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Review Legion Slim 5i | Notebook gamer balanceado e barulhento

Por| Editado por Jones Oliveira | 18 de Fevereiro de 2024 às 15h30

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Brenno Barreira/CT
Brenno Barreira/CT

O Legion Slim 5i (16IRH8) é o novo notebook gamer da Lenovo, com processador Intel Core i7-13700H, GPU NVIDIA GeForce RTX 4060 e resolução QuadHD nativa. Apesar das configurações intermediárias, o desempenho do Slim 5i é bastante satisfatório na maioria dos jogos, mesmo utilizando presets mais exigentes e texturas melhores.

Pude testar o Slim 5i por algumas semanas e, com tela e configurações um pouco acima da média, o modelo segue o padrão de dimensões do segmento. Com algumas características que favorecem a portabilidade, ele é, de fato, mais confortável de utilizar sem muitos periféricos, mas falha nos mesmos pontos de modelos equivalentes, como nível de ruído e outros detalhes que explico melhor nesta análise.

Prós 

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  • Desempenho em QuadHD
  • Confortável de usar no colo, mesmo para jogar
  • Principais conectores na parte traseira
     

Contras

  • Muito barulhento
  • Pouca autonomia de bateria
  • Sem USB4 ou Thunderbolt 4

Design e Construção

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A primeira diferença que pude notar no Lenovo Legion Slim 5i em relação a outros modelos da linha Legion foi a tela com abertura total de 180º. Muito provavelmente a novidade foi inspirada na linha Yoga Slim, mas sem a tela de toque e possibilidade de uma volta completa para transformar o modelo em um tablet.

Ainda assim, o detalhe é extremamente bem-vindo por oferecer mais conforto ao utilizar o notebook em um apoio de colo, jogando ou trabalhando deitado na rede, por exemplo. A maioria dos notebooks gamers trazem telas com aberturas mais restritas, raramente passando de 120º, e isso dificulta encontrar uma posição confortável para a cabeça.

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Apesar de ser um produto gamer, a identidade visual do Legion Slim 5i é bastante séria, se assemelhando a notebooks corporativos, só que mais “parrudos”. A tampa superior e a região do teclado são em alumínio, dando um acabamento polido bastante bonito, e a tampa inferior, as bordas finas da tela e outros detalhes menores são em um plástico bastante firme e de boa qualidade.

Falando em teclado, um detalhe que faz bastante diferença para quem também pretende trabalhar no Slim 5i é a inclusão do teclado numérico. Adotar um teclado completo no lugar de aproveitar o espaço com recursos específicos para jogos, como teclas de macro dedicadas, foi uma escolha curiosa, mas bem-vinda até certo ponto.

Outro ponto importante a se destacar na construção do Legion Slim 5i é a disposição interna de componentes. A Lenovo autorizou que abríssemos o modelo para mostrar as opções de upgrade e o processo foi bastante simples e sem armadilhas, utilizando uma chave de ponta cruzada (Phillips) de 2 mm e um espaçador de plástico para não danificar a tampa.

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São ao todo dez parafusos, todos de mesma altura - sem aqueles mais longos, normalmente próximos da dobradiça. As travas ao longo do contorno soltaram sem precisar imprimir muita força no espaçador de plástico, mas é preciso um pouco de cuidado próximo dos conectores traseiros.

O cuidado extra é importante porque a tampa inferior traz pequenos blocos de metal posicionados sobre os conectores, atuando como dissipadores de calor dedicados. Além disso, ela conta com dois thermal pads bastante robustos sobre os slots M.2 para SSDs, e mais uma tira do mesmo metal utilizado como dissipador dos conectores sobre a região onde as memórias estão instaladas.

“Acessar os componentes internos do Legion Slim 5i é relativamente fácil, com tampa simples de remover, conector da bateria visível e slots M.2 bem acessíveis. Apenas o upgrade de memória é mais complexo por estar encapsulado em uma proteção de metal e recoberto por adesivo térmico.”
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A tampa em si é bem firme e densa, ajudando a proteger os componentes de eventuais pancadas acidentais mais leves. Em termos de solução térmica, os blowers laterais sobre os slots de CPU e GPU aparentam ser um pouco maiores que os geralmente encontrados em notebooks gamers mais novos, e são integrados a um conjunto único de heatpipes e bloco de dissipação.

No que diz respeito à facilidade de upgrade, os slots de M.2 são fáceis de acessar, uma vez que os thermal pads estão instalados na tampa e não colados sobre os SSDs. Por outro lado, para acessar as memórias DDR5, além de remover o adesivo térmico, ainda é preciso soltar uma pequena “gaiola” de metal que protege as memórias e também ajuda na dissipação de calor.

Para garantir a integridade do notebook, optei por não remover o encapsulamento das memórias, mas ele é fixado por parafusos compatíveis com a mesma ponteira utilizada para os da tampa. O módulo Wi-Fi 6E M.2 também é de fácil acesso, com um adesivo para auxiliar a remoção da antena caso seja necessário substituir a placa.

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Ficha técnica Lenovo Legion Slim 5i 16IRH8

O Legion Slim 5i mais completo traz um processador Intel Core i7-13700H, de 13⁠ª geração, e uma placa de vídeo GeForce RTX 4060 de 8 GB. Por focar no segmento gamer intermediário, ele oferece apenas configurações com 16 GB de memória RAM DDR5-5200, mesmo nos modelos mais baratos equipados com Core i5-13420H. 

  • Tela: 16 polegadas; QuadHD WQXGA (2560x1600 pixels); 16:10
  • CPU: Intel Core i7-13700H
  • GPU: NVIDIA® GeForce RTX 4060 (8GB)
  • Memória: 16 GB (2x8) DDR5-5200 (Expansível até 32 GB)
  • Armazenamento: SSD NVMe PCIe Gen 4 de 512 GB ou 1 TB
  • Webcam: 1080p E-Shutter
  • Sistema Operacional: Windows 11 Home

Além do processador, as principais diferenças no lineup do Slim 5i são o armazenamento, com opções de 512 GB ou 1 TB de SSD NVMe PCIe 4.0, e as GPUs, que também podem ser as RTX 3050 ou RTX 4050. A certificação oficial garante a possibilidade de expandir a memória para até 32 GB de DDR5-5200, e um SSD secundário de até 1 TB. O modelo que pude testar foi o 16IHR8, com kit Core i7, GeForce RTX 4060 e 1 TB de armazenamento; o resultado foi bastante satisfatório para o segmento.

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Tela

A tela do Slim 5i é bastante competente, com bons contrastes, nitidez de cores e resolução WQXGA de 2560 x 1600 (QuadHD em proporção 16:10). O brilho é um pouco baixo, de apenas 350 nits, mas é o suficiente para uma boa visibilidade.

O notebook é ligeiramente menor que outros modelos com telas de 16”, muito devido às bordas finas no contorno do painel IPS com taxa de atualização de 165 Hz e tempos de resposta entre 3 ms e 5 ms. Um detalhe que fica mais aparente com o uso prolongado é que a tecnologia de baixa emissão de luz azul aumenta o conforto da tela, cansando menos a vista após horas trabalhando ou jogando, mesmo sem ativar o modo noturno.

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Quase não pude notar distorção de cores nas laterais, exceto quando estava com todas as luzes apagadas, procurando ativamente por pontos de bloom ou outros problemas comuns em telas IPS.

Teclado e touchpad

O touchpad do Legion Slim 5i é bastante confortável, com boa área, e posicionado levemente à esquerda, para prevenir gestos acidentais ao descansar a mão sobre o chassi. O teclado retroiluminado - sem RGB -, por sua vez, é confortável e traz as teclas numéricas à direita, sendo uma funcionalidade interessante quando o foco é produtividade.

No entanto, a estratégia limitou a possibilidade de implementar teclas dedicadas para macro, controle multimídia e funções adicionais. Com isso, é preciso de um pouco de tempo para se adaptar e utilizar os atalhos combinando as teclas FN e ALT-GR para acessar todas as funções disponíveis.

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É importante frisar que o modelo que testei foi uma versão global com teclado em espanhol, e não o ABNT2. Por essa razão, é possível que a disposição de algumas teclas e a quantidade de atalhos na versão localizada para o Brasil seja diferentes e mais intuitiva.

Apesar disso, o teclado ainda é um ponto forte do modelo, pois a dissipação térmica nas regiões da GPU e CPU é perceptível, mas não chega a incomodar. Dessa forma, é perfeitamente possível jogar utilizando o teclado embarcado e apenas um mouse dedicado em uma mesa de colo, um ponto a favor da portabilidade do Slim 5i.

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Conectividade

O quesito conectividade foi um ponto um pouco diviso durante os meus testes com o Legion Slim 5i, com algumas escolhas muito acertadas e outras nem tanto. Começando pela parte problemática, o Slim 5i não oferece nenhuma porta USB4 ou Thunderbolt 4, mesmo considerando que se trata de um chipset Intel de 13⁠ª geração e um processador de alto desempenho.

As duas portas USB-C na lateral do notebook são apenas USB 3.2 Gen 2, oferecendo opções mais limitadas de expansão via hubs, apesar da largura de banda de 10 Gbps. Para a maioria dos usuários, isso não é um problema, mas os SSDs externos de altíssima velocidade já são uma realidade, com modelos que atingem taxas de transferência de 2.000 MB/s, boas opções para gamers que querem ampliar seu armazenamento sem precisar abrir os notebooks.

Testei um desses SSDs externos e em transferências de arquivos grandes atingi com certa facilidade o limite de 10 Gbps (1,25 GB/s). Contudo, como a maioria dos jogos depende de acessos rápidos a arquivos e instruções pequenas em altíssima velocidade, títulos como Marvel’s Spider Man Remastered, extremamente dinâmicos, sofrem com engasgos que não ocorrem com o mesmo SSD conectado a uma porta Thunderbolt 4.

Em compensação, as duas portas USB-C da lateral têm suporte a DisplayPort 1.4, sendo possível conectar até três telas adicionais, contando com a porta HDMI 2.1 na traseira. Além disso, a porta Ethernet, conector de energia e as duas portas USB-A 3.2 Gen 2 também ficam posicionadas na parte de trás do notebook, sendo ideal para quem pretende utilizá-lo como estação de trabalho e se incomoda com o excesso de cabos conectados à lateral. 

Bateria

O primeiro ponto realmente problemático do Legion Slim 5i é a sua autonomia, especialmente considerando o chip LA1 de IA, proprietário da Lenovo, que visa, justamente, otimizar desempenho e consumo de bateria. As especificações sugerem uma autonomia de até 8h em uso leve com brilho de tela em 150 nits (aproximadamente 50%), e superior a 4h em uso moderado.

No entanto, utilizando benchmarks que simulam um uso padrão de aplicações como office e navegação com brilho de tela em 50%, meu primeiro resultado foi de apenas 3 horas e 8 minutos (188 minutos). O valor é bem inferior ao esperado para um módulo de polímero de lítio de 4 células em um conjunto de 80 Wh.

Nas mesmas condições de tela e sem interagir com o aparelho, consegui atingir próximo de 4 horas em um streaming de vídeo de lareira de 10h em Full HD, um teste bem mais subjetivo. Contudo, a medida não é tão precisa quanto o teste sintético, além de ser um uso muito fora do padrão, especialmente para um notebook gamer.

Como o modelo traz um chip de IA proprietário para otimizar suas funções, isso significa que sua integração com CPU e GPU depende de drivers específicos. Para eliminar qualquer dúvida, restaurei o sistema para o padrão de fábrica e refiz o benchmark sem atualizar os drivers da GeForce RTX 4060.

A autonomia nessas condições subiu para 3 horas e 58 minutos (238 min), de fato, mas é irreal assumir que qualquer usuário irá deixar de atualizar drivers por conta de funções opcionais. A boa notícia é que consegui jogar Marvel’s Spiderman Remastered por quase duas horas, sem queda de desempenho perceptível, configurado em 1080p, qualidade alta, sem Ray Tracing e com DLSS.

Naturalmente, isso não é o suficiente para o trajeto de fretado até o trabalho, mas dispensa a fonte para uma sessão rápida na pausa para o almoço, e o modo de carga rápida coloca realmente a bateria em 70% em meia hora.

Temperatura

A temperatura do Legion Slim 5i é um tópico que me surpreendeu bem positivamente, não pelos níveis térmicos propriamente ditos, mas por como a Lenovo otimizou a dissipação. Em testes tanto de uso geral quanto em jogos intensos, o aquecimento do Legion Slim 5i na região das teclas “WASD” é perceptível, mas não o suficiente para causar desconforto.

O feito é ainda mais impressionante quando comparamos a experiência de uso com os resultados dos testes de aquecimento. Em carga de trabalho máxima nos testes do AIDA64 Extreme, o processador subiu a frequência até próximo dos 5 Ghz, com as temperaturas máximas atingindo 100°C em picos, mas estabilizando em 97°C.

Por outro lado, um problema mais comum nos chips móveis Core i9 desde a 12⁠ª geração, mas que eventualmente também ocorre na família Core i7, parece ter sido corrigido no Slim 5i. Por padrão, o Turbo Boost automático coloca os processadores Intel de alto desempenho operando no limite térmico assim que identifica atividades que exigem CPU, o software Lenovo Vantage otimiza os aumentos de clock e, consequentemente, de temperatura.

Com isso, o incremento é mais gradual até que o sistema atinja um desempenho estável para a atividade específica, evitando uma operação constante no limite do processador. Além de reduzir engasgos por thermal throttling, a otimização tem potencial para aumentar a vida útil da CPU.

Os teste da RTX 4060 são ainda melhores nesse quesito, pois ela mantém temperaturas ociosas de 46°C, médias de 57°C, e o estabiliza em 80°C em carga máxima. No software de controle é possível ativar o overclock da GPU, permitindo trabalhar um pouco acima da temperatura máxima, mas o limite térmico seguro de GPUs costuma ser de até 88°C.

Nível de ruído

Em compensação, o gerenciamento de desempenho de CPU e GPU auxiliado pelo chip Lenvo LA1 de IA não faz milagres. As temperaturas relativamente mais baixas em uso geral só são possíveis, em grande parte, graças às ventoinhas robustas e muito barulhentas.

O nível de ruído é alto o suficiente para abafar o som dos alto-falantes embutidos, tornando quase obrigatória a utilização de fones de ouvido em qualquer situação de uso mais intensa, principalmente em jogos. Por curiosidade, realizei um teste rudimentar com um decibelímetro de aplicativo Android, registrando um nível estável superior a 45 dBA, com picos de 55 dBA.

Mesmo não se tratando de um teste preciso, o Legion Slim 5i é bastante barulhento em usos mais intensos, então fica o alerta para quem não é adepto a fones de ouvido intra-auriculares ou não dispõe de headsets com bom cancelamento de ruído.

Benchmarks

Passando das condições de uso geral para os testes de desempenho bruto, pude constatar que o Legion Slim 5i é um notebook gamer de qualidade, mas faz justiça ao seu segmento intermediário. Os testes de benchmarks utilizados envolveram análise de produtividade em softwares do cotidiano, criação de conteúdo e ferramentas profissionais, mais pesadas, e jogos, evidentemente.

Produtividade

O Slim 5i, efetivamente, é um modelo híbrido, que combina a potência de um setup gamer com algumas praticidades da linha Slim, e isso se refletiu em sua usabilidade. Em termos de desempenho, consegui manter minha rotina de trabalho tranquilamente, alternando entre muitos documentos e abas de navegação abertas simultaneamente, com minha trilha Lo-Fi no modo aleatório do Spotify.

Para destrinchar isso em números, utilizei o Procyon rodando o benchmarking de produtividade do Pacote Office, que abre, alterna e gera simultaneamente múltiplos documentos, planilhas e apresentações com as ferramentas Microsoft. A pontuação de 6.130 coloca o Core i7-13700H apenas 1000 pontos abaixo de processadores Core i9 para notebooks, uma margem relativamente baixa.

Outro benchmark importante de processador é o GeekBench 6, no qual os resultados foram semelhantes. O teste simula outras tarefas geralmente pesadas para CPU, como compressão e descompressão de arquivos, geração de documentos, navegação em múltiplas abas etc. Aqui, o desempenho do Slim 5i também foi positivo, atingindo 2.384 pontos em single-core e 11.763 em multicore.

Na prática, o desempenho significa que, mesmo se tratando de um processador intermediário, ele é uma boa opção para quem tem o costume de transmitir suas sessões de jogos na Twitch ou outras plataformas de streaming, por exemplo. 

Criação de conteúdo

A combinação do i7 com a GeForce RTX 4060 de 8 GB é bem competente em tarefas de edição de imagem e vídeo. Obtive bastante fluidez trabalhando em imagens em resoluções 4K em diversas camadas, e esse mesmo desempenho também se refletiu nos testes sintéticos.

O benchmarking de criação de conteúdo do Procyon combina as ferramentas Adobe Photoshop, Lightroom Classic e Premier Pro e a pontuação foi satisfatória para um modelo que não foi projetado especificamente para essas funções. 

Profissional

Independentemente do segmento, nem de longe os notebooks gamer podem ser considerados baratos para a realidade do brasileiro. Tanto por isso, ser competente também em softwares profissionais pesa bastante na decisão de qual faixa de preço investir, e o novo Legion traz alguns pontos positivos nessa categoria.

Apesar de não ser projetado para atuar como uma workstation portátil, testei o Slim 5i em ferramentas para avaliar seu desempenho em quatro mercados profissionais: modelagem e animação 3D (Blender); engenharia e projetos industriais (SPECviewperf); projetos gráficos fotorrealistas (V-RAY); e renderização de imagens (Cinebench 2024).

Os resultados do Blender - versão 3.6 para fins de padronização - apontam um desempenho satisfatório, pontuando 1.740 no teste de renderização Monster, 966 no Junkshop e 862 no Clasroom. Os valores colocam a RTX 4060 cerca de 18% abaixo de notebooks com GPUs RTX 4070, que geralmente custam bem mais que 20% do valor do Slim 5i.

Nos benchmarks profissionais do SPECviewperf, o mesmo padrão se repete para as simulações em 3DSMax, de renderização realista, e Solidworks, em renderização pesada de alta densidade com efeitos de iluminação. As GeForce RTX 4060 se posicionam entre 10% a 15% abaixo das 4070, dentro do esperado.

Por outro lado, observei algo curioso especificamente nos testes do Maya e Creo, com a GPU do Slim 5i superando a versão da série 70. Repeti os testes algumas vezes, obtendo resultados quase idênticos, e tudo indica que em alguns usos específicos da RTX 4060, o chip LA1 da Lenovo pode ter influenciado o resultado.

“Sem avaliar outros notebooks com a mesma tecnologia proprietária, não consigo cravar que foi o chip de IA embarcado que afetou os resultados. Entretanto, considerando a proposta do produto, é possível que os LA1 regulem algumas tensões entregando overclocks automáticos de GPU em alguns processos” - Daniel Trefilio

A RTX 4060 mobile surpreende novamente nos testes do V-RAY 5.0, entregando desempenho bastante próximo das versões para desktop da mesma GPU. Comparando com o banco de dados do V-RAY, a placa do Slim 5i marca 1.689 no benchmark RTX, praticamente empatando com a GeForce RTX 4060 base, e apenas 110 pontos abaixo da média da 4060 Ti.

Os 1.141 pontos no V-RAY CUDA também configuram um empate técnico entre as GPUs mobile e para desktop, mas com uma margem mínima de 20 pontos favorecendo a placa do Slim 5i. 

Para uso profissional, os testes do Cinebench 2024 apresentaram o pior resultado comparando com desktops profissionais dedicados, mas dentro do previsto para um CPU com TDP de apenas 45W. Enquanto o Core i7-13700K, de 125W, atinge médias de 130 e 1600 pontos no Cinebench 2024 em single e multicore, respectivamente, o processador do Slim 5i marca 106 e 860 pontos.

Analisando o compilado de testes, fica evidente que a Lenovo tirou o máximo que pôde dos componentes do Legion Slim 5i, entregando resultados até competentes para alguns usos profissionais. Por outro lado, fica claro que não é este nicho do produto, servindo como solução híbrida entre lazer e trabalho, mas seu foco está nos jogos. 

Games

Por falar em jogos, finalmente vamos conferir o Slim 5i mostrando a que veio. Além de rodar casualmente títulos que eu normalmente jogaria para avaliar sua usabilidade, realizei testes internos de 9 jogos populares, e um teste padronizado em Alan Wake 2 - que não oferece ferramenta dedicada para benchmarks.

Os testes utilizaram apenas os presets máximos e mínimos, em 1080p e QuadHD, aplicando tecnologias de upscaling apenas na resolução mais elevada, e exclusivamente na tela do notebook, sem monitor dedicado.

Full HD

Em Full HD (1080p), o Legion Slim 5i se saiu muito bem nas configurações máximas - sem Ray Tracing ou upscaling. Exceto por Alan Wake 2, Metro Exodus e Formula 1 2023, o notebook superou com certa facilidade os 60 FPS estáveis, mesmo em Cyberpunk 2077.

No caso específico de Fórmula 1, notei que a GeForce RTX 4060 estava operando entre 90% e 95% de seu limite, sugerindo que o Core i7 constantemente a 100% foi o principal responsável pelo gargalo de desempenho. Jogos de simulação costumam pesar bastante no processador, então o resultado não é necessariamente negativo; o mesmo não ocorreu em Forza Horizon 5, por exemplo, que superou 80 FPS nas mesmas condições.

Os outros dois títulos que ficaram abaixo de 60 quadros também não são uma surpresa, por serem extremamente pesados. Em Alan Wake 2, a diferença entre as configurações mínimas e máximas foi relativamente baixa, indicando que apesar de muito exigente, o jogo está relativamente bem otimizado, com médias de 68 e 50 FPS.

Já em Metro Exodus, a questão muda bastante de figura, pois as opções de configuração disponíveis são bem mais complexas e segmentadas, criando um limite superior extremamente distante do inferior. Ainda assim, o Slim 5i conseguiu entregar 38 FPS, sugerindo que com alguns ajustes pontuais é possível atingir os 60 quadros sem comprometer muito a qualidade gráfica.

Quad HD

Vale esclarecer que tecnologias como DLSS, XeSS e FSR não foram utilizadas em Full HD, principalmente por não fazerem sentido, uma vez que em modo equilibrado elas renderizam nativamente textura em 1080p e extrapolam para resoluções maiores.

Como a resolução nativa do modelo da Lenovo é Quad HD, é este o quesito mais relevante para o gamer que está considerando investir em um notebook novo. Mesmo sem upscaling ativado, o desempenho em configurações máximas é satisfatório de maneira geral, mas fica nítido que o projeto da RTX 4060 só faz sentido real quando opera com o DLSS ativado.

Na prática, mesmo as tecnologias de upscaling da Intel e AMD se saíram muito bem ao otimizar o desempenho dos jogos em Quad HD, mas o sistema de geração de quadros do DLSS 3 em Cyberpunk e Alan Wake 2 merece muito destaque por sua competência.

Alan Wake 2, que roda a sofríveis 33 FPS sem upscaling, salta para 65 FPS com o DLSS, e Cyberpunk 2077 pula de 37 para 78 FPS. Formula 1 também é bastante beneficiado pelas ferramentas de otimização de texturas, atingindo uma média estável de 67 quadros por segundos. 

Concorrentes diretos

O Legion Slim 5i em sua configuração máxima com i7-13700H, GeForce RTX 4060, 16 GB de DDR5-5200 e 1 TB de SSD NVMe PCIe 4, está custando cerca de R$ 11 mil. Principalmente com essa opção de GPU, o modelo mais próximo do Slim 5i em termos de especificações é o ASUS ROG Strix G16 (2023), que utiliza praticamente os mesmos componentes, com um Core i9-13900HX, mas com uma tela Full HD, e custando a partir de R$ 13 mil. 

Ao baixar a régua para notebooks com o Core i7-13700H, praticamente todos os produtos trazem apenas uma GeForce RTX 4050 de 4 GB e custam entre R$ 9 mil e R$ 10 mil, como os Dell G15, todos também com tela apenas Full HD. Essas condições específicas colocam o modelo da Lenovo em uma posição relativamente confortável, já que são poucos os notebooks gamer que competem na mesma faixa de preço com a mesma placa de vídeo.

Além disso, as versões mais simples do Slim 5i quase todas se posicionam em patamares equivalentes de preço e configurações de modelos populares, como os Acer Nitro e os Dell G15. Dessa forma, o Legion Slim 5i mais poderoso compete praticamente sozinho em uma faixa de transição, com um processador no limite de suas competências para jogos em QHD, e uma GPU minimamente poderosa para empurrar os gráficos até os limites do Core i7.

Vale a pena comprar o Legion Slim 5i?

O Lenovo Legion Slim 5i é um notebook gamer extremamente competente em quase tudo a que se propõe fazer, exceto pela portabilidade sugerida pela série Slim que cobre apenas algumas melhorias de qualidade de vida. A diferença de tamanho e peso entre o ele e modelos de mesmo nicho é mínima, mas as modificações introduzidas no quesito conforto amenizam pontos problemáticos para utilizar notebooks gamer em trânsito.

Além disso, o projeto é bem dimensionado, com CPU e GPU trabalhando em seus limites, mas raramente criando gargalos entre si, praticamente definindo o que se deve esperar de projetos de notebooks gamer. Seus únicos problemas reais - e bastante evidentes - são a autonomia de bateria muito baixa, apesar do chip de IA da Lenovo que deveria melhorar essa questão, e o nível de ruído das ventoinhas muito alto, mesmo em usos menos intensos.

Ainda assim, com preço sugerido de R$ 11 mil, o Legion Slim 5i pode ser considerado o intermediário dos intermediários, sem sobrar ou faltar desempenho, e vale a pena para gamers que buscam jogar em QuadHD com alguma mobilidade, oferecendo recursos que só são encontrados em aparelhos topo de linha, mas lembrando de ter um bom headset sempre a postos.