Análise | Ryzen 7 5800X: um ótimo processador que não decola por causa do preço

Por Jones Oliveira | 10 de Março de 2021 às 09h45
Sergio Oliveira/Canaltech

Quando anunciou sua nova linha de processadores Ryzen 5000, em outubro de 2020, a AMD afirmou com confiança que tinha a "melhor CPU do mundo para jogos". E ela não estava para brincadeira. Nas minhas últimas análises para o Canaltech, pude conferir em detalhes os dois extremos dessa nova família: o Ryzen 5 5600X, modelo de entrada que chega a bater o topo de linha Core i9-10900K, da Intel; e o Ryzen 9 5900X, o carro-chefe que dispara na corrida de performance graças a seus incríveis 12 núcleos e 24 threads.

No meio disso tudo entra o Ryzen 7 5800X, um processador de oito núcleos e 16 threads voltado para atividades mais exigentes e que, no papel, compete diretamente com o Core i7-10700K, da Intel. A prática, porém, é bem diferente e o Ryzen não só bate seu rival, como também chega a superar o modelo high-end da Intel em alguns cenários. Muito disso pode ser explicado graças às melhorias promovidas pela nova microarquitetura Zen 3, responsável pelo ganho de 19% de desempenho IPC em relação aos Ryzen 3000.

"Tropa de choque" da AMD: Ryzen 5000 vêm com microarquitetura Zen 3 e diversas melhorias que aumentam performance ao mesmo tempo que poupam energia (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Apesar de já ter escrito extensivamente sobre exatamente quais são as melhorias da Zen 3, aqui cabe uma rápida explanação sobre as duas mais importantes mudanças em relação à Zen 2.

A primeira delas é a reorganização da estrutura em que os núcleos do processador estão dispostos. Antes, as duas primeiras gerações da Zen utilizavam complexos computacionais (CCX) com até quatro núcleos compartilhando 16 MB de cache L3. Dessa forma, se um processador tivesse seis núcleos ou mais, implementaria dois desses complexos, que se comunicavam entre si utilizando o que a AMD chama de Infinity Fabric, um "leva-e-traz" que acabava gerando latência.

Na Zen 3, isso se modificou e o CCX passou a acomodar até oito núcleos dividindo 32 MB de cache L3, efetivamente reduzindo a latência ao eliminar o uso de Infinity Fabric em processadores com até oito núcleos. Na prática, o que acontece é uma redução sensível no tempo de acesso a estruturas externas como memória RAM e ganho de desempenho em atividades que a baixa latência é determinante, como a execução de jogos.

Nova organização dos CCX nos Ryzen 5000
Nova organização dos CCX nos Ryzen 5000 (Imagem: Reprodução/AMD)

A segunda mudança importante é como os núcleos se comportam quando estão ociosos ou não são necessários em determinadas cargas de trabalho. Em vez de permanecerem ativos, mesmo com frequência residual, a AMD agora os coloca literalmente para dormir. Desativados, eles não demandam energia e nem geram calor, abrindo espaço para que os melhores núcleos do pacote subam sua frequência e executem as tarefas de maneira mais eficiente.

Todavia, ao contrário do que pude constatar com o 5 5600X, o Ryzen 7 5800X não chega a ser tão surpreendente assim. Veja bem: não estou falando que ele é um processador ruim. Os dois núcleos e quatro threads a mais fazem uma baita diferença em tarefas como renderização de vídeos, edição de imagens e compactação/decompactação de dados, mas têm pouco impacto no desempenho de jogos. Isso sem falar na questão do preço... Mas vamos por partes.

Com 8 núcleos e 16 threads, o Ryzen 7 5800X é o modelo intermediário da família, operando a clock base de 3,8 GHz e boost de 4,7 GHz (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)
Com 8 núcleos e 16 threads, o Ryzen 7 5800X é o modelo intermediário da família, operando a clock base de 3,8 GHz e boost de 4,7 GHz (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Consumo, estabilidade e overclocking

As já comentadas modificações promovidas pela microarquitetura Zen 3 são o principal motivo de a AMD ter conseguido ampliar sua vantagem em eficiência energética e desempenho multi-thread, além de se equiparar — e em alguns casos até superar — à Intel em dois segmentos que ela sempre dominou: desempenho single-thread e jogos.

Prova disso é que, durante rotinas single-thread de baixa e média carga, observei o Ryzen 7 5800X subir sua frequência para além do especificado pela fabricante. A ficha técnica do processador indica que seu clock base é de 3,8 GHz, podendo bater os 4,7 GHz em boost. Na prática, no entanto, o que vi foi a CPU superar a barreira dos 4,8 GHz — em teoria, o clock máximo do Ryzen 9 5900X.

Já num cenário de estresse extremo, rodando o teste de estabilidade do AIDA 64, um dos mais exigentes do mercado, o 5800X operou a um clock médio de 4,5 GHz. Apesar do excelente número, foi neste teste que comprovei o porquê de a AMD não ter incluído um cooler na caixa do processador. Oficialmente, a companhia afirmou que optou por não incluir o Wraith Prism RGB no pacote por saber que a grande maioria dos consumidores acaba comprando outra solução de refrigeração para tirar o máximo de desempenho do processador. Mas, na prática, a verdade é que o Ryzen 7 5800X esquenta mais que o Ryzen 5 5600X (o que é natural) e que o Ryzen 9 5900X (surpresa!).

Ao rodar o teste de estabilidade do AIDA 64, constatei que o processador chega à temperatura máxima de 87°C em sua configuração de fábrica — 26°C a mais que o "irmão menor" e 13°C a mais que o "irmão maior". Isso sendo refrigerado por um Noctua NH-15D, um dos air coolers mais competentes do mercado — ou seja, um Wraith Prism RGB provavelmente não daria conta do recado.

Mas qual o motivo disso? A companhia não fala expressamente sobre os porquês, mas, ao que tudo indica, pode estar relacionado à nova organização dos CCX. Se antes os núcleos eram organizados em pacotes de quatro, agora a densidade de oito cores por pacote tem um impacto maior sobre as temperaturas registradas em cargas de trabalho muito pesadas. Prova disso é que o Ryzen 9 5900X registrou temperaturas máximas inferiores, mesmo tendo 12 núcleos. A diferença é que eles são organizados em dois pacotes com seis núcleos cada, o que certamente ajuda a dissipar o calor extra gerado.

Ainda assim, também leve em consideração que os testes foram feitos em Natal, uma das capitais mais quentes do Brasil, com média anual de 30°C de temperatura. Em todo caso, tenha em mente que você vai precisar adquirir uma solução de refrigeração mais robusta para não enfrentar problemas.

Com o Noctua NH-15D passando sufoco e temperaturas tão altas assim, restou pouco espaço para fazer overclocking no Ryzen 7 5800X. O máximo que consegui foi fazer os oito núcleos do processador rodarem a 4,7 GHz fixos com vCore de 1,4V — não consegui fazê-lo chegar aos 4,8 GHz flagrados em boost, já que qualquer outro ajuste de frequência ou de tensão era tela azul na certa. Com isso, deu para sentir um ganho discreto de desempenho em tarefas de produtividade e cargas de trabalho mais complexas, mas tudo às custas de uma temperatura elevadíssima de 93°C e TDP de 155W.

Dados fornecidos pelo CPU-Z sobre o Ryzen 7 5800X: à direita, configurações stock; à esquerda, overclock @ 4,7 GHz
Dados fornecidos pelo CPU-Z sobre o Ryzen 7 5800X: à direita, configurações stock; à esquerda, overclock @ 4,7 GHz (Captura de tela: Sergio Oliveira/Canaltech)

Setup de testes

Os testes com o AMD Ryzen 7 5800X foram feitos usando o Windows 10 Pro versão 20H2, com as atualizações e patches de segurança mais recentes instalados e todos os componentes rodando os drivers mais novos disponíveis no momento da publicação desta análise. O firmware/BIOS da placa-mãe também estava atualizado para sua última versão.

Dito isso, o setup de testes utilizado para esta análise foi o seguinte:

  • Processador: AMD Ryzen 7 5800X [Compre]
  • Placa-mãe: Gigabyte X570 Gaming X (rev. 1.1) [Compre]
  • GPU: AMD Radeon RX 6800 XT [Análise]
  • Memória RAM: 4x 8GB G.SKILL Trident Z Neo RGB DDR4 3600 MHz CL16 [Compre]
  • Armazenamento: Intel SSD 660p 1 TB [Análise]
  • Fonte: Corsair HX750i [Compre]
  • Arrefecimento: Noctua NH-15D
  • Monitor: Acer Nitro XV280K [Análise] [Compre]
  • Sistema operacional: Windows 10 Pro (20H2)

Perceba que o clock da memória está a 3.600 MHz e não a 3.200 MHz, que é a recomendação oficial no site da AMD. Esses 400 MHz a mais estão de acordo com o setup de testes utilizado pela fabricante em seus benchmarks oficiais, então optamos por adotá-lo para reproduzir o máximo possível o cenário criado pela própria empresa.

Especificações
Ryzen 5 5600X Ryzen 7 5800X Ryzen 9 5900X Core i7-10700K Core i9-10900K
Litografia 7nm 14nm
Núcleos / Threads 6 / 12 8 / 16 12 / 24 8 / 16 10 / 20
Clock base 3,7 GHz 3,8 GHz 3,7 GHz 3,8 GHz 3,7 GHz
Boost (all-core) 4,6 GHz 4,7 GHz 4,8 GHz 5,1 GHz 4,8 GHz
Thermal Velocity Boost (all-core) N/A 4,9 GHz
Precision Boost / Turbo Boost (single-core) 4,6 GHz 4,7 GHz 5,0 GHz 5,0 GHz 5,1 GHz
Turbo Boost Max Technology 3.0 (dual-core) N/A 5,1 GHz 5,2 GHz
Thermal Velocity Boost (single-core) N/A 5,3 GHz
Infinity Cache / Smart cache 32 MB 64 MB 16 MB 20 MB
Memória DDR4-3200 DDR4-2933
Soquete AM4 LGA-1200
TDP 65W 105W 105W 125W 125W
Preço R$ 2.400 R$ 2.900 R$ 4.100 R$ 2.550 R$ 3.999

Agora que você conhece o setup e foi apresentado ao AMD Ryzen 7 5800X, vamos dar uma olhada em como exatamente ele se sai quando é colocado a prova.

*Para os benchmarks de processadores Intel o setup utilizado foi o mesmo, com exceção da placa-mãe. Neste caso, o modelo usado foi uma ROG Maximus XII Extreme.

Benchmark

Os testes realizados pelo Canaltech sempre compreendem a execução de programas utilizados no cotidiano das pessoas, bem como suítes sintéticas de benchmark, que normalmente colocam os processadores em cenários limítrofes, difíceis de serem reproduzidos no dia-a-dia. Com isso, a ideia é testar todo o poder de fogo do componente, que também é submetido àquilo que foi projetado para fazer: rodar jogos.

Em todos esses cenários, o processador da AMD fez pelo menos duas passagens pelos testes: na primeira delas, com suas configurações de fábrica; na segunda, com todos os núcleos em overclock, rodando a 4,7 GHz. Nesse segundo cenário, a temperatura máxima de operação subiu até 93°C, operando numa zona perigosa e muito próxima do T-Junction padrão de 95°C estabelecido pela fabricante.

Teste de CPU

Na primeira bateria de testes, avaliamos o desempenho geral da CPU utilizando o teste sintético do 3DMark. Aqui, a ideia é submeter o processador a uma demanda que dificilmente será encontrada no mundo real, mas que dá uma boa noção do que o componente é capaz de entregar em matéria de performance.

No primeiro dos testes desse segmento, rodamos o 3DMark Time Spy, da UL Benchmark, para simular um jogo que emprega o DirectX 12. Já neste primeiro teste vemos que os dois núcleos a mais do Ryzen 7 5800X fazem bastante diferença em relação aos seis núcleos do 5 5600X, já que o componente registrou 12.302 pontos, 3.834 a mais que seu irmão. O score também o colocou à frente do Core i7-10700K, seu concorrente direto.

3DMark Time Spy mede a capacidade de CPU e GPU trabalharem juntas em capacidade máxima; quanto maior a pontuação, melhor
3DMark Time Spy mede a capacidade de CPU e GPU trabalharem juntas em capacidade máxima; quanto maior a pontuação, melhor (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

O 3DMark Fire Strike Extreme, por sua vez, simula um jogo baseado em DirectX 11 e, no teste dedicado exclusivamente à CPU, mede a capacidade dela de lidar com a renderização de partículas, o que envolve uma quantidade absurda de cálculos bastante complexos sendo executados simultaneamente. Aqui, se sai melhor quem tem mais capacidade de multi-threading, então ponto positivo para o Ryzen 7 5800X, que ficou bem adiante do Ryzen 5 5600X e do Core i7-10700K e um pouco acima do topo de linha Core i9-10900K.

O subteste de física do 3DMark Fire Strike avalia a capacidade do processador em lidar com partículas complexas
O subteste de física do 3DMark Fire Strike avalia a capacidade do processador em lidar com partículas complexas (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Leia também: Análise | Core i9-10900K: o melhor da Intel às custas de muita energia

Para fechar a bateria de testes focados especificamente na CPU, rodamos o GeekBench 4, que tem uma abordagem bem diferente do 3DMark: em vez de testes em jogos, aqui as rotinas envolvem compressão e descompressão de dados, cópia de arquivos, detecção facial, renderização de documentos e outros processos normalmente vistos em tarefas do dia a dia.

Ao todo, são feitas duas passagens por esses testes: uma para avaliar o desempenho multi-core; outra, o single-core. Curiosamente, aqui é uma das poucas vezes que o Ryzen 7 5800X sai da curva: no teste single-core, ele se saiu 1,5% melhor que o todo-poderoso Ryzen 9 5900X. Não é muito, mas ainda assim chama atenção.

GeekBench avalia desempenho da CPU executando rapidamente diversas rotinas do dia-a-dia, como compressão de arquivos, videoconferência e outros
GeekBench avalia desempenho da CPU executando rapidamente diversas rotinas do dia-a-dia, como compressão de arquivos, videoconferência e outros (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Mesmo assim, perceba que, no geral, o processador ocupa o espaço que lhe pertence — ou seja, o segmento intermediário da linha Ryzen 5000 — entregando uma média de 26% mais desempenho comparado ao Ryzen 5 5600X. Em relação à concorrência, ele sempre está à frente do concorrente direto e, na maioria dos casos, supera o Core i9-10900K — que, diga-se de passagem, tem 10 núcleos e 20 threads. Um exemplo prático das benesses da Zen 3.

Teste de produtividade e renderização

Na segunda bateria de testes, submeti o Ryzen 7 5800X para lidar com atividades do dia-a-dia para ver como ele se sai em rotinas que envolvem desde a inicialização de um aplicativo até a renderização de imagens com ray tracing.

Na primeira rodada de benchmarks desse tipo, o PCMark 10 foi utilizado para medir o desempenho dos componentes rodando a suíte do Microsoft Office e tarefas como edição de imagem e de vídeo, renderização e visualização de imagens e videoconferência.

O teste do Office utiliza os aplicativos reais da suíte da Microsoft instalados no computador em vez de apenas emulá-los, o que confere um resultado mais próximo da realidade de uso. Aqui, o Ryzen 7 5800X apresenta desempenho dentro da normalidade, ocupando seu devido lugar. A exceção é o teste do Excel, em que o processador praticamente iguala a performance do Ryzen 9 5900X.

O teste de produtividade do PCMark 10 vai além das aplicações de escritório do Microsoft Office e executa rotinas bem específicas e do cotidiano, como edição de imagem e de vídeo, edição de planilhas, videoconferência e afins. É curioso como nesse conjunto de testes o desempenho do Ryzen 7 5800X oscila: apesar de em todas as medições ele figurar à frente do Core i7-10700K e em duas delas superar o Ryzen 9 5900X, em outra chega a ficar abaixo do Ryzen 5 5600X. Talvez o que falei no começo do review comece a fazer um pouco de sentido?

A segunda rodada de benchmarks desse segmento envolveu a execução de ferramentas específicas de renderização de imagens. A ideia aqui é mostrar o quão bem um processador se sai nas mãos de produtores de conteúdo e profissionais que trabalham diretamente com edição de fotos, renderização de vídeos e modelagem 3D. Portanto, a expectativa é que o desempenho do processador seja proporcional à quantidade de núcleos, threads e clock disponíveis – ou seja, quanto mais, melhor.

A prova disso é que o Ryzen 7 5800X operou dentro do que é considerado normal e esperado nesta bateria de testes. Basicamente, o processador ficou acima do Ryzen 5 5600X pela maior quantidade de núcleos e superou o Core i7-10700K graças à Zen 3. Inclusive, para comprovar de uma vez por todas como a nova microarquitetura é importante para as CPUs da AMD, vale destacar os testes single-core do Cinebench e do POV Ray.

Historicamente a AMD sempre ficou atrás da Intel quando o assunto era performance single-core, afinal de contas o Lado Azul sempre investiu pesado em frequências elevadas para atividades que demandam apenas um núcleo do processador. Porém, com a Zen 3, os processadores da AMD trabalham muito melhor, mesmo com clocks mais baixos. A prova disso é que tanto no Cinebench, quanto no POV Ray o componente intermediário do Team Red se sobressai em relação ao Core i9-10900K. E detalhe: não é por pouco, não, é por muito — 17,37% mais performance.

É a prova de que é possível fazer mais mesmo com clocks mais baixos e que uma arquitetura bem planejada é crucial para entregar um bom desempenho para os usuários.

Desempenho em jogos

Até aqui vimos que, na maioria dos casos, o Ryzen 7 5800X ocupa o lugar que pertence e faz o dever de casa, aparecendo acima do Ryzen 5 5600X graças à contagem maior de núcleos e sempre superando seu rival direto, certamente devido às melhorias implantadas pela Zen 3. Mas e nos jogos? Será que o componente consegue fazer mais que o feijão com arroz? Vamos dar uma olhada nisso agora.

Mas antes de seguirmos adiante, é sempre muito importante explicar a metodologia que foi adotada nas medições.

No mundo dos games, geralmente duas métricas são utilizadas para avaliar o quão bem um título está sendo executado, seja ele no PC ou em um console: qualidade de imagem e taxa de quadros por segundo (o famoso FPS, ou frames per second). O problema é que quanto maior a qualidade de imagem, maior o impacto sobre a placa de vídeo, o que consequentemente acaba afetando a taxa de FPS.

Por isso, o ideal é sempre encontrar um meio-termo entre qualidade de imagem e taxa de quadros por segundo para ter uma experiência fluida e satisfatória. Dessa forma, você mesmo conseguirá avaliar se o desempenho da sua máquina está satisfatório com base no seguinte:

  • Abaixo de 30 FPS: experiência de gameplay muito limitada, indicando que sua GPU não consegue lidar com o jogo; é o cenário a ser evitado;
  • Entre 30 e 40 FPS: experiência de gameplay tolerável, embora muito provavelmente você veja stuttering em momentos de maior ação ou complexidade;
  • Entre 40 e 60 FPS: boa experiência de gameplay, com imagens fluidas e de qualidade; é o que você sempre deve procurar;
  • Acima de 60 FPS: a melhor experiência possível, indicando que provavelmente você tem uma placa de vídeo monstruosa.

Com isso explicado, vale reforçar que o objetivo não é avaliar qualidade de imagem, já que esta é uma análise de processador e não de GPU. Por isso o foco é medir o impacto que Ryzen 7 5800X tem sobre a fluidez e experiência de gameplay. Para cumprir com isso, todos os jogos foram executados em Full HD e não em Quad HD ou 4K para que a placa de vídeo trabalhe mais sossegada, com "folga", e a CPU se torne um possível gargalo de desempenho. Além disso, essa avaliação foi feita nos dois extremos de cada jogo: com os ajustes gráficos no mínimo e no máximo. Dessa forma, podemos ter uma boa noção de como o novo processador da AMD se sai.

Agora vamos aos resultados!

Assassin's Creed Valhalla

Um dos primeiros títulos da "nova geração" de videogames, Assassin's Creed Valhalla utiliza DirectX 12 e, com seu mundo aberto e gráficos ultrarrealistas, é capaz de levar tanto GPU quanto CPU ao extremo, sendo um excelente indicador de quanto rojão esses componentes aguentam.

No jogo da Ubisoft, o desempenho do Ryzen 7 5800X foi idêntico ao do Ryzen 5 5600X: ambos cravados em 200 FPS nas especificações em baixa e muito próximos nas configurações máximas, com 136 FPS e 134 FPS, respectivamente. Curiosamente, este é o único cenário em que o Core i7-10700K tem mais vantagem em relação ao processador da AMD. Ainda assim, essa vantagem é pouca, de apenas 5%.

Assassin's Creed Valhalla
Assassin's Creed Valhalla
Assassin's Creed Valhalla "judia" do processador devido aos gráficos realistas e vasto mundo aberto. Chama atenção o fato de a arquitetura Zen 3 não fazer tanta diferença assim para o jogo, que parece mais sedento por clock (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Leia também: Análise | Assassin’s Creed Valhalla traz melhorias e fica acima da média

Far Cry 5

Único jogo da nossa bateria de testes que ainda utiliza DirectX 11, Far Cry 5 continua sendo utilizado por aqui justamente para isso: checar o quão bem os novos componentes lidam com a versão anterior da API. Embora não exija tanto assim da CPU e da GPU quanto os jogos mais atuais, o game de tiro em primeira pessoa da Ubisoft ainda é um bom parâmetro de desempenho pelo mapa vasto e cenários com bastante vegetação e água, que exigem bastante cálculo de física para simular seu comportamento.

Diferentemente do caso anterior, neste jogo o Ryzen 7 5800X ultrapassou o processador da Intel e entregou mais desempenho, marcando 180 FPS e 144 FPS nas especificações baixa e ultra. Apesar disso, esses números ficaram próximos dos registrados pelo Ryzen 5 5600X (171 FPS e 139 FPS) e pelo Core i7-10700K (169 FPS e 140 FPS).

Rodando Far Cry 5, que emprega o DirectX 11, processador intermediário da AMD consegue se
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Rodando Far Cry 5, que emprega o DirectX 11, processador intermediário da AMD consegue se
Rodando Far Cry 5, que emprega o DirectX 11, processador intermediário da AMD consegue se "desgarrar" mais de seu irmão menor e ultrapassar principal concorrente (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Leia também: Análise | Progressão livre e melhorias fazem de Far Cry 5 o melhor da série

Forza Horizon 4

Forza Horizon 4 é conhecido por rodar muito bem até mesmo nos setups mais modestos, cortesia da excelente implementação do DirectX 12 feito pela Microsoft. Justamente por isso, o jogo registra taxas altíssimas de quadros por segundo, deixando os componentes trabalharem com alguma folga mesmo com as configurações setadas no máximo.

Por isso, a expectativa aqui era de que os dois núcleos a mais do Ryzen 7 5800X fizessem uma boa diferença em relação ao 5600X e o processador tivesse uma margem maior de desempenho. Em vez disso, a diferença foi de apenas 4,68% em relação ao Ryzen mais modesto. Já no comparativo com o Core i7-10700K, o vantagem foi de até 46 FPS, ou 17,23%.

Dois núcleos a mais não fizeram muita diferença para o Ryzen 7 5800X em Forza Horizon 4 no comparativo com o 5600X, mas CPU disparou em relação ao concorrente
Dois núcleos a mais não fizeram muita diferença para o Ryzen 7 5800X em Forza Horizon 4 no comparativo com o 5600X, mas CPU disparou em relação ao concorrente
Dois núcleos a mais não fizeram muita diferença para o Ryzen 7 5800X em Forza Horizon 4 no comparativo com o 5600X, mas CPU disparou em relação ao concorrente (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Leia também: Análise | Forza Horizon 4 tem melhor experiência para jogadores de todo nível

Gears 5

Outro jogo que implementa muito bem o DirectX 12, Gears 5 puxa bastante do processador pela grande quantidade de partículas que aparecem na tela simultaneamente — de chamas saindo dos canos das armas a construções desmoronando diante dos personagens, tem de tudo um muito aqui. Por isso o jogo é um bom indicador de quão bem um processador se sai, mesmo que o cenário exigente ocorra diante de uma implementação "limpa".

Aqui chamo a atenção para algo que já falei sobre este modelo da AMD: sua inconsistência. Se por um lado, com as configurações setadas no mínimo, o processador é o que mais entrega desempenho (incríveis 279 FPS), por outro, com tudo setado no máximo, cai para a terceira colocação, marcando 159 FPS. É seguro dizer que, neste caso, Gears 5 tira melhor proveito das altas frequências das CPUs da Intel em vez das melhorias promovidas pela Zen 3.

Para além disso, cabe uma segunda observação interessante: como Ryzen 7 5800X fica a frente do 9 5900X. Esse é um bom exemplo de como o Infinity Fabric, ainda utilizado no modelo topo de linha para fazer os dois "pacotes de núcleos" conversarem entre si, pode impactar negativamente o desempenho de um jogo.

Gears 5 é o primeiro cenário de instabilidade do Ryzen 7 5800X: em baixa, oito núcleos trabalham bem e desempenho dispara; em ultra, performance fica aquém da concorrência
Gears 5 é o primeiro cenário de instabilidade do Ryzen 7 5800X: em baixa, oito núcleos trabalham bem e desempenho dispara; em ultra, performance fica aquém da concorrência
Gears 5 é o primeiro cenário de instabilidade do Ryzen 7 5800X: em baixa, oito núcleos trabalham bem e desempenho dispara; em ultra, performance fica aquém da concorrência (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Leia também: Análise | Gears 5 é visceral, intenso e esplendoroso

Metro Exodus

Um dos títulos mais pesados da atualidade, Metro Exodus pesa a mão em tudo que tem direito e chega a torcer até mesmo as mais poderosas placas de vídeo da atualidade dependendo das configurações que o jogador define. Prova disso são os resultados praticamente uniformes obtidos com os gráficos setados no máximo durante os testes.

Independentemente das definições setadas pelo jogador, o cenário é bastante semelhante ao visto em Gears 5. Com as configurações mais baixas, o Ryzen 7 5800X dispara na frente de todos os outros processadores; nas configurações máximas, despenca e empata com o 5600X.

Cenário semelhante ao de Gears 5 acontece com o Ryzen 7 5800X rodando o superexigente Metro Exodus
Cenário semelhante ao de Gears 5 acontece com o Ryzen 7 5800X rodando o superexigente Metro Exodus
Cenário semelhante ao de Gears 5 acontece com o Ryzen 7 5800X rodando o superexigente Metro Exodus (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Shadow of the Tomb Raider

Para fechar nossa rodada de testes em jogos, Shadow of the Tomb Raider. Apesar de lançado em 2018, o último jogo da trilogia de reboot da história de Lara Croft foi atualizado há algum tempo para suportar DirectX 12 e ray-tracing, conferindo ainda mais realidade aos seus cenários vastos e ricos em detalhes.

Aqui, tudo dentro do que é considerado normal: Ryzen 7 5800X posicionado entre o 5900X e 5600X, se sobressaindo em relação tanto ao Core i7-10700K quanto o Core i9-10900K nos dois cenários de configurações.

Em Shadow of the Tomb Raider, desempenho do Ryzen 7 5800X é dentro da normalidade, com o processador ocupando posição intermediária e ficando à frente de seu principal rival
Em Shadow of the Tomb Raider, desempenho do Ryzen 7 5800X é dentro da normalidade, com o processador ocupando posição intermediária e ficando à frente de seu principal rival
Em Shadow of the Tomb Raider, desempenho do Ryzen 7 5800X é dentro da normalidade, mas muito próximo do irmão menor (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Leia também: Análise | Shadow of the Tomb Raider encerra série de reboot com erros e acertos

Ryzen 7 5800X: Vale a pena?

Depois dessa longa caminhada, chegamos à pergunta de ouro: afinal de contas, vale a pena comprar um Ryzen 7 5800X? A resposta curta e grossa não é exatamente o que você gostaria de ouvir, pois depende. Vamos lá.

O processador se aproveita de todas as melhorias implementadas pela nova microarquitetura Zen 3 e trabalha muito bem tanto em rotinas mais leves, que demandam apenas um núcleo, quanto em rotinas extremamente pesadas. Além disso, os oito núcleos e 16 threads fazem um bem danado a quem precisa de mais poder de processamento para renderizar um vídeo ou uma cena em 3D, por exemplo.

O problema é que o Ryzen 7 5800X não consegue sustentar esse nível de performance em aplicações de produtividade e do cotidiano. É bem verdade que na maioria dos casos ele figura à frente do irmão menor e do concorrente direto, mas faz isso sem impressionar — é meio que só o "feijão com o arroz" ou "não fez mais que sua obrigação". Isso quando não tropeça e chega a ficar tecnicamente empatado até com o Core i7-9700K. É uma inconsistência que pode preocupar os mais puristas e aficionados por métricas, então fica aí a ressalva.

Em menor grau, também senti essa inconsistência nos games. Em pelo menos dois cenários bem específicos, o processador intermediário da AMD teve uma queda sensível de performance e chegou a ficar atrás do concorrente, com microarquitetura datada e litografia de 14nm. Já em relação ao Ryzen 5 5600X, a verdade é que os ganhos de desempenho são muito, mas muito discretos. E é aqui que a gente tem que parar para falar de preço.

Na gringa, toda a família Ryzen 5000 foi lançada com um ajuste de preço de US$ 50. O Ryzen 5 5600X saiu da faixa dos US$ 250 e foi para US$ 300, enquanto o Ryzen 7 5800X saiu dos US$ 400 e foi para os US$ 450. Por aqui, esses preços foram "traduzidos" para R$ 2.400 e R$ 2.900, respectivamente. Ou seja, no Brasil, você tem de investir R$ 500 (20,83% a mais) dentro da família de novos processadores da AMD se quiser ter mais dois núcleos, mais quatro threads e mais desempenho. Mas será que vale a pena?

No que diz respeito a jogos, nem tanto. Para explicar melhor isso, preparei a tabela de custo-benefício abaixo. Nela, você encontra o preço médio à vista de cada um dos principais processadores utilizados neste review e uma média simples dos FPS alcançados nos testes de jogos em configuração stock — ou seja, soma tudo e divide por 12, a quantidade de testes.

Depois, peguei o preço de cada processador e dividi por sua média de FPS para obter o custo por FPS. Dessa forma, temos a noção exata de quanto estamos pagando por cada quadro por segundo considerando apenas o processador. Ou seja: estou levando em conta que você está satisfeito com sua placa-mãe com soquete AM4 e/ou, de alguma forma, não vai precisar gastar dinheiro para comprar uma nova placa com soquete LGA-1200 para usar um Intel de 10ª geração.

Custo-benefício
Ryzen 7 5800X Ryzen 5 5600X Core i7-10700K Core i9-10900K
Média FPS 203 197 190 186,75
Diferença -2,96% -6,40% -8,00%
Preço R$ 2.900 R$ 2.400 R$ 2.550 R$ 3.999
Diferença -17,24% -12,07% +37,90%
Preço por FPS R$ 14,28 R$ 12,18 R$ 13,42 R$ 21,36
Diferença -14,71% -6,02% +49,58%

Perceba que o custo por FPS do Ryzen 7 5800X é apenas o terceiro mais em conta da lista, ficando atrás do Ryzen 5 5600X — disparado o melhor custo-benefício — e até do Core i7-10700K, que tem um custo por FPS condizente com sua diferença de desempenho, na casa dos 6% para menos. Assim, pelo menos em matéria de jogo, o Core i7-10700K pode ser uma boa opção para quem não quer gastar tanto assim e não se importa em perder um tequinho de desempenho — isso, claro, como já falei antes, considerando que você não terá de comprar uma placa-mãe nova; do contrário, não valeria a pena. O Core i9-10900K é o ponto fora da curva, com custo por FPS 50% superior para entregar 8% menos desempenho.

Agora observe bem o Ryzen 5 5600: o processador de entrada da nova família da AMD entrega desempenho apenas 3% inferior, mas isso se reflete em uma economia de 17,24% no preço total e de 14,71% no custo por FPS. Considerando que você não precisará comprar uma nova placa-mãe e que o modelo vem acompanhado de um cooler na caixa, fica evidente qual a maior desvantagem do Ryzen 7 5800X: seu preço.

Dito isso, agora você entende a afirmação que fiz no começo deste review: o Ryzen 7 5800X não chega a ser tão surpreendente assim. Ele é um excelente processador, entregando números condizentes para a proposta de um produto desta categoria, sobretudo quando avaliamos seu desempenho em renderização de vídeos, edição de imagens e afins. Contudo, nos jogos os ganhos não são tão notáveis assim e os R$ 500 a mais pesam no bolso e poderiam ser utilizados para comprar um sistema de arrefecimento mais robusto para um 5 5600X, por exemplo.

No fim das contas, o Ryzen 7 5800X só parece atraente para quem realmente precisa de mais núcleos e threads para executar suas tarefas. Do contrário, ele não consegue decolar por causa do preço.

*Agradecimento especial à Gigabyte por enviar a X570 Gaming X para a realização desta análise.

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