10 jogos indies essenciais que você precisa ter na coleção

Por Rafael Arbulu | 30 de Junho de 2020 às 10h49

Houve um tempo em que os jogos independentes traziam junto de si uma conotação negativa: ou consumidores torciam o nariz por acharem que um produto dessa linha seria algo “inferior” aos títulos AAA milionários das grandes produtoras; ou então traziam um ar elitista que, por vezes, dizia mais sobre seus criadores do que os produtos em si (vide o chilique de Phil Fish no documentário Indie Game: The Movie).

Há tempos isso não é mais verdade, pois hoje os chamados indie games não apenas trazem obras fantásticas cujo sucesso em muito se deve pela liberdade criativa dos envolvidos, ao mesmo tempo em que acabaram abraçados pelas grandes publishers, que firmaram parcerias para produções exclusivas ou estabeleceram selos próprios para contemplar as produções de fora de seus estúdios. Isso fora a chegada do Nintendo Switch, que aos poucos vem se tornando a casa para grandes jogos do tipo.

Por isso, na lista de hoje, o Canaltech vai muito além de Braid e Super Meat Boy e elenca 10 jogos indies essenciais que você precisa conhecer e ter na coleção.

10. Furi

Furi é o tipo de jogo que anima só de olhar as imagens: trata-se de um misto de hack n’ slash com tiro em terceira pessoa em visão isométrica e dificuldade altamente punitiva, maravilhosamente posicionado em uma ambientação de neon, cores vibrantes e jogabilidade que prioriza a precisão.

O jogo coloca você no papel do “Estranho”, uma figura enigmática que vem aturando anos de prisão e tortura, até que é libertado pela “Voz”, uma entidade que lhe confere uma espada e uma pistola, comandando-o a lutar por sua liberdade por dez ilhas diferentes, cada qual protegida por um guardião.

Bebendo das fontes dos antigos “jogos de navinha”, mas em uma ambientação de outro gênero, Furi é conhecido por preencher a tela com golpes e magias de seus inimigos, exigindo destreza e habilidade nos controles para que você desvie, defenda e ataque ao mesmo tempo.

Furi está disponível para PC (somente Windows), PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

9. Katana Zero

Um jogo de progressão lateral em que você controla um assassino de aluguel conhecido apenas como “O Dragão”, um homem que sofre de transtornos psicossomáticos em um cenário futurista de pós-guerra. Katana Zero é um dos jogos mais bacanas que o Canaltech já analisou simplesmente pela sua criatividade e fluidez de gameplay.

O recurso mais bacana é o da “clarividência analítica”: todos os movimentos que você controla durante as missões, na verdade, transcorrem na cabeça do samurai. A ideia passada é a de que ele está imaginando uma situação se desenrolando à frente e pensando em formas de resolvê-la. Quando o jogador percorre todo o cenário, por meio de movimentação remetente aos melhores jogos de plataforma e câmera side scrolling, significa que o Dragão achou uma forma correta de atacar o problema. O que se segue é uma espécie de videoteipe das suas ações, sendo executadas de fato.

Katana Zero está disponível para PC (Windows e MacOS) e Nintendo Switch.

8. Inside

Uma sequência para o já icônico Limbo, Inside expande a ambientação de seu predecessor com uma apresentação visual com maior aproveitamento de cenários 3D, ao mesmo tempo em que recria e, em alguns casos, aprimora a sensação de terror psicológico de estar sempre sendo perseguido por algum inimigo.

O charme de Inside reside justamente em casar o ambiente monocromático e escuro com a sonorização ambiente: ao contrário de outros jogos do tipo, você não terá uma musiquinha de fundo, mas sim o som dos seus próprios passos e saltos enquanto percorre pelo cenário resolvendo quebra-cabeças de plataforma e tenta adivinhar, pelo som, se um inimigo está ou não naquela parte não-iluminada do cenário.

Inside está disponível para PC (Windows e MacOS), Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e iOS.

7. Spelunky

Um dos jogos mais famosos desta lista, Spelunky tem uma apresentação simples: é um jogo de plataforma em que você deve chegar ao “fundo” de uma fase, saltando de parte em parte do cenário enquanto enfrenta inimigos, coleta itens e busca power ups para aprimorar suas capacidades. Originalmente lançado em 2008 e virando open source em 2012, o jogo ainda segue como um dos mais engajados do gênero.

O real charme de Spelunky reside no fato de que todos os seus níveis são aleatórios, tornando impossível estabelecer um padrão de jogo já que, a cada mudança, o que você conhecia já não vale mais. Desta forma, toda partida é uma surpresa. Ah, e veteranos do jogo vão apontar para uma única constante do jogo: não atire nem faça nada que irrite o lojista dentro do jogo. Jogue Spelunky e você vai entender.

Spelunky está disponível para PC (somente Windows), Xbox 360, PlayStation 3, PlayStation Vita e PlayStation 4.

6. My Friend Pedro

Você é um mercenário que desperta, desnorteado, em uma sarjeta. Ainda desorientado e procurando se situar em seu ambiente, quase que sem aviso é abordado por uma banana falante, que explica que capangas que comandam o local te nocautearam e largaram você para morrer ali mesmo. Enquanto você transita pela ambientação imunda, encontra uma arma e, a partir daí, parte em uma missão para descobrir o que diabos aconteceu e como você foi parar ali.

My Friend Pedro é um jogo estranho, meu povo. Mas é incrivelmente divertido de tantas formas que fica difícil resumi-lo por aqui. Em nossa análise, ressaltamos: enquanto boa parte dos jogos independentes de hoje procuram ser particularmente difíceis ou indutores da raiva humana, o jogo procura apelar aos jogadores que gostam da sensação de serem intocáveis durante uma partida ou uma fase. Já imaginou cruzar um precipício pendurado em um gancho, atirando e matando em câmera lenta inimigos à frente e atrás de você? Eu fiz isso dentro do jogo. Me senti invencível até morrer três vezes na tela seguinte.

My Friend PEdro está disponível para PC (somente Windows), Nintendo Switch, Xbox One e PlayStation 4.

5. Cuphead

Existe uma relação amorosa deveras duradoura entre “jogos indie” e “dificuldade extrema”, e um ótimo exemplo disso é Cuphead, um jogo com visual cartunesco que remete aos desenhos da Disney dos anos 1930 (um estilo de animação chamado “rubber hose”) e um foco nada saudável nas batalhas contra os chefões de cada fase e... bom, é melhor o trailer mais abaixo mostrar.

Cuphead é conhecido por ser um dos títulos mais exigentes da destreza e perspicácia dos jogadores, já que esse gênero de progressão lateral comumente estabelece uma estratégia específica para cada fase. Mas não aqui. Cuphead pode até seguir um padrão de combate, mas um milissegundo de erro implica em falhar miseravelmente. E por mais estressante que seja, o jogo também consegue ser extremamente viciante.

Cuphead está disponível para PC (Windows e MacOS), Xbox One e Nintendo Switch.

4. Undertale

Undertale é uma espécie de homenagem aos antigos RPGs japoneses da velha guarda, com apresentação pixelada que mais parece um jogo sem o devido acabamento do que um produto devidamente completado. A premissa coloca você na pele de um jovem que cai em um mundo subterrâneo, tendo que enfrentar toda a sorte de inimigos enquanto busca a fronteira entre sua ambientação atual e seu mundo original. Não se iluda com os visuais simplistas, porém: é um dos títulos mais exigentes de sua paciência.

Um trato muito elogiado de Undertale é a sua narrativa: o diálogo é muito bem construído e cada aspecto das conversas soa surpreendentemente humano, não fosse pelo visual tão “fora do padrão” de alguns personagens. Definitivamente é um dos jogos indie mais lembrados pelos fãs.

Undertale está disponível para PC (Windows, MacOS e Linux), PlayStation 4, PlayStation Vita e Ninendo Switch.

3. Oxenfree

Jogos com ênfase na narrativa costumam chamar muita atenção de quem aprecia esse tipo de conteúdo, e Oxenfree não decepciona nesse quesito. Um título de aventura com mecânica similar aos jogos de navegação textual da finada Telltale Games, aqui você assume o papel de Alex, que, junto de um grupo de amigos, resolve ficar em uma ilha para investigar uma série de eventos sobrenaturais que vêm acontecendo.

A narrativa sólida de Oxenfree é muito bem complementada por seu estilo artístico, que traz elementos em 2,5D com apresentação aquarelada e pano de fundo animado de forma independente, resultando em uma apresentação fluída. O diálogo segue um sistema de moralidade bastante profundo, que traz resultados diferentes ao final do jogo de acordo com suas escolhas.

Oxenfree está disponível para PC (Windows, MacOS e Linux), Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch, iOS e Android.

2. Disco Elysium

Vencedor de diversos prêmios da edição 2019 do Game Awards, Disco Elysium foi “o” jogo independente do ano passado para muitas pessoas. Desenvolvido pela ZA/UM, trata-se de um RPG de mundo aberto e visão isométrica que coloca você na pele de um detetive com problemas de alcoolismo em meio a uma investigação de assassinato. Porém, ele acabou caindo em uma depressiva espiral de três dias de bebedeira e acordou com uma persistente amnésia.

O interessante em Disco Elysium é que o jogo não traz um sistema de combate tradicional, valorizando o diálogo (e as consequências dele) até mesmo nos encontros mais violentos. A forma como isso se amarra à jogabilidade traz uma mecânica única de progressão, muito bem casada com a ambientação que mistura cenários pós-apocalípticos com uma estética mais voltada aos anos 1970 de metrópoles decadentes.

Disco Elysium está disponível para PC (somente Windows), iOS e Xbox One, com versões para PlayStation 4 e Nintendo Switch prometidas para 2020.

1. GRIS

O melhor indie da lista é também o mais profundo. Dotado de um visual aquarelado e progressão rítmica dentro do gênero de plataforma, GRIS é sem dúvida um dos jogos da década, aproveitando-se de seu design minimalista para inserir uma mecânica de jogabilidade que, embora não muito complicada, serve como bom pano de fundo para os elementos narrativos — o real charme do jogo.

GRIS é daquele tipo de jogo que você vai juntando as peças e preenchendo as lacunas com a sua imaginação, abrindo espaço para interpretações diversas. Não há falas no jogo e pouquíssimo texto aparece ao longo da jogatina – sumariamente, você irá ler apenas instruções na tela. Isso porque o game brinca com a arte, seja ela gráfica, auditiva ou interativa. GRIS é, portanto, uma peça artística em sua mais pura forma, só que entregue na forma de um game.

Além disso, o jogo flerta com temas como depressão, solidão e impotência humana, usando analogias artísticas muito bem representadas. A garota que dá nome ao jogo começa a aventura tentando “cantar” para uma estátua, mas se vê sem voz e, de repente, vê a estátua ruir e ela cair em um mundo onde começa a narrativa de fato. Muitos atribuem isso à ideia um indivíduo se ver, de repente, “sem chão” — um tema que, para o bem ou para o mal, todos nós podemos nos relacionar de alguma forma.

GRIS está disponível para PC (Windows e MacOS), Nintendo Switch, iOS, Android e PlayStation 4.

Menção honrosa: Celeste

Tudo em Celeste contribui para ser “o suficiente” em várias frentes: neste pequeno jogo de aventura com elementos de plataforma, obstáculos são “o suficiente” para te atrasar, enquanto inimigos são poderosos “o suficiente” para lhe derrubar em um combate mais justo. Não há extremos aqui, apenas um equilíbrio perfeito de jogabilidade envelopado em uma apresentação visual de anime bastante cartunesca, colorida e belíssima.

Poder pela simplicidade

Um trato comum a todos os jogos independentes é que eles trazem simplicidade no cerne de seus processos de desenvolvimento. É algo que permeia essa parte da indústria com uma maestria ímpar e que, felizmente, serve muito bem ao propósito de nos tirar do lugar-comum de cenários ultrarrealistas e narrativas padronizadas, nos abrindo a mente para outras visões e interpretações.

Por isso, escolher jogos em uma lista desse tipo é uma tarefa deveras complicada. Assim, passamos a bola para você, caro leitor, nos contar quais jogos independentes que não estão aqui conseguiram cativá-lo a ponto de se tornarem memoráveis. Conte para nós nos comentários abaixo!

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