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Campo magnético expôs a Terra a raios cósmicos há 41 mil anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Abril de 2024 às 18h44

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OSAKA METROPOLITAN UNIVERSITY/KYOTO UNI
OSAKA METROPOLITAN UNIVERSITY/KYOTO UNI

Há cerca de 41.000 anos, o campo magnético da Terra diminuiu e deixou o planeta mais vulnerável aos raios cósmicos do universo. Variações como essa ocorreram em vários períodos da história, mas os cientistas ainda não as conhecem muito bem. Agora, um novo estudo descreve o que aconteceu em uma dessas eras.

Os pesquisadores apresentaram um estudo no encontro Scientists at the European Geosciences Union General Assembly, revelando um dos períodos em que a intensidade do campo magnético da Terra diminuiu. Além dos raios cósmicos, este escudo protetor também é responsável por desviar as partículas carregadas das tempestades solares.

Já os raios vêm de outras partes da Via Láctea, mas também de outras galáxias. Eles são emitidos por eventos cataclísmicos, como as explosões de estrelas em supernovas. A Terra recebe esses raios constantemente, mas a magnetosfera do planeta consegue repelir boa parte deles.

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No entanto, a magnetosfera oscila e seus polos se invertem de tempos em tempos, deixando a Terra menos protegida por algum tempo. Além disso, os dois polos da magnetosfera também podem desaparecer, dando lugar a diversos polos. Esses períodos são conhecidos como excursões magnéticas.

Os autores do novo estudo quiseram saber como esses períodos afetam a biosfera da Terra, ou seja, todas as regiões e camadas onde há vida em nosso planeta. A resposta ajudaria a prever o clima espacial e avaliar seu impacto no ambiente terrestre — afinal, os raios cósmicos são prejudiciais à vida.

Para o estudo, a equipe escolheu a excursão magnética conhecida como Laschamps, ocorrida há cerca de 41 mil anos. Ela apresentou baixa intensidade de campo magnético e, por isso, é uma das mais estudadas. Será que naquele período a biosfera foi prejudicada?

Ao analisar radionuclídeos cosmogênicos (isótopos instáveis formados pela interação entre os raios cósmicos e a atmosfera terrestre) preservados em lugares como blocos de gelo ou em no fundo do mar, os pesquisadores conseguem determinar períodos de bombardeamento intenso.

Eles estudaram então sedimentos marinhos e núcleos de gelo, coletados em lugares como a Antártica e a Groenlândia, procurando rastros da excursão Laschamps. A equipe descobriu que a presença de berílio-10 produzido durante aquela época é duas vezes maior que a atual.

O berílio-10 nesse contexto é um forte indicador de queda da intensidade da magnetosfera terrestre. A taxa média de produção desse isótopo durante a excursão de Laschamps é uma evidência de maior quantidade de raios cósmicos atingindo a atmosfera da Terra há 41 mil anos.

Fonte: EGUEurekAlert