10 melhores filmes originais da Netflix

10 melhores filmes originais da Netflix

Por Durval Ramos | Editado por Jones Oliveira | 14 de Maio de 2022 às 21h00
Netflix

Embora o Oscar ainda insista em torcer o nariz, já não é segredo para ninguém que a Netflix também se tornou um poderoso estúdio de cinema. São dezenas de filmes produzidos todos os anos para sua plataforma e que mostram o quanto a ideia da empresa não é apenas distribuir, mas também fazer seus próprios sucessos. E, em certa medida, ela conseguiu isso muito bem.

É claro que há muita coisa esquecível no catálogo, mas também há diversas pérolas nesse meio todo que fazem valer o investimento. São histórias de diferentes gêneros, estilos e nacionalidades que deixam bem claro que elas não precisam chegar às telonas para serem consideradas Cinema — assim, com cê maiúsculo.

O problema é que o acervo da Netflix é tão inchado que realmente é muito fácil perder algumas dessas produções em meio às comédias besteiróis ou aos romances adolescentes. Nada contra, mas às vezes o algoritmo joga contra quem quer algo um pouco diferente e pode ser que alguns desses clássicos modernos tenham passado despercebidos.

Pensando em você que quer correr atrás do prejuízo, o Canaltech listou os 10 melhores filmes originais lançados pela Netflix.

10. Rua do Medo

O terror é um gênero que vai e vem com certa regularidade no cinema, sempre tentando se reinventar. E o que torna a trilogia Rua do Medo tão emblemática é justamente o fato de ela ir na contramão dessas tendências. Na verdade, o que esses filmes fazem muito bem é voltarem para os clássicos e reproduzir um pouco daquela estética — e a escolha do período de cada uma das histórias não é por acaso.

Dos filmes de assassinos monstruosos, como Halloween e Sexta-Feira 13, aos slashers modernos como Pânico, a trilogia inteira é um enorme apanhado de referências aos mestres do gênero. É aquela típica salada que pega tudo que você sabe que é bom e mistura — e o resultado é ótimo. Tudo bem que não reinventa a roda, mas ninguém estava esperando por isso, não é mesmo?

9. Okja

O nome de Bong Joon Ho pode ter estourado com Parasita, mas ele já era um diretor bastante conceituado pelos cinéfilos e que já estava na mira da Netflix antes mesmo de voltar para a Coreia do Sul com a bagagem cheia de Oscar.

E a história de Okja é super bonitinha, ainda que carregue o discurso social que marcou o cinema de Bong Joon. A trama central apresenta uma pequena menina que é amiga de um imenso animal, em uma relação super fofa em que um não consegue viver sem o outro. Só que essa amizade tão pacífica é colocada em risco quando a criatura — uma espécie de porca gigante — é levada por uma multinacional para virar carne no mercado.

É a partir daí que começa a jornada da criança para expor a verdade e tentar salvar sua amiga — em uma missão que vai discutir muito tanto sobre questões ambientais quanto o peso do consumismo.

8. Se Algo Acontecer… Te Amo

O único curta-metragem de nossa lista merece estar aqui por uma excelente razão: Se Algo Acontecer... Te amo é um filme sensível que vai te fazer chorar só de ler a sinopse. Afinal, como retratar a dor de um casal que precisa lidar com o luto e o vazio deixado pela filha morta em um tiroteio na escola?

Com apenas 12 minutos, a animação traz um estilo visual muito bonito e que traduz muito bem o peso da situação ao mesmo tempo em que expõe muito bem o peso desse tipo de situação. É tão lindo quanto pesado.

7. Tick, Tick… Boom!

A gente já se acostumou a associar Andrew Garfield com o Homem-Aranha, mas a verdade é que o ator provou ser maior do que o herói tantas vezes que chega a ser injusto manter essa ligação. E uma das provas disso é o excelente Tick, Tick… Boom!, que mostra o quanto ele é um artista versátil.

Baseado em uma história real, o longa é uma biografia de Jonathan Larson, compositor e escritor de diversos musicais de sucesso. E a trama se concentra na corrida contra o tempo desse artista para criar sua obra de arte antes que o seu tempo acabe: diagnosticado com o HIV em uma época em que a doença ainda era um tabu, ele precisa lidar com a pressão e o medo para criar algo que ele mesmo considere incrível.

E é nesse tom dramático que Garfield entrega uma excelente performance. Adicione a direção de Lin-Manuel Miranda (Hamilton) e você tem um clássico moderno à espera de um play.

6. Destacamento Blood

Os filmes do diretor Spike Lee sempre merecem uma atenção justamente pelo olhar ácido e bastante crítico do cineasta para a questão racial — vide o incrível Infiltrado na Klan. E, com Destacamento Blood, isso não é diferente.

Na trama, quatro veteranos negros que lutaram no Vietnã voltam ao país décadas depois do fim da guerra para buscar os restos mortais de um companheiro — além de um tesouro que eles deixaram escondidos por lá. A partir disso, o filme faz um retrato bastante pesado sobre como a população negra foi usada no conflito e as marcas que isso deixou nos sobreviventes.

Além disso, Destacamento Blood também é o último filme de Chadwick Boseman, morto em 2020 em decorrência de um câncer. Na época, ele já estava em um estágio avançado da doença e, mesmo assim, não contou a Spike Lee e a ninguém mais do elenco sobre sua condição.

5. Klaus

A animação Klaus chegou pegando todo mundo de surpresa. Mais do que ser apenas um desenho animado natalino como tantos que chegam nessa época do ano, a animação não só é muito bonita em termos artísticos como também traz um excelente roteiro que foge do óbvio e mostra como a temática ainda tem muito espaço para coisas novas.

A premissa em si é bem básica, mostrando a origem do Natal e do próprio Papai Noel. A diferença é a perspectiva e a abordagem adotadas, que focam em um jovem rico que é forçado pelo seu pai a viver como um carteiro nos confins do planeta para provar seu valor. E é a partir disso que ele cai em um vilarejo onde ninguém se dá bem e que ele precisa convencer a todos do contrário para conseguir cumprir sua tarefa: fazer uma entrega.

O ponto é que todos os personagens são tão carismáticos e o desenvolvimento dessa história é tão bem construída que não deixa nada a desejar a alguns clássicos do gênero. É o tipo de história tão bem feita que deixa até algumas produções Disney no chinelo.

4. História de um Casamento

Sejamos sinceros: a gente adora um dramalhão. E História de um Casamento entrega isso muito bem ao recriar uma situação um tanto quanto comum: em que momento a gente se dá conta de que o amor acabou e o casamento não faz mais sentido? E o que fazer a partir desse momento?

Com atuações incríveis de Scarlett Johansson e Adam Driver, acompanhamos as etapas não só do fim do relacionamento, mas de toda a burocracia e da dor de cabeça envolvendo essa separação. Afinal, nunca é tão simples em que basta ir cada um para o seu lado — ainda mais quando não estamos falando apenas de duas vidas, mas de três.

É o tipo de situação pela qual todo mundo já passou na vida e que é sensivelmente recriada em um roteiro simples e bastante forte.

3. Ataque dos Cães

A gente se acostumou a ver histórias de Velho Oeste sob uma perspectiva bastante masculina e machista. O Oeste Selvagem é sempre tão duro quanto seus protagonistas e o que Ataque dos Cães faz é subverter isso de uma forma muito interessante. Afinal, o que se esconde por trás de toda essa rigidez do cowboy e desse comportamento bruto?

Para isso, somos apresentados à família Burbank e ao conflito existente entre seus herdeiros. De um lado, temos o filho mais novo (Jesse Plemons) que abraça a modernidade e um estilo de vida menos rústico. Do outro, um fazendeiro que vive o clichê do peão, mas que esconde alguns segredos escondidos em uma complexa personalidade.

Vivido magistralmente por Benedict Cumberbatch, são as diferentes faces desse personagem que mostram algumas das verdades que a imagem clássica do cowboy por tanto tempo tentou apagar.

2. Roma

Um dos primeiros grandes sucessos da Netflix, daqueles dignos de prêmios e acumulando até mesmo indicações ao Oscar, Roma é uma espécie de relato autobiográfico do diretor Alfonso Cuarón, retratando a realidade da Colonia Roma, um distrito na Cidade do México em meados de 1970 — época em que o cineasta vivia por lá.

Só que a trama não traz um pequeno Cuarón, mas retrata a vida de uma empregada doméstica que trabalha na casa de uma família de classe média e babá — uma realidade que nos é bastante familiar. E é a partir desse recorte que vemos as transformações na sociedade e na própria família em um registro bastante sensível de uma época.

1. Beasts of No Nation

Muito antes de a gente olhar para a Netflix como uma grande produtora de conteúdo, a plataforma já estava apostando em grandes nomes e projetos mais ousados. E Beasts of No Nation foi a sua primeira grande aposta nesse sentido, trazendo não apenas uma história que é um soco no estômago como também um Idris Elba em excelente forma com um protagonista um tanto quanto indigesto.

O filme se passa em um país africano não especificado, mas conta uma história que a gente já viu algumas vezes nos noticiários: a de meninos cujas vidas são destruídas por guerras civis e são obrigados a se tornar guerrilheiros e a empunhar armas muito maior do que eles.

Assim, o longa transforma Elba em um desses líderes carismáticos que alicia menores para lutarem em sua guerra e acompanhamos, sob os olhos da criança, como é essa transformação predatória da inocência para criar soldados em um canto que o mundo finge que não existe.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.