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Vale a pena comprar um ASUS ROG Ally?

Por| Editado por Jones Oliveira | 29 de Março de 2024 às 10h30

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Ivo Meneghel Jr/Canaltech
Ivo Meneghel Jr/Canaltech

O ROG Ally é o console portátil da ASUS com proposta de servir como uma porta de entrada mais intuitiva para os novos gamers, em sua maioria de plataformas mobile, que surgiram durante a pandemia.  Por se tratar de um produto relativamente caro, o Canaltech revisitou a experiência do portátil para avaliar se — ou para quem — comprar o ROG Ally pode ser uma boa opção.

Por essa razão nossos novos testes focaram em casos de uso mais reais, pensando principalmente no público acostumado com a experiência “plug-and-play” dos consoles tradicionais.

Outras questões mais transversais, como autonomia, ergonomia e controles, que influenciam na experiência, também são destaque, deixando o desempenho gráfico em segundo plano.

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Muito mais plug que play

O primeiro ponto que precisa ser considerado nesse caso é, justamente, a promessa da praticidade de uso. Em um Xbox Series X ou Series S, Nintendo Switch e até certo ponto no próprio Steam Deck, é relativamente fácil ligar o console e começar a jogar, por se tratar de ecossistemas — e sistemas operacionais — bastante fechados e integrados às lojas proprietárias.

O ROG Ally, por sua vez, é essencialmente um mini PC com Windows 11 e isso implica em ter que lidar com os aborrecimentos inerentes do sistema, como conflitos de drivers, instalação das muitas lojas digitais, configuração inicial dos jogos e assim por diante. Para gamers completamente novos, que estão passando, supostamente, pela primeira experiência com jogos para PC, o processo pode ser penoso em vários sentidos.

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O primeiro deles é justamente a falta de um agregador eficiente, de fato, para as bibliotecas de jogos. Por mais que o ROG Ally traga uma versão adaptada do software Armoury Crate que, além de trazer ferramentas de controle de temperatura e gestão do sistema, agiliza um pouco encontrar algumas dessas lojas, na prática ele apenas direciona o usuário para as páginas oficiais de cada uma delas.

Isso significa que será preciso baixar e instalar manualmente os aplicativos do Ubisoft Connect, Battle.net, EA Play, Epic Games Store, Rockstar Social Club e assim por diante. O processo por si só já demora mais que as infinitas atualizações iniciais do PlayStation 5, sem mencionar o tempo que ainda será necessário para baixar os jogos em si.

O próximo passo é configurar os jogos para rodarem na plataforma, que envolve um processo de tentativa, erro e um pouco de esperança. Isso porque, devido ao hardware relativamente simples, alguns títulos podem acusar que as especificações estão abaixo do mínimo recomendado, sendo preciso um pouco de insistência.

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Foi exatamente isso o que ocorreu com Wild Hearts, título de caçar monstros do catálogo da EA. Após um pouco de esforço para convencer o jogo que seria possível, sim, rodá-lo no Ally, a experiência foi relativamente satisfatória, com gráficos entre baixo e médio, FSR em desempenho e texturas em 720p.

No entanto, a promessa de trazer uma plataforma intuitiva e Plug and Play para rodar jogos de PC na experiência de um console, portátil ou não, cai por terra quando o usuário precisa investir tanto tempo até conseguir abrir um jogo pela primeira vez.

Por outro lado, passado o trauma inicial, o protocolo é praticamente o mesmo para os outros jogos, mas sempre será preciso gastar alguns minutos testando presets gráficos até encontrar um satisfatório.

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Navegação e controles

Outro ponto relativamente frustrante é a navegação pelo sistema no ROG Ally, apesar de ela ser menos problemática que no Legion GO. Por não trazer um trackpad e utilizar o Windows 11 “puro”, o Ally exige ativar o analógico da direita como mouse, alternando entre os modos de controle gamepad e desktop, no menu do ROG Command Center.

Para isso, é preciso acionar o botão dedicado para essa ferramenta, localizado à direita do D-Pad. Até existe um modo “automático” de seleção, mas ele é relativamente lento para identificar quando alternar entre qual perfil e acaba sendo mais simples realizar a seleção manualmente.

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Algo que facilita muito é que o modo Gamepad já vem com diversos atalhos pré-programados, como o botão de ombro e gatilho direitos funcionando como os botões primário e secundário do mouse, o D-Pad para cima abrindo o teclado virtual. Na dúvida, segurar o botão do Armoury Crate, ao lado do analógico direito, mostra o mapa de atalhos.

Além disso, os botões da parte de trás do Ally ativam funções secundárias para as teclas, permitindo inserir ainda mais combinações de botões. Esse tipo de funcionalidade é bastante interessante para quem quer jogar MMOs que não têm suporte nativo a gamepads, sem depender dos perfis personalizados da Steam, que costumam ser bem confusos de configurar.

Ainda assim, MMOs com muitas habilidades, como World of Warcraft ou Star Wars: The Old Republic, vão ter uma experiência bastante restrita, exigindo muitos macros internos, além dos atalhos no controle. 

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Máquina de Genshin Impact

Talvez a experiência mais satisfatória com o ROG Ally tenha sido com Genshin Impact e o outros jogos de aventura, como Tower of Fantasy e Honkai Star Rail. Apesar desses títulos serem perfeitamente jogáveis em smartphones, Genshin, especificamente, ainda não tem suporte nativo a gamepads no Android — embora haja alternativas, como o GameSir G8 Galileo, que fazem o mapeamento dos controles virtuais para o físico.

Como o ROG Ally é essencialmente um PC portátil com Windows 11, ele é sem dúvidas a experiência ideal para quem é fã de RPGs de ação e aventura, principalmente os mais leves e casuais. Jogos mais pesados, como Assassin’s Creed Odyssey, até funcionam em configurações baixas, mas é preciso, novamente, passar alguns minutos buscando o ajuste ideal para entregar pelo menos 30 FPS estáveis, enquanto nos títulos mais leves a fluidez atinge com tranquilidade os 60 FPS.

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Gambiarra de acessórios

Vale ressaltar que essas configurações são apenas com o console ligado ao carregador, pois para ter um desempenho fluido é preciso ativar o modo desempenho com TDP acima de 25W. Uma sessão média de Genshin Impact no modo desempenho apenas na bateria dura pouco mais de 1h antes de começarem os engasgos, e em jogos mais exigentes o tempo é ainda menor.

O problema é que o ROG Ally só dispõe de uma porta USB-C, a mesma utilizada para carregamento do console. Sendo assim, além de a experiência ideal depender de estar sempre próximo a uma tomada — ou no mínimo ter um powerbank bem generoso —, utilizar qualquer outro acessório, como um SSD externo, fica atrelado a ter também um hub USB-C de qualidade com uma porta compatível com alimentação, ou a caríssima eGPU ROG XG mobile com porta proprietária.

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Armazenamento subdimensionado

Este cenário acaba caindo na principal falha de projeto dos consoles portáteis para jogos de PC, e isso não se limita ao ROG Ally, mas também abarca o Steam Deck e Legion GO: o armazenamento interno.

Diferente do Nintendo Switch, que utiliza técnicas de compressão agressivas capazes de colocar um jogo do porte de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom em uma instalação de aproximadamente 16 GB, jogos de PC não funcionam dessa forma. O próprio Genshin Impact na versão para PC ocupa mais de 120 GB após a instalação, comprometendo imediatamente 30% do armazenamento total do ROG Ally com SSD de 512 GB.

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Outra questão importante é que os jogos de PC modernos são quase todos pensados para utilizar taxas de transferência de 1000 MB/s a 4.000 MB/s, o equivalente a pelo menos um SSD PCIe 3.0. Ou seja, mesmo expandindo o armazenamento com os cartões microSDXC mais rápidos, de até 200 MB/s, eles ainda são 5x mais lentos que o ideal para muitos jogos de PC.

Isso significa que ter um SSD externo é quase obrigatório para manter uma boa biblioteca de jogos, como já ocorre na maioria dos consoles convencionais, e dispor de apenas uma porta USB-C se torna uma grande limitação na experiência do gamer médio. 

Nem PC, nem console, mas no caminho certo

Ainda assim, apontadas todas essas questões, a experiência geral do ROG Ally é relativamente positiva. Uma vez que os jogos estão devidamente instalados e configurados, a maioria deles pode ser inicializada diretamente da interface do Armoury Crate, praticamente não sendo mais preciso utilizar o Windows puro.

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A ergonomia dos controles e posição dos botões é praticamente a mesma do Nintendo Switch ou do gamepad do Xbox, sendo extremamente intuitivas. A partir do momento que os atalhos de sistema também estão decorados, a própria navegação entre as interfaces e menus fica relativamente simples.

No quesito armazenamento e autonomia de bateria ele não é muito diferente de um notebook gamer de entrada, exceto pela falta de pelo menos mais uma porta USB-C para drives externos. Na prática, até o seu preço é basicamente o mesmo de um notebook gamer de entrada com uma GeForce RTX 3050, por exemplo, como o ASUS TUF Gaming F15 — lembrando que esse notebook traz apenas memórias DDR4, enquanto as do Ally são LPDDR5, bem mais rápidas.

Considerando que esse é apenas o primeiro console portátil da ASUS, é extremamente provável que uma nova versão do Ally, mesmo que com o mesmo chip Z1 Extreme, já resolva muitos dos problemas do projeto original. Com isso, pensando no orçamento limitado da maioria dos gamers brasileiros, investir em um ROG Ally pelo preço atual pode ser frustrante, tanto para PC gamers veteranos quanto para novatos.

O Ally só é, realmente, recomendado para usuários que fazem questão absoluta de rodar seus jogos de PC em uma plataforma extremamente portátil, seja no avião, na rede, deitado no sofá... Mas sempre com uma tomada por perto. No mais, é preferível optar por um notebook gamer de entrada.

Outra alternativa é buscar promoções ou torcer para a ASUS reposicionar o console - inclusive no exterior - para a mesma faixa de preço dos consoles tradicionais, como PlayStation 5 ou Xbox Series X, onde a troca de desempenho por portabilidade faz mais sentido.