Boletim Corporativo | Seu panorama semanal sobre o mercado tech (30/07 a 06/08)

Por Carlos Dias Ferreira | 06 de Agosto de 2018 às 09h35

Impossível iniciar o Boletim Corporativo desta semana sem mencionar o marco histórico alcançado pela Apple na última quarta-feira (1). Como uma espécie de coroação póstuma à genialidade (ainda que às vezes controversa) de Steve Jobs, a Maçã se tornou a primeira empresa com foco em tecnologia a alcançar o valor de mercado de US$ 1 trilhão – deixando para trás a Alphabet, a Microsoft e a Amazon, que também andava bem cotada para levar o prêmio.

Mas a última semana teve muito mais estofo. O Facebook, por exemplo, perdeu seu “testa de ferro” dos tempos de maior turbulência. Depois de juntar um portfólio respeitável – e, supõem-se, também algumas hérnias – durante os três últimos anos, o diretor de segurança da companhia, Alex Stamos, resolveu partir para a área acadêmica. Na Universidade de Stanford, Stamos deve lecionar e conduzir pesquisas relacionadas à cibersegurança.

Também em relação à segurança cibernética, um artigo do Canaltech revelou como a Internet das Coisas deve igualmente solucionar problemas e causar outros tantos durante os próximos anos – quando computadores, modems, câmeras, geladeiras e qualquer outra coisa “inteligente” puder ser usurpada por mineradores de criptomoedas. Por fim, há também um novo episódio da novela Tesla vs. Tripp e a Huawei provando que nem a Apple pode vencer sempre.

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Sem mais, boa leitura.

Afinal, o iPhone foi mesmo uma ideia de US$ 1 trilhão             

Há 21 anos, Bill Gates fazia sua grande jogada no mercado de computadores pessoais, empurrando US$ 150 milhões para o centro da mesa e forçando a Apple a escolher um novo nicho como carro chefe. Mas a “mão boa” de Steve Jobs rendeu frutos, e a aposta no surgimento dos smartphones – juntamente com um ecossistema tão famoso quanto o próprio iPhone – levou a uma coroação póstuma na última semana: a Maçã hoje vale US$ 1 trilhão.

Ainda que a PetroChina tenha alcançado esse patamar há pelo menos 10 anos, a companhia de Jobs ainda é a primeira empresa de TI a alcançar a marca histórica. Em uma corrida bastante disputada com a Amazon e – um pouco mais distante – a Alphabet, a Apple assistiu à valorização abrupta de suas ações como consequência de bons resultados apresentados durante o último trimestre. Foi preciso uma alta de apenas 6% para quebrar a banca, frustrando quem apostava em mais um recorde para a estante de troféus de Jeff Bezos.

iPhone: uma ideia de US$ 1 trilhão... Com uma pequena ajudinha involuntária de Bill Gates. (Imagem: reprodução/Apple).

(US$ 1 trilhão é um valor demasiadamente abstrato? Bem, trata-se de 37 trilhões de balas de framboesa, caso alguém se atreva a fazer as contas).

WhatsApp Business ganha recurso pago

Promessa feita, promessa cumprida: o WhatsApp Business agora conta com um novo recurso pago. A API lançada pela companhia na última semana permite que as empresas respondam a mensagens de clientes gratuitamente durante as primeiras 24 horas; depois disso, uma taxa fixa é cobrada da companhia, valor que deve variar de acordo com o país. Adicionalmente, o serviço também oferece ajuda para administrar pedidos, confirmar o envio de produtos e disparar lembretes de compromissos.

Trocando em miúdos, o que a ferramenta faz é desonerar as companhias caso se agilizem para responder aos clientes dentro de um período razoável. Trata-se de um verdadeiro “ganha-ganha”, portanto, já que o lado corporativo ainda ganha a vantagem de uma consultoria automática com respostas padronizadas – de maneira que não será preciso esperar sempre pelo tempo (ou boa vontade) de um atendente de carne e osso. E o WhatsApp está tão confiante na nova funcionalidade que chegou mesmo a incluí-la em anúncios publicitários das companhias contratantes.

“Meu nome é Sr. Stamos, e eu vou lecionar cibersegurança”

Alex Stamos foi a verdadeira “testa de ferro” do Facebook por vários anos, em um período particularmente inglório para a rede social. Em seus três anos como diretor de segurança do império Zuckerberg, Stamos teve papel de suma importância ao garantir que o barco não emborcaria ao sabor de escândalos envolvendo vazamento de informações e uma verdadeira enxurrada de notícias falsas. Bem, quando alguém com semelhante portfólio diz que passará a ensinar, o melhor mesmo é fazer a matrícula.

Conforme anunciou na última quarta-feira (1), o executivo se desligou oficialmente da Facebook com projetos de começar a lecionar como professor adjunto na Universidade de Stanford. A cadeira não poderia ser outra: cibersegurança. Stamos atuará tanto dando aulas quanto conduzindo pesquisas relacionadas ao tema. Sem fechar definitivamente as portas da antiga empresa, entretanto, ele projeta parcerias com as equipes de segurança do Facebook.

Huawei ultrapassa Apple em número de smartphones vendidos

Nem mesmo uma empresa trilionária pode ser imbatível em todos os fronts, como se vê. Segundo dados da IDC (International Data Group), da Canalys e da Strategy Analytics, um bom trimestre fez a Huawei superar a Apple no número de smartphones vendidos durante o período. Com o resultado, a empresa passa a abocanhar a segunda maior fatia do mercado.

Com 54 milhões de aparelhos despachados no último trimestre, Huawei  morde a segunda maior fatia do mercado de smartphones. (Imagem: reprodução/Huawei).

A Huawei despachou 54 milhões de aparelhos durante o segundo trimestre deste ano, atrás apenas da Samsung, que permanece isolada com uma remessa de 73 milhões de unidades. Enquanto isso, a Maçã comercializou 41,3 milhões de iPhones no período. Em porcentagens, a Huawei aparece com 15,8% do mercado, enquanto Samsung e Apple aparecem, respectivamente, com 20,9% e 12,1%. Vale lembrar, entretanto, que a Apple pode reequilibrar as coisas ao anunciar sua nova linha de iPhones em setembro.

Internet das Coisas pode ser o novo calcanhar de Aquiles da cibersegurança

É bom ficar atento: neste exato momento, alguém pode estar utilizando o seu computador para fazer alguns trocados em criptomoedas. De fato, não apenas o computador. Conforme explicamos em um artigo publicado na semana passada aqui no Canaltech, a popularização crescente da chamada Internet das Coisas tem transformado também câmeras, roteadores e dispositivos “inteligentes” no próximo calcanhar de Aquiles da cibersegurança. Trata-se do ataque batizado de cryptojacking.

“Na mineração de ouro, quem trabalha mais arduamente com a picareta também faz mais dinheiro – e na criptomineração, a picareta é um algoritmo de computador”, explicou o professor de engenharia e ciência da computação da Universidade Estadual de Michigan, Richard Enbody, em entrevista ao Scientific American. Caso nada se faça, haverá em torno de 75 bilhões de “picaretas” (dispositivos conectados à Internet das Coisas) desencavando ouro virtual até 2025.

A breve cambaleada do bitcoin abaixo dos US$ 8 mil

Cotado a US$ 8 mil (quase R$ 30 mil), depois de altos e baixos, o bitcoin parecia firme e forte. Pelo menos até a semana passada, quando a criptomoeda deu sua cambaleada de algumas dezenas de dólares abaixo de um número já quase cabalístico. Justiça seja feita, entretanto. Desta vez, não foi a proverbial volatilidade do formato que ocasionou a breve queda, mas sim a desconfiança dos investidores em relação aos principais nomes do Vale do Silício.

Conforme reportou a agência Reuters, o índice de investimentos em empresas de tecnologia .SPLRCT registrou uma baixa de 1,79 ponto percentual durante a semana retrasada. A queda foi justificada por analistas como uma reação do mercado ao desempenho abaixo do esperado das empresas que compõem o chamado “FAANG” - Facebook (FB.O), Amazon (AMZN.O), Netflix (NFLX.O) e a empresa-mãe da Google, a Alphabet (GOOGL.O). Mesmo com bons resultados financeiros, Intel e Twitter também ficaram abaixo das expectativas de muitos investidores do setor. Nada que pudesse derrubar o bitcoin abaixo do seu nível de suporte de US$ 7,8 mil, entretanto.

Índia deve se transformar no próximo polo gamer até 2020

Você talvez jamais tenha ouvido falar do Ludo King. Trata-se, entretanto, de um game com mais de 10 milhões de usuários ativos por dia na Índia – país que deve se tornar em alguns anos um dos grandes polos desenvolvedores de entretenimento eletrônico mobile do mundo. Em números, a indústria de jogos para celular no país movimentou US$ 890 milhões em 2017, valor que deve chegar a US$ 1 bilhão até 2020.

Conforme nós explicamos em um texto publicado aqui no Canaltech durante a última semana, o protagonismo recente da Índia como mercado gamer se deve a um misto de melhorias infraestruturais – com conexões à internet mais rápidas e onipresentes – e disponibilização de celulares a preços mais acessíveis. De olho no bom momento do mercado indiano, gigantes como Alibaba e Tencent já fazem investimentos em novas plataformas de jogos.

Celulares com funções de ponta têm se tornado cada vez mais populares na Índia, juntamente com novas conexões de internet a preços reduzidos.

T-Mobile vai pagar US$ 3,5 bi à Nokia para implementar 5G nos EUA

A T-Mobile está realmente determinada em se tornar um peso-pesado da conectividade 5G nos EUA. Um acordo anunciado na semana passada pela companhia prevê o pagamento de US$ 3,5 bilhões à Nokia para fornecimento de hardware e software a fim de garantir uma cobertura na faixa de 600 MHz e 28 GHz, em conformidade com os padrões 3GPP 5G New Radio (NR).

"Investimos tudo no 5G", disse o diretor de tecnologia da T-Mobile, Neville Ray. “Cada dólar que gastamos é um dólar de 5G, e nosso contrato com a Nokia ressalta o tipo de investimento que estamos fazendo para levar aos clientes uma rede móvel de 5G em todo o país.” A companhia se fundiu à Sprint no último mês de abril, garantindo um sólido terceiro lugar no mercado de telefonia estadunidense, movimentando a “bagatela” de US$ 26 bilhões.

Ex-Tesla acusado de sabotagem processa a companhia por difamação

E a novela Tripp vs. Tesla ganha um novo capítulo. No último mês de junho, Elon Musk afirmou publicamente que a companhia fora sumariamente sabotada pelo ex-funcionário Martin Tripp, contra o qual foi movido um processo. De acordo com a primeira fase do litígio, Tripp supostamente havia invadido os sistemas internos da Tesla a fim de colocar as mãos em documentos internos que posteriormente foram vazados à imprensa.

Já na semana passada foi a vez de Tripp recorrer aos tribunais. O ex-funcionário acusa a Tesla e Elon Musk de difamação, tornando a reforçar a falta de comprometimento da empresa com padrões mínimos de qualidade e respeito pelo meio ambiente. Segundo ele, a fabricante estaria gerando “grandes quantidades de resíduos e peças de sucata de veículos”, além de reutilizar baterias descartadas como lixo. E a batalha segue adiante.

Tesla vs. Martin Tripp: dados vazados levaram a um processo contra o ex-funcionário, que agora responde acusando Elon Musk de difamação. (Foto: Reprodução / Business Insider).

Banco Inter pode ter que pagar R$ 10 milhões por vazamento de dados

O vazamento de dados de quase 20 mil clientes pode custar caro ao Banco Inter. A Comissão de Proteção dos Dados Pessoais do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou no último dia 30 uma ação civil pública por danos morais coletivos no valor de R$ 10 milhões contra o banco.

Durante o processo, descobriu-se que mais de 13 mil clientes do Inter tiveram dados como números de conta, senhas, endereços residenciais e CPFs guardados de forma precária pela instituição. E o problema vai além dos próprios clientes, estendendo-se também aos dados sensíveis de várias pessoas que transferiram dinheiro a acionistas do banco. Por fim, há ainda o agravante da tentativa de encobrir o incidente.

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