O que você precisa saber antes de ver Doutor Estranho 2?

O que você precisa saber antes de ver Doutor Estranho 2?

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 02 de Maio de 2022 às 21h30
Reprodução/Marvel Studios

O novo Doutor Estranho no Multiverso da Loucura chega aos cinemas nesta quinta-feira (5) com uma missão para os fãs tão desafiadora quanto resolver o problema das realidades alternativas. Mais do que explorar o multiverso ao mesmo tempo em que dá continuidade à história do herói iniciada lá em 2016, o longa tem que lidar com um problema já bastante conhecido dos fãs de quadrinhos: a cronologia.

Afinal, este já é o 28º filme do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU, na sigla em inglês) e as histórias se tornaram tão conectadas entre si que não basta mais para o público ter assistido ao primeiro filme para pular para o novo — é preciso saber tudo o que aconteceu nesse meio do caminho. E esse é um multiverso da loucura de verdade, já que é muito fácil se perder entre os eventos, ainda mais quando até mesmo as séries passam a fazer parte dessa bagunça.

Mais do que múltiplas realidades, multiverso da Loucura também mistura várias histórias (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

São tantos detalhes que se torna confuso não só para quem está chegando agora, mas também para quem acompanha essa saga desde o início e não tem boa memória ou nunca se empenhou em rever todos os filmes. Se for o seu caso, não se sinta mal: como um bom super-herói, estamos aqui para salvar o dia.

Hoje listamos tudo o que você precisa saber para ir aos cinemas assistir a Doutor Estranho no Multiverso da Loucura sem ficar perdido entre uma realidade e outra.

Doutor Estranho

Ter assistido ao primeiro filme do Doutor Estranho parece tão óbvio que parece até desnecessário. Afinal, nesses seis anos desde que Benedict Cumberbatch foi escolhido para viver o então Mago Supremo da Marvel, a gente já o viu tantas vezes que até parece redundante relembrar da sua origem. E não só porque tem gente chegando agora ao MCU que pode não ter assistido ao longa de 2016, mas também porque tem alguns detalhes ali que você pode ter esquecido.

Todo o contato do MCU com o mundo místico acontece no primeiro Doutor Estranho (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Em linhas gerais, Doutor Estranho apresenta o brilhante médico-cirurgião Stephen Strange, que é tão genial quanto babaca. Arrogante e egocêntrico, ele vê seu mundo virar de cabeça para baixo quando se envolve em um acidente e perde o movimento das mãos. Sem poder voltar para sua carreira, acaba trombando com o misticismo oriental e descobre a existência da magia e dos feiticeiros que protegem o mundo — uma tarefa que ele herda ao se transformar no Mago Supremo, o protetor do Olho de Agamotto.

Essa é a premissa básica da história, mas que tem alguns detalhes interessantes que devem ser reaproveitados em Multiverso da Loucura. O principal deles são alguns dos personagens coadjuvantes da história como a doutora Christine Palmer (Rachel McAdams), a ex-namorada de Strange, e Nicodemus West (Michael Stuhlbarg), um médico que trabalhava junto com o herói antes do acidente.

Christine Palmer apareceu pela primeira vez em Doutor Estranho e só voltou a aparecer no MCU em What If...? (Imagem: Reprodução/Marvel Studios)

Além disso, o novo filme vai ainda resgatar a cidade mística de Kamar-Taj, o centro de treinamento dos feiticeiros. Foi lá que Strange treinou junto com a Anciã (Tilda Swinton) e ganhou seus poderes. E, embora nunca mais tenha aparecido no MCU, o local volta e meia é citado como um abrigo para outros magos.

Vingadores: Guerra Infinita e Ultimato

Os dois últimos Vingadores não trazem tantos eventos para Multiverso da Loucura, mas alguns acontecimentos pontuais dos dois filmes reverberam diretamente naquilo que veremos na nova aventura.

A primeira menção ao multiverso no MCU, por exemplo, é feita em Guerra Infinita (2018). Quando o Doutor Estranho diz que olhou para 14.000.605 futuros possíveis, ele nada mais fez do que dar uma olhadela em realidades alternativas que se desdobravam daquele momento da luta contra Thanos. É o conceito que foi mais tarde apresentado em Loki e que vai reverberar no multiverso.

Estranho deu uma boa bisbilhotada no Multiverso no meio da luta contra Thanos (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Provavelmente isso não vai ter implicação nenhuma dentro da história do novo filme, mas é um detalhe importante também para destacar o quão poderoso é o Doutor Estranho e o quanto essa bagunça entre realidade é sério. Se ele precisou de todo aquele poder para olhar para outros mundos, significa que algo muito grande rompeu as barreiras entre eles — e que algo ainda maior pode acontecer se nada for feito.

Além disso, é nesse filme que vemos que a Joia do Tempo presente o Olho de Agamotto foi destruída, tirando o controle temporal que Estranho teve um dia.

Ainda em Guerra Infinita, vemos também que o feiticeiro ser afetado pelo blip de Thanos, fazendo com que ele desapareça junto com metade do universo. E isso é importante pois foi o gatilho que fez com que Stephen Strange deixasse de ser o Mago Supremo, posto que foi assumido por Wong (Benedict Wong). E por mais que o Doutor Estranho tenha voltado em Ultimato (2019), o cargo segue sendo de seu amigo.

WandaVision

É aqui que as coisas realmente começam a ficar complicadas. Isso porque WandaVision (2021) não tem nada a ver com o Doutor Estranho, mas vai ser fundamental para entender Multiverso da Loucura.

Os poderes de Wanda alcançam um novo nível em WandaVision (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

A primeira série da Marvel é inteiramente focada em Wanda (Elizabeth Olsen) e no seu luto após a morte do Visão (Paul Bettany). Em resumo, ela encarou tão mal o fato que criou uma realidade própria para se refugiar da dura verdade. Assim, sequestrou uma cidade inteira e a transformou em um bairro que emulava uma sitcom. Assim, enquanto Wanda brincava de marido e mulher com uma projeção de seu falecido marido, os moradores estavam sendo mentalmente escravizados para se comportarem como personagens desse tipo de série.

Isso tudo soa sombrio porque era mesmo — uma clara demonstração do quanto Wanda é poderosa e como suas habilidades podem facilmente transformá-la em uma vilã caso ela perca o controle. E é justamente isso o que vemos, já que a ex-Vingadora passa a ser manipulada por uma bruxa de verdade, que se aproveita da situação para tentar roubar a essência de seus poderes.

Você não materializa uma família e escraviza toda uma cidade sem mexer com a realidade (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Só que o mais importante de WandaVision não são essas explicações, mas as suas consequências. Primeiramente, tudo isso faz com que Wanda desenvolva todo o potencial de seus poderes mágicos, se transformando de fato na Feiticeira Escarlate. Pelo que é mostrado na série, ela é quase uma entidade, uma figura lendária dentro do mundo mágico da Marvel e não apenas um título, como acontece nos quadrinhos.

Além disso, há a questão dos filhos. Em determinado momento em seu mundinho, Wanda idealiza a família ideal ao lado de Visão, o que faz com que ela fique imediatamente grávida dos gêmeos Tommy e Billy. E além de crescerem assustadoramente rápidos, os dois também desenvolvem poderes, herdando essa veia heroica dos pais.

O problema é que as crianças nunca existiram de fato e, quando Wanda percebe que nada daquilo é real e acaba com a ilusão que criou, os dois meninos também deixam de existir. No entanto, a cena pós-crédito do seriado dá a entender que eles existem em algum canto do multiverso — ou é isso que alguma entidade quer que ela acredite — e a busca para encontrá-los é o que deve motivar a Feiticeira Escarlate em Multiverso da Loucura.

Loki

Quando a primeira temporada de Loki (2021) terminou, muita gente teorizou que o Deus da Trapaça de Tom Hiddleston também iria aparecer em Multiverso da Loucura. Até porque a série termina com as barreiras que mantinham o universo coeso e as diferentes realidades isoladas foi-se embora quando Aquele que Permanece (Jonathan Majors) é morto.

A maior contribuição de Loki para Multiverso da Loucura deve ser mesmo o conceito de variantes e do próprio multiverso (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Tanto que ele próprio explica que, caso seja eliminado, veríamos todos esses mundos paralelos se chocando como aconteceu no passado, no que é apresentado na série como a Guerra Multiversal — e que foi uma “loucura”, nas palavras da própria Agência de Variância Temporal (TVA, na sigla em inglês).

Ainda assim, nada foi confirmado sobre como (e se) isso vai repercutir no novo Doutor Estranho. Em tese, faria sentido vermos que todo esse caos surgiu da morte de Aquele que Permanece, como se isso tivesse enfraquecido as barreiras e permitido tanto a confusão que veio em Homem-Aranha: Sem Volta para Casa quanto a própria capacidade de America Chavez (Xochitl Gomes) de abrir portais por entre esses mundos.

E enquanto tudo segue indefinido, Loki segue sendo um capítulo importante para toda essa Fase 4 do MCU por explicar de forma bem didática conceitos que estão se tornando cada vez mais recorrentes. É na série que vemos o que é o multiverso, o que são as variantes e o que pode acontecer quando tudo isso entra em choque.

What If…?

Se Loki apresentou a teoria do que é o multiverso, What If…? (2021) foi uma aula prática. A primeira animação do MCU brincou com o conceito e mostrou diferentes versões de seus personagens — como Peggy Carter tomando o soro do supersoldado ao invés de Steve Rogers —, assim como o que aconteceria caso a história de alguns filmes fosse diferente.

O Doutor Estranho Supremo vai ser peça-chave no novo filme (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

E o mais importante desse exercício de imaginação é justamente o fato de que algumas das versões que aparecem no desenho vão estar em Multiverso da Loucura. O primeiro teaser do longa, por exemplo, confirmou que o Doutor Estranho Supremo estará presente, enquanto outros vídeos mais recentes confirmaram as variantes zumbis e também a própria Capitã Carter.

No caso desta última, a sua história é bem aquilo que foi apresentado anteriormente: o que aconteceria se Peggy Carter assumisse o lugar de Steve Rogers. Assim, ela se torna uma espécie de Capitão América daquele mundo, mas trajando a bandeira do Reino Unido como uniforme. E, assim como o herói que conhecemos, ela também ficou presa no gelo por décadas, sendo acordada no futuro.

Já o tal Doutor Estranho Supremo é uma das adições mais interessantes do MCU. Basicamente, ele é uma versão do herói que sucumbiu ao próprio desespero após testemunhar a morte de Christine. Assim, ele apela às artes místicas para trazê-la de volta e passa a incorporar tudo quanto é tipo de demônio e entidade para ganhar mais poder para conseguir alterar um evento-chave do universo. Embora ele não seja necessariamente um vilão, ele é bem menos escrupuloso que o Estranho que a gente conhece.

A Capitã Carter vai finalmente ganhar uma versão de carne e osso (Imagem: Divulgação/Marvel Studios)

Por fim, as variantes zumbis são isso aí mesmo. Em um determinado episódio, vemos uma realidade em que o mundo foi destruído por um vírus que transformou a maior parte dos heróis em mortos-vivos. E o curioso é que, mesmo em decomposição, eles seguem sendo muito poderosos, o que inclui o próprio Doutor Estranho e Wanda.

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa

O mais recente filme do MCU é também aquele que mais enfiou o pé no multiverso nos cinemas agora. Tanto que não teve medo de trazer os atores que viveram o Homem-Aranha no passado e dizer que eles faziam parte de outras realidades.

E é interessante lembrar que isso só aconteceu por interferência do próprio Doutor Estranho. É ele que, quando Peter Parker (Tom Holland) pede ajuda para que o mundo esqueça sua identidade secreta, conjura um feitiço que mexe perigosamente com a realidade. Tanto que o atual Mago Supremo, Wong, pede para que Strange não faça isso.

Toda a bagunça de Sem Volta para Casa começa com o Doutor Estranho (Imagem: Divulgação/Sony Pictures)

Assim, de maneira bastante objetiva, a culpa por heróis e vilões de outros cantos do multiverso terem ido para a realidade do MCU é do Doutor Estranho. Foi ele quem insistiu em usar a magia para ajudar Parker e, quando o jovem passou a incomodar demais, o feiticeiro perdeu o controle e a instabilidade no encantamento abriu a brecha.

Quer dizer, isso foi o que o filme explicou, porque não está claro como os eventos de Sem Volta para Casa (2021) e Loki se encaixam e pode ser que tenha sido uma grande conjunção de fatores que resultou nesse caos no multiverso que veremos — e a esperança é que Multiverso da Loucura explique isso melhor.

X-Men e outras franquias

Por fim, tem aquelas histórias que você não precisa saber ao certo o que aconteceram em seus filmes, mas pelo menos quem são aqueles personagens. Isso porque já sabemos que Multiverso da Loucura vai usar essas múltiplas realidades para, assim como em Sem Volta para Casa, trazer heróis de outros estúdios para dentro do MCU, nem que seja em participações especiais.

Grandes chances de vermos o primeiro mutante no MCU em Multiverso da Loucura (Imagem: Divulgação/Fox)

É o caso do Professor Xavier, o líder dos X-Men que já apareceu de relance em dois teasers do novo Doutor Estranho. Pelo que foi sugerido, ele deve fazer parte dos Illuminati, um grupo de heróis superpoderosos que comandam o rumo de um mundo em específico. Isso significa que ele não é o mesmo Xavier de nenhum dos longas da Fox, então basta saber quem é o careca quando você vê-lo em cena.

Outro possível nome que deve aparecer em uma dessas realidades é o de Reed Richards. Ele é o líder do Quarteto Fantástico, franquia que estava sob os cuidados da Fox e que teve três filmes bem ruinzinhos até voltar para a Marvel. E embora o MCU já tenha prometido trazer o grupo em um futuro próximo, não vimos nada sobre o assunto até agora. E o que se acredita é que Richards, cujos poderes é se esticar como borracha e ser absurdamente inteligente, faça parte dos Illuminati.

É claro que as especulações ainda envolvem Wolverine e Deadpool também podem aparecer, mas não há qualquer indício disso até agora. De qualquer forma, esses são personagens bem mais populares e que dispensam apresentação.

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