As notícias espaciais mais importantes de 2020

As notícias espaciais mais importantes de 2020

Por Patrícia Gnipper | 29 de Dezembro de 2020 às 19h00
Gerald Rhemann/NASA/SpaceX/UCF/Iaroslav Kourzenkov

O ano de 2020 ficará marcado nas páginas da história como o ano da pandemia de COVID-19 — que, inclusive, atrasou muitos estudos astronômicos, com observatórios e laboratórios fechando as portas para frear a disseminação do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Mas, driblando as adversidades, 2020 também nos proporcionou muitas descobertas espaciais, além de revelações bombásticas e importantes para o futuro da ciência (e, por que não, da humanidade).

Assim como fizemos no ano passado, nesta matéria você revisita as notícias espaciais mais importantes do ano, mês a mês. Vamos lá?

As notícias espaciais mais importantes de janeiro de 2020

Material mais antigo encontrado na Terra tem quase o dobro da idade do Sol

Cientistas descobriram que a formação mais antiga já encontrada na Terra data de 7 bilhões de anos atrás, sendo que a formação do Sol aconteceu há 4,6 bilhões de anos. Ou seja: esse material é mais antigo do que o próprio Sistema Solar. Trata-se de uma rocha que caiu na Austrália em 1969 e que, ao ser analisada neste ano, mostrou conter poeira estelar formada 3 bilhões de anos antes do Sol.

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Especialistas acreditam que a poeira estelar antiga foi jogada ao universo por estrelas no final de suas vidas. Um pouco dessa poeira pegou carona em um asteroide que passou no caminho da Terra e nos deixou o meteorito de Murchison, uma rocha que pesa 100 quilos.

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Ministro astronauta mostra Terra esférica no Instagram para calar terraplanistas

Marcos Pontes, ex-astronauta e ministro brasileiro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, decidiu "causar" no Instagram ao dizer que, de uma vez por todas, não, a Terra não é plana. Para isso, ele postou uma foto detalhada do nosso planeta, esférico, obtida por meio de um satélite da NASA.

Como ele mesmo justifica, a publicação foi feita “devido ao grande número de pessoas que me questionam sobre a Terra ser plana ou não”. Pontes teve a oportunidade de ver a Terra do espaço quando esteve na Estação Espacial Internacional em 2006, com a Missão Centenário.

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Telescópio espacial Spitzer é desativado após 16 anos de grandes descobertas

Lançado em 2003, o telescópio espacial Spitzer foi desativado pela NASA. Ele proporcionou descobertas sem precedentes sobre o universo em 16 anos de operação, fornecendo informações preciosas de coisas como galáxias e nebulosas graças à sua capacidade de enxergar a região do infravermelho no espectro eletromagnético. Isso significa que este telescópio conseguia ver o que há por trás de nuvens de gás e poeira, por exemplo, permitindo à ciência descobrir mais sobre o que existe atrás ou dentro dessas camadas que obscurecem a observação direta por meio da luz visível.

O Spitzer foi projetado para operar por apenas cerca de dois anos, mas funcionou por mais de cinco anos a todo vapor, permanecendo em funcionamento nos anos seguintes mesmo com o fim do suprimento de hélio líquido que resfriava seu interior. Então, o telescópio funcionou por todo esse tempo de maneira reduzida, à medida que seus instrumentos iam se desgastando com sua incapacidade de se manter resfriado. Até que, enfim, chegou a vez de os instrumentos "sobreviventes" se aposentarem, com a missão do telescópio espacial sendo oficialmente encerrada — com louvor.

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As notícias espaciais mais importantes de fevereiro de 2020

A Terra ganhou uma nova e pequena lua, mas ela não ficou aqui por muito tempo

Um pequeno asteroide foi capturado pela atração gravitacional da Terra e acompanhou a Lua ao redor do nosso planeta por um tempo. O objeto foi visto se movendo rapidamente pelo céu, e sua órbita então foi calculada, confirmando que ele estava gravitacionalmente ligado à Terra há cerca de três anos.

A mini-lua temporária da Terra tinha entre 1,9 e 3,5 metros de diâmetro e foi catalogada como 2020 CD3, circulando nosso planeta cerca de uma vez a cada 47 dias, com uma trajetória larga e de formato oval, muito além da órbita da Lua. Ela foi embora apenas um mês depois de ter sido descoberta e, depois disso, passou a orbitar o Sol.

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Aos 101 anos, morre Katherine Johnson, matemática que ajudou NASA a chegar à Lua

Katherine Johnson trabalhou na NASA entre 1953 e 1969, e seus cálculos foram fundamentais tanto para a primeira viagem de um estadunidense ao espaço, com Alan Shepard em 1961, quanto para os primeiros passos de Neil Armstrong em nosso satélite natural em 1969. A matemática morreu aos 101 anos e foi homenageada pela agência espacial, que fez questão de destacar seus esforços em uma época em que mulheres e negros sofriam (ainda mais) discriminação no ambiente de trabalho.

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Nada de supernova: o brilho da estrela Betelgeuse voltou ao normal

(Imagen: Reprodução/NASA/ESA/E. Wheatley)

Se a variação no brilho da estrela Betelgeuse foi um dos grandes mistérios de 2019, em 2020 veio a grande solução. No final do ano passado, seu brilho diminuiu drasticamente, e muitos especularam que talvez a estrela, enfim, estivesse no processo de explodir como uma supernova.

Só que o brilho de Betelgeuse voltou ao normal e, em fevereiro deste ano, cientistas trouxeram a resposta: a estrela teve um "soluço", no qual disparou um jato superquente de plasma, que se resfriou ao se espalhar, formando uma nuvem de poeira ao redor da estrela — o que justifica a variação no seu brilho observado aqui na Terra, com essa nuvem obscurecendo a intensidade desta que é uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno.

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As notícias espaciais mais importantes de março de 2020

Chega de desinformação: o novo coronavírus NÃO veio do espaço!

Logo que a COVID-19 foi classificada oficialmente como uma pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), teorias conspiratórias diversas surgiram na tentativa de especular a origem do patógeno — incluindo a ideia absurda de que o novo coronavírus seria uma arma biológica criada em laboratórios chineses ou estadunidenses. Outra hipótese igualmente absurda foi a de que sua origem seria o espaço sideral, vinda do astrobiólogo Chandra Wickramasinghe.

Em conversa com o Express.co.uk, ele disse ser "muito provável que o surto repentino do novo coronavírus tenha uma conexão espacial, e a forte localização do vírus na China é o aspecto mais notável disso". É que, em outubro do ano passado, um meteoro explodiu no nordeste chinês, com um fragmento do cometa atingindo o solo. Wickramasinghe, então, especulou que esse fragmento continha "uma monocultura de partículas infecciosas do vírus SARS-CoV-2, que teriam sobrevivido no interior do fragmento". "Acreditamos que agentes infecciosos são predominantes no espaço, transportados em cometas", disse, emendando, ainda, ser possível que esse tipo de coisa tenha acontecido no passado, "provocando epidemias de doenças em humanos". Mas, não, o coronavírus não veio do espaço.

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NASA encontra entrada de caverna em Marte

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL/U. Arizona)

A NASA divulgou a imagem de um buraco incomum em Marte, que mais parece uma entrada para uma espécie de caverna subterrânea. A abertura tem cerca de 35 metros de diâmetro, enquanto o ângulo interno da sombra indica que a caverna subjacente tem aproximadamente 20 metros de profundidade.

Buracos como esse são de grande interesse para pesquisadores porque estão relativamente protegidos do ambiente hostil na superfície de Marte. Isso significa que eles podem ser lugares interessantes para algum provável tipo de vida marciana se desenvolver, já que a radiação solar não atinge as profundidades das cavernas subterrâneas.

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Mais de cem pequenos mundos são encontrados além de Netuno

Mais de cem pequenos mundos foram encontrados na órbita além de Netuno. Os pesquisadores estavam procurando, na verdade, por galáxias distantes e supernovas, quando fizeram a descoberta aqui no Sistema Solar mesmo. Eles notaram um conjunto de pequenos pontos em movimento no campo de visão da câmera, e então passaram a estudá-los para entender do que se tratavam.

O estudo também forneceu uma nova abordagem para encontrar objetos do tipo, o que ajudará futuros pesquisadores que focarem seus trabalhos naquela região onde fica o Cinturão de Kuiper. E provavelmente a técnica será benéfica também na busca incansável pelo tal do Planeta Nove — suposto objeto grande o suficiente para ser um planeta cuja ação gravitacional "bagunça" a órbita de vários objetos por lá, mas que ainda não foi descoberto.

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As notícias espaciais mais importantes de abril de 2020

Telescópio Hubble: 30 anos de história, descobertas e revolução na astronomia

No dia 24 de abril de 1990, o Telescópio Espacial Hubble foi lançado ao espaço para mudar fundamentalmente nossa percepção do universo. E, 30 anos depois, a missão segue firme e forte, mesmo após atingir o dobro do tempo inicialmente previsto para seu funcionamento.

Além do grande esforço empreendido para projetar, construir e lançar o Hubble, foi necessário enviar astronautas ao espaço para consertá-lo e evitar que o telescópio fosse uma grande decepção. Aos poucos, ele foi se tornando um dos observatórios espaciais mais valiosos da história, fornecendo dados que já renderam milhares de artigos científicos, fotografias fabulosas do cosmos e descobertas surpreendentes.

Descoberto exoplaneta parecido com a Terra em meio a dados antigos do Kepler

Aposentado em 2018, o telescópio espacial Kepler segue permitindo a descoberta de novos exoplanetas, aqueles que orbitam outras estrelas além do Sol. E um planeta do tamanho da Terra passou despercebido pelas análises de dados do telescópio, sendo detectado em meio a uma revisão desses dados. É que ele havia sido classificado erroneamente por um algoritmo de computador como outro tipo de objeto espacial, e não como um planeta em potencial.

Além de ter o tamanho aproximado do nosso planeta, o Kepler-1649c está na região habitável de seu sistema estelar, ou seja, a área ao redor de uma estrela onde um mundo rochoso poderia abrigar água líquida. De todos os exoplanetas encontrados pelo Kepler, este é mais o semelhante à Terra em questão de tamanho e temperatura superficial estimada. Localizado a 300 anos-luz, este mundo recebe o equivalente a 75% da quantidade de luz que a Terra recebe de nosso Sol. Daí a estimativa de que a temperatura do Kepler-1649c também pode ser semelhante à do nosso planeta. Porém, ele orbita uma anã vermelha, um tipo de estrela cujas explosões podem tornar desafiador o ambiente de um planeta, quando se pensa em qualquer vida em potencial.

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As notícias espaciais mais importantes de maio de 2020

Sucesso! SpaceX lança astronautas da NASA à ISS pela primeira vez

Depois de atrasos no cronograma, a SpaceX finalmente provou para a NASA que sua espaçonave tripulável Crew Dragon era capaz de transportar astronautas ao espaço com segurança e eficiência. A empresa de Elon Musk lançou a missão Demo-2, com dois astronautas a bordo, a partir de um foguete Falcon 9 e com toda a maestria que já provou ter em lançamentos espaciais não tripulados — com tudo sendo transmitido ao vivo para todo o mundo, que acompanhou atentamente todos os instantes desde os bastidores até a chegada da dupla na Estação Espacial Internacional.

Com isso, a SpaceX entrou para a história como a primeira empresa privada a levar humanos para a órbita da Terra, marcando, também, o fim do contrato dos EUA com a Rússia para fazer esse transporte entre Terra e ISS — algo que acontecia desde 2011 com o fim do programa dos ônibus espaciais, quando a NASA começou a pagar por assentos nas naves Soyuz para garantir que a ISS sempre tivesse astronautas estadunidenses a bordo.

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Cometa recém-descoberto é fotografado ao se aproximar da Terra

(Imagem: Reprodução/Gerald Rhemann)

Após a decepção com o cometa ATLAS, que acabou se despedaçando ao se aproximar do Sol no início do ano, veio a alegria com o cometa C/2020 F8 SWAN, descoberto em abril e que iluminou o céu noturno em maio. Muito brilhante, ele foi tido como um dos cometas mais incríveis de 2020 — e sua passagem rendeu muitas astrofotografias belíssimas, inclusive tiradas por brasileiros.

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As notícias espaciais mais importantes de junho de 2020

Estado quântico da matéria criado no espaço pela primeira vez

Pela primeira vez, um Condensado de Bose-Einstein foi criado no espaço — especificamente na Estação Espacial Internacional. Muitas vezes referido como o “quinto estado da matéria”, o condensado de Bose-Einstein é o estado da matéria formada por uma partícula conhecida como bóson, quando elas atingem uma temperatura muito próxima do zero absoluto. Nestas condições, uma grande parte dos átomos atinge o mais baixo estado quântico, de modo que os efeitos quânticos podem ser observados em escala macroscópica.

Estudar esse estado da matéria no espaço ajuda os cientistas a entenderem um pouco melhor tanto a física fundamental quanto a realizar novas medições quânticas sensíveis. Produzir o condensado na Terra é complicado porque a gravidade interfere nos dispositivos e átomos, então a melhor forma de fazer esse experimento é manter as partículas em queda livre contínua — e é exatamente isso o que acontece num ambiente de microgravidade como o da ISS.

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ESA detecta brilho verde ao redor de Marte

Brilho verde ao redor da atmosfera terrestre, capturado a partir da ISS (Foto: NASA)

Um brilho verde foi detectado ao redor da atmosfera de Marte pela sonda ExoMars, que orbita o Planeta Vermelho. Essa foi a primeira vez que um brilho como este foi observado em um mundo que não a Terra.

Esse fenômeno é relativamente comum, mas difícil de testemunhar. Na Terra, por exemplo, acontece de modo mais intenso durante as auroras polares, quando partículas energéticas do espaço atingem a atmosfera superior, resultando em magníficas luzes coloridas. Mas, em condições normais, o brilho noturno esverdeado é bastante tênue e, portanto, é mais fácil de observar quando se está na órbita do planeta. Cientistas previam há cerca de 40 anos que esta emissão existia também em Marte, mas ainda não haviam sido capazes de registrar o fenômeno para comprová-lo — o que aconteceu agora, em 2020.

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As notícias espaciais mais importantes de julho de 2020

China revela análise de substância estranha encontrada na Lua em 2019

A missão Chang'e 4, explorando o lado afastado da Lua, encontrou uma substância estranha por lá no ano passado, com o mistério possivelmente sendo solucionado neste ano. Analisando as características do material curioso, cientistas chineses sinalizaram a possível presença de vidro, que poderia ter surgido graças ao derretimento de matéria causado por impacto de asteroides ou por erupções vulcânicas.

Essa rocha seria uma brecha, que é um conglomerado de fragmentos quebrados de rochas e unidos por alguma liga ou solda, que, neste caso, seria resultado dos impacto e pela aglutinação de regolitos. Essa mistura de mineral aquecido por meteoritos e pó lunar teria agido como uma espécie de cimento para formar a brecha.

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Cometa NEOWISE é fotografado por brasileiros

Cometa passando acima da igrejinha de Santa Catarina, zona rural de Juramento, em Minas Gerais (Foto: Reprodução/Harlen Veloso)

Mais um cometa se tornou uma atração celeste em 2020! Desta vez, quem chamou a atenção foi o C/2020 F3 NEOWISE, visto no céu noturno e fotografado por brasileiros, também. Descoberto em março deste ano, seu brilho foi aumentando, e o cometa, então, pôde ser visto até mesmo a olho nu — sendo registrado pelas lentes de muitos astrofotógrafos, como era de se esperar.

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Três missões lançadas rumo a Marte

Aproveitando uma curta janela em que Terra e Marte ficaram próximos o suficiente para que uma viagem entre os dois planetas aconteça mais rapidamente (economizando não apenas tempo, como combustível e, consequentemente, dinheiro), três países lançaram missões rumo ao Planeta Vermelho em julho deste ano.

Os Emirados Árabes Unidos lançaram a Hope Mars, com uma sonda orbital que marca o primeiro lançamento interplanetário do país. Enquanto isso, a China lançou a missão Tianwen-1, a primeira do país com Marte como destino e contendo um orbitador, um módulo de pouso e um rover — e, se tudo correr bem, a China se tornará o terceiro país, depois da União Soviética e dos Estados Unidos, a pousar uma espaçonave em Marte. Já os Estados Unidos lançaram a missão Mars 2020 com o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity, com o principal objetivo de procurar por bioassinaturas por lá (ou seja, sinais de que Marte já abrigou algum tipo de vida em seu passado distante). As três missões devem chegar a seu destino em fevereiro do ano que vem.

As notícias espaciais mais importantes de agosto de 2020

Asteroide passa "de raspão" por nós e só foi detectado seis horas depois

Um asteroide do tamanho de um carro passou a cerca de 2.900 km de distância da Terra, pegando até mesmo os astrônomos de surpresa. Ele só foi detectado seis horas depois de sua aproximação, sendo este o sobrevoo mais “rasante” de um corpo rochoso, sem colidir com o planeta, já registrado. Mas embora, em termos astronômicos, ele tenha passado bem perto da Terra, isso não representou perigo para nós, pois, mesmo se atingisse o planeta, provavelmente teria se queimado completamente ao entrar na atmosfera.

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Planeta anão Ceres é geologicamente ativo e pode ter água abaixo da superfície

O planeta anão Ceres foi estudado pela missão Dawn em 2015, e seus dados seguem sendo analisados. Neste ano, cientistas concluíram que ele pode ter reservatórios de água sob sua superfície, e que ainda é geologicamente ativo — o que foi uma surpresa enorme.

Localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, Ceres tem quase mil quilômetros de diâmetro, sendo o maior objeto da região. Em 2019, dados da missão Dawn revelaram muitos detalhes sobre o vulcão Ahuna Mons e sua formação, e os cientistas descobriram que as áreas brilhantes eram depósitos feitos principalmente de carbonato de sódio. Esse composto formado por sódio, carbono e oxigênio provavelmente veio de um líquido que se emergiu até a superfície e evaporou, deixando para trás uma crosta de sal altamente reflexiva. Mas o que eles ainda não haviam determinado era de onde vinha aquele líquido — algo que aconteceu agora em 2020, pois pesquisadores determinaram que existe um "extenso reservatório" de salmoura (uma solução de água saturada de sal) abaixo de sua superfície.

Mais interessante ainda é que os compostos ainda podem estar subindo do interior do planeta e, se isso for verdade, os próximos estudos sobre Ceres podem trazer ainda mais surpresas — como a possibilidade de encontrar bioassinaturas, de repente.

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As notícias espaciais mais importantes de setembro de 2020

Descobertas mais reservas de água líquida no Planeta Vermelho

Parte do polo sul de Marte fotografado pela Mars Express (Imagem: Reprodução/ESA/DLR/FU Berlin/Bill Dunford)

Em 2018, pesquisadores italianos anunciaram que haviam encontrado evidências da existência de água líquida em Marte, abaixo da calota polar sul. Já em 2020, a equipe voltou em mais uma série de informações que não apenas sustentam essa hipótese, como amplia ainda mais a possibilidade: o novo estudo sugeriu que há pelo menos três lagos subglaciais no polo sul marciano, sendo que o lago maior tem cerca de 20 x 30 km e é cercado por várias lagoas menores.

Uma das dúvidas que ainda pairam no ar é: como o solo aqueceu o suficiente para derreter o gelo, já que Marte não é um mundo muito ativo em termos geológicos? Essa é uma resposta que fica para depois — quem sabe para 2021, não é mesmo?

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Fosfina em Vênus: possível bioassinatura na atmosfera do planeta gera polêmica

Talvez a maior "bomba" do ano tenha sido o anúncio de que descobriram a presença de fosfina na atmosfera de Vênus, pelo fato de a fosfina ser uma possível bioassinatura — ou seja, produzida por seres vivos. A comunidade científica ficou em polvorosa, com uma "briga" acontecendo: de um lado, os defensores dos resultados do estudo e da possibilidade de que possa haver vida em Vênus; do outro, críticos quanto à análise do que foi observado, levantando a bola de que poderiam apenas se tratar de ruídos nas observações ou interpretações incorretas.

Novas análises dos dados do estudo original foram feitas nos meses seguintes, e então a polêmica ficou mais forte: alguns cientistas refutaram totalmente a descoberta, enquanto outros apontaram que existe, sim, fosfina em Vênus, mas numa quantidade muito menor do que a anunciada inicialmente — e esta, por sinal, foi a nova conclusão dos pesquisadores responsáveis pelo anúncio original, divulgado em setembro, quando re-analisaram os próprios dados em novembro.

A Lua está enferrujando? Estudos revelam oxidação misteriosa nos polos lunares

Mapa aprimorado da hematita no polo norte lunar (Imagem: Reprodução/Shuai Li)

Descobriram na Lua a presença de hematita, uma forma oxidada de ferro que, ao menos aqui na Terra, precisa de ar e água líquida para se formar, coisas que não são encontradas na Lua da mesma forma e na medida medida que por aqui. A presença desse óxido de ferro por lá é estranha, ainda mais considerando o fluxo de hidrogênio dos ventos solares que atingem o nosso satélite natural — o hidrogênio é um agente redutor que deveria ser o suficiente para impedir a oxidação de qualquer coisa que pudesse “enferrujar” ali.

Outra curiosidade é que a hematita lunar está mais presente no lado próximo da Lua, ou seja, a face que está constantemente voltada para a Terra — e a explicação do mistério pode estar relacionada a isso, por sinal. Hematita apenas no lado próximo da Lua sugere que ela pode ter alguma relação com a Terra e, talvez, o oxigênio da parte superior da nossa atmosfera tenha sido soprado para a superfície lunar através do vento solar. Portanto, isso pode explicar a produção de hematita na Lua, ainda que essa não seja uma explicação comprovada, por enquanto.

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As notícias espaciais mais importantes de outubro de 2020

NASA encontra tubo de lava de grandes dimensões em Marte

Imagens da sonda Mars Reconnaissance Orbiter mostraram o teto de um tubo de lava muito maior do que qualquer outro já avistado no Planeta Vermelho. A abertura vista na parece ter 50 metros de diâmetro e, se esse for realmente o tamanho da cavidade, é possível que o tubo também tenha essas dimensões — e é aí que ele se diferencia dos tubos de lava do nosso planeta, que são bem menores e não costumam passar dos 15 metros.

Para alguns cientistas, estudar os tubos de lava deveria ser uma prioridade em missões por alguns motivos interessantes. É que eles podem ser o abrigo de formas de vida que sobreviveram às condições de Marte — conforme o planeta perdeu sua atmosfera e se esfriou, essas formas de vida podem ter se abrigado no interior dos tubos de lava para resistirem às condições hostis da superfície. Além disso, tubos de lava podem ser importantes também para o uso humano, pois muitos consideram que eles sejam locais interessantes para a construção de habitats em outros mundos.

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NASA descobre grandes quantidades de água em cratera iluminada na Lua

A NASA descobriu grandes quantidades de água na superfície da Lua, e também em uma cratera que é iluminada pela luz solar, no polo sul lunar. Essas descobertas sugerem que a água pode estar distribuída pela superfície lunar, e não limitada apenas aos locais frios e na sombra.

Os dados mostram que a água se encontra concentrada em 100 a 412 partes por milhão — equivalente a uma garrafa de água de 300 ml — e presa em um metro cúbico de solo espalhado pela superfície lunar. Para comparação, considere o deserto do Saara, que tem 100 vezes a quantidade de água encontrada no solo lunar. Como a Lua não tem atmosfera, essa água sob a luz solar já deveria ter sido perdida no espaço, mas, mesmo assim, ela ainda está por lá. Isso levanta algumas questões: a água poderia estar presa em pequenas estruturas no solo que se formam pelo calor gerado pelo impacto de micrometeoritos, ou poderia estar escondida entre grãos de solo lunar e protegida da luz do sol.

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Sonda OSIRIS-REx coleta amostras do asteroide Bennu

Sucesso! A NASA conseguiu encostar uma sonda na superfície de um asteroide, coletar amostras, armazená-las e iniciar a jornada de volta para a Terra. A missão OSIRIS-REx deve voltar ao lar em 2023, trazendo o valioso material coletado do asteroide Bennu. Para isso, a nave precisou se aproximar da superfície do objeto e disparar um jato de nitrogênio pressurizado, que levantou uma quantidade de poeira e detritos o suficiente para a coleta.

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As notícias espaciais mais importantes de novembro de 2020

Crew-1: NASA e SpaceX lançam 4 astronautas à ISS

Com o sucesso da missão de testes Demo-2, chegou a hora de a SpaceX fazer sua primeira viagem tripulada e verdadeiramente operacional para a NASA — o que aconteceu em novembro, com a nave Crew Dragon levando quatro astronautas à ISS na missão Crew-1. Eles se juntaram aos três membros da Expedição 64, que já estavam por lá, e passarão seis meses no laboratório orbital.

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Último ingrediente fundamental para a vida terrestre é encontrado em cometa

Analisando dados da missão Rosetta, que pousou e coletou muitos dados do cometa 67P em 2015, cientistas encontraram informações suficientes para concluir que este objeto possui fósforo em sua composição. O conjunto de elementos químicos que compõem quase todas as moléculas biológicas da Terra é conhecido como CHNOPS — sigla para carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. Quase todos esses elementos já haviam sido encontrados em cometas e asteroides por aí, faltando apenas o fósforo — o que aconteceu em 2020.

A descoberta ainda não pode ser considerada uma prova de que esses elementos, de fato, foram trazidos para a Terra por meio de cometas, mas é uma excelente pista que dá mais peso a essa hipótese.

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As notícias espaciais mais importantes de dezembro de 2020

Observatório de Arecibo desaba após meses de deterioração

Desativado em novembro após o rompimento de um segundo cabo de sustentação, o Observatório de Arecibo acabou não resistindo e desabou sobre a própria estrutura, marcando a "morte" do segundo maior radiotelescópio do mundo, que operava há maios de 50 anos e entrou para a história ao ser usado no envio de uma mensagem a possíveis civilizações alienígenas — a famosa "Mensagem de Arecibo", de 1974.

A perda do observatório prejudica, ainda, a análise de objetos espaciais próximos da Terra. Embora este não fosse o único do tipo usado por astrônomos nessa tarefa, a instalação era uma das mais importantes para tal, com o Arecibo sendo um grande especialista em analisar, de perto, asteroides que rondam nosso planeta — e substituí-lo à altura não será uma tarefa fácil, tampouco rápida.

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Sonda japonesa Hayabusa2 traz amostras do asteroide Ryugu

Após seis anos de jornada, a sonda Hayabusa2 trouxe à Terra amostras do asteroide Ryugu. A cápsula foi resgatada pelos japoneses, que permitirão que cientistas de todo o mundo coloquem a mão nesse material valioso para que façam seus estudos paralelos.

Ela tocou a superfície do asteroide e liberou projéteis para abrir uma cratera, de onde coletou amostras, o que ocorreu entre meados de 2018 e o final de 2019. Com isso, a ciência espera ter em mãos um material valioso para uma melhor compreensão sobre a formação do Sistema Solar, uma vez que este asteroide é uma rocha remanescente do processo de "nascimento" do nosso quintal espacial.

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Chang'e 5 retorna à Terra trazendo primeiras amostras da Lua desde 1976

23 dias após seu lançamento e apenas duas semanas após pousar na Lua, a missão Chinesa Chang'e 5 retornou ao nosso planeta trazendo amostras da superfície lunar. Com esse sucesso, a China se tornou a terceira nação a trazer material lunar à Terra — algo que a humanidade não faz desde 1976, quando a missão soviética Luna 24 trouxe regolito para análises na Terra. Amostras lunares também foram trazidas entre os anos 1960 e 1970 pela NASA, com o programa Apollo.

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A maior aproximação de Júpiter e Saturno desde a Idade Média

(Imagem: Reprodução/Lauren Zenovka/EarthSky)

Na reta final de 2020, um evento astronômico raro e encantador deixou a humanidade para lá de admirada — porém, também frustrando muita gente que não conseguiu testemunhar esse momento histórico. Estamos falando da "Estrela de Natal", como foi apelidada a maior aproximação de Júpiter e Saturno desde a Idade Média. A última vez em que eles estiveram tão próximos foi em 4 de março de 1226, e a próxima vez em que isso vai acontecer será apenas em 15 de março de 2080; depois disso, em algum momento de 2400.

Os planetas foram se aproximando no céu noturno diariamente desde o dia 16 de dezembro, com a máxima aproximação acontecendo no dia 21, sendo separados por menos que o diâmetro de uma Lua cheia. Mas um céu encoberto atrapalhou o espetáculo em muitas cidades, com seus desafortunados habitantes precisando se contentar com registros de astrofotógrafos e imagens divulgadas nas redes sociais.

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