Vênus: o que torna nosso vizinho tão parecido e tão diferente da Terra?

Por Danielle Cassita | 15 de Setembro de 2020 às 14h45

Na segunda-feira (14), as manchetes se voltaram para a descoberta de fosfina em nuvens de Vênus, e a "bomba" se deu porque, aqui na Terra, a fosfina é produzida por seres vivos — ou seja, será que essa descoberta sinaliza a existência de algum tipo de vida em Vênus? Bom, ainda não sabemos de onde essa substância vem e qual processo poderia tê-la produzido por lá, de modo que ainda são necessários mais estudos para definir essa questão. Entretanto, este é mais um mistério deste planeta curioso, que é objeto de pesquisas há muitos anos.

Apesar de o nome de Vênus ser inspirado na deusa do amor e beleza na mitologia romana, o planeta Vênus tem condições bastante hostis que dificultam a realização de missões presenciais. Entretanto, o planeta pode guardar informações importantes sobre o que pode esperar a Terra no futuro. Conheça abaixo algumas características curiosas sobre nosso vizinho no Sistema Solar:

Quase irmãos

(Imagem: NASA)

Pois é, de todos os planetas presentes no Sistema Solar, Vênus é aquele que mais pode ser considerado um “irmão gêmeo” da Terra. Tanto nosso planeta quanto Vênus têm pouca diferença no tamanho, Vênus tem composição bem parecida com a da Terra e ambos têm superfícies relativamente jovens. Além disso, a órbita de Vênus é mais próxima da Terra do que de qualquer outro planeta do Sistema Solar.

Um dia, (quase) um ano

A Lua, Vênus e a Via Láctea (Imagem: ESO/Y. Beletsky)

Apesar de ter várias semelhanças com a Terra, as diferenças de Vênus também são grandes: apenas um dia em Vênus equivale a 243 dias na Terra. Já um ano venusiano é mais curto que o terrestre, e tem apenas 224,7 dias. Além disso, Vênus tem rotação retrógrada: se fosse possível observá-lo acima da região dos polos norte, veríamos o planeta girando em sentido horário em seu eixo, mas em direção anti-horária em torno do Sol.

Um planeta brilhante

Composição que mostra Vênus "se pondo" acima da Lua (Imagem: Dzmitry Kananovich)

Vênus não é nem de perto o maior planeta do Sistema Solar, mas está tão próximo da Terra que é um dos planetas mais brilhantes do nosso céu — e quando pensamos em seu brilho no céu noturno, Vênus fica atrás somente da Lua. Aliás, o planeta é tão brilhante que gerou um incidente curioso: em 2011, um piloto canadense realizou uma manobra no voo para desviar de um ponto brilhante que ele pensou que fosse outro avião se aproximando; na verdade, tratava-se apenas de Vênus a uma distância mais que segura.

Vulcões venusianos 

Ilustração de vulcão venusiano (Imagem: ESA/AOES)

O planeta conta com mais vulcões do que qualquer outro no Sistema Solar: hoje, os astrônomos já identificaram mais de 1.600 vulcões em sua superfície, e é possível que existam muito mais, mas eles são pequenos demais para serem observados. E não pense que a atividade geológica venusiana está adormecida: um estudo recente mostra que o planeta está geologicamente ativo e que tem quase 40 vulcões ativos.

Um mundo de extremos

(Imagem: NASA)

Devido às suas condições extremas, Vênus está longe de ser considerado um planeta hospitaleiro: em função do dióxido presente em sua atmosfera, o planeta é aquecido por um efeito estufa tão intenso que a temperatura por lá passa dos 400 °C. Felizmente, as temperaturas são bem mais brandas a 50 km acima da superfície. Além disso, a pressão de Vênus também é extrema, e chega a ser 90 vezes acima daquela que temos ao nível do mar.

Vênus e suas fases

(Imagem: Hubble, STScI)

Em 1610, o célebre astrônomo Galileu Galilei observou uma das características mais curiosas de Vênus: a órbita do planeta se encontra com a órbita da Terra, ou seja, o planeta parece ter fases como a Lua tem. Então, a fase “cheia” ocorre enquanto o planeta está no lado oposto ao Sol, e a “nova" ocorre quando Vênus encontra-se entre a Terra e o Sol.

Fonte: Space.com, Universe Today

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