Do Mi 3 ao Mi 11: Xiaomi vai do flagship barato a um rival de peso às gigantes

Do Mi 3 ao Mi 11: Xiaomi vai do flagship barato a um rival de peso às gigantes

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 21 de Março de 2021 às 17h00
Reprodução/Xiaomi

Apesar de ainda lançar um bom número de celulares focados no custo-benefício, com uma grande leva prestes a estrear nos próximos dias, a Xiaomi atualmente já consegue se posicionar entre as gigantes do mercado com modelos premium.

Seu mais recente lançamento no segmento de topos de linha, o Mi 11, foi o primeiro do mercado a vir equipado com o novo e poderoso Snapdragon 888, trazendo ainda uma série de recursos dignos dos melhores celulares, como tela AMOLED Quad HD+ com taxa de atualização de 120 Hz e bordas curvas em todos os lados, sistema de áudio estéreo otimizado pela Harman Kardon e carregamento rápido de 55 W.

Esse nem sempre foi o caso, no entanto. No início de sua participação no mercado de flagships, a gigante chinesa prezava pelo custo-benefício acima de tudo, empregando configurações de topo de linha em um conjunto mais básico. Para relembrar essa transformação, o Canaltech reuniu neste artigo a jornada percorrida pela Xiaomi desde seu primeiro flagship moderno, o Mi 3, até o recente e poderoso Mi 11. Confira:

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Mi 3: a estreia com Qualcomm e Nvidia

O Xiaomi Mi 3 chegou ao mercado em versões com Snadragon 800 e Nvidia Tegra 4 (Imagem: Manik K/Flickr)

Em setembro de 2013, ainda desconhecida no mercado mundial, a Xiaomi anunciou o Mi 3, primeiro modelo da linha Mi a contar com especificações de topo de linha. O aparelho contava com o novo Snapdragon 800, que prometia oferecer um novo nível de desempenho aos smartphones, 50% superior ao da família Snapdragon 600, com seus quatro núcleos baseados na litografia de 28 nm rodando a até 2,3 GHz.

Outras especificações incluíam 2 GB de RAM, tela 16:9 de 5 polegadas com resolução Full HD de 1920 x 1080 pixels, 16 GB ou 64 GB de armazenamento, câmera de 13 MP com suporte a HDR e gravação em 1080P a 30 FPS e uma bateria generosa para a época de 3.050 mAh, com carregamento rápido de 18 W.

Em software, temos a MIUI 5, interface proprietária da empresa rodando sobre o Android 4.3 Jelly Bean. O aparelho foi atualizado até 2016, sendo o primeiro modelo da empresa a receber o Android 6.0.1 Marshmallow sob a MIUI 9. A China recebeu ainda uma versão exclusiva do Mi 3 que substituía o Snapdragon 800 por um Nvidia Tegra 4, de 4 núcleos a 1,8 GHz. A versão com chipset do time verde não vingou e acabou abandonado no Android 4.4.4 Kit Kat, ainda que tenha recebido a MIUI 9.

Mi 4: Snapdragon assume e intermediários retornam

Com visual mais refinado e Snapdragon 801, o Xiaomi Mi 4 chegou em julho de 2014 (Imagem: Thomas Nilsson/Flickr)

Em julho de 2014, a Xiaomi trouxe ao mercado o Mi 4, abandonando os chips Nvidia para dar espaço aos processadores Snapdragon. O aparelho chegou trazendo o Snapdragon 801, versão revisada do 800 com clocks ligeiramente mais altos na CPU e na GPU, e foi vendido como "o celular mais rápido do mundo". Acompanhavam o processador 2 GB ou 3 GB de RAM, 16 GB ou 64 GB de armazenamento, tela IPS LCD de 5 polegadas com resolução Full HD de 1920 x 1080 pixels, câmera principal de 13 MP, frontal de 5 MP e bateria de 3.080 mAh.

Destaque também para o upgrade na construção, que substituiu o corpo de plástico puro por uma traseira em plástico com bordas em alumínio, conferindo um visual mais premium e refinado ao Mi 4. O dispositivo saiu de fábrica com Android 4.4.2 Kit Kat sob a MIUI 5, e foi atualizado até o Android 6.0.1 Marshmallow, com MIUI 10 na China e MIUI 9 no restante do mundo.

O Mi 4 chegou a receber duas versões mais poderosas: o Mi 4c, que trouxe Snapdragon 808, reduziu o armazenamento para até 32 GB e veio com Android 5.1.1 Lollipop sob a MIUI 7 de fábrica; além do Mi 4s, que aumentou a bateria para 3.260 mAh e adicionou a possibilidade de expandir o armazenamento com um cartão MicroSD. Houve ainda o retorno da linha Mi aos intermediários com a chegada do Mi 4i em 2015, equipado com um Snapdragon 615 e 2 GB de RAM.

Mi 5: inúmeras versões e a estreia do Android One

O Xiaomi Mi 5 chegou junto ao Mi 4S trazendo o retorno da Qualcomm aos quad-cores (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Topo de linha da empresa para 2016, o Xiaomi Mi 5 chegou em meio a uma situação curiosa, junto ao Mi 4S. A estratégia pode se justificar pela catástrofe do Snapdragon 810, o primeiro chip de oito núcleos da Qualcomm que sofria com graves problemas de superaquecimento. O Mi 5 trouxe o Snapdragon 820, que voltou aos quatro núcleos, bem como 3 GB ou 4 GB de RAM, 32GB, 64 GB ou 128 GB de armazenamento, bateria de 3.000 mAh

No design, grandes mudanças: seu corpo agora é construído em vidro curvado na traseira, adornado por bordas de alumínio em um visual chamado pela Xiaomi de 3D Glass Body. Também foram abandonados os botões capacitivos de navegação, em favor dos virtuais disponibilizados pelo Android 6.0.1 Marshmallow sob a MIUI. O Mi 5 foi atualizado até o Android 8.0 Oreo, com a MIUI 10.

Essa geração marca o lançamento de inúmeras versões, estando entre elas o Mi 5s, com Snapdragon 821, a versão revisada do 820, câmera de 12 MP e um aumento na bateria, que passou para 3.200 mAh; e o Mi 5s Plus, modelo mais parrudo do 5S que recebeu até 6 GB de RAM, câmera dupla de 13 MP e bateria de 3.800 mAh.

Entre os intermediários, tivemos o Mi 5c, que trouxe o Surge S1, primeiro e até o momento único chipset desenvolvido pela Xiaomi, além do Mi 5X, com Snapdragon 625, e o popular Mi A1, estreia da chinesa no programa Android One com hardware baseado no 5X.

Mi 6: apenas um modelo com hardware de respeito

O Mi 6 chegou em versão única com certificação IP64 e a remoção do conector P2 (Imagem: Reprodução/Xiaomi)

Para 2017, a Xiaomi voltou ao básico com apenas um modelo topo de linha, o Xiaomi Mi 6. O aparelho trouxe excelentes especificações para a época, com Snapdragon 835, o retorno da Qualcomm aos oito núcleos, além de 4 GB ou 6 GB de RAM, 64 GB ou 128 GB de armazenamento, tela IPS LCD de 6,15 polegadas Full HD, câmera dupla de 12 MP, frontal de 8 MP e bateria de 3.350 mAh, maior que a de alguns de seus maiores rivais.

Além de um design ainda mais premium, com uma variante equipada com traseira de cerâmica, o Mi 6 trouxe a primeira certificação IP64 de resistência a respingos de água e poeira da linha. Um ponto negativo, no entanto, foi a retirada do conector P2 para fones de ouvido, mais uma das tendências iniciadas pela Apple. Destaque ainda para o sistema de áudio estéreo, que utilizava o speaker de chamadas como uma segunda caixa de som. Em software, o Mi 6 saiu de fábrica com Android 7.1 Nougat sob a MIUI 8, sendo atualizado até o Android 9 Pie, com a MIUI 11.

Entre os intermediários, tivemos o Mi 6X, com o mais robusto Snapdragon 660 e que, assim como seu antecessor, também serviu de base para o Mi A2, novo modelo integrante do programa Android One. Fora isso, um Mi A2 Lite, com o mesmo Snapdragon 625 do Mi A1, foi lançado focando ainda mais na acessibilidade.

Mi 8: a comemoração dos 8 anos da Xiaomi e o entalhe

Comemorando 8 anos da Xiaomi, o Mi 8 Explorer Edition chegou com visual bastante distinto (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Em 2018, a Xiaomi decide pular o número sete com o lançamento do Xiaomi Mi 8, em comemoração aos seus 8 anos de existência. O topo de linha chegou ao mercado em junho equipado com um Snapdragon 845, 6 GB de RAM, até 256 GB de armazenamento, câmera dupla de 12 MP, frontal de 20 MP e bateria de 3.400 mAh. Uma edição especial, a Explorer Edition, foi lançada com traseira transparente com uma placa-mãe de enfeite à mostra e aumento de RAM para 8 GB, mas seu armazenamento era limitado a 128 GB e sua bateria foi reduzida a 3.000 mAh.

Foi lançado ainda o Mi 8 Pro, que basicamente aumenta a RAM para 8 GB e segue a Explorer Edition ao ter sua bateria reduzida para 3.000 mAh. As três versões contam com o mesmo design premium em vidro e metal, e aderem a mais uma das tendências inauguradas pela Apple: o entalhe no topo da tela, que abriga sensor infravermelho para biometria facial. Por sinal, o painel é um dos maiores destaques, sendo o primeiro AMOLED da linha, e o primeiro com proporção 18,5:9 com resolução Full HD+.

Os três modelos foram lançados com Android 8.1 Oreo sob a MIUI 10, e foram atualizados para o Android 10 com a recente MIUI 12. Entre os intermediários, temos duas novidades: o Mi 8 Lite, com Snapdragon 660, e o Mi 8 SE, um dos primeiros modelos do mercado a contar com um chipset da nova família Snapdragon 700 da Qualcomm, o Snapdragon 710.

Mi 9: primeiro flagship da marca oficialmente no Brasil

O Mi 9 marcou o retorno da Xiaomi ao Brasil, sendo o primeiro flagship a estrear oficialmente no país (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Para 2019, a Xiaomi apresenta o Mi 9, que marca o retorno das inúmeras variantes, além de seu próprio retorno ao Brasil, sendo o Mi 9 seu primeiro topo de linha a chegar oficialmente ao país. O dispositivo chegou equipado com um Snapdragon 855, 6 GB ou 8 GB de RAM, 64 GB ou 128 GB de armazenamento, tela AMOLED Full HD+ de 6,39 polegadas, câmera tripla com sensor principal de 48 MP, ultrawide de 16 MP e telefoto de 12MP, frontal de 20 MP e bateria de 3.300 mAh. A variante Explorer Edition retorna, desta vez apenas aumentando a RAM para 12 GB e o armazenamento para 256 GB.

Meses depois, a Xiaomi traz ao mercado o Mi 9T Pro, que muda radicalmente o visual ao trazer a primeira câmera pop-up da linha e tela sem interrupções. As especificações são muito semelhantes ao do Mi 9 tradicional, com exceção das câmeras, agora arranjadas na configuração de 48 MP + 13 MP + 8 MP, da bateria que aumentou para 4.000 mAh e da nova opção de armazenamento extra de 256 GB.

Encerrando os lançamentos high-end da família Mi 9, a gigante chinesa apresentou ainda o Mi 9 Pro, primeiro da linha Mi com suporte ao 5G. O visual e parte das especificações se mantiveram idênticos, mas temos agora Snapdragon 855+, até 12 GB de RAM, até 512 GB de armazenamento e bateria mais generosa de 4.000 mAh.

Entre os intermediários, temos o Mi 9 SE, com Snapdragon 712; o Mi 9T, com Snapdragon 730G, lançado em alguns mercados como Redmi K30; o Mi CC9, ou Mi 9 Lite no mercado global, com Snapdragon 710; o Mi CC9 Pro, com Snapdragon 730; e o Mi CC9e, com Snapdragon 665. Menção honrosa também para o controverso Mi A3, baseado no CC9e, que marcou o fim da participação da Xiaomi no programa Android One após inúmeras polêmicas por problemas de atualização.

Mi 10: 108 MP e tela de 90 Hz

O Mi 10 tem como destaques a câmera de 108 MP e a tela AMOLED de 90 Hz (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Marcando os 10 anos da Xiaomi, o Mi 10 chega ao mercado em fevereiro de 2020 oferecendo uma série de novidades e recursos únicos. O dispositivo é equipado com um Snapdragon 865 5G, 8 GB ou 12 GB de RAM, 128 GB ou 256 GB de armazenamento, tela AMOLED de 6,97 polegadas com 90 Hz, conjunto de quatro câmeras com um enorme sensor principal de 108 MP, ultrawide de 13 MP, macro de 2 MP e sensor de profundidade de 2 MP, frontal de 20 MP, além de bateria de 4.780 mAh com carregamento rápido de 30 W e Android 10 sob a MIUI 11.

A fabricante revelou ainda o Mi 10 Pro, que compartilhava de boa parte das especificações do Mi 10, tendo como diferenciais as opções de armazenamento de 256 GB ou 512 GB, um novo conjunto de câmeras com sensor principal de 108 MP, ultrawide de 20 MP, telefoto de 12 MP e um segundo telefoto de 8 MP com zoom óptico de 3,7x e híbrido de 5x, bem como uma redução na capacidade de bateria para 4.500 mAh.

Com exclusividade na China, a Xiaomi também anunciou o Mi 10 Ultra, modelo comemorativo do aniversário da empresa. O hardware segue sendo semelhante ao do Mi 10 e Mi 10 Pro, mas há mudanças pontuais de maior impacto: a tela agora atinge os 120 Hz pela primeira vez na linha Mi, a capacidade de RAM atinge os 16 GB, algo raro no mercado, e as câmeras são modificadas novamente, contando agora com sensor principal de 48 MP, lente periscópio de 48 MP com zoom óptico de 5x e híbrido de 120x, telefoto de 12 MP e ultrawide de 20 MP.

As variantes "T" da linha Mi receberam novas versões com o Mi 10T e 10T Pro. A versão padrão conta com chipset Snapdragon 865, 6 GB ou 8 GB de RAM, 128 GB de armazenamento, conjunto de câmeras com sensor principal de 64 MP, ultrawide de 13 MP e macro de 5 MP, frontal de 20 MP e bateria de 5.000 mAh. A variante Pro se diferencia pelo uso de sensor principal de 108 MP, opção extra de armazenamento de 256 GB e opção única de 8 GB de RAM.

Curiosamente, em março de 2021, a Xiaomi lança o Mi 10S, novo modelo que promete oferecer desempenho de topo de linha a preços mais acessíveis. O aparelho acaba sendo o mais poderoso da linha Mi 10, contando com o novo Snapdragon 870 5G, uma versão turbinada do Snapdragon 865+.

Há ainda tela AMOLED de 6,67 polegadas Full HD+ com taxa de atualização de 90 Hz, 8 GB ou 12 GB de RAM, 128 GB ou 256 GB de armazenamento, bateria de 4.780 mAh e um conjunto de quatro câmeras com sensor principal de 108 MP, ultrawide de 13 MP, macro de 2 MP, sensor de profundidade de 2 MP e frontal de 20 MP.

No segmento intermediário, a gigante chinesa revelou o Mi 10 Lite, ou Mi 10 Youth em alguns mercados, com Snapdragon 765G, além do Mi 10T Lite, ou Mi 10i, com Snapdragon 750G.

Mi 11: primeiro do mundo com Snapdragon 888

Mais recente flagship da marca, o Xiaomi Mi 11 foi o primeiro smartphone com Snapdragon 888 (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Na sugestiva data de 1.º de janeiro de 2021, a Xiaomi oficializou o Xiaomi Mi 11, seu mais recente topo de linha e o primeiro aparelho do mundo a contar com o poderoso Snapdragon 888 5G. O dispositivo traz especificações robustas e oferece o que há de melhor no mercado, com tela AMOLED de 6,81 polegadas Quad HD+ com taxa de atualização de 120 Hz, até 12 GB de RAM, até 256 GB de armazenamento, conjunto triplo de câmeras com sensor principal de 108 MP, ultrawide de 13 MP e macro de 5 MP, além de bateria de 4.600 mAh.

Outros destaques incluem ainda o design premium com curvatura nas quatro bordas da tela, carregamento rápido de 55 W e sem fio de 50 W, áudio estéreo otimizado pela Harman Kardon e Android 11 sob a MIUI 12. Pela terceira vez, a Xiaomi segue uma tendência incentivada pela Apple ao remover o carregador da caixa. Até o momento, o Mi 11 é o único integrante da nova família de topos de linha, mas rumores indicam que essa situação deve mudar em breve, já nas próximas semanas.

Mi 11 Pro, Mi 11 Ultra, Mi 11 Lite...

Segundo rumores e vazamentos, a Xiaomi se prepara agora para lançar o Mi 11 Pro e o Mi 11 Ultra, variantes do Mi 11 com algumas mudanças interessantes. A maior parte do hardware deve ser mantida, mas teremos como novidades a câmera principal de 50 MP e a câmera telefoto de 48 MP com zoom de óptico de 5x e híbrido de 50x no modelo Pro e de 120x na versão Ultra. O Mi 11 Ultra possivelmente adicionaria ainda uma tela secundária colorida na traseira.

A Xiaomi deve lançar em breve o Mi 11 Pro, o Mi 11 Ultra (foto) e o Mi 11 Lite (Imagem: Reprodução/Tech Buff PH)

Menção honrosa também para o Mi 11 Lite, intermediário da linha que compartilha do visual do Mi 11, mas que deve oferecer variante 5G com Snapdragon 765G, ou mesmo estrear o ainda não anunciado Snapdragon 775, e versão 4G com Snapdragon 732G no processamento. Outros pontos de destaque incluiriam tela OLED de 6,55 polegadas e taxa de atualização de 90 Hz, 6 GB de RAM, câmera tripla de 64 MP e bateria de 4.250 mAh com carregamento rápido de 33 W.

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