Giro da Saúde: Moderna aprovada; predisposição à COVID-19; vacina contra câncer

Giro da Saúde: Moderna aprovada; predisposição à COVID-19; vacina contra câncer

Por Luciana Zaramela | 20 de Dezembro de 2020 às 08h00

Todo início de semana, aqui no Canaltech, você se informa sobre os destaques que rolaram no campo da saúde nos últimos sete dias. E como o mundo inteiro está com os olhos voltados para a vacina contra a COVID-19, o noticiário se manteve aquecido ao tratar de novidades sobre imunizantes, planos de vacinação, países que já estão aplicando doses e até mesmo regulamentações em agências responsáveis. Confira, agora, essas e outras notícias, aqui no Giro da Saúde!

Casos graves de COVID-19 podem estar relacionados a predisposição genética

O que seus genes e a COVID-19 têm a ver? Aparentemente, tudo (Imagem: Pete Linforth/Pixabay)

Uma das notícias mais quentes da semana em relação à COVID-19 veio de um estudo realizado no Reino Unido e publicado na revista Nature. Os pesquisadores envolvidos utilizaram uma amostragem de 2.200 pacientes internados com COVID-10 em mais de 200 UTIs do país em um estudo clínico-laboratorial, e avaliaram que a genética pode estar intimamente ligada com a forma como o vírus se desenvolve em cada organismo.

O que acontece é que os genes fornecem instruções ao organismo para que este, finalmente, saiba como reagir a um antígeno/patógeno — no caso, o SARS-CoV-2. Assim sendo, os pesquisadores analisaram minuciosamente o DNA dos pacientes para comparar com a genética de pessoas saudáveis. Como resultado, eles encontraram, por exemplo, diferenças no gene TYK2, que faz parte de um sistema que provoca certa irritação e exacerba a reação inflamatória das células imunológicas. Caso o gene entre em exaustão, o paciente corre mais riscos de desenvolver inflamação pulmonar grave. Bingo!

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Outro gene, aliás, chamado IFNAR2, está intimamente ligado ao interferon (molécula antiviral presente em nosso organismo). É o interferon que atua na linha de defesa, junto com linfócitos T e imunoglobulinas, para agir assim que uma infecção viral é detectada. Segundo estudos passados, a produção de pouco interferon pode fazer com que o vírus se replique rapidamente, levando o paciente a um quadro mais grave da COVID-19. Ainda vale dizer que a doença provocada pelo coronavírus já foi relacionada a casos de mutações genéticas e um distúrbio autoimune que acaba afetando a produção da molécula.

Segundo Kenneth Baillie, líder do trabalho científico, já existe um anti-inflamatório capaz de ajudar o organismo. Trata-se do Baricitnib, um remédio já utilizado para artrite reumatoide e que pode auxiliar no mecanismo de defesa do corpo humano frente ao coronavírus. "Esse remédio pode ser um candidato plausível a novos tratamentos. Porém, claro, precisamos fazer mais testes clínicos e em grande escala para descobrir se isso é verdade ou não", pondera o pesquisador. Outra "saída" que vem sendo estudada pela comunidade científica é elevar a quantidade de interferon no sangue circulante, administrando a molécula em forma de medicamentos.

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Nova variante do coronavírus é descoberta; devemos nos preocupar?

Pesquisadores descobrem nova cepa do SARS-CoV-2, provavelmente mais "contaminante" (Imagem: Hwang Mangjoo/Rawpixel)

Também no Reino Unido, na última semana, uma nova cepa do SARS-CoV-2 foi descoberta e teria sido responsável pelo aumento de casos de COVID-19 no sul da Inglaterra. Essa não é a primeira, e claramente não será a última variante do coronavírus. De acordo com o secretário de saúde do país, Matt Hancock, "uma análise inicial sugere que esta variante está crescendo mais rápido do que as [outras] variantes existentes". Porém, ele não informou nada sobre evidências de mortalidade, ou seja, se essa cepa em questão é mais letal que as anteriores.

A nova variante foi batizada de VUI - 202012/01 e carrega uma mutação na região do genoma viral que codifica a proteína espicular, da membrana do coronavírus. Talvez a nova cepa seja capaz de contaminar mais e mais rápido, entretanto, não foram encontradas evidências sobre seu potencial de causar sintomas ou quadros graves.

Mas e aí, devemos nos preocupar? Segundo a comunidade científica, ainda não. “Não há nada que sugira que os sintomas sejam diferentes, que os testes sejam diferentes ou que o resultado clínico seja diferente para esta variante” explicou o médico e responsável pelo Departamento de Saúde e Assistência Social, Chris Whitty, durante coletiva de imprensa. Completando a fala de Whitty, Alan McNally, professor da Universidade de Birmingham, divulgou em comunicado que é importante mantermos a calma e sermos razoáveis, afinal, variações são formas naturais de evolução de vírus, ou seja, já é esperado que o SARS-CoV-2 se evolua em novas cepas. "É muito cedo para ficar preocupado ou não com esta nova variante, mas estou pasmo com os esforços de vigilância no Reino Unido que permitiram que isso fosse detectado tão rapidamente", completou McNally.

Vale dizer, ainda, que mutações do coronavírus não se traduzem automaticamente em mais potência de infecção ou letalidade. Para a geneticista Emma Hodcroft, o SARS-CoV-2 está mutando lentamente e a maioria dessas mutações é inofensiva — elas ocorrem em cerca de uma a duas vezes por mês no mundo todo.

Saiba mais sobre a nova cepa e os esforços da comunidade científica para compreendê-la

Vacina contra câncer funciona em ratos

Deu certo em roedores, mas ainda existem limitações (Imagem: Sipa/Pixabay)

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, conseguiram criar uma forma de quimioimunoterapia eficaz para tratar tumores em ratos. Isso quer dizer que, com apenas uma injeção, os pesquisadores combinaram a quimioterapia, que tem o objetivo de matar as células cancerígenas e impedir que elas cresçam, e a imunoterapia, que tem a tarefa de mobilizar o sistema imunológico do paciente para que ele mire nas células neoplásicas, como um imunizante.

Muito embora seja algo promissor, os efeitos colaterais ainda são pesados. O tratamento ainda causa reações indesejáveis como cansaço, perda de cabelos e pelos, náusea e boca seca. No entanto, combinar quimio com imunotrapia, segundo os cientistas, pode trazer benefícios também maiores, unindo "o melhor dos dois mundos".

Vale dizer, no entanto, que a quimioimunoterapia não funcionaria para qualquer tipo de tumor maligno. "Atualmente, temos uma pequena biblioteca de antígenos para poucas linhas de células tumorais bem específicas, e é difícil prever quais podem criar uma resposta imune eficaz", conta Alex Najibi, um dos líderes do estudo. Além disso, o custo para produção da vacina é alto, além do tempo demandado para coletar antígenos de um tumor ou identificá-los pelo genoma do paciente.

Na pesquisa, um terceiro componente ainda foi acrescentado à vacina: uma sequência bacteriana sintética. Ela ajuda a melhorar a resposta imunológica do organismo, e nos ratos reduziu ainda mais o crescimento dos tumores, o que, consequentemente, elevou a expectativa de vida dos animais.

Para saber mais sobre a vacina e os desafios que os cientistas ainda precisam vencer para aprimorá-la, leia a notícia aqui.

Moderna consegue aprovação para uso emergencial nos EUA

Além da Pfizer, a Moderna também integra a lista emergencial da FDA nos EUA (Imagem: Associated Press)

Após conceder aprovação para a vacina da Pfizer, a FDA (Food and Drug Administration), agência americana que funciona como nossa Anvisa, aqui no Brasil, liberou uso emergencial para a vacina da Moderna, que também utiliza a mesma tecnologia da pioneira no país, de RNA mensageiro. De acordo com a farmacêutica, a vacina, chamada de mRNA-1273, poderá ser aplicada em indivíduos com mais de 18 anos.

Segundo a Moderna, o governo americano fez um acordo para comprar 200 milhões de doses até o momento, com possibilidade de aumentar essa quantidade para 500 milhões, com 300 milhões de doses adicionais. A empresa ainda afirmou que, até o fim de dezembro, 20 milhões de doses já serão entregues ao governo americano.

Agora, os Estados Unidos contam com dois imunizantes, mesmo que sob concessão de emergência, para uso no país. Ambos com tecnologia inovadora de RNA mensageiro. Uma grande vantagem do imunizante da Moderna está no armazenamento e transporte, já que ele precisa estar em freezers com temperatura de -20 ºC (diferente da vacina da Pfizer, que necessita de temperaturas bem mais baixas, de - 70 ºC). No entanto, com as duas no arsenal contra a COVID-19, uma boa estratégia para os Estados Unidos seria levar a da Moderna para áreas de acesso mais difícil ou com clima mais quente, e manter a da Pfizer sob os cuidados de hospitais e unidades com estrutura ideal para refrigeração.

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Butantan adia envio de resultados da CoronaVac à Anvisa

O diretor Dimas Covas e a CoronaVac, que será produzida pelo Butantan (Imagem: Reprodução/Twitter/Instituto Butantan)

Aqui no Brasil, ainda não temos nenhuma vacina aprovada, nem para uso emergencial, embora a corrida conte com três candidatas: a da AstraZeneca, parceira da Universidade de Oxford e da Fiocruz; A da Pfizer/BioNTech, já aprovada emergencialmente nos EUA; e a CoronaVac, que vem sendo produzida em parceria entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, vinculado ao estado de São Paulo.

No entanto, no decorrer da última semana, algumas coisas mudaram na estratégia do governo paulista para obter aprovação da CoronaVac: o resultado dos testes da vacina no Brasil era para ter sido enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) até esta terça-feira (15), mas foi adiado para o dia 23 de dezembro. De acordo com o governador João Doria (PSDB), o objetivo do Instituto Butantan é enviar os dados completos para solicitar o registro definitivo da vacina.

O governador ressalta que o pedido na Anvisa deve ser feito ao mesmo tempo que a apresentação do estudo conclusivo. Assim como ocorre na Anvisa, o documento também vai ser levado para a NMPA (National Medical Products Administration), instituição chinesa responsável pela regulação de medicamentos. Após aprovação, o estado repassa os insumos importados ao Butantan, que então começará a produção da CoronaVac nos laboratórios nacionais.

Quanto à formulação, a CoronaVac é composta de fragmentos inativados do coronavírus, e a imunização completa é feita em duas doses. O acordo entre o Estado de São Paulo e a Sinovac prevê 46 milhões de doses para São Paulo — sendo 6 milhões já prontas para aplicação e 40 milhões em forma de matéria-prima para produção.

Saiba mais sobre o processo da CoronaVac!

Brasil: 93,4 milhões de doses de vacina até março

Na mira do governo estão milhões de doses de vacinas, mas plano segue sem data (Imagem: Maksim Goncharenok/Pexels)

Na última quinta-feira (17), o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o Brasil deve receber o Brasil deve receber 93,4 milhões de vacinas contra a COVID-19 entre janeiro e março de 2021, durante uma sessão remota no Senado para definir normas sobre o Plano Nacional de Imunização (PNI) contra o novo coronavírus — que ainda segue sem data definida para o início.

Do total das 93,4 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19, o Ministério da Saúde espera receber 24,7 milhões em janeiro, 37,7 milhões em fevereiro e 31 milhões em março. Dentro desse coronograma, estão incluídos os seguintes imunizantes: a vacina de Oxford (cerca de 15 milhões de doses), desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido; a CoronaVac (cerca de nove milhões de doses), desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan; e a vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer com a empresa de biotecnologia alemão BioNTech (cerca de 500 mil doses).

Além de não ter data para começar, a pasta ainda tem um grande desafio: nenhuma vacina foi aprovada, mesmo que para uso emergencial, aqui no Brasil, até o momento. Além das negociações em andamento com os laboratórios responsáveis pelas três vacinas, existe ainda a chance de o país ser auxiliado pelo COVAX Facility, consórcio liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma iniciativa que permite que países-membros comprem e recebam imunizantes, conforme forem aprovados para uso, independente do desenvolvedor e com valores especiais.

"Temos dez fabricantes no consórcio e, no momento em que sair o registro de uma das dez, nós podemos optar pela compra de uma delas e vamos para 42 milhões de doses entregues. Todas essas possibilidades e números, estamos em uma vanguarda, não estamos sendo atropelados, estamos em uma vanguarda", avisou o ministro.

Entre idas e vindas: saiba mais sobre o Plano Nacional de Imunização.

A vacina contra COVID-19 que dá falsos positivos para HIV

É COVID-19 ou HIV? A confusão que levou ao cancelamento da vacina (Imagem: Reprodução/Freepik)

Algo inusitado aconteceu na Austrália, o que deixou cientistas e, principalmente, voluntários assustados durante o ensaio clínico da vacina local, desenvolvida pela Universidade de Queensland, contra COVID-19. Os resultados começaram a apontar falsos positivos para o vírus da AIDS, o HIV, o que levou o país a cancelar um plano que envolvia um pedido de cerca de US$ 750 milhões em doses da vacina.

Mesmo que a vacina experimental tenha trazido testes positivos para a prevenção da COVID-19, os resultados falsos positivos para o vírus da AIDS colocar em risco a sua confiabilidade, deixando os australianos desconfiados e contrários à vacina. Scott Morrison, primeiro-ministro do país, disse ainda que irá compensar as pessoas pela perda do acordo de 51 milhões de doses com a compra de vacinas da AstraZeneca e Novavax. "Não podemos ter qualquer problema de confiança, e nós, agora como uma nação com um bom portfólio de vacinas, somos capazes de fazer as melhores decisões para proteger a população australiana", comentou Morrison após o ocorrido.

A Austrália ainda pretende vacinar sua população em março do ano que vem, e comunicou que não será preciso solicitar uma aprovação de emergência porque o coronavírus estaria controlado por lá. Desde o início da pandemia, 908 mortes e 28 mil casos foram registrados no país.

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Brasil registra mais de mil mortes diárias pela COVID desde setembro

O que levou ao aumento dos números? (Imagem: Tumisu/Pixabay)

O Brasil passou meses registrando, diariamente, uma queda no número de óbitos relacionados à COVID-19, mas voltou a ultrapassar a marca dos mil casos em 24h na quinta-feira da semana passada (17). Pela primeira vez desde setembro, o país atingiu essa marca com 1.091 óbitos, segundo o levantamento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A última vez que isso ocorreu foi no dia 15 de setembro, com 1.090 óbitos.

O indicador mostra que a transmissão da COVID-19 segue em alta no país, mas outro motivo que justificou o elevado número de casos foi o atraso na divulgação dos dados do Estado de São Paulo. Devido a instabilidades no sistema, os dados do coronavírus não foram divulgadas na quarta-feira (16) e foram somados aos da quinta (17). No total, apenas São Paulo notificou 399 mortes e 20.303 casos na atualização.

O estado de São Paulo registra os maiores números totais da infecção respiratória desde a chegada do coronavírus em fevereiro. Agora, são 1.371.653 casos confirmados e 44.878 mortes acumuladas. Em seguida, no ranking nacional, estão os seguintes estados: Minias Gerais (488.934 casos e 11.009 mortes); Bahia (464.083 casos e 8.748 mortes); Santa Catarina (453.322 casos e 4.652 mortes); e Rio de Janeiro (402.480 casos e 24.351 mortes).

Ao todo, o Brasil conta com 7.162.978 casos confirmados e um total de 185.650 óbitos pela COVID-19. Os dados são do Painel Conass, datados do último sábado (19). Para acessar os números atualizados, clique aqui.

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Mulher sofre reação séria ao receber vacina da Pfizer

Reações são incomuns ou raras, mas acontecem (Imagem: Anna Shvets/Pexels)

Reações alérgicas, anafiláticas ou hipersensibilidade a componentes de imunizantes e fármacos, em geral, podem ocorrer, embora sejam incomuns e até mesmo raras. No entanto, nesta semana, aconteceu no Alasca algo inesperado: uma profissional de saúde apresentou uma reção alérgica grave na última terça-feira (15), após receber uma dose da vacina da Pfizer/BioNTech. Cerca de 10 minutos após a aplicação, ela sofreu com falta de ar e vermelhidão.

A profissional teve sua identidade preservada, e o que sabemos é que ela é de meia-idade e não tem histórico de alergias. Ela precisou ser internada para receber o tratamento adequado, mas já passa bem. Na semana anterior, outros dois casos de reação alérgica à vacina conta a COVID-19 da Pfizer/BioNTech foram revelados no Reino Unido.

É possível que a reação da mulher do Alasca à vacina seja semelhante aos dois casos britânicos, apesar de que, em um deles, de uma mulher de 49 anos, havia o histórico de alergia a ovo. No outro, uma mulher de 40 apresentava histórico de hipersensibilidade a diferentes medicamentos. A Pfizer, no entanto, diz que não há derivados de ovo nos ingredientes da fórmula, mas, mesmo assim, vem trabalhando junto às autoridades de saúde para entender o que aconteceu.

O pedido das agências reguladoras é que pessoas com histórico de alergias ou hipersensibilidade a alimentos e medicamentos não tomem, ainda, o imunizante. Pacientes com histórico de anafilaxia também devem evitar a vacinação.

A história completa você lê aqui.

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