A Terra ganhou uma nova e pequena lua, mas ela não ficará aqui por muito tempo

Por Daniele Cavalcante | 26 de Fevereiro de 2020 às 20h00

A Lua tem uma nova companheira. Um pequeno asteroide foi “capturado” pela força gravitacional da Terra e agora acompanha a Lua na órbita do nosso planeta. Essa não é a primeira vez que encontramos uma mini-lua - a primeira foi o objeto RH120, que foi capturada pela Terra em setembro de 2006 e ficou em órbita até junho de 2007; depois, em 2016, descobriu-se outro pequeno objeto chamado HO3 com as mesmas características orbitais.

No dia 19 de fevereiro, o novo objeto foi visto por astrônomos do Catalina Sky Survey (CSS), um programa de monitoramento gerenciado pela NASA e pela Universidade do Arizona. Na ocasião, o asteroide ainda era apenas algo escuro que se movia rapidamente pelo céu. Nos dias seguintes, pesquisadores de mais seis observatórios ao redor do mundo o observaram, calcularam sua órbita e confirmaram que ele está gravitacionalmente ligado à Terra há cerca de três anos.

Nossa nova mini-lua provavelmente tem entre 1,9 e 3,5 metros de diâmetro, o que é mais ou menos o tamanho de um carro. Catalogado como 2020 CD3, ele circula nosso planeta cerca de uma vez a cada 47 dias, com uma trajetória larga e de formato oval, muito além da órbita da Lua. Ou seja, além de ser bem menor, o asteroide está mais distante do nosso satélite natural oficial, por isso foi tão difícil enxergá-lo.

De acordo com o astrônomo do CSS Kacper Wierzchos, que compartilhou a descoberta no Twitter na terça-feira (25), o coeficiente de reflexão do objeto indica que se trata de um asteroide do tipo C, ou seja, um carbonáceo. Aproximadamente 75% dos asteroides são deste tipo, o que faz deles os mais comuns.

No entanto, sua órbita não é estável, então, em algum momento, o CD3 2020 será lançado para longe da Terra. "Ele está se afastando do sistema Terra-Lua enquanto falamos", disse Grigori Fedorets, da Queen's University Belfast, no Reino Unido. As estimativas são de que o asteroide escape da órbita terrestre em abril.

Diagrama da órbita da mini-lua criada com o simulador de órbita escrito por Tony Dunn

Essa estimativa não é um consenso entre os astrônomos. Já existem várias simulações diferentes de sua trajetória e elas nem todas concordam entre si. Isso significa que precisaremos de mais observações para saber exatamente quando nossa mini-lua vai nos deixar. Há até mesmo alguma pequena chance de que seja um pedaço de lixo espacial deixado por nós mesmos.

Fonte: New Scientist

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