Dia Mundial da Saúde | 10 motivos para acreditar no futuro da medicina

Dia Mundial da Saúde | 10 motivos para acreditar no futuro da medicina

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 07 de Abril de 2021 às 14h58
alexbowmore/envato

No último Dia Mundial da Saúde, em pleno início de pandemia, destacamos a importância dos profissionais da área, que tomaram a frente nessa luta espalhada pelo mundo inteiro. Nesta quarta-feira (7), chegamos de novo a essa data comemorativa, que acontece sob o patrocínio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa vez, em meio a tantas notícias preocupantes que nos rodeiam, o Canaltech traz dez motivos para acreditar no potencial da ciência e da medicina e no futuro que envolve essas áreas.

1. Avanços contra o câncer

Cada avanço na área da saúde representa um motivo de comemoração, e quando se trata de algo tão complexo quanto o câncer, esse motivo acaba ficando ainda maior. Em janeiro, pesquisadores do Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia (KIST) se concentraram em aprimorar as técnicas de diagnóstico dessa doença, mais precisamente do câncer de próstata.

Normalmente, pacientes com câncer de próstata precisam se submeter a uma biópsia invasiva, que pode ser dolorosa e causar sangramentos, mas a equipe desenvolveu um método de análise de inteligência artificial para um biossensor ultrassensível baseado em sinais elétricos. Por meio da urina, essa nova ferramenta é capaz de fazer um diagnóstico em apenas 20 minutos. Outro caminho que aponta avanços contra o câncer é a biópsia guiada por robótica, em que um robô traça o melhor caminho para a coleta de uma amostra, como a de um tumor, ser mais certeira e menos invasiva.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

No entanto, o grande avanço no combate contra o câncer tem sido representado pelas vacinas personalizadas, levando em conta que um estudo de Harvard mostrou que vacinas projetadas para combater o melanoma (a forma mais letal de câncer de pele) mantêm seus efeitos no sistema imunológico anos após a injeção. A vacina faz com que o sistema imunológico crie células T antitumorais que são específicas de acordo com cada tumor e paciente.

2. Tratamentos inovadores

A união entre a ciência, a medicina e a tecnologia tem proporcionado uma verdadeira gama de tratamentos inovadores. É o caso, por exemplo, de um recente experimento feito com roedores, cuja proposta é fazer com que os dentes que já caíram voltem a crescer, algo que pode mudar completamente os rumos da odontologia.

No que diz respeito à COVID-19, os cientistas também se concentram em métodos inovadores que possam representar aliados na luta contra a doença, como o tratamento com plasma, que consiste na transferência de anticorpos de uma pessoa que já teve a doença antes para uma outra pessoa, que por sua vez se encontra infectada no período atual. A proposta é que os anticorpos possam, assim, ajudar a combater a infecção.

Ainda contra a doença que tem preocupado a população mundial, cientistas da Universidade de Chicago (EUA) perceberam a eficácia de tratamento com o canabidiol (CBD), um composto produzido naturalmente pela cannabis, para inibir a evolução de infecções pelo coronavírus in vitro.

3. Vacinas contra a COVID-19

Em 2021, a corrida das vacinas segue a plenos pulmões. A diferença é que muitos países já estão imunizando a população, a começar pelos grupos prioritários. Nas capitais brasileiras, isso também já é realidade, e profissionais da saúde, idosos e indígenas já estão tomando a vacina de duas doses.

Por enquanto, a vacinação no Brasil envolve a CoronaVac (da farmacêutica chinesa Sinovac, com a participação do Butantan aqui no país) e a Covishield (da Universidade de Oxford e da biofarmacêutica AstraZeneca, com a participação da Fiocruz aqui no país). Mas uma vacina genuinamente brasileira está a caminho, pela Farmacore Biotecnologia, em parceria com a americana PDS Biotechnology e a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Por enquanto, o imunizante ainda em fase pré-clínica. Vale notar, ainda, que o Brasil tem 17 vacinas contra COVID-19 em estudo, segundo o próprio Ministério da Saúde.

(Imagem: erika8213/Envato)

4. Discussões e estudos sobre saúde mental

Em 2020, descobrimos que a saúde mental importa tanto quanto a saúde física. Em 2021, especialistas continuam focados em estudar os impactos da pandemia na mente das pessoas. No início de março, a Escola de Medicina da Universidade do Arizona (EUA) analisou as consequências por trás do medo de contrair a COVID-19, algo que impacta o mental e até o físico.

Ainda em março, um estudo publicado no JAMA Network Open apontou que 52% dos sobreviventes da COVID-19 apresentaram sintomas de depressão. O estudo envolveu 3.900 pessoas infectadas entre maio de 2020 e janeiro de 2021.

5. Iniciativas para ajudar deficiências

Outro motivo para crer na medicina é o potencial para ajudar deficiências. No início de abril, um paciente com deficiência visual conseguiu voltar a enxergar após passar por uma terapia experimental na Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos EUA. O tratamento consistiu em apenas uma injeção no globo ocular, e a visão foi recuperada em um pouco mais de um ano.

Em março, o Centro Médico da Samsung descobriu que o recurso Som Ambiente (Ambient Sound) dos fones de ouvido Galaxy Buds Pro é eficaz em ajudar pessoas com perda auditiva leve a moderada a distinguir os sons ao seu redor, já que a ferramenta pode amplificar sons próximos em até 20 decibéis.

6. Ascensão da telemedicina

A união entre a tecnologia e a medicina ficou ainda mais estreita com a pandemia, e prova disso é o crescimento da telemedicina. Podemos exemplificar esse crescimento com o serviço de telemedicina da Amazon, conhecido como Amazon Care, que no mês de março expandiu para 100% dos funcionários nos EUA. Vale relembrar que há pouco mais de um ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a reconhecer e regulamentar o uso da telemedicina para o combate à COVID-19.

7. Produção de órgãos em laboratório

Um grande passo para a medicina tem sido a produção de órgãos em laboratório. Em fevereiro, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu uma técnica inédita para a reconstrução e produção de fígados nesse ambiente. Os pesquisadores inclusive já demonstraram a eficácia da técnica em roedores. O próximo desafio envolve adaptar essas estratégias para produzir fígados humanos aptos para o transplante futuramente.

Já em março, pesquisadores da Universidade de Minnesota (EUA) desenvolveram uma substituição de válvula cardíaca por engenharia de tecido que pode crescer dentro de um paciente. Usando um detergente biocompatível, a equipe conseguiu retirar as células do interior da matriz de colágeno, deixando apenas um cilindro que não provoca nenhum tipo de reação imune no organismo.

(Imagem: Robina Weermeijer/Unsplash)

8. Descobertas do corpo humano

A ciência também proporcionou descobertas do próprio corpo humano neste início de ano. Em fevereiro, cientistas descobriram 140 mil espécies de vírus no intestino. Muitos desses vírus descobertos são do tipo bacteriófago: completamente inofensivos, que desempenham um papel enorme na regulação do número de células bacterianas no intestino.

Enquanto isso, cientistas da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, descobriram um jeito de indicar mudanças na concentração de substâncias no corpo: um sensor desenvolvido com base em nanopartículas e cores alteradas com receptores que respondem a moléculas específicas. Esse sensor passou a ser apelidado de tatuagem invisível.

9. Superação

Neste início de ano, também vimos como a ciência pode representar a superação dos próprios limites: o britânico Simon Kindleysides, de 36 anos, que tem paralisia da cintura para baixo, usou um exoesqueleto motorizado para realizar uma maratona beneficente e chegou a caminhar por 180 quilômetros. O traje é uma móvel e vestível, e funciona em conjunto com o usuário, projetado para melhorar ou restaurar o desempenho humano. O exoesqueleto ainda é conectado com um smartwatch.

Nesse mesmo caminho, o engenheiro norte-americano Matt McKeown, diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (doença que afeta as células nervosas do cérebro e da medula espinhal, fazendo com que as pessoas percam a capacidade de controlar os membros e a fala) construiu um robô assistente pessoal para ajudá-lo a se alimentar.

10. Transplantes

Nossa lista se encerra com outro foco da medicina que parece contar com um futuro promissor: os transplantes. Em fevereiro, uma equipe de cirurgiões dos Estados Unidos anunciou o primeiro transplante combinado de rosto e de mãos bem-sucedido do mundo, realizado em um homem de 22 anos que sofreu um acidente. Os transplantes simultâneos de face e das mãos são extremamente raros e, até então, nenhum tinha obtido sucesso.

No útlimo dia 6, uma discussão pertinente veio à tona: o futuro do transplante de útero. Profissionais da saúde se uniram para debater novas possibilidades, como as dos transplantes em mulheres trans e o potencial do órgão para gerar bebês saudáveis. Segundo os pesquisadores norte-americanos, a eventual implantação de um útero doado e a gestação no corpo de um indivíduo trans não deve representar nenhuma barreira fisiológica, considerando apenas que várias condições e ausências nesse processo sejam suplementadas.

Neste Dia Mundial da Saúde, vale dirigir o olhar aos potenciais da medicina, da ciência e da tecnologia, que juntas são capazes de grandes feitos. Há luz no fim do túnel!

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.