Chang'e 5 retorna à Terra trazendo primeiras amostras da Lua desde 1976

Chang'e 5 retorna à Terra trazendo primeiras amostras da Lua desde 1976

Por Daniele Cavalcante | 16 de Dezembro de 2020 às 17h20
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A cápsula da missão chinesa Chang’e 5 retornou com sucesso para a Terra, trazendo consigo uma preciosa carga — amostras da superfície lunar. Após ser arremessada pelo módulo de serviço, a cápsula projetada para sobreviver à reentrada na atmosfera terrestre caiu na Mongólia Interior, 23 dias após o lançamento da missão, que ocorreu no dia 23 de novembro.

O sucesso do pouso foi confirmado pelas autoridades chinesas através em comunicado por volta das 15h (horário de Brasília). Embora a China não tenha confirmado o horário do pouso, já havia alguma expectativa, pois as autoridades haviam instruído os pilotos que evitassem a área naquela faixa de horário. Equipes de resgate foram enviadas tanto em helicópteros quanto em veículos em terra para a zona de pouso ,com a tarefa de recuperar, proteger e transportar a cápsula de 300 kg para Pequim. Lá, os cientistas abrirão o compartimento onde as amostras lunares estão e começarão o trabalho de análise.

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Com o desfecho positivo da Chang'e 5, a China é a mais nova nação ao entrar para a curta lista dos que conseguiram trazer amostras da Lua — algo que a humanidade não faz desde 1976, quando a missão soviética Luna 24 trouxe cerca de 170 gramas de regolito para análises na Terra. Amostras lunares também foram trazidas entre os anos 1960 e 1970 pela NASA, com o programa Apollo.

Entre os objetivos das análises, está a tentativa de determinar da idade das amostras, o que poderá confirmar a hipótese de que algumas áreas da Lua passaram por efeitos de vulcanismo. Em outras palavras, as amostras podem mostrar alguns vestígios dos últimos fluxos de lava lunar.

Além disso, a Chang'e-5 foi uma grande demonstração de alta tecnologia espacial. Tudo correu como o planejado, incluindo o retorno com manobras complexas e arriscadas. Por exemplo, para trazer as amostras, um módulo levantou voo da superfície lunar e se encontrou com outro módulo, que permanecia na órbita do nosso satélite natural. Nesse encontro, a cápsula onde o material estava protegido foi transferido de um módulo para outro.

Este encontro automatizado em órbita lunar é sem precedentes, e mostra o avanço da China nesse tipo de missão. Aliás, essa foi a missão mais complexa do país até agora, e a mesma tecnologia deverá ser usada em missões destinadas a outros mundos, como Marte.

Fonte: Space.com, SpaceFlight Now

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