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Review Corsair Voyager a1600 | Notebook com Stream Deck para streamers

Por| Editado por Jones Oliveira | 25 de Fevereiro de 2024 às 15h30

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Felipe Vidal/Canaltech
Felipe Vidal/Canaltech
Corsair Voyager a1600

Especialista na criação de coolers, gabinetes, periféricos e fontes, a Corsair resolveu investir na fabricação de um notebook gamer em 2022. O Corsair Voyager a1600 nasceu da colaboração com a AMD, já que esse foi um dos primeiros modelos a receber o selo AMD Advantage para laptops e é um dos únicos a contar com uma placa de vídeo dedicada do time vermelho no varejo brasileiro.

Com um design excelente, construção parruda e múltiplos recursos para streamers e criadores de conteúdo, o Voyager deixa a desejar no desempenho. Mas será que esse peculiar notebook é realmente decepcionante, ou é apenas a ponta do iceberg do que a Corsair pode melhorar para os próximos lançamentos?

Prós

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  • Belo design
  • Boa construção
  • Barra touch
  • Muito armazenamento
  • Teclado mecânico

Contras

  • Muito suscetível a marcas de dedo
  • Desempenho fraco
  • Poucas conexões
  • Preço inflado
  • Drivers de GPU bugados

Design e construção

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Por mais que eu tenha muitas ressalvas sobre esse notebook, a apresentação e unboxing do Corsair Voyager a1600 é simplesmente fantástica. O notebook chega em uma caixa muito bem acabada e é apresentado com pompa, mostrando nitidamente de que se trata de um produto premium.

O visual em preto fosco é imponente, abrindo mão de LEDs na parte externa da carcaça e concentrando as luzes no interior. O que chama atenção logo de cara é o formato diferente. Por ter uma tela de 16 polegadas em 16:10, o display naturalmente é mais quadrado do que retangular. No entanto, esse aparelho tem duas abas nas laterais e um recorte que divide muito bem a chapa do chassi principal e a tela. 

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Esse recorte existe para dar uma estética diferente, mas, principalmente, fazer com que a barra de LED touch consiga ficar em destaque. O chamariz do Corsair Voyager a1600 é a S-Key Macro Bar, uma barra sensível ao toque com 10 botões totalmente personalizáveis, além de um pequeno display centralizado, que também pode ser customizado via software.

Embaixo, há uma saída de ar para auxiliar no resfriamento da máquina, enquanto as laterais também possuem essas aberturas, tanto para exaustão quanto para o alto-falante embutido. O teclado é outro ponto importante: ele é do tipo mecânico com switches Cherry MX táteis de perfil baixo. O mesmo vale para o touchpad gigantesco embutido nesse aparelho, que possui uma área muito grande e confortável para o uso.

Todo esse baita conjunto é envolvido em uma chapa de alumínio inteiriça que passa muita confiança, robustez e autenticidade ao produto. Porém, embora seja realmente bem construído, o material é muito suscetível a marcas de dedos com pouquíssimo tempo de uso. Em poucos dias, e com o calor do Rio de Janeiro, a tampa do laptop ficou completamente imunda, diferente de outros modelos topo de linha que já passaram pelas minhas mãos.

Voltando aos elogios, surpreende o fato de o Corsair Voyager a1600 ser bem fino. O modelo tem pouco menos de 2 centímetros de espessura quando fechado. Apesar disso, o aparelho pesa 2,4 kg e fica próximo da média dos demais notebooks gamer. Por conta da tela e seu tamanho alongado, esse laptop pode não ser tão indicado para mochila e usar por longos períodos. 

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S-Key Macro Bar

O grande atrativo do Corsair Voyager a1600 é a S-Key Macro Bar, barra touchscreen customizável que é bastante rara de ser encontrada em notebooks. E essa é exata e mais coerente descrição resumida que eu poderia dar para essa funcionalidade.

Toda a concepção do Voyager a1600 foi pensando nos streamers e criadores de conteúdo. Como a Corsair detém a divisão Elgato voltada para esse público, a empresa decidiu unir o útil ao agradável. Assim, a Macro Bar serve como um Stream Deck virtual embutido no corpo do notebook. 

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Dessa forma, o usuário pode customizar essas funções através do software Stream Deck e mudar a disposição dos botões para alterar a posição da câmera ou mostrar o chat em uma livestream. Porém, também é possível utilizar o programa iCUE para mudar as cores e as funções dessas teclas para aplicações comuns. Por exemplo, utilizei esses macros para abrir páginas no navegador, acessar rapidamente o Photoshop, executar um jogo de forma fácil, etc.

"A S-Key Macro Bar é a estrela do Corsair Voyager a1600, sendo um peça ilustre em um notebook voltado para streamers graças à integração com o Stream Deck, mas que também se mostra muito útil para aumentar a produtividade no cotidiano" - Felipe Vidal

Ao centro, ainda há um minidisplay que exibe o horário e a bateria por padrão. Contudo, no próprio iCUE é possível personalizar essa tela para exibir outras informações, como a carga de trabalho da CPU.

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Ficha técnica do Corsair Voyager a1600

Começando a entrar no aspecto técnico, o Corsair Voyager a1600 vendido no Brasil acompanha um bom processador AMD Ryzen 9 6900HS e uma Radeon RX 6800M. O laptop ainda possui 32 GB de memória RAM DDR5-4800 em 2x16GB, além de um generoso SSD NVMe PCIe 4.0 de 2 TB, que permite armazenar muitos games ou arquivos para edição.

  • Processador: AMD Ryzen 9 6900HS (8 núcleos e 16 threads);
  • Memória RAM: 32 GB (2x16) ou 16 GB (2x8) DDR5 4.800 MT/s;
  • Armazenamento: SSD NVMe M.2 de 2 TB;
  • Placa de vídeo: AMD Radeon RX 6800M
  • Webcam: HD (720p);
  • Sistema operacional:Windows 11 Home.
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Esse é um conjunto de especificações muito interessantes, já que é raro achar notebooks com placas de vídeo dedicadas da AMD no Brasil. Infelizmente, embora seja um diferencial, esse também é o ponto fraco do notebook, como veremos nos testes ao longo deste review. A Radeon RX 6800M é uma placa fraca e que não acompanha a velocidade louvável do restante dos componentes, com destaque para a CPU. 

Justiça seja feita, o Corsair Voyager a1600 é um notebook lançado em 2022, mas que só pude avaliar em 2024. Pode ser que em 2022 esse produto fizesse sentido com a RX 6800M e sem o lançamento de competidoras mais novas da NVIDIA, mas para 2024 essa configuração é desequilibrada.

Tela

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Com uma tela Quad HD+ (2560x1600) de 16 polegadas, o Corsair Voyager a1600 tem um display muito interessante no papel. Na prática, a tela se sai bem, mas performa abaixo do esperado para um produto dessa magnitude.

  • Tamanho da tela: 16 polegadas
  • Painel: IPS 
  • Resolução: Quad HD+ (2560x1600)
  • Taxa de atualização: 240Hz
  • Tempo de resposta: 3ms
  • Recursos extras: AMD FreeSync, ± 80% DCI-P3 e 100% do sRGB

O painel  é do tipo IPS e tem uma qualidade de imagem decente, com poucas distorções, mesmo quando visto de muitos ângulos. Os tons de preto são aceitáveis, bem como o nível das cores, contraste e nitidez. Contudo, o problema não se encontra no painel, nem na ótima resolução QHD+. O principal empecilho é a falta de robustez na gama de cores, pois essa tela só suporta cerca de 80% do espectro DCI-P3 e 100% do sRGB.

Esses valores não são necessariamente ruins, mas estão abaixo de competidores de outras marcas e encontrados por valores semelhantes. Todavia, a tela ainda tem 240Hz de taxa de atualização e 3ms de tempo de resposta, compatível com a tecnologia AMD FreeSync Premium. 

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A experiência de uso cotidiana é agradável, como deveria ser. Em filmes e séries, é perceptível que essa tela podia entregar mais, pois falta uma certa profundidade visual. Já em games eu não posso reclamar tanto, pois a fluidez dos quadros é boa, apesar de a imagem apresentar os mesmos problemas. No fim do dia é um bom display, mas que poderia ser mais refinado e calibrado.

Teclado e touchpad

Apesar de não ser fã de touchpads, é preciso dar o braço a torcer e parabenizar a Corsair nesse quesito. O touchpad do Voyager a1600 é grande e largo, proporcionando conforto e precisão. Inclusive, a área é tão grande que a fabricante permite que o usuário desative metade do touchpad através de gestos com os dedos.

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O teclado mecânico é outro ponto positivo e se beneficia dos switches Cherry MX. Essa combinação é ótima, formando um combo ideal para digitação extensiva e a jogatina por longos períodos. A digitação nesse teclado é muito prazerosa e não gera ruídos altos, apenas cliques relaxantes de escutar.

Conectividade

A conectividade é um ponto muito inusitado no Corsair Voyager a1600. Nas laterais, o modelo vem com duas portas USB-C com Thunderbolt 4 e uma USB-C 3.2, além de uma conexão USB-A 3.1, uma porta para cartão SD e uma entrada para fone/microfone do tipo P3. Não há HDMI, mini-DisplayPort nem sequer a porta RJ45 para internet cabeada.

Essa é uma decisão ousada da Corsair, que vai agradar uns e decepcionar outros. Por ter um HUB USB-C em casa, consegui aumentar a quantidade de portas e adicionar uma entrada HDMI e de internet facilmente, mas quem não tem essa opção vai precisar fazer um investimento extra. Porém, a fabricante ainda envia dois adaptadores USB-C para USB-A no intuito de auxiliar o uso. 

A respeito das conexões sem fio, o dispositivo é compatível com o Wi-Fi 6E e o Bluetooth 5.2. 

Bateria

Bateria e notebooks gamer são como água e óleo, mas o Corsair Voyager a1600 não se sai tão mal nesse quesito. Em meus testes, consegui empurrar uma manhã inteira de trabalho com esse laptop e brilho de tela em 70% sem grandes problemas. Dentre os usos específicos, utilizei múltiplas janelas de navegadores, softwares de edição como o PhotoScape, Google Docs e planilhas.

Para mensurar melhor esses dados, realizei o teste de produtividade no Battery Life do UL Procyon com brilho de tela em 50%. O benchmark rodou até exaurir a capacidade máxima da bateria do notebook, que tem 99 Whr e acompanha uma fonte externa de 230 W. O resultado foi de cerca de 5 horas de duração, simulando atividades com programas de escritório do dia a dia, como o pacote Office e navegação na internet. 

Isso gera uma autonomia diária interessante e pouco pior do que observado no Alienware m16, por exemplo. Para uso cotidiano, é possível aguentar essas mesmas 5 ou 6 horas longe das tomadas, mas em games é obrigatório usar com a energia conectada. 

Temperatura

Felizmente, o Corsair Voyager a1600 sabe ponderar suas temperaturas. Embora fosse esperado que o combo Ryzen + Radeon dedicada em um notebook fino pudesse trazer temperaturas altas e um possível thermal throttling, isso não acontece.

No modo ocioso, tanto o Ryzen 9 6900HS quanto a Radeon 6800M figuram na casa dos 45°C, ou seja, um número muito bom para esses componentes em idle. Já nos testes em carga máxima com o 3DMark, a CPU e GPU se mantêm em uma faixa entre 84 a 87 °C nos picos.

Esse é um resultado bem interessante para as duas peças, já que nenhuma delas topa em seu limite térmico. O teste utilizado foi o Time Spy Extreme Stress Test, que simula uma situação de jogo em 4K, sendo uma boa métrica para entender como esse modelo se comportaria em cenários reais de uso.

Agora, em situações de jogo reais, notei que o processador batia o limite dos 95 °C, enquanto a placa de vídeo se comportava de forma muito parecida ao teste do 3DMark. Mesmo chegando ao máximo, o processador não gerou nenhuma situação de thermal throttling e não causou nenhum tipo de problemas. O consumo bateu 134 W no máximo, enquanto a Radeon chegou em 120 W, nem perto dos 145 W que a AMD dá de margem. 

Naturalmente, em carga máxima esse notebook fica com o chassi bem quente na área superior do teclado. O sistema de dissipação é competente o suficiente para evitar superaquecimento, mas não faz milagres.

É bom dar os devidos créditos para a Corsair nesse quesito. A fabricante trabalhou bem o interior do produto, com duas ventoinhas dedicadas para cada chip e uma chapa metálica entre essas fans, que escondem os heatpipes de cobre responsáveis pelas trocas de calor. 

Os pentes de memória RAM são protegidos e há dois thermal pads dedicados para o SSD principal e o SSD secundário, no intuito de evitar problemas com esses componentes. De forma geral, é um projeto bem competente, seja pela limitação térmica dos chips, seja pelo sistema de arrefecimento usado. 

Benchmarks

Finalizando todos os aspectos do Corsair Voyager a1600, chegou a hora de ver o que essa máquina encara. Eu testei o Voyager a1600 em benchmarks de produtividade, criação de conteúdo, uso profissional e games. O desempenho se manteve instável em diversos momentos e acabou saindo bem abaixo do esperado.

Produtividade

No dia a dia, o Corsair Voyager a1600 se comporta muito bem, como já era previsível. O fato de o notebook ter o ótimo processador Ryzen 6900HS com oito núcleos e uma baita combinação de 32 GB de RAM torna o aparelho imbatível nas tarefas diárias. Seja para usar múltiplas abas do navegador, softwares de edição, etc, o notebook nem chega perto de travar ou apresentar engasgos.

Para sacramentar esse bom desempenho, testei o Voyager a1600 na suíte de benchmarks do Office Productivity do UL Procyon. Esses testes simulam atividades de escritório intensas, com dezenas de planilhas, documentos e slides abertos. A ideia nesse tipo de benchmark é entender até que ponto a máquina consegue chegar em situações comuns, mas complexas.

Embora o resultado do Procyon possa parecer desanimador, esses números não refletem necessariamente a experiência de uso com esse aparelho. De fato, o Voyager precisa de mais fôlego para encarar o teste sintético, mas o notebook me pareceu pronto para aguentar essas atividades complicadas do cotidiano, mesmo quando em alta carga.

Um cenário similar acontece no Geekbench 6, voltado para a simulação de tarefas padrão do dia, como compressão/descompressão de arquivos compactos, trabalhos com PDF, etc. O teste de single-core aproxima as pontuações, mas o resultado multi-core volta a afastar esse modelo dos concorrentes.

Seja em números, seja na prática, o Corsair Voyager a1600 é competente no dia a dia. Isso não é um elogio, mas sim uma obrigação, afinal de contas 32 GB de RAM e uma CPU octa-core tem o que é preciso para trabalhar bem.

Criação de conteúdo 

Pensado para streamers e criadores de conteúdo, nada mais junto do que testar as capacidades do Corsair Voyager a1600 em atender esse público. Nos testes, utilizei mais uma vez a ferramenta do Procyon, somada a softwares como o Adobe Photoshop, Adobe Lightroom Classic e o Adobe Premier Pro, muito usados por editores profissionais.

Os resultados me surpreenderam bastante, visto que o notebook é inferior aos demais em boa parte dos testes. No que diz respeito a edição de imagem, o Voyager se sai bem, mas ainda fica atrás de outros modelos. Mesmo assim, usar o Photoshop foi tranquilo e sem travamentos bruscos, com exceção das pesadas funcionalidades de IA que podem dar umas engasgadas.

Já em edição de vídeo, o notebook da Corsair consegue um desempenho até que bem surpreendente. Mesmo com uma placa de vídeo que limita o processador — como veremos em breve — a Radeon RX 6800M tem um leque de codecs parrudo e chega com suporte oficial AV1, logo esse aparelho pode ser uma opção interessante para quem precisa de uma máquina diferente para criar conteúdo ou editar.

Profissional

Antes de passar para os games, eu fiz quatro levas de benchmarks em softwares para entender até onde o Corsair Voyager a1600 pode ir em aplicações profissionais complexas. Dentre os testes, destaca-se o SPECviewperf, responsável por simular cenários de uso para áreas industriais, engenharia, medicina, etc. O Cinebench 2024 é outro teste bem famoso, já que é por meio dele que estressamos bastante a CPU em single e multi-threads na renderização de cenas 3D. Por fim, o Blender é uma clássica ferramenta para medir a performance da máquina em situações que envolvam modelagem e animação 3D com aplicação pesada de Ray Tracing.

Começando pelo Blender, a situação do Voyager a1600 não é muito agradável. Em todos os três testes dessa leva de benchmarks, o notebook performa bem abaixo do esperado e emplaca pontuações baixas até demais. O grande vilão aqui é a RX 6800M, que, como toda placa AMD até agora, não lida bem com ray tracing e derruba a pontuação dos testes.

Já no Cinebench 2024 as coisas começam a mudar de figura. A pontuação em single-thread ainda é baixa, mas começa a indicar um aspecto de melhorias. O mesmo se repete em multi-thread, que não chega a ser uma pontuação ruim, mas também tinha espaço para voar. Nesses testes, a carga é centralizada no processador, indicando que o Ryzen 6900HS é bom, mas o fato de já ser "antigo" e ter competidores recentes não o favorece.

Por fim, o SPECviewperf traz um frescor em meio a resultados decepcionantes. O Corsair Voyager apresenta ótimos resultados nos testes do 3DSMax e Creo e fica no páreo dos testes com o Solidwork e o Maya. Resultados muito interessantes e surpreendentes contra competidores parrudos presentes no gráfico.

Vale lembrar que os testes com o V-Ray não foram realizados, uma vez que placas da AMD não possuem compatibilidade com a ferramenta, portanto sequer aparecem no gráfico.

Games

Passando para o que são os testes que mais importantam para muitos usuários, chegou a hora de falar dos games. Para isso, eu testei 9 títulos em resolução Full HD, para estressar bastante o processador; e em Quad HD, resolução nativa do notebook e com o objetivo de colocar a placa de vídeo em carga máxima. Os games foram testados em suas configurações mínimas e máximas e em QHD pudemos testar tecnologias de upscaling, como o FSR e o XeSS.

Full HD

Começando a bateria de testes, o Corsair Voyager a1600 não se sai tão bem quanto eu gostaria em Full HD. Embora um jogo ou outro possa ter o benefício de rodar melhor nesse notebook, o cenário geral aponta uma performance baixa pelo preço cobrado nesse aparelho.

A exceção é em Forza Horizon 5, que vai muito bem nesse laptop; e Metro Exodus, capaz de elevar muito a taxa de quadros em qualidade mínima. Mas até mesmo títulos um pouco mais antigos, como Shadow of the Tomb Raider e Red Dead Redemption 2, rodam em uma taxa de quadros bem inferior quando comparado a notebooks rivais.

Claro que é possível o usuário realizar um refinamento das configurações e melhorar bastante a taxa de FPS, principalmente para tirar proveito da tela de 240Hz, mas, no geral, o resultado não convence.

Quad HD

Em Quad HD as coisas estão mais favoráreis para o Corsair Voyager a1600. A tela de 1440p do dispositivo invoca suas forças para dar mais performance à máquina, que consegue se aproximar e até superar alguns notebooks com a RTX 4060. Isso fica evidente em Cyberpunk 2077, Far Cry 6 e sua otimização para a AMD, Metro Exodus e Forza Horizon 5.

No entanto, ainda é notável que o notebook da Corsair apresenta um descompasso de performance. Em Alan Wake 2, o notebook não consegue se segurar bem com o pesadelo do escritor e acaba caindo em um conto macabro para sua GPU. Formula 1 2023 é outro exemplo bem definido quando observamos as barras do gráfico que indicam as configurações máximas desse notebook. 

Quando as coisas não vão tão bem na resolução nativa, é hora de pedir o auxílio do upscaling. O FidelityFX Super Resolution consegue dobrar a performance em Alan Wake 2 e aproximar a jogatina para algo perto dos 60 FPS, além de elevar a suavidade no gameplay em Cyberpunk 2077 e Red Dead Redemption 2. Mesmo com as melhorias do FSR, o notebook permanece atrás de outros modelos.

Números vs experiência

Comumente nossa seção de comentários se encerraria por aqui, mas é importante fazer alguns apontamentos a respeito do desempenho em games do Corsair Voyager a1600. Mesmo que o gráfico em Quad HD seja melhor, minha experiência cotidiana nos jogos foi diferente. É muito comum encontrar stuttering e problemas de drivers da RX 6800M, que são uma verdadeira dor de cabeça.

Não encontrei indícios de gargalo de processador em nenhum teste, mas a falta de potência da RX 6800 coloca em cheque a viabilidade do Ryzen 9 6900HS. Essa placa de vídeo não tem performance para Quad HD e, caso a AMD tivesse outra solução gráfica em 2021, a história poderia ter sido diferente. O Corsair Voyager a1600 deixa de voar e passa a apenas caminhar por ter uma GPU fraca, mesmo tendo um ótimo conjunto.

Concorrentes diretos

Olhando como um notebook da AMD, o Corsair Voyager a1600 não tem nenhum concorrente direto no Brasil com especificações parecidas. Mas observando a questão do preço — o modelo custa cerca de R$ 15.000 —, ele tem como concorrente de respeito o Alienware m16. O modelo da Dell tem uma tela QHD+ com 240Hz bem similar e acompanha um Intel Core i9-13900HX, 32 GB de RAM e uma RTX 4070 como placa de vídeo, custando aproximadamente o mesmo valor. 

Agora, quando o assunto é um concorrente em performance direta, o ROG Strix G16 e o Lenovo Legion Slim 5i, ambos analisados pelo Canaltech, são boas recomendações. Os dois têm uma GeForce RTX 4060 e podem ser equipados ou com processador Intel Core i7 ou Core i9. Esses notebooks já são encontrados entre R$ 8.000 e R$ 10.000. 

Vale a pena comprar o Corsair Voyager a1600?

O Corsair Voyager a1600 é um notebook gamer que vale a pena para quem busca um produto diferenciado, indicado principalmente para streamers ou produtores de conteúdo que possam usar frequentemente a S-Key Macro Bar para o seu trabalho diário. Esse é um laptop fino, com uma tela legal e um design impar, ideal para aqueles que gostam de produtos únicos.

O Corsair Voyager a1600 não vale a pena para quem quer um notebook gamer apenas para jogar, pois sua combinação de placa de vídeo e processador resulta em um desempenho abaixo da média, principalmente quando colocamos seu alto preço nessa equação. O modelo tem uma média de 97 FPS quando calculamos todos os resultados, gerando um custo de R$ 194 a cada FPS na resolução Quad HD. Abaixo você também pode conferir a média potencial de FPS que o jogador pode alcançar ao habilitar o AMD FidelityFX Super Resolution.

Cheio de boas intenções, o Voyager a1600 tropeça no hardware defasado. Embora tenha um bom processador, o Ryzen 9 6900HS;  é a Radeon RX 6800M que, na melhor das hipóteses, acaba decepcionando. A Corsair mostrou que tem muito potencial para desenvolver notebooks, mas precisa trabalhar com chips melhores para, quem sabe, despontar em um mercado tão concorrido. A largada da fabricante já foi dada e eu espero ver novidades da marca no futuro, pois embora o Voyager tenha um gosto amargo, esse chef sabe preparar os pratos certos.