Ex-Tesla acusado de sabotagem fala que Musk mentiu e decide processar a empresa

Por Ares Saturno | 31 de Julho de 2018 às 23h40
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Tesla

Em junho, Elon Musk afirmou publicamente que a sua empresa automotiva Tesla estava sendo alvo de sabotagem por um ex-funcionário que, irado por não conseguir uma promoção, acessou dados sigilosos da empresa e os vazou para terceiros não-identificados. 

Já nesta terça-feira (31), o ex-técnico da Tesla, Martin Tripp, de 40 anos, veio a público afirmar que está processando a companhia. As alegações incluem o descuido da Tesla em garantir proteção ao meio ambiente e gerar "grandes quantidades de resíduos e peças de sucata de veículos", segundo a ação. Tripp alega também que partes de baterias descartadas como lixo foram reutilizadas pela empresa de forma constante, chegando a ocorrerem situações como a danificação proposital de peças por parte de alguns funcionários para evitar que fossem novamente utilizadas em um Model 3.

Segundo as alegações de Tripp no processo, de 1º de janeiro de 2018 até meados de maio, entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em baterias modulares foram reutilizadas, incluindo peças que estavam perfuradas e foram consertadas com cola e colocadas de volta nas linhas de produção, sem que nenhuma inspeção de qualidade fosse realizada.

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Com a prática, os sistemas de rastreamento das peças foram descontinuados pela empresa, segundo o que afirma Tripp. "Como resultado, a rastreabilidade é desconhecida para muitas peças de veículos e/ou materiais que poderiam ter um efeito drástico em determinar onde a peça foi feita, quando e por quem."

Acusações de ambos os lados

Martin Tripp nega que ele tenha invadido os sistemas da Tesla e diz que a empresa "publicou declarações falsas e difamatórias por malícia e retaliação" contra ele, de forma a abalar sua credibilidade e diminuir o impacto de suas denúncias.

Tripp explica que, antes de vazar as informações para a mídia, procurou tratar suas preocupações quanto às práticas da empresa para seus superiores, incluindo o próprio Elon Musk, que nada fez. Processado pela empresa por "ter invadido as informações confidenciais e comerciais da empresa e tranferi-las para terceiros", Tripp apresentou sua defesa em forma de reconvenção.

Crachá de Martin Tripp na época que ele trabalhava na Tesla (Foto: Reprodução / Business Insider)

O advogado de Tripp, Robert D. Mitchell, disse ao Business Insider: "A Tesla usou táticas abusivas e realizou campanhas difamatórias no esforço de enterrar as informações desconcertantes que Martin Tripp teve acesso como funcionário da Tesla para desacreditá-lo perante o público em geral".

Os problemas legais de Tripp com sua antiga empregadora começaram nos dias 14 e 15 de junho, quando a equipe de segurança da Tesla o convocou para reuniões de interrogatórios que ele afirma terem durado mais de seis horas. Nesta ocasião, Tripp contou aos executivos que acreditava que Elon Musk estaria enganando seus acionistas sobre números de produção, não recebendo mais que risadas da equipe por suas alegações.

"Ao abrir um processo contra o Sr. Tripp, a Tesla agora força que esses assuntos venham à tona e o Sr. Tripp espera defender-se diante de um júri mostrando que o que ele testemunhou e reportou repetidamente à Tesla é verdade", concluiu Mitchell.

Fonte: Business Insider

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