em depoimento, o motorista afirmou estar atento à rua, mas que não viu Herzberg atravessar a pista, percebendo o atropelamento apenas quando a atingiu. Sendo assim, não houve tentativa de frear, o que resultou em ferimentos graves. A vítima, que seria uma moradora de rua, ficou inconsciente e morreu depois de ser levada ao hospital.

Ainda em testes, a tecnologia de veículos autônomos da Uber recebeu, no ano passado, autorização para rodar em vias públicas de algumas cidades dos Estados Unidos. Por mais que o carro utilize sistemas automatizados para seguir adiante, um motorista deve sempre estar ao volante como forma de garantir a segurança de pedestres e de outros condutores, além de realizar avaliações do sistema e assumir o controle quanto a plataforma não for capaz de seguir sozinha.

De acordo com a chefe de polícia de Tempe, Sylvia Moir, a investigação deve continuar de forma a apurar, com certeza, uma possível responsabilidade da Uber no incidente. Entretanto, a conclusão inicial é de que não há culpa da empresa com relação ao acidente, em um caso que poderia criar um precedente para testes de veículos autônomos em ruas públicas.

Mesmo assim, enquanto aguarda o resultado das investigações, a Uber anunciou a suspensão dos testes com veículos que se dirigem sozinhos não apenas em Tempe, mas também nas outras cidades em que realiza esse tipo de trabalho, como São Francisco, nos EUA, e Toronto, no Canadá. A companhia não disse quando retornará com os experimentos e está trabalhando com as autoridades para apuração do caso.

O atropelamento representa o primeiro acidente com vítimas fatais durante a operação de tecnologia autônoma, mas não é a primeira vez que um incidente do tipo acontece durante experimentos. Além de pequenas colisões com participantes de eventos de exibição, um outro veículo que se dirige sozinho da Uber acabou envolvido em uma batida em março do ano passado, quando foi atingido por um outro motorista em um cruzamento. Na ocasião, entretanto, ninguém saiu ferido, apesar do capotamento do carro da empresa de transportes.

Fonte: San Francisco Chronicle

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