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Review F1 23 | Uma equipe tradicional em sua melhor forma

Por| Editado por Jones Oliveira | 22 de Junho de 2023 às 17h20

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Divulgação/Electronic Arts
Divulgação/Electronic Arts

Já estamos ficando cansados de falar que a série F1, desenvolvida pela Codemasters e nos últimos anos sob a batuta da Electronic Arts, é a reprodução mais completa da Fórmula 1 nos games. Mas o que fazer quando, ano após ano, a produtora repete a carga e, mais do que isso, mostra aprender com as arestas de anos anteriores para seguir entregando um pacote completo e instigante, que apela fortemente aos fãs da categoria enquanto tenta trazer também os novatos?

Já comentamos, muitas vezes, como a franquia corre sobre uma base extremamente sólida, que vem desde os idos do PlayStation 3 e Xbox 360, adicionando conceitos e entregando uma experiência que pode ser abrangente para quem quiser e casual caso o jogador assim deseje. F1 23 leva isso às últimas consequências com suas adições em termos de conteúdo, trazendo ainda mais variedade e engajamento para uma mistura que já se provou vencedora.

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O modo Ponto de Frenagem está de volta com uma nova história ao melhor estilo Dirigir Para Viver, da Netflix, enquanto o hub F1 World ganhou ares de relevância e se tornou, efetivamente, algo digno de atenção. E estes são apenas dois dos destaques que fazem de F1 23 a experiência mais interessante da categoria e, também, um dos melhores títulos da franquia até aqui.

Chega a ser curioso pensar em F1 23 como uma versão completa do game do ano passado, ou vice-versa, em um aspecto que pode até depor contra a ideia da Electronic Arts de lançar títulos anuais. A sensação ao jogar o novo game é de que a Codemasters decidiu ir além em boa parte dos conceitos que foram apenas pincelados em 2022, ou então, que eles simplesmente não estavam prontos a tempo do lançamento anterior, que precisava acontecer.

Haja motor para tanta atividade

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Seja como for, o novo pacote de F1 23 apresenta uma miríade de mudanças e novidades que são pouco usuais nos games anuais. E a principal adição está justamente na categoria F1 World, que deixa de ser uma casa glorificada com carros bonitos e nada para fazer para se tornar um hub de conteúdo e variedade, que pega o cerne da experiência da Fórmula 1 e cria uma série de desafios especiais em cima disso.

Corridas curtas em diferentes circuitos do mundo se misturam a provas com objetivos diferenciados. O jogador pode disputar uma corrida longa sem nenhum elemento de interface na tela, por exemplo, ou participar de um evento especial dos 50 anos da McLaren, levando o piloto britânico Lando Norris a uma vitória que há tempos é almejada por ele e os fãs. A prova do final de semana é sempre um destaque, claro, mas não o único.

Nesse hub — que também traz a customização da casa e o uso de roupas casuais pelo avatar do jogador, que não servem para muita coisa —, se misturam os desafios offline das corridas multiplayer, tudo vinculado a um sistema simples de desenvolvimento do carro e da própria equipe do usuário. É uma tentativa de adicionar um quê de estratégia às tão mal-faladas loot boxes, que não poderiam ficar de fora de mais uma proposta da EA, mas que ocupam um espaço tão irrisório que nem chegam a incomodar tanto.

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Evoluir a própria escuderia é um objetivo em F1 World, claro, até para liberar o acesso a séries e ligas mais avançadas. Porém, acima disso, estão as configurações de assistências, dificuldade e outros elementos fixados pelo próprio jogador, assim como os eventos apresentados pelo próprio F1 23. Tem coisa nova todo dia e um passe de temporada que aumenta as opções de customização, mas não é essencial, fazendo com que as caixinhas normalmente predatórias fiquem ainda mais em segundo plano.

Aqui, também estão outros formatos mais tradicionais, como as corridas de tomada de tempo ou a possibilidade de customizar um fim de semana completo para disputar. Eles estão um bocado escondidos, é verdade, assim como os desnecessários supercarros, que apesar de presentes em F1 23, assumem um papel ainda mais coadjuvante do que no game anterior, a ponto de muita gente acabar nem mesmo lembrando que eles existem.

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Como dito, F1 23 também traz de volta a campanha principal Ponto de Frenagem. Mais uma vez, acompanhamos personagens fictícios que trafegam em meio ao circo da Fórmula 1, desta vez com direito a uma personagem do gênero feminino, antecipando uma mudança que ainda pode demorar a vir na categoria real. Estamos dentro, também, de uma equipe inédita, o que faz com que a história se assemelhe ainda mais a algo que aconteceria nos paddocks das corridas.

Da trama que se passa entre as temporadas 2022 e 2023 do esporte, não há muito a dizer. Temos uma história básica e sem grandes viradas nem pontos de destaque, mas também sem elementos que a desabonem. Assim como F1 World, mas com uma pegada diferente, o que vemos aqui é uma forma de a Codemasters adicionar variedade ao título e permitir uma jogatina mais casual e direta, explorando diferentes circuitos e apresentando cenários diferentes de uma forma sólida, ainda que a história vá ser jogada apenas uma vez pela maioria dos jogadores.

Esses caminhos diferentes, e muitas vezes mais curtos, são necessários quando se leva em conta que, por mais que a interface de F1 23 tente dar menos destaque, os principais modos do game são justamente as carreiras de pilotos. Seja controlando o carro de uma escuderia conhecida ou seguindo uma jornada própria no modo Minha Equipe, é aqui que está o ouro para a maioria dos jogadores, que vão desejar aproveitar a experiência da Fórmula 1 de forma completa, corrida a corrida, enquanto tentam tirar o título mundial das mãos de Max Verstappen, da Red Bull.

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Falando nele, aliás, o sistema de estatísticas que alimenta F1 23 de acordo com os resultados reais parece problemático no lançamento do game, nem de longe dando a ele a dominância que exibe nas pistas da categoria, ainda que seus números estejam entre os mais altos. Até o momento em que publicamos esta análise, há uma estranha supremacia de Lance Stroll acima de seu companheiro de Aston Martin, o campeão Fernando Alonso, enquanto o sonho dos Ferraristas de ver a tradicional escuderia vencendo também vive nessas pistas virtuais. São aspectos curiosos, mas que quebram um pouco da imersão.

Há de se citar, ainda, certa burocracia na integração entre modos. Um jogador que decidir iniciar uma carreira própria, o modo Minha Equipe e também se aventurar no F1 World terá de passar diversas vezes pelos modos de criação de avatares, logotipos e carros, com nem todas as criações de um sendo transportadas aos outros. Os fãs, há anos, pedem a possibilidade de importar configurações de assistência e jogos salvos de um jogo anual ao outro, com a Codemasters, aqui, parecendo ter dado um passo a mais para trás, em vez de atender aos jogadores.

Da “geração Netflix” aos veteranos

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F1 23 continua a tradição da Codemasters de entregar um game que foca na simulação e tenta entregar uma experiência realista, mas que permite a entrada de qualquer pessoa. Como já fazia isso desde antes de ser algo comum, a desenvolvedora segue com sua grande quantidade de opções de assistências, dificuldades e customizações, de forma convidativa à evolução e experimentação.

Dá para começar simples e com uma bela ajuda do game nas frenagens, aumentando a dificuldade da IA e desligando o suporte na medida em que as habilidades próprias vão evoluindo. Os já citados eventos do modo F1 World também ajudam isso, tanto na apresentação de provas variadas que exploram diferentes conceitos quanto na formação de partidas, que tenta unir jogadores de níveis de habilidade semelhantes para tornar a experiência parelha.

Nesta versão, a produtora parece ter dado uma atenção especial aos joysticks, melhorando muito a dirigibilidade nos controles do Xbox e PlayStation. Agora, os veículos reagem de forma muito mais natural e sensível aos movimentos dos analógicos — em um aspecto que também pode ser configurado — enquanto elementos como o feedback tátil do PS5 e as vibrações dos gatilhos do controle da Microsoft também ajudam na sensação de controle.

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Jogar uma corrida noturna em F1 23 se tornou um show à parte, enquanto a tradicional prova de Yas Marina, em Abu Dhabi, ganhou contornos ainda mais peculiares por ser realizada no entardecer. Las Vegas, uma das estreantes na Fórmula 1 e que pode ser conferida em primeira mão no game, aliás, mostra toda sua força tanto como pista competitiva quanto pela força visual, potencializada pelo conjunto gráfico do título.

Este, aliás, aproveita muito bem o que os consoles de atual geração têm para entregar. Quem jogar Ponto de Frenagem, por exemplo, deverá ficar impressionado com a qualidade das expressões faciais e as boas animações, enquanto as texturas impressionam pelos reflexos e aplicação de pinturas que reagem em tempo real com os circuitos. Mecânicos e pilotos reais, entretanto, ainda têm a tradicional cara de cera em outros modos, em um aspecto que, esperamos, seja melhorado nas iterações futuras da série.

Entretanto, há a sensação de que F1 23 abraça ainda mais quem está chegando agora, algo que também vem acontecendo no mundo da Fórmula 1 como um todo. Há a intenção clara de ser mais amigável do que nunca, enquanto as bases que fizeram da marca um sucesso também se mantêm firmes para manter no volante aqueles que já acompanham os lançamentos anuais há muitos anos.

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A criticada burocracia também faz sua aparição aqui quando se considera que o game, de início, pode soar confuso e disperso para novos jogadores, que poderão ficar perdidos em meio a tantas opções. Aos poucos e, principalmente se decidirem dar mais atenção a uma delas, poderão começar sua jornada de velocidade e encontrarão o caminho rapidamente, entendendo porque essa franquia anual se mantém tão firme há quase 15 anos.

Vale a pena jogar F1 23?

É lugar comum se referir ao novo game da Codemasters como a melhor e mais completa experiência de Fórmula 1 nos vídeo games, mas isso se deve ao fato de os títulos da série entregarem exatamente isso. Ano após ano, ainda que com algumas derrapagens pelo caminho, a produtora entrega um pacote que ao mesmo tempo expande as opções disponíveis e corrige alguns erros do passado.

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Há claro caminho para melhorias, principalmente no que toca a confusão de interfaces e algumas burocracias, mas no que realmente importa, F1 23 se sai como um dos melhores do gênero. Finalmente fazendo uso dos gráficos da atual geração, e com gasolina para queimar nesse sentido, o game segue permitindo a entrada de novatos enquanto entrega todas as opções de simulação aos veteranos, estejam eles jogando no controle ou em um volante.

Das corridas curtas de F1 World às longas campanhas que simulam integralmente os fins de semana de corridas, passando pela nova temporada de Ponto de Frenagem, o game é uma reprodução completa do que vemos na televisão aos domingos. Um título anual que se justifica como tal, algo raro de acontecer, e ainda deixa a expectativa do que mais, em termos de qualidade, virá na sequência.

F1 23 tem versões para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X e Series S. No Canaltech, o game foi testado no PlayStation 5 e Xbox Series X em cópias digitais gentilmente cedidas pela Electronic Arts.