Índia deve se transformar no próximo polo gamer até 2020

Por Carlos Dias Ferreira | 01 de Agosto de 2018 às 17h11
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O mercado de jogos digitais indiano movimentou uma receita total de US$ 890 milhões em 2017 – um valor expressivo que, entretanto, ainda não chega a pesar tanto na receita global de US$ 108 bilhões gerada pelo setor ao longo do mesmo ano. Mas isso deve mudar consideravelmente durante os próximos anos, os quais podem assistir ao país se tornar o mais novos polo proeminente no desenvolvimento e consumo de games.

“A Índia figura atualmente entre os cinco países com maior número de downloads de jogos digitais no mundo”, disse o fundador da plataforma de games mobile Vowelor, Lalit Sharma, em artigo escrito para o site Venturebeat. Sharma também cita o aumento significativo no número de desenvolvedoras que atuam hoje no país – foram 250 softhouses fundadas apenas durante os últimos cinco anos. “Caso esse movimento continue, o mercado indiano de games deve cruzar a marca de US$ 1 bilhão até 2020.”

Internet e celulares modernos

Por trás desse crescimento, o que há é uma série de melhorias infraestruturais vitais. Conforme reforça Sharma, a disponibilidade de conexões com a internet aumentou de forma exponencial durante os últimos anos – e algo muito semelhante poderia ser dito sobre a base instalada de smartphones mais modernos; aparelhos com poder de fogo suficiente para rodar títulos que demandem maior processamento ou funcionalidades de ponta.

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Celulares com funções de pont têm se tornado cada vez mais populares na Índia, juntamente com novas conexões de internet a preços reduzidos.

E isso pode ser facilmente mensurado por meio do consumo de dados de um usuário típico de smartphone na Índia. Segundo dados oficiais, em 2016 o consumo médio ficou em 1,4 GB por utilizador – valor que deve ser alçado a 7 GB por pessoa até 2021. Naturalmente, isso também elevou o número de jogadores no país. Em 2016 já havia mais de 120 milhões de gamers no país – valor que deve saltar para 310 milhões dentro de aproximadamente três anos.

“Mais de 1 bilhão de aplicativos são baixados por indianos todos os meses”, afirmou Karan Gambhir, diretor de desenvolvimento de negócios da Google Play Apps & Games para o território. “Tamanha base instalada definitivamente abre tamém uma enorme oportunidade para jogos de todos os gêneros”, disse o executivo ao site DNAIndia.

Mercado com características próprias

A despeito do aumento significativo no número de jogadores, a Índia tem se diferenciado de outros países por seu mercado no mínimo idiossincrático. Isso tem deixado claro entrantes em potencial: para garantir um bom quinhão no mercado semibilionário de games indiano, é preciso se adequar aos gostos específicos do público.

Em 2017, por exemplo, o game Ludo King foi uma verdadeira obsessão no país. Relativamente desconhecido em outros mercados, o título reúne aos genes básicos do multiplayer onlihe e da jogabilidade estratégica as funcionalidades de um dos jogos de tabuleiro mais populares por lá, o Ludo. O resultado? Mais de 10 milhões de usuários ativos por dia – e ainda aumentando.

Verdadeira febre entre gamers indianos, Ludo King concentra mais de 10 milhões de usuários ativos por dia. (Imagem: reprodução/Gamotronix).

“Se nós formos considerar a receita gerada, jogos baseados em cassino como o Teen Patti ou mesmo o Poker também tem dominado os rankings da Google Play”, disse Sharma. O desenvolvedora também aponta que uma tendência crescente entre o público indiano é a dos games versus em tempo real – coisas como o 8-Ball Pool. Por fim, os indianos ainda parecem pouco receptivos a jogos pagos, com os free-to-play ainda respondendo pela maior parte dos downloads (algo não muito diferente do restante do mundo, de fato).

Corrida do ouro virtual

É claro que o crescimento abrupto do mercado de games indiano não passou despercebido por alguns dos maiores apostadores do setor hoje. Conforme apontou Sharma, o Alibaba Group, por exemplo, instalou no início deste ano – por intermédio da Paytm e da AGTech Holdings – uma nova plataforma de jogos mobile, a Gamepind. A ideia é oferecer jogos casuais e de esporte, oferecendo ainda cupons exclusivos aos usuários.

Outra gigante chinesa, a Tencent, investiu neste ano US$ 200 milhões no mercado de jogos da Índia. Também atua no território, desde o ano passado, a vietnamita StomStudio, cuja parceria com a publicadora Gamesbond deve despejar vários jogos inéditos no mercado indiano durante os próximos anos.

Tencent: gigante chinesa é uma das apostadoras atuais no crescente mercado de jogos indiano; companhia investiu US$ 200 milhões no início de 2018. (Foto: reprodução/Tencent).

VR e AR também têm espaço

E também deve haver espaço para novas tecnologias. “Com os avanços na realidade virtual, na realidade aumentada e na inteligência artificial, a indústria de jogos deve assistir a um grande aumento na Índia”, disse Sharma em sua coluna. Ainda que boa parte dos indianos ainda não tenha acesso a dispositivos com funcionalidades de AR e/ou VR, isso tem mudado consideravelmente. Prova disso é o sucesso de títulos como Pokémon Go no país.

“Com tanto dinheiro se movendo na direção da indústria de games indiana, os investidores certamente estão esperando por resultados excepcionais para seus investimentos”, disse o desenvolvedor. “Ainda que existam alguns desafios envolvidos, na minha opinião não há melhor momento para investir na indústria de jogos indiana do que agora”, conclui.

Fonte: Venturebeat

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