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Consoles portáteis | O que ainda precisa melhorar?

Por| Editado por Jones Oliveira | 06 de Maio de 2024 às 17h45

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Victor Lenze / Canaltech
Victor Lenze / Canaltech

O segmento de consoles portáteis já é uma realidade e todos os modelos lançados, Legion Go, ROG Ally e Steam Deck, trazem aspectos bastante positivos. Contudo, seus projetos também têm uma série de pontos problemáticos, e o Canaltech aponta o que ainda precisa melhorar para os consoles portáteis entregarem serem ainda mais competentes e versáteis na próxima geração.

Vale ressaltar que estamos focando apenas nos portáteis oficiais projetados para rodar jogos de PC, e não modelos RaspberryPi ou as dezenas de plataformas para emuladores encontradas nos sites de importação. 

Pela mesma premissa, o Nintendo Switch ficaria de fora, mas, por se tratar de um console oficial e que não viola direitos autorais, algumas das nossas sugestões seriam muito bem-vindas — mas pouco prováveis - no Switch 2.

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Armazenamento

O item mais problemático em qualquer console — e isso também vale para os não-portáteis — é o armazenamento interno. Os jogos estão cada vez maiores, tanto em escopo quanto em tamanho de texturas e outros assets técnicos, e drives internos com 1 TB ou menos são extremamente restritivos.

Muitos títulos novos também estão se valendo das velocidades de leitura e escrita de SSDs modernos, não apenas para reduzir tempos de carregamento, mas para agilizar a renderização de cenários. Sendo assim, entregar produtos com drives internos de 512 GB, 256 GB -—ou até menos para o Steam Deck padrão — cria um gargalo imediato em uma plataforma que já é naturalmente limitada em processamento.

Apenas a instalação de Baldur's Gate 3 e a versão de PC de Genshin Impact já ocupa quase que 100% do drive interno do ROG Ally de 256 GB, forçando usuários a utilizarem cartões microSD com uma fração da velocidade dos SSDs para instalar outros jogos.

Conectividade

Apesar de a atual geração já utilizar Wi-Fi 6E, inclusive para o Steam Deck OLED, o novo padrão Wi-Fi 7 oferece uma série de melhorias extremamente interessantes para dispositivos móveis. Não necessariamente as placas de rede atuais são um problema, especialmente considerando que a maioria dos usuários domésticos ainda vai demorar para migrar para o novo padrão.

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Ainda assim, as fabricantes estão mirando em janelas de atualização de 2 a 3 anos, e os serviços de streaming de jogos local ou via nuvem também estão evoluindo. Dessa forma, trazer Wi-Fi 7 já na segunda geração pode oferecer um ciclo de vida mais longo aos consoles devido à compatibilidade com novos serviços e funcionalidades bastante promissoras para os games.

Outro ponto, este problemático de fato, é todos os consoles, salvo pelo Lenovo Legion Go, trazerem apenas uma porta USB-C. Pensando em assessórios, uma porta é suficiente para um hub USB para conectar a um monitor, mouse e teclado, ou um SSD externo.

O problema é que essa porta é a mesma utilizada para carregar o console, e a maioria dos hubs USB mais em conta não possuem a funcionalidade Power Delivery.

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Isso implica em precisar investir ainda mais em um assessório caso o usuário queira utilizar seu portátil como mini-PC ou mesmo expandir seu armazenamento de forma simples, sem precisar trocar o drive interno.

Interface e Sistema

Por definição, esperamos que para jogar em consoles os processos de instalação, configuração e uso geral sejam mais simples e intuitivos que em PCs. No entanto, o ROG Ally e o Legion Go utilizam uma versão adaptada do Windows 11 e implementam softwares proprietários para criar uma interface que deveria servir a esse propósito de simplicidade. 

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No entanto, em suas versões atuais, o Legion Space e ROG Armoury Crate estão muito longe de facilitar a vida dos usuários, muitas vezes complicando ainda mais processos que já não são simples no PC. A interface é poluída e confusa, muitos comandos são, na verdade, atalhos que direcionam novamente para o modo desktop, sem mencionar o tempo para alternar entre as aplicações e o sistema operacional.

Vale ressaltar que estamos falando especificamente dos programas que deveriam servir de máscara para o sistema operacional, como o Big Picture faz no Steam Deck, e não dos menus de atalhos.

No Legion Go e ROG Ally, os usuários estão presos à experiência do Windows 11, com os seus bugs e complicações nada bem-vindas em um videogame. Em paralelo, os softwares que deveriam livrar os usuários dessas questões acabam se comportando como bloatwares que trazem uma ou outra funcionalidade interessante, mas que quase nunca serão utilizados.

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No caso do Stam Deck, a experiência da Valve com o SteamOS, as finadas Steam Machine e o modo Big Picture da Steam, garantiu que o portátil tivesse uma experiência praticamente 100% console logo de saída. O problema da plataforma, no entanto, é utilizar uma distribuição Linux, exigindo vários recursos de emulação e compatibilidade para rodar os jogos.

De maneira geral, praticamente tudo que está disponível na biblioteca da Steam é compatível com o Steam Deck. Já jogos exclusivos de outras lojas digitais exigem mais esforço para rodar, e alguns títulos populares, como Fortnite, simplesmente não podem ser instalados no SteamOS.

ASUS e Lenovo já vêm investindo em atualizar o Amoury Crate e o Legion Space, implementando novas funcionalidades e tecnologias e atualizando drivers para melhorar a experiência como um todo. 

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A Valve, por sua vez, não deve sair de seu ecossistema proprietário, justamente para manter os usuários dentro de sua loja digital, como já ocorre nos consoles tradicionais. Em compensação, a popularidade crescente do Steam Deck deve acelerar o desenvolvimento do SteamOS e da ferramenta Proton, aumentando rapidamente a quantidade de jogos compatíveis com o console.

Próxima geração de portáteis

Os consoles portáteis para jogos de PC claramente se inspiraram no sucesso estrondoso do Nintendo Switch, que desbancou em vendas duas gerações inteiras do Xbox e PlayStation. Não por menos, uma série de fabricantes está de olho em entrar no novo segmento, e as que já entraram parecem estar muito interessadas em se estabelecer antes que outras concorrentes cheguem ao mercado.

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Tanto por isso, Lenovo e ASUS estão constantemente atuando próximas às suas comunidades de suporte, recebendo feedbacks de usuários para melhorar seus produtos. Como o maior problema do Legion Go e do ROG Ally está relacionado ao software, eventuais refreshes devem melhorar apenas problemas pontuais, como o leitor de cartão do ROG Ally.

Por outro lado, para assegurar de vez sua representação no mercado de portáteis, é bem provável que a maioria dos pontos que observamos em nossos testes sejam melhorados já na próxima geração, já em desenvolvimento, mas ainda sem data oficial de lançamento.