Uber volta a testar carros autônomos, mas com motoristas treinados no volante

Por Wagner Wakka | 24 de Julho de 2018 às 18h47
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A Uber voltou a fazer testes com carros autônomos nas ruas de Pittsburgh, quatro meses após o acidente que deixou uma pessoa morta na cidade de Tempe. A empresa chegou a paralisar os testes por conta do problema, mas agora retomou a atividade com seus carros nas ruas. Contudo, desta vez, os veículos não têm mais um modo totalmente autônomo como antes, mas será operado manualmente por motoristas com conhecimento em segurança para colaborar com a revisão do sistema da Uber.

O acidente aconteceu em 19 de março deste ano, na cidade de Tempe, no estado norte-americano do Arizona. O carro atropelou uma mulher de 49 anos chamada Elaine Herzberg e colocou em xeque a funcionalidade do sistema, gerando dúvida se o país liberaria a empresa para continuar o trabalho.

Em maio, a Uber informou que estava finalizando o programa no Arizona, onde cerca de 300 funcionários do setor foram demitidos. O motivo seria a pressão do governador do estado para que a empresa não continuasse os testes. Na mesma época, a companhia já sinalizou interesse em seguir para Pittsburgh, na Pensilvânia, local em que a tecnologia ainda é bem vista. A empresa havia optado por fazer os testes no Arizona depois de conflitos com políticos na Califórnia.

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Os mesmos modelos do Volvo XC90 SUV que atropelou Herzberg foram novamente colocados nas ruas, agora com os motoristas. Segundo a Uber, a proposta é apenas coleta de dados, bem como atualização de mapas.

O anúncio foi feito pelo diretor do Grupo de Tecnologias Avançadas da Uber, Eric Meyhofer, em post no Medium. Ao longo texto, ele explica que embora, do lado de fora, o veículo pareça o mesmo, há modificações internas.

A primeira e mais visível é a presença do motorista, contudo há agora um sistema que alerta, caso o motorista não esteja a ativo no volante. Além disso, há um monitoramento remoto de comportamento também para percepção do que acontece dentro do carro.

Tal adição é uma resposta ao problema inicial do acompanhamento humano. No caso do acidente em março, havia monitoramento local, mas a polícia acusa o funcionário de estar assistindo a vídeos no celular na hora da colisão.

Junto disso, o carro passou a ter uma interface que distraia o mínimo possível o motorista. O painel agora tem apenas um tablet que segue normas de segurança interna e não permite que informações fora da navegação sejam sejam apresentadas.

Ainda, o veículo tem um sistema que evita colisão mesmo quando estiver em modo manual. Ao perceber uma aproximação muito veloz de um objeto em sua direção, o carro freia bruscamente.

Por fim, ele ainda avisa que os motoristas que estão realizando os testes da Uber com estes carros passaram por um treino e estão preparados “para a missão”.

Ambiente virtual

A empresa também está levantando dados para um sistema para a criação de cenários virtuais. “A condução manual nos permite ver em tempo real diferentes cenários que nossos carros autônomos encontrarão na estrada. Em seguida, recriamos esses cenários em um mundo virtual e na pista de teste para melhorar o sistema operacional geral sob condições semelhantes”, explica.

Por fim, os carros agora passam a contar com o desenvolvimento de mapas em HD, de forma a detalhar melhor os caminhos pelos quais precisam passar. “Nós reconhecemos nossa responsabilidade de contribuir para o futuro e o papel essencial da segurança enquanto avançamos. Também reconhecemos que a transparência é fundamental para a construção da confiança, e é por isso que continuaremos compartilhando nosso progresso conforme trabalhamos para voltar à estrada no modo automático”, finaliza.

Embora os carros estejam em testes novamente, vale lembrar que o acidente ainda segue sob análise no Arizona. As investigações preliminares em março, contudo, apontam para negligência da própria vítima, que adentrou a pista a partir de uma área pouco iluminada, a 90 metros de uma faixa de pedestres.

A volta da Uber com testes de carros autônomos acontece no mesmo dia em que a Ford anuncia investimentos de US$ 4 bilhões em uma nova companhia voltada para desenvolvimento de tecnologias e negócios para o mercado de autonomia veicular.

Por conta do acidente em março, a Toyota anunciou a paralisação de seus testes também com veículos autônomos.

Fonte: Medium

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