Giro da Saúde: o que uma convulsão faz com o cérebro; é gripe ou variante Delta?

Giro da Saúde: o que uma convulsão faz com o cérebro; é gripe ou variante Delta?

Por Luciana Zaramela | 22 de Agosto de 2021 às 08h00

Nova semana começando, e para você ficar super por dentro dos acontecimentos que rolaram recentemente em saúde e ciência, a curadoria do Canaltech separa, todo domingo, os principais destaques da semana. De impressão 3D de tumor mortal a descobertas sobre o processo de convulsão no cérebro em tempo real, o Giro da Saúde de hoje está recheadíssimo de novidades. Confira!

Anvisa rejeita CoronaVac em crianças e defende 3ª dose em grupos de risco

bondarillia/Unsplash

Decisão unânime: em reunião com a diretoria da Anvisa na última quarta-feira (18), a agência rejeitou o uso emergencial da vacina CoronaVac para a população pediátrica de 3 a 17 anos, alegando falta de dados consistentes no envio da documentação do Instituto Butantan para o órgão regulador. Somente 586 voluntários foram incluídos e, no entendimento da Anvisa, não houve definição clara da porcentagem de participantes em cada uma das faixas etárias. Outro problema foi a imunogenicidade da vacina em crianças, pois não é possível afirmar que a produção de anticorpos é garantia de produção de imunidade contra a COVID-19 nesse público-alvo.

Na mesma reunião, a Anvisa também recomendou que o Ministério da Saúde avalie a possibilidade de aplicar a terceira dose do imunizante em grupos prioritários que receberam a CoronaVac, especialmente em pacientes imunossuprimidos e idosos com mais de 80 anos. Agora, depende da Saúde tomar a decisão para incluir o reforço da vacina no Plano Nacional de Imunização.

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Saúde vai antecipar segunda dose da Pfizer

Twenty20photos/Envato Elements

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou o objetivo de antecipar a aplicação da segunda dose da vacina da Pfizer a partir do mês de setembro. "À medida que a gente avança na primeira dose, já se rediscutiu colocar a Pfizer no intervalo de 21 dias, em setembro. Nós já temos 70% da população acima de 18 anos com uma dose", afirmou o ministro. Entretanto, a pasta ainda não publicou uma data para o início das aplicações no mês que vem, pois isso provavelmente vai depender do estoque de vacina e do ritmo de vacinação nos estados e municípios.

Por enquanto, o intervalo entre as doses da Pfizer é de três meses, devido à baixa disponibilidade de imunizantes da fabricante por aqui. Agora, a população poderá completar o esquema vacinal da Pfizer em três semanas. "A gente só estudando para ver qual o melhor 'timing' disso, mas que vai diminuir, vai. A gente precisa verificar o cenário de abastecimento, porque a Câmara Técnica já sinalizou que é interessante avançar a imunização em primeira dose e, só então, quando a gente tiver um cenário mais tranquilo de imunizados com a primeira dose, a gente reduz o prazo para completar a imunização", apontou o secretário-executivo, Rodrigo Cruz.

Inédito: cientistas imprimem tumor cerebral mortal em laboratório

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Um feito inédito, e ao mesmo tempo incrível, foi realizado por uma equipe de cientistas de Israel: eles conseguiram recriar, por meio de impressão 3D, uma das formas mais mortais de tumor cerebral dentro de um laboratório. Trata-se de um tipo raro de tumor chamado glioblastoma, que acomete as células da glia (no encéfalo). Com isso, os cientistas poderão testar a eficácia de inúmeros tratamentos contra o câncer sem precisar de biópsia ou avaliação ex vivo. Basta realizar os estudos no modelo, o que abre portas, inclusive, para desenvolvimento de novos remédios.

O tumor impresso em 3D é "alimentado" por vasos sanguíneos, que também foram construídos por impressão. Segundo o grupo, esta é a replicação mais completa de um tumor e do tecido circundante já feita. A equipe conseguiu replicar o tumor por meio de cultivo de células tumorais de pacientes, para depois usá-las como matéria-prima (uma espécie de "tinta" para a impressora 3D) ao criar os modelos.

Sintomas quase iguais: é gripe ou variante Delta? 

Rawpixel/Envato

Com o avanço dos casos de COVID-19 causados pela variante Delta do coronavírus, médicos e pacientes estão percebendo muitas semelhanças entre os sintomas da infecção e os da gripe comum. Inclusive, muita confusão tem sido feita, o que reforça a importância da testagem de pacientes infectados. Agora, a COVID causada pela variante Delta está mais associada a sintomas como nariz escorrendo (coriza), dor de garganta e de cabeça. Perda de olfato e de paladar, tosse e falta de ar não são mais tão comuns nos atendimentos feitos nos primeiros dias de casos da infecção.

"Essa variante parece bastante com sintomas gripais simples, então a gente tem que testar sempre o paciente. A partir do terceiro dia de sintomas, a gente já recomenda que faça o teste RT-PCR, para confirmar ou descartar essa possibilidade", explica Antonino Eduardo Neto, gerente médico do hospital Badim, no Rio de Janeiro, ao jornal O Globo.

Por isso, esses sintomas já devem ser interpretados como sinal de alerta, principalmente para quem mora nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro — onde mais casos já foram oficialmente confirmados e a transmissão já é comunitária.

É assim que uma convulsão começa; veja o que acontece no cérebro

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Você consegue imaginar o que acontece no cérebro de uma pessoa que esteja passando por uma convulsão naquele exato momento? Na semana passada, um feito incrível realizado por uma equipe de cientistas norte-americanos fez exatamente isso: rastreou todo o processo que uma convulsão desencadeia no cérebro humano e gravou tudo em vídeo.

Usando um novo mapa de calor 3D, eles tornaram possível visualizar a origem mais precisa do ponto inicial das convulsões, o gatilho do ataque epilético. É nesse exato local que o procedimento cirúrgico deve ser realizado para melhorar as chances de sucesso de uma cirurgia e, consequentemente, a qualidade de vida do paciente. Pesquisadores da Universidade de São Francisco criaram um software de código aberto que gera o mapa cerebral, tecnologia que foi batizada de OPSCEA.

Abaixo, assista ao vídeo de uma convulsão de um paciente, em tempo real, registrada e depois reconstruída em 3D:

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