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Steam Deck x Lenovo Legion Go | Qual é o melhor console portátil?

Por| Editado por Jones Oliveira | 24 de Abril de 2024 às 15h05

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Victor Lenze / Canaltech
Victor Lenze / Canaltech

O mercado de consoles portáteis para games de PC ainda está em sua primeira geração, mas já testamos os três modelos lançados até agora. Após alguns meses experimentando esses produtos para além dos testes de desempenho, o Canaltech preparou um embate colocando os concorrentes frente a frente, e o primeiro comparativo é entre o pioneiro Steam Deck e o recém-chegado Legion Go para estabelecer qual é o melhor console portátil.

Contudo, é importante ressaltar que todos os consoles portáteis têm seus pontos positivos e negativos, e a experiência final do usuário é sempre — ou deveria ser — o principal foco para as fabricantes.

Por essa razão, a usabilidade pesa tanto ou mais do que apontar qual deles entrega mais FPS. Assim, esse comparativo entre o Lenovo Legion Go e o Steam Deck visa justamente destrinchar essa experiência.

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Tela e Resolução

O primeiro ponto que chama a atenção quando comparamos o Lenovo Legion Go com o Steam Deck é a tela, não necessariamente pela qualidade da imagem, mas pelo tamanho. Enquanto o portátil da Valve traz uma tela de 7” (aproximadamente 16 cm × 10 cm), o Legion Go tem um painel de 8,8” (19 cm × 12 cm), com uma área cerca de 30% maior.  

Isso, inclusive, justifica o investimento da Lenovo para entregar uma resolução QuadHD (2560 × 1600) e 165 Hz no Legion Go, contra o padrão HD (1280 × 800) e 60 Hz do Steam Deck. Manter uma tela tão maior com a mesma resolução iria entregar uma baixa densidade de pixels por área, prejudicando a qualidade da imagem.

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Ambos os modelos utilizam painel IPS — exceto pelo Steam Deck OLED que não tivemos a oportunidade de testar. Sendo assim, a tela do Legion Go é, possivelmente, a melhor entre os consoles portáteis atuais, e isso faz muita diferença jogando alguns títulos com câmeras mais distantes, como Diablo IV, Baldur’s Gate 3 e Final Fantasy 14.

Construção

Com um painel de 8,8” — sem contar as bordas —, o próprio Legion Go acaba ficando bem maior que o Steam Deck. Consequentemente, os controles também são maiores, dando uma vantagem parcial ao portátil da Lenovo em termos de ergonomia, por acomodar melhor as mãos sobre todo o controle Legion TrueStrike. 

Isso faz com que a mão fique em uma posição mais aberta e relaxada que no Steam Deck, mais fino e com uma pegada muito similar à do Nintendo Switch sem um grip, causando desconforto em sessões mais longas. A desvantagem é que por ser tão maior, o Legion Go também é mais 22% pesado com 854 g, contra os apenas 671 g do Steam Deck.

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A Lenovo contornou isso possibilitando destacar os controles e apoiar o console na mesa com um suporte integrado, criando uma experiência similar à do Nintendo Switch, mas com uma tela bem maior.

Para quem pretende jogar exclusivamente no modo portátil, o Steam Deck é mais leve e menos cansativo, apesar de poder ser desconfortável para as mãos — principalmente para usuários com mãos grandes.

Para quem busca uma experiência mais versátil e já tem o costume de jogar com Switch apoiado, o Legion Go acaba sendo mais interessante. Ter um apoio próprio e controles destacáveis dispensa uma série de assessórios adicionais, entregando uma experiência mais completa direto da caixa.

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Hardware e configurações em jogos

O hardware mais poderoso do Legion Go é uma vantagem para empurrar resoluções em QuadHD, mas o processo de rodar os jogos nessa resolução nem sempre é fácil. Alguns títulos até reconhecem automaticamente a resolução nativa de 2560 × 1600 do console, mas em alguns casos é preciso realizar as configurações manualmente.

Além disso, em termos de qualidade gráfica, algumas tecnologias ativadas nos presets gráficos — mesmo os mais baixos — podem sobrecarregar a APU Z1 Extreme. Para atingir um desempenho ideal é preciso ir modificando os efeitos um a um até encontrar um equilíbrio entre altas resoluções e qualidade visual em 60 FPS. Ainda assim, em alguns casos é preciso alinhar as expectativas em 30 FPS.

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Já no Steam Deck, possivelmente pela própria forma como a Valve vem trabalhando para otimizar os jogos para o console, a maioria esmagadora dos títulos já rodam de forma fluída, entendendo quando e quais efeitos ativar.

Além disso, como a própria tela é apenas HD, o estresse sobre o hardware é muito menor, permitindo ativar até alguns efeitos de partículas que, no Legion Go, podem gerar alguns engasgos.

Testando Marvel’s Spider Man: Remastered, a experiência é quase sempre fluída em ambos os consoles. Contudo, enquanto no Steam Deck eu apenas instalei, abri o jogo e já comecei a desviar de tiros, no Legion Go eu precise gastar alguns minutos entre modificar configurações e me pendurar pela cidade até encontrar o equilíbrio de fluidez em 50+ FPS.

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Ecossistema: Windows x SteamOS

O ponto no qual os dois consoles mais se diferenciam é o do ecossistema Windows contra o SteamOS — que, na verdade, é um Steam Deck OS configurado sob medida para o console. Apesar de ambos os aparelhos terem como premissa ser um portátil para rodar jogos de PC, a Valve adotou uma postura mais “proprietária” que as outras fabricantes.

Isso porque a empresa optou por utilizar seu ecossistema relativamente fechado do SteamOS, uma distribuição Linux, com configurações específicas de Kernel para o Steam Deck. A interface direta com o usuário fica por conta do modo Big Picture da Steam, e praticamente todo o gerenciamento de jogos é realizado sem nunca precisar, sequer, alternar para o modo desktop e interagir diretamente com o sistema operacional.

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Isso criar várias limitações, como a impossibilidade de instalar de forma nativa jogos que não sejam distribuídos na própria Steam, como Genshin Impact e Fortnite. Neste último caso, mais especificamente, continua sendo impossível instalar o título mais popular da Epic Games Store, justamente por ele estar atrelado ao launcher proprietário da desenvolvedora.

Dessa forma, o Steam Deck se junta ao iPhone como uma das poucas plataformas que não roda Fornite nativamente, sendo necessário recorrer a sistemas de streaming em nuvem via navegador, e ainda assim a experiência é bem questionável. A abordagem se assemelha bastante ao que a Apple faz em seus produtos, limitando a usabilidade a softwares desenvolvidos e submetidos a uma curadoria própria para garantir a melhor experiência possível em suas plataformas.

No mais, para todos os títulos disponíveis na biblioteca da Steam, o Steam Deck é o único portátil para games de PC, até então, a oferecer uma experiência real de console. As instalações e configurações dentro da Steam são super simples e intuitivas, o reconhecimento dos controles é automático, e mesmo jogos como Guild Wars 2, sem suporte oficial, rodam incrivelmente bem. 

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Já no caso do Legion Go a situação se inverte. Para garantir o máximo de compatibilidade com games, a Lenovo utilizou uma versão adaptada do Windows 11. Desde o início, o usuário é jogado na interface do Windows, e precisa lidar com as centenas de problemas de drivers, atualizações e outros problemas nativos do ecossistema da Microsoft.

A vantagem é que o usuário pode instalar títulos de qualquer loja digital, emuladores de Android, serviços da Microsoft Store, entregando uma versatilidade muito maior de uso.

Por outro lado, para usuários que nunca tiveram uma experiência de PCs gamer e estão vindo dos consoles tradicionais, esse processo é zero intuitivo e muito frustrante, sem mencionar os muitos bugs já esperados no Windows.

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Steam Deck x Legion Go: qual é o melhor portátil?

Como já era de se esperar, a resposta para o embate não é simples, não havendo um vencedor claro, mas recomendações para diferentes perfis de usuários. Para gamers mais casuais, que estão chegando ao universo PC gamer por meio dos portáteis, o Steam Deck é, disparado, a melhor escolha.

Mesmo com as limitações de jogos atrelados à biblioteca da Steam, ele oferece uma experiência geral extremamente amigável para PC gamers novos. O console só deixa de ser interessante para quem faz questão por jogos de outras lojas, ou que já esteja familiarizado com a realidade de rodar jogos no Windows.

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Nesses casos, o Legion Go, além de trazer um ambiente mais versátil e compatível como todos os títulos do PC, conta com uma tela muito superior e exige menos assessórios para uma experiência completa, com controles destacáveis e até uma porta USB 4 adicional para eventuais drives externos.