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MWC 2019 | Será que os smartphones dobráveis vão chegar para ficar?

Por Luciana Zaramela | 18 de Fevereiro de 2019 às 12h24

O mundo da tecnologia não para. Entre um ano e outro, o turbilhão de informações que vemos surgir e desaparecer é incrivelmente rápido e, com a mesma velocidade que leva embora características que marcaram uma era, traz novidades que surgem até bem antes da previsão dos analistas e especialistas. E assim acontece com a indústria de smartphones — talvez a que mais sofre metamorfoses em menos tempo.

Uma tendência que surfa na crista da onda já faz promessas para 2019: será este o ano dos smartphones dobráveis, ou com telas flexíveis?

Uma breve viagem no tempo

Se fizermos um breve retrospecto de dez anos, daremos de cara com este cara aqui liderando as listas de desejos dos early adopters mundo afora, quando o Android ainda engatinhava:

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Muito prazer, eu sou o iPhone 3GS (Imagem: Divulgação/Apple)

O iPhone 3GS, da Apple, em meados de 2009, tinha tecnologia GSM/HSPA e já usava miniSIM como chip de telefonia. O display em TFT trazia a inovação de dois anos atrás, com melhorias na tela touch (3,5") capacitiva e seus 16 milhões de cores. A segunda evolução do luxo demonstrado por Steve Jobs quando apresentou ao mundo o primeiro smartphone, o iPhone original (2G), em 2007. Câmera de 3 MP (480p), processador Cortex-A8, 256 MB de RAM, e 32 GB de armazenamento na versão mais cara eram alguns de seus atrativos.

Do lado de lá, surgia o Android. Estranho pensar que, há pouco mais de 10 anos, o primeiro telefone com o sistema operacional do Google dava as caras na indústria. O primeiro modelo chegou aos EUA na forma deste brinquedinho aqui, o HTC Dream (ou G1, como era conhecido por lá):

A primeira aposta da Google com Android, que veio para bater de frente com o iPhone 3GS (Foto: Michael Oryl/Flickr)

O Dream tinha 192 MB de RAM, armazenamento interno de 256 MB (expansível até 16GB) e rodava o Android 1.0. Seu processador era um Qualcomm MSM 7201A.

Pois é, os tijolões com telas coloridas e ar modernoso evoluíram bastante, passando por inúmeras lapidações aqui e ali, até chegarmos a incríveis dispositivos com reconhecimento facial, realidade aumentada, suporte a ultravelocidades de navegação, câmera que filma em 4K e inúmeros sensores para que o aparelho faça de tudo, servindo até de telefone.

Estamos no início de 2019 e muita água rolou por baixo da ponte. Hoje, o mercado especula dois grandes diferenciais dos celulares: um furo na tela ao invés de entalhes, molduras ou queixos; e telas que podem se entortar sem quebrar nem alterar o funcionamento do dispositivo. É sobre isso que vamos falar agora.

10 anos depois

Aquecendo os motores para o MWC 2019, um dos mais significativos eventos de tecnologia do mundo, a mídia especializada só fala nas apostas das principais fabricantes do mercado para inaugurar a nova tendência: smartphones dobráveis. De rumor em rumor, é possível prever que a feira será invadida por um arrastão de modelos que entortam suas telas. E vai ter celular dobrável de todas as cores, tipos e sabores.

Um modelo, aliás, já foi lançado por uma startup chamada Royole, que queimou a largada e saiu à frente das gigantes do mercado mobile com o FlexPai. O produto foi lançado em novembro de 2018 na China, mas a empresa tem base na Califórnia. Ele também foi apresentado na CES deste ano.

O FlexPai conta com um sistema baseado em Android, o Water OS, além de processador Snapdragon da série 8, um combo de câmeras de 20MP/16MP e a tecnologia Ro-Charge, que permite carregar a bateria do aparelho em tempos até 40% menores do que os carregadores padrão das outras marcas. E como qualquer smartphone moderno, ele traz armazenamento expansível via microSD, leitor de digitais, conectividade USB-C e bons alto-falantes internos.

O aparelho já está pronto para ser comercializado, até o momento, apenas na China.

FlexPai (Imagem: Divulgação/Royole)

E agora, o que esperar das grandes marcas? Acompanhe as cenas dos próximos capítulos.

Samsung

Chegou o rei do hype. Até o momento chamado de Galaxy X, o smartphone dobrável da Samsung é a grande cereja do bolo para o MWC 2019. Apesar de que o lançamento pode ser antecipado: com o Samsung Unpacked abrindo as portas nesta semana, é possível que já vejamos toda a glória e poder do modelo da sul-coreana já na quarta-feira, dia 20 de fevereiro — e o Canaltech estará no evento para conferir isso de perto.

Aliás, dá só uma olhada nesse teaser que a Samsung soltou no Vietnã:

Com lançamento previsto para o primeiro semestre do ano em "mercados seletos", a companhia deve trazer, segundo especulações, um modelo com display de 7,3 polegadas e duas baterias, também dobráveis. Possivelmente, será um parrudão de 512 GB ou 1 TB de armazenamento, com 12 GB RAM, tecnologia 5G e SEIS câmeras.

Curiosamente, rumores dão conta de que a companhia vai chamar seu dobrável de Galaxy F (...de Foldable ou de Flex?). Outra coisa interessante é que a Samsung estaria projetando seu brinquedinho há 8 anos. Em 2011, ela já estava passeando pela várzea das telas flexíveis e mostrou seu primeiro protótipo na CES daquele ano. Será que agora vai?

LG

Na Coreia do Sul, a corrida das telas flexíveis está a todo vapor. Rumores dão conta de que a LG é uma das mais cotadas a apresentar seu exemplar. Vale lembrar que a empresa já tem até uma tevê que rola feito um caracol para se "esconder" dentro de uma caixa (que serve de base), lançada recentemente.

Essa tela "enrolável" deve chegar também aos smartphones, segundo o CTO da LG afirmou na CES 2019. Sem mais detalhes, ele disse o seguinte: “Estamos experimentando diversos formatos para telefones, incluindo ‘enrolável’ e ‘dobrável’”. A patente, pelo menos, apareceu em julho passado, trazendo um mecanismo de articulação estilo "flip", sem informações adicionais.

Pelo sim e pelo não, o melhor mesmo é aguardar pelo evento (ou por algum momento de 2019) para vermos a carta que a LG esconde na manga. Enquanto isso, você pode se contentar com a majestosa flexibilidade de seu novo televisor:

UPDATE (18/02, às 16h28): Numa coletiva de imprensa em Seul, executivos da LG afirmaram que irão concentrar seus esforços para lançar um smartphone 5G na MWC19, no final de fevereiro. Sobre aparelhos dobráveis, a empresa acredita que ainda é muito cedo, e irá esperar uma resposta do público. Saiba mais aqui.

Motorola

O blablablá da indústria tech traz informações sobre a nova aposta da Motorola como sendo um revival de seu saudoso Razr V4 (aquele de flip que marcou uma geração na década de 2000). Ao invés de dobradiça, a mágica se daria pela nova tela dobrável do aparelho. Sem muitas surpresas, patentes indicam que a "versão 2.0" do Razr V4 vai ter aquele mesmo look and feel do passado.

Eis a patente da Motorola
E eis aqui uma renderização de como ele seria na prática (Imagem: Sarang Seth)

Os rumores estão esquentando para uma aparição do modelo em fevereiro, no MWC 2019. O Wall Street Journal teve acesso a informações sobre os testes do aparelho — que custaria módicos US$ 1.500 — em janeiro, o que deixaria o prazo muito apertado para uma demonstração no evento. Lembrando que a Lenovo comprou a Motorola Mobility em 2014 e estaria por trás da produção. E aí, será que vai rolar?

Xiaomi

Tem coelho na cartola da Xiaomi, também. Recentemente, a chinesa postou dois teasers em vídeo com o suposto (e misterioso) smartphone dobrável de sua nova remessa de dispositivos, mostrando um aparelho que dobra "em três partes", como se tivesse duas "dobradiças". Mas, apesar dos vídeos, nada muito concreto a respeito do aparelho da Xiaomi apareceu no campo dos rumores. Ao que tudo indica, ainda fica tudo na base do conceito.

Evan Blass, o famoso jornalista responsável por vazar rumores quentíssimos e acertar bastante o que está por vir no mercado de smartphones, andou postando sobre o suposto dispositivo da Xiaomi. Ainda sem confirmação, ele apostou que a obra seria da chinesa por causa da interface, muito parecida com as utilizadas nos outros produtos da empresa.

Poucas semanas mais tarde, no Weibo (rede social chinesa parecida com o Twitter), o cofundador da Xiaomi Lin Bin postou um vídeo mostrando um dispositivo parecidíssimo, dizendo: "O celular dobrável da Xiaomi vem aí (...), se você curtiu, vamos considerar uma produção em massa no futuro". Olha ele aí:

Sem mais para o momento, fique apenas com imagens, nada de especificações e muita imaginação.

Huawei

Outra que já confirmou que vai trazer um modelo de smartphone dobrável para o MWC 2019 é a chinesa Huawei. Segundo informações, o aparelho vai contar com suporte à rede 5G e trazer um processador Kirin 980 (o mesmo usado no Mate 20 Pro) e o novo modem Balong 5000. E isso é tudo (o que sabemos até agora), pessoal.

Sony

Não há nada concreto confirmado, até o momento, vindo da empresa japonesa quanto ao assunto de dobráveis, a não ser por uma patente. E se tem patente, das duas, uma: ou a Sony já está trabalhando na nova tecnologia e deve apresentá-la no embalo da concorrência; ou ela simplesmente idealizou uma nova tecnologia, registrou no Escritório de Marcas e Patentes e arquivou. Tratando-se de uma gigante do mundo tech, é mais cômodo acreditarmos na primeira possibilidade.

O TechRadar teve acesso ao documento, que detalha um smartphone flexível ao ponto de se enrolar. Mas ok, patentes são apenas papéis, e se houver um protótipo, ele pode tanto se parecer com o esquema quanto não ter absolutamente nada a ver com ele.

Será que sai do papel a tempo? (Imagem via LetsGoDigital)

Oppo

Sem muitas delongas, a chinesa Oppo meio que confirmou que vai investir na era dos dobráveis e mostrar seu dispositivo no MWC 2019. A companhia deverá revelar apenas o protótipo do smartphone dobrável e não o produto final. Contudo, a afirmação veio de um gerente de produtos da OPPO e é importante para afirmar que a companhia também entrará na corrida.

Vivo

Mais China! A Vivo lançou uma segunda linha, batizada de iQOO, só para promover seus novos smartphones dobráveis no mercado. Ainda é cedo para falar de produto final, mas os protótipos, pesquisas e testes, ao que tudo indica, estão a mil dentro da empresa, inclusive sustentados pelas renderizações que vazaram recentemente na web.

Uma das imagens vazadas mostra um belo protótipo de dobrável da Vivo/iQOO (Via TechRadar)

TCL

Teste de idade: lembra daquelas réguas da década de 1990 que você tacava no braço e virava uma pulseira? A TCL (BlackBerry/Alcatel) quer fabricar um smartphone flexível que vira relógio de pulso. Conhecida aqui no Brasil pelos televisores de entrada e por fabricar os smartphones Alcatel, a TCL também aposta na sua fatia mobile com a tendência dos foldable phones.

Pronta para entrar no jogo, a companhia chinesa resolveu usar mais inovação como diferencial e transformar o gadget em wearable, com uma tela tão flexível a ponto de abraçar o pulso do usuário e ficar lá como um relógio, mesmo.

Você pode ver a ideia da TCL no esquema abaixo, que ainda é bastante preliminar, mas dá um norte do que a empresa prepara para o futuro. Apesar de ter tudo para ser apenas um protótipo (e, talvez, nem veja a luz do dia nas prateleiras das lojas), o dobrável da TCL já existe em forma de projeto.

"Não são apenas smartphones", revela o gerente geral de marketing da empresa, Stefan Streit. E não mesmo, conforme mostram estas imagens:

Dispositivos que se dobrariam na horizontal, vertical e... tipo smartwatch (Renders: TCL Communication)
Ênfase na patente do "relogiofone" (via CNET)

Segundo revelou um executivo da TCL ao CNET, o primeiro dobrável da companhia chega em 2020. Por enquanto, ainda não dá para saber que tipo de dobrável será esse — e nem se o suntuoso "smartphone só que watch" chegará aos punhos da galera. Como se vê nas imagens acima, podemos esperar de tudo, mas não sabemos quase nada a respeito do que está por vir.

Bônus: Apple

Sim, nós sabemos que a Maçã não costuma participar de eventos de tecnologia do tipo do MWC ou CES, mas não podemos falar de dobráveis sem incluí-la na lista, não é mesmo?

Desde o final de 2017, alguns rumores acerca de uma tela flexível da Apple começaram a surgir aqui e ali, com previsão de lançamento de algum gadget dobrável em 2020. A Apple realmente andou patenteando algo nesse sentido, o que faz a gente ficar de orelha em pé sobre um possível representante dela no universo dos foldable devices. Arriscamos um palpite: já que players consagrados do mercado já deram seu pontapé inicial na nova tendência e a corrida está apenas começando, pode ser que a Apple entre no jogo quando os dispositivos flexíveis já estiverem inseridos no mercado. Veremos um produto mais voltado ao espectro premium, talvez? Faria sentido, já que o pioneirismo não teve a assinatura de Tim Cook.

Será que vinga?

Em pouco tempo teremos duas nomenclaturas para os smartphones: rígidos e flexíveis. Aqui, tentamos reunir o crème de la crème dos rumores e especulações para a nova tecnologia, que já se mostrou possível.

Agora, por que ter um telefone flexível? A primeira vantagem seria transformar a tela de telefone do seu dispositivo numa tela de tablet sem mistério. Basta abrir e pronto, a fotinho vira um fotão, o filminho, um filmão, o joguinho, um jogão. Pense também nas vantagens do multitarefa num aparelho que é pequeno só quando dobrado, mas pode ter o dobro do tamanho quando você precisar de mais. Isso pode ser conveniente em viagens, por exemplo, podendo substituir o notebook em certas ocasiões (quem sabe?). Como 2019 promete ser o ano dos dobráveis, não podemos esquecer também que será o ano que, acredita-se, o 5G chegará ao consumidor. Então a tendência vem parruda: dobrável com conexão muito mais rápida.

Mas o hype tem, claro, suas desvantagens. A primeira delas é o preço: a expectativa é que nenhum dos smartphones com tela dobrável apresentados durante o MWC sejam vendidos por menos de US$ 1.500. Os primeiros modelos também podem chegar mais pesados e grandalhões, principalmente em volume — algo desajeitado, esquisito de se carregar por aí. É a hora do adeus àquele celular fininho que cabia perfeitamente no bolso. E claro, a complexidade de um sistema flexível envolve muito mais componentes do aparelho que apenas a tela. Alguns deles virão com duas baterias (segundo rumores), e ainda não sabemos como será a diagramação dos circuitos de câmera: como ficarão as selfies e fotos convencionais? De que lado do aparelho? Fora a parte técnica: seriam os dobráveis mais suceptíveis a defeitos e dificuldade de reparo?

O que ouvimos muito por aí, em especial dos nossos leitores e colaboradores é: para que uma tecnologia como essa? Enquanto uns tentam entender, outros já buscam prós e contras. Fato é: tudo ainda é mistério, e o jeito é esperar o ano correr para saber.

O Mobile World Congress 2019 acontece oficialmente entre os dias 25 e 28 de fevereiro em Barcelona e o Canaltech estará lá acompanhando tudo de perto. Fique ligado!

Fonte: GSM Arena, Digital Trends, Royole, The Wall Street Journal, Engadget, TechRadar, CNET

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