Saiba mais sobre os planetas do Sistema Solar com estas curiosidades

Por Daniele Cavalcante | 01 de Fevereiro de 2021 às 16h30
Clare Harrison

Você conhece bem o nosso Sistema Solar? Quantas peculiaridades sobre os oito planetas já aprendemos com as explorações espaciais? Uma série de naves já foram enviadas pelo espaço interplanetário, e muitos telescópios aqui na Terra também contribuem para a descoberta de coisas fascinantes sobre nossa vizinhança. Muitas delas aprendemos na escola, em filmes, ou mesmo na internet, mas outras talvez sejam novidade até mesmo para muitos entusiastas do assunto.

Abaixo, você confere algumas curiosidades legais sobre cada um dos planetas. Claro, ainda há muito para aprendermos, então a lista de modo algum pretende ser completa. Ah, não deixe de visitar os links abaixo de cada planeta; assim, você aprenderá ainda mais! Vamos lá?

Planeta Mercúrio

(Imagem: Reprodução/NASA)

O nome do primeiro planeta do Sistema Solar é uma referência a Hermes na mitologia grega, o mensageiro dos deuses. Famoso por sua agilidade, Mercúrio era filho de Júpiter e Bona Dea. Era o deus dos viajantes, ladrões e do comércio. Mercúrio era encarregado de levar as mensagens de um deus para o outro, e sua velocidade foi associada ao planeta que viaja em alta velocidade ao redor do Sol.

Mercúrio é pequeno

Com apenas cerca de 4.876 km de diâmetro, Mercúrio é o menor planeta do Sistema Solar, menor até mesmo do que algumas luas como Titã, de Saturno, ou Ganimedes, de Júpiter. O planeta é apenas um pouquinho maior do que a nossa própria Lua. Além disso, Mercúrio tem apenas cerca de 5,5% da massa da Terra.

Sobreviveu a um grande impacto

A Bacia Caloris, também chamada de Caloris Planitia, é uma extensa cratera de impacto na superfície de Mercúrio, com aproximadamente 1.550 km de diâmetro. Mercúrio é um planeta pequeno, mas essa é uma das maiores bacias de impacto do Sistema Solar. Isso indica que o planeta sobreviveu a uma grande colisão, possivelmente com um asteroide 100 km de largura.

Ligeirinho

Mercúrio gira em torno do Sol a cerca de 180.000 km/h, completando uma volta a cada 88 dias terrestres. Além de rápido, ele está muito perto da estrela — apenas 47 milhões de km de distância no momento de maior proximidade. Como a órbita e elíptica, ele também se afasta do Sol, ficando até cerca de 70 milhões de km distante.

Planeta pequeno, núcleo grande

O núcleo de Mercúrio contém mais ferro do que qualquer outro mundo do Sistema Solar. Os astrônomos ainda estão tentando decifrar como esse núcleo se formou, mas sabem que ele ocupa cerca de 75% do raio do planeta. Existem várias hipóteses sobre a formação do núcleo de Mercúrio, sendo que a mais aceita envolve uma colisão com um planetesimal no início da história do Sistema Solar. Esse impacto teria removido grande parte da crosta e manto originais de Mercúrio, deixando o núcleo como o componente majoritário.

O que é, o que é?

Tem cauda, mas não é um cometa? É Mercúrio! Sua pequena massa e seu campo magnético fraco — equivalente a 1% do magnetismo terrestre — fazem com que este mundo tenha apenas uma exosfera, no lugar de uma atmosfera densa. Por estar bem próximo de nossa estrela, Mercúrio recebe constantes ventos e radiação solares, fazendo com que os gases sejam, de certo modo, “soprados”, adquirindo o formato de uma cauda.

Missões em Mércurio

As missões espaciais já realizadas em mercúrio foram a Mariner 10, em meados da década de 1970, e a MESSENGER, já na década de 2000, durando até 2015 — ambas da NASA. Elas tiveram como objetivo fazer observações mais próximas do planeta. Atualmente, a BepiColombo, uma missão conjunta entre a Agência Espacial Europeia e a JAXA, está a caminho de Mercúrio.

Planeta Vênus

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL)

Além da Terra, Vênus é o único planeta que recebeu nome de uma personalidade feminina, a deusa do amor e da beleza. É que a intensidade da luz refletida pelo planeta, que se assemelha a uma estrela muito brilhante no céu noturno, encantava os povos antigos. Vênus é um dos objetos celestes mais brilhantes e mais fáceis de se identificar no céu, por isso acabou recebendo um nome que correspondia aos seus encantos.

Irmão gêmeo...

Se você já ouviu falar que Vênus é um mundo quente e tóxico, talvez não o imagine como o planeta que poderia ser considerado irmão gêmeo da Terra. Mas na verdade, os dois mundos são bastante parecidos em tamanho e massa. A diferença de diâmetro é de apenas 650 km e sua composição de ambos é basicamente a mesma. Além disso, a linha orbital de Vênus é a que fica mais perto da linha orbital terrestre.

... porém infernal!

Apesar das semelhanças, Vênus é um planeta difícil de se imaginar como um lugar hospitaleiro. O planeta é o mais quente do Sistema Solar, pois sofre um efeito estufa tão intenso que a temperatura passa dos 400 °C, fazendo qualquer verão extremo aqui na Terra parecer refrescante. As condições são tão hostis que é difícil associar o planeta à deusa do amor que lhe empresta o nome. Além disso, a pressão atmosférica é 92 vezes mais forte que a da Terra.

Estrela da Manhã

Estrela d’alva, Estrela da Manhã, Joia do Céu… estes são alguns apelidos bonitos que Vênus recebe, apesar de seu aspecto infernal. É que, aqui da Terra, o planeta é um dos objetos mais luminosos durante uma noite estrelada. Isso ocorre não só por causa da proximidade com a Terra, mas também porque sua atmosfera pesada irradia o calor da luz solar na superfície. Quando aparece em um céu limpo, Vênus é o segundo objeto mais brilhante, ficando apenas atrás da Lua.

Núcleo de ferro, superfície vulcânica

Vênus tem um núcleo composto por ferro, com raio de cerca de 3 mil km. Seu manto é cheio de rocha derretida e, na superfície, vulcões o suficiente para deixar qualquer um assustado: são mais de 1.600 já identificados. A topografia é cheia de planícies cobertas por lava e as montanhas são deformadas pela atividade geológica. Sim, Vênus é um planeta geologicamente ativo.

“Esse dia não acaba nunca!”

Já teve a impressão que o seu dia está demorando semanas para acabar? Fique feliz por não estar em Vênus! O planeta leva 243 dias terrestres para executar uma volta em torno de si, ou seja, o dia em Vênus dura o equivalente a 117 dias dos nossos. Além disso, ele leva 225 dias terrestres para completar uma órbita ao redor do Sol. Ele é o planeta que desenha um trajeto orbital mais próximo de um círculo perfeito.

Passado glorioso

Os cientistas ainda não têm muita certeza sobre o que aconteceu com Vênus para que se tornasse tão hostil, mas ele provavelmente já foi um mundo com oceanos de água líquida, talvez até mesmo um paraíso tropical, há bilhões de anos. Considera-se que seu clima e suas condições seriam até mais favoráveis à vida do que a própria Terra. Em algum momento, contudo, o efeito estufa transformou o planeta no que ele é hoje.

Sem estações

Se vivêssemos em Vênus, não conheceríamos o conceito de “estações do ano", porque o planeta não tem o eixo inclinado.

Missões em Vênus

Algumas naves espaciais já foram enviadas a Vênus, como a missão soviética Venera 7, que pousou na superfície venusiana em 1970. Nos anos 1990 o planeta recebeu a nave americana Magellan, que mapeou a superfície do nosso vizinho. Em 2005, a Agência Espacial Europeia lançou a missão Venus Express para estudar a atmosfera do planeta.

Planeta Terra

(Imagem: Reprodução/NASA)

Nosso planeta já foi chamado de Gaia, que é, bem, a personificação da terra e da natureza. Na mitologia grega, é a esposa de Urano. Já a palavra Terra vem do latim e significa solo. Então, você acha que sabe o suficiente sobre nosso planeta natal?

A rotação da Terra está diminuindo 

Mas calma, não há motivos para preocupação. Essa desaceleração é praticamente imperceptivel, e a taxa em que isso ocorre não é perfeitamente uniforme. Isso tem o efeito de prolongar ligeiramente nossos dias, mas é tão sutil que pode levar até 140 milhões de anos antes que a duração de um dia tenha aumentado para 25 horas.

Mas agora tá acelerando

Parece contraditório, mas tudo que pode ser observado sempre terá uma explicação científica. E nesse caso, é o fato de que os objetos perto da Terra influenciam na rotação do planeta. Tudo está interligado: o Sol, a Lua, os demais planetas... e pode acontecer de uma determinada configuração no Sistema Solar, ou seja, certo alinhamento de corpos, favorecer na aceleração da Terra, ou em sua desaceleração. Legal, né? Ah, não se preocupe com a aceleração atual da Terra, pois assim como no tópico acima, ela é bem imperceptível.

O mais denso planeta 

Aposto que por essa você não esperava! A Terra é o planeta mais denso do Sistema Solar, mas claro, não significa que seja o mais pesado. A densidade da Terra é de 5,513 gramas por centímetro cúbico, e seu núcleo metálico aliado ao manto rochoso faz com que ela surpreenda os "maiorais", como os gigantes gasosos. Júpiter é obviamente muito mais massivo do que a Terra, mas também é muito maior, e essa relação tamanho/peso é que faz a diferença ao calcular a densidade. A densidade de Júpiter, no caso, é menor porque ele é é feito de gases.

A Terra é esférica

Há várias maneiras de confirmar o formato de globo da Terra, mas não há nenhuma forma de mostrar cientificamente que ela pode ser plana.

Choque com Theia

A Terra provavelmente colidiu com outro planeta, há muito tempo, e pode ser que foi isso que possibilitou a vida por aqui. Curioso, né? Um cataclisma proporcionou as chances de existirmos. A antiga Terra ainda era menor, mais ou menos como Marte é hoje, e a colisão com o planetesimal conhecido como Theia também formou a Lua. E, de quebra (literalmente), parece ter trazido consigo os ingredientes necessários para a vida. Isso aconteceu há mais de 4,4 bilhões de anos.

Núcleo quente como o Sol

Estima-se que o núcleo da Terra, considerando algumas incertezas, seja tão quente quanto a superfície do Sol.

Bastante atmosfera 

A atmosfera da Terra é mais espessa dentro dos primeiros 50 km da superfície, aproximadamente, mas ela alcança cerca de 10 mil km no espaço. Por isso, cientistas acharam melhor dividi-la em algumas camadas, que são: a troposfera, a estratosfera, a mesosfera, a termosfera e a exosfera. Quanto mais você subir, mais a pressão e a densidade do ar diminuem.

Planeta Marte

(Imagem: Reprodução/NASA)

O Planeta Vermelho recebeu o nome do deus da guerra, Marte, justamente por causa da cor. Suas luas também ganharam nomes mitológicos: Fobos, o deus do medo e filho de Ares; e Deimos, o deus do terror.

Os dias e anos

A distância média entre Marte e o Sol é de cerca de 230 milhões de km, e seu período orbital, ou seja, o ano marciano, é de 687 dias terrestres. O dia em Marte é apenas um pouco maior do que um dia na Terra: 24 horas, 39 minutos e 35,244 segundos.

A montanha mais alta 

Marte é dona da montanha mais alta, a Olympus Mons, que é na verdade um vulcão de 21 km de altura e 600 km de diâmetro. A gravidade da superfície de Marte é de apenas 37% da gravidade terrestre, então poderíamos pular quase três vezes mais alto em Marte — mas obviamente não seria o suficiente para subir o Olympus Mons facilmente.

Passado aquático

Assim como Vênus, Marte também foi um planeta com rios e bacias de água líquida. Não só isso, mas também costumava ter uma atmosfera mais espessa. É possível que a energia do Sol tenha prejudicado a atmosfera, de modo que as formas mais leves de hidrogênio no topo tenham se perdido no espaço.

Marte tem duas luas

Mas uma delas está condenada a colidir com o próprio planeta, em algum momento. Elas têm composições semelhantes a asteroides encontrados em outras partes do Sistema Solar, então pode ser que elas tenham sido "capturadas" pelo planeta ao passar por perto dele.

Demônios de areia

Marte abriga grandes tempestades de areia, conhecidas pelo termo em inglês Dust Devil, algo como demônios de areia. Elas podem durar meses e cobrir todo o planeta. Você não gostaria de encarar uma delas caso visite o Planeta Vermelho algum dia.

Missões em Marte

Esse planeta é um alvo bastante cobiçado pelas agências espaciais e, agora, também por empresas privadas. O número de missões já realizadas por lá é alto, incluindo sondas orbitais, sobrevoos, landers e rovers. As primeiras foram lançadas pela União Soviéticas, mas foi a NASA que obteve o primeiro sucesso com a Mariner 4, em 1964. As chegadas mais recentes incluem a missão do rover Curiosity, que chegou lá em 2012; a missão MAVEN, que chegou em 22 de setembro de 2014; e o orbitador Mangalyaan, da Índia, que chegou em 2014. Em fevereiro deste ano chegarão as missões Mars 2020 com o rover Perseverance (EUA), Hope Mars (Emirados Árabes Unidos) e Tianwen-1 (China).

Planeta Júpiter

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/Hubble)

Júpiter recebeu o nome do deus romano equivalente a Zeus, dos gregos. Era o deus do dia, do céu e do trovão; o rei dos deuses. O nome foi escolhido porque Júpiter é o planeta mais majestoso do nosso sistema estelar. As luas deste mundo também receberam nomes de seres mitológicos.

Júpiter poderia encolher

Mencionamos antes que Júpiter é o planeta mais massivo do Sistema Solar, embora não o mais denso. Mas o curioso é que, se ele tivesse mais massa, ele ficaria menor! É que, se adicionássemos mais material, o planeta começaria a ser puxado para dentro de si mesmo, e se tornaria mais denso. Estima-se que, se Júpiter ganhasse 4 vezes de sua massa atual, ainda permaneceria com o mesmo tamanho.

Massivo até demais!

Ainda falando das proporções descomunais de Júpiter, ele é 318 vezes maior que a da Terra tem 2,5 vezes mais massa do que todos os outros planetas do Sistema Solar combinados.

Na medida certa

Já ouviu falar nas anãs marrons? São objetos conhecidos como estrelas fracassadas, e elas se assemelham muito a Júpiter. De fato, alguns até chamam o planeta de estrela fracassada, mas ele não chega perto de ser uma anã marrom, apesar das semelhanças. Assim como estrelas, Júpiter é rico em hidrogênio e hélio, mas lhe falta a quantidade correta de massa para desencadear uma reação de fusão em seu núcleo. Se Júpiter tivesse 70 vezes sua massa atual, aí sim ele teria chances de se tornar uma estrela. Ainda bem que este não é o caso, ou estaríamos com sérios problemas.

O velocista

Júpiter é o planeta que gira mais rápido do Sistema Solar, com velocidade rotacional de 12,6 km/s, ou 45.300 km/h. Com isso, ele leva apenas cerca de 10 horas para completar uma rotação completa em seu eixo — ou seja, o dia lá passa bem rápido.

Tempestuoso

Suas faixas coloridas são, na verdade, turbulências e agitação atmosférica, como tempestades, ciclones, tornados e ventos muito velozes. Elas são feitas de cristais de amônia divididos em duas plataformas de nuvens diferentes, e o material mais escuro provavelmente é formado por compostos trazidos das profundezas de Júpiter, mudando de cor ao reagir com a luz do Sol.

Abaixo das nuvens

Essas nuvens visíveis têm apenas cerca de 50 km de espessura, e abaixo delas há, essencialmente, hidrogênio e hélio.

A Grande Mancha Vermelha é muito grande mesmo

A Grande Mancha Vermelha em Júpiter é uma de suas características mais conhecidas e fascinantes, e está ali há muito tempo. Trata-se de uma tempestade anticiclônica com cerca de 24.000 km de diâmetro e 14.000 km de altura, e é grande o suficiente para caber pelo menos dois ou três planetas do tamanho da Terra.

E também é antiga

A Grande Mancha Vermelha existe há pelo menos 350 anos, desde que foi observada pela primeira vez em 1665, pelo astrônomo italiano Giovanni Cassini. Contudo, ela está diminuindo, e os astrônomos estão certos de que ela eventualmente desaparecerá. Mas outra deve aparecer em algum lugar da superfície tempestuosa.

Júpiter tem anéis

Saturno não é o único planeta do Sistema Solar com anéis. Júpiter tem seu sistema de anéis próprio, embora não possa ver visto com tanta facilidade. Eles são formados por três segmentos principais: um interno de partículas conhecido como halo, um anel principal relativamente brilhante, e um último segmento formado por dois anéis.

Missões em Júpiter

Júpiter nunca foi visto por dentro por nenhuma nave. Afinal, é um planeta gasoso. Mas foi visitado por algumas sondas orbitais ou passageiras, como a Pioneer 10 da NASA em 1973 e as Voyager 1 e 2, que passaram por lá no final dos anos 1970. A Ulisses também chegou em Júpiter em 1992, seguida pela sonda Galileo em 1995. A tambémCassini fez um sobrevoo em 2000 antes de chegar a Saturno, e a New Horizons sobrevoou o planeta em 2007. Por fim, a Juno chegou lá em 2016 e segue estudando o maior planeta do Sistema Solar.

Planeta Saturno

(Imagem: Reprodução/NASA/ESA/A. Simon/M.H. Wong/OPAL Team)

Saturno é o planeta que se move mais lentamente, então recebeu o nome deus romano do tempo. As luas de Saturno no geral também ganharam mitológicos, como homenagens a titãs e outros seres.

O menos denso

Embora Saturno seja o segundo maior planeta do Sistema Solar, ele é o menos denso, com apenas 0,687 gramas por centímetro cúbico. Até a água é mais densa, isso significa que Saturno flutuaria em uma piscina cósmica.

Campeão das luas

Júpiter era conhecido como o planeta com mais luas oficialmente reconhecidas, mas Saturno superou seu vizinho recentemente. Enquanto Júpiter tem 79 satélites naturais, o planeta Saturno contabiliza 82. Algumas delas são bem grandes, mas a maioria é minúscula, com apenas alguns quilômetros de largura, provavelmente formadas através de impactos.

Luas fascinantes

Algumas das maiores luas de Saturno são realmente fascinantes. Titã, Mimas, Encélado e Tétis são algumas das principais e mais curiosas. Por exemplo, Encélado é um mundo que parece disparar um "canhão de neve" em direção ao espaço. Aliás, Encélado possui um oceano global de água líquida sob sua superfície congelada. Titã, por sua vez — a maior lua de Saturno e segunda maior do Sistema Solar, perdendo apenas para Geminedes — possui lagos de metano e etano no estado líquido.

Que dia é hoje?

Foi muito difícil descobrir quanto tempo dura um dia em Saturno, por causa de sua superfície feita de puro gás. Este mundo não tem crateras para calcular a velocidade de sua rotação, nem mesmo grandes manchas facilmente identificáveis, como Júpiter. Então, os astrônomos usaram o campo magnético do planeta para fazer essa medida. Assim, eles descobriram que Saturno leva 10 horas e 32 minutos e 35 segundos para girar em torno de si.

Os anéis de Saturno são estranhos

Os anéis de Saturno são os únicos que podemos ver claramente (com a ajuda de telescópios, claro), mas eles são bem estranhos. Por exemplo, os astrônomos não sabem exatamente a idade deles. É possível que sejam tão antigos quanto o próprio início do Sistema Solar ou que sejam relativamente novos. Isso porque é difícil determinar como eles se formaram. Algumas hipóteses dizem que eles se formaram a partir de uma grande lua de gelo que foi dilacerada pelo próprio planeta. Embora os anéis tenham algumas centenas de milhares de quilômetros de diâmetro, não passam de 1,5 km de espessura. Ainda, eles devem desaparecer dentro de alguns milhões de anos.

O grande hexágono polar

Assim como Júpiter, Saturno é varrido por tempestades e ventos constantes. Mas, no caso de Saturno, elas são melhor observadas no polo norte, porque lá existe uma grande formação hexagonal, criada por causa de um vórtice gigantesco. Essa formação foi descoberta nos anos de 1980 e ainda intriga os cientistas. Cada lado do hexágono tem cerca de 13.800 km de comprimento, mais do que o diâmetro inteiro da Terra. Tudo isso é cercado por faixas de ventos que chegam a mais de 480 km/h.

Inclinação de Saturno

Saturno é meio inclinado, o que às vezes faz com que seus anéis "desapareçam" nas imagens telescópicas, porque eles ficam totalmente alinhados com nossa visão. Astrônomos cogitam que a inclinação de Saturno pode ser causada pela influência da migração de suas luas, principalmente por Titã. Além disso, eles estimam que o planeta deverá ficar ainda mais inclinado nos próximos bilhões de anos.

Missões em Saturno

Saturno foi visitado por quatro naves, sendo a Pioneer 11, em 1979, a primeira delas. Em seguida, as Voyager 1 e 2 fizeram um sobrevoo e, por fim, a Cassini passou um bom tempo observando o planeta antes de ser arremessada em sua atmosfera, após o fim da missão em 2017.

Planeta Urano

(Imagem: Reprodução/Lazca)

Urano, na mitologia romana, é o deus do céu, e o planeta de tonalidade azul-claro acabou recebendo essa associação. Mas o planeta não foi batizado na antiguidade, porque foi descoberto apenas em 1877 pelo astrônomo britânico William Herschel. Inicialmente, Herschel o nomeou como Georgium Sidus, em homenagem ao rei George III, mas anos mais tarde o planeta foi renomeado para manter a tradição de nomes mitológicos. O Sistema Solar fica mais harmônico assim, né?

Rei gelado

Urano não é o planeta mais distante do Sol, mas é o mais frio do Sistema Solar. Sua temperatura de superfície é de aproximadamente -197,2 °C, e pode cair até -226 °C.

Deitado em berço esplêndido

Urano é um planeta deitado! Isso é muito estranho, pois os planetas tendem a ser sempre "em pé", ou seja, alinhados com o disco orbital. Alguns são um pouco inclinados, mas Urano tem uma inclinação axial de 99 graus, e gira de cima para baixo.

Que dia longo!

Um dia sideral em Urano dura apenas cerca de 17 horas, mas sua inclinação bizarra faz com que um polo ou outro geralmente apontem para o Sol, fazendo com que um dia no polo norte de Urano dure a metade de um ano uraniano. Por falar nisso, um ano por lá dura 84 anos terrestres.

O segundo menos denso

Ele só perde em baixa densidade para Saturno. Sua densidade média é de 1,27 gramas por centímetros cúbicos, e isso faz com que um astronauta eventualmente experimente apenas 89% da força da gravidade do planeta. Supondo que ele pudesse ficar em pé no topo das nuvens, claro, pois se trata de um gigante gasoso.

Anéis de Urano

Os anéis de Urano não são tão famosos quanto os de Saturno, mas são mais conhecidos que os de Júpiter. Eles são compostos de partículas extremamente escuras e variam em tamanho. Provavelmente são muito jovens e talvez o material deles tenha vindo de alguma das luas do planeta, que foram estilhaçadas em grandes colisões.

Luas de Urano

Existem 27 satélites naturais conhecidos ao redor de Urano, mas a maioria são pequenos e irregulares. É possível que elas tenham se formado a partir de um disco de acreção que circundava o planeta, em vez de serem objetos capturados, como as luas de Marte devem ter sido.

Visível a olho nu

Muitos já sabem que Saturno e Júpiter eventualmente podem ser vistos a olho nu, mas talvez pouca gente já tenha reparado em Urano. Sim, ele pode ser visível, pois sua magnitude é de 5,3, ou seja, está dentro da escala de brilho que um olho humano pode perceber. O problema é que o céu precisa estar muito escuro, sem poluição luminosa e de preferência sem a interferência da Lua, para que possamos vê-lo.

Urano fede

A esfera azul de Urano é muito bonita, mas infelizmente ele fede a flatulências. Isso é graças principalmente ao sulfeto de hidrogênio e à amônia, que podem se condensar em nuvens na atmosfera do planeta. A amônia concentrada também pode dar ao planeta o odor de urina humana.

Missões em Urano

Urano foi visitado apenas pelas sondas Voyager 1 e 2, quando elas passaram por lá. As demais pesquisas ainda são feitas por dados de telescópios como o Hubble, por exemplo.

Planeta Netuno

(Imagem: Reprodução/NASA)

Netuno não era conhecido pelos antigos gregos, só foi descoberto em 1846. Mesmo assim, ganhou um nome em homenagem ao deus dos mares, equivalente ao deus grego Poseidon. O motivo da escolha é óbvio: o planeta tem uma belíssima coloração azul, que lembra os oceanos terrestres.

O caçula dos gasosos

Netuno é o mais distante do Sistema Solar, mas pode ser que ele tenha formado muito mais perto do Sol antes de migrar para a posição atual. Além disso, é o menor da família de gigantes gasosos. Um ano em Netuno dura 165 anos terrestres, mas ele gira em seu eixo muito rapidamente de modo que um dia por lá dure apenas 15 horas e 57 minutos.

Netuno também tem anéis

Normalmente não vemos nas ilustrações e imagens, mas Netuno tem 6 anéis de brilho fraco. Eles provavelmente são feitos de partículas de gelo misturadas com grãos de poeira. A atmosfera de Netuno é feita de hidrogênio e hélio, com um pouco de metano, e sua massa é maior que a de Urano.

Netuno tem 14 luas.

A lua mais interessante é Tritão, um mundo congelado que está "vomitando" gelo de nitrogênio e partículas de poeira abaixo de sua superfície. Provavelmente foi capturado pela atração gravitacional de Netuno. É provavelmente o mundo mais frio do sistema solar.

Lua devoradora de  outras luas

A lua Tritão tem uma órbita em sentido horário, ao contrário do que ocorre em luas dos outros gigantes gasosos. Ela também não está no mesmo plano que Netuno orbita, e sua densidade é estranhamente grande. É provável que Tritão tenha tenha vindo de outro canto do Sistema Solar, o Cinturão de Kuiper, e simplesmente "devorou" as luas que existiam antigamente ao redor de Netuno.

Clima 

Como outros gigantes gasosos, Netuno tem um clima agitado. Possui grandes tempestades em torno de sua atmosfera superior, ventos de alta velocidade circulando o planeta a até 600 m/s, e também já teve uma grande mancha, como Júpiter. A Grande Mancha Escura de Neturno foi registrada em 1989, mas durou apenas cerca de cinco anos.

Netuno também tem tempestades

A tempestade escura de Neturno foi descoberta há pouco tempo, e ela é maior que o Oceano Atlântico. Se formou no hemisfério norte do planeta e logo após ter sido observada pela primeira vez, ela começou a seguir para o equador, onde deveria desaparecer. Só que, em 2020, astrônomos viram que ela mudou sua trajetória e começou a ir para o norte do planeta. E o mais curioso é que agora ela tem uma companheira — outra tempestade escura que surgiu por lá.

Missões em Netuno

Em 1989, a espaçonave Voyager 2 passou por Netuno e enviou as primeiras imagens aproximadas do planeta. Não houve ainda missões especificamente para investigar este mundo, mas o Telescópio Espacial Hubble já conseguiu coletar dados para revelar mais sobre ele.

Bonus: Planeta anão Plutão

(Imagem: Reprudução/NASA)

Apesar de não ser mais considerado um planeta, Plutão é um dos mundos mais queridinhos do Sistema Solar e merece estar nessa lista. Seu nome foi escolhido em homenagem a Hades, deus do submundo, pois ele era o mais afastado.

O coração de Plutão

Os usuários das redes sociais ainda não superaram o fato de que Plutão deixou de ser um planeta, por mais que já tenham se passado 15 anos. E um dos motivos de Plutão ser tão queridinho é sua mancha em formato de coração. Na verdade, trata-se de uma enorme geleira de nitrogênio chamada Tombaugh Regio. O lado esquerdo dela recebeu o nome de Planície Sputnik, e é responsável por alterar a orientação do planeta-anão, um processo chamado de "desvio polar verdadeiro" (quando um corpo planetário altera seu eixo de giro).

Órbita diferentona

Plutão tem uma órbita extremamente elíptica que não está no mesmo plano que as órbitas dos oito planetas oficiais. Em média, ele gira em torno do Sol a uma distância de 5,87 bilhões de km, levando 248 anos para completar uma volta. É uma órbita muito estranha que às vezes se sobrepõe à de Netuno. Isso faz com que Plutão seja, de modo geral, mais proximo da Terra do que Netuno!

Vulcão gelado

Plutão pode não ser o mundo mais frio do Sistema Solar, mas não é exatamente tropical. Sua temperatura de superfície fica em média nos -225 °C, e provavelmente ele é composto por cerca de 70% de rocha e 30% de gelo. Ele conta com criovulcões, ou gêiseres, que expelem líquido frio, e isso significa que deve haver um oceano subterrâneo gigante por lá.

"Iti malia", luazinhas!

Embora Plutão seja um planeta anão, ele tem quatro luazinhas, chamadas Caronte, Nix, Hidra e Estige. Este último é um minúsculo satélite, e os demais também são relativamente pequenos. Caronte tem cerca de metade do tamanho de Plutão. O planetinha em si é menor que a Lua da Terra.

Tem atmosfera

Pode não ser um planeta, mas faz inveja a planetas oficiais por conseguir manter uma atmosfera própria. Fina, mas está lá! Ela é composta principalmente de nitrogênio, metano e monóxido de carbono, estendendo-se por cerca de 3.000 km de altitude no espaço.

Missões em Plutão

Plutão também pode se gabar de ter recebido uma missão própria, enquanto Netuno e Urano, por exemplo, não. A New Horizons, da NASA, foi estudar o planeta anão e o Cinturão de Kuiper, além das miniluas plutonianas. Chegou por lá em 2015 e, depois, ainda sobrevoou o objeto transnetuniano 486958 Arrokoth.

Fonte: Space.com, NASA, Science Advances, Universe Today

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