Neurocientistas simulam alucinações em laboratório para desenvolver tratamentos

Neurocientistas simulam alucinações em laboratório para desenvolver tratamentos

Por Natalie Rosa | 18 de Dezembro de 2020 às 14h00
Gerd Altmann/Pixabay

Para estudar melhor a alucinação patológica e descobrir a melhor forma de tratamento, neurocientistas cognitivos decidiram optar pela indução da percepção em laboratório. Com o estímulo visual induzido, os especialistas acreditam ser menos angustiante para o paciente que passará pelo teste do que analisar como acontece em pessoas que sofrem de transtornos mentais, como a esquizofrenia, por exemplo.

"Isso pode ajudar a conter o excesso atual de confiança no estudo de alucinações patológicas, reduzindo a carga que é colocada em cima dos pacientes e simplificando o recrutamento e a logística de testes", diz o estudo.

Quando se fala em alucinações, pessoas que nunca passaram pela experiência podem imaginar como sendo algo completamente visual e realista, como objetos, pessoas ou animais, o que é classificado como alucinação complexa. Porém, uma alucinação também pode ser a visualização de formas geométricas ou cores, que é conhecida como alucinação simples, mais fácil de ser reproduzida em laboratório.

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Imagem: Reprodução/Mikegi/Pixabay

Joel Pearson, professor e principal autor do estudo, conta que a sua equipe já havia mostrado, em 2016, que é possível induzir as alucinações de forma confiável e segura com o uso de tipos diferentes de luzes piscantes. Os pesquisadores usaram uma luz branca em forma de anel, com fundo preto, e conseguiram induzir alucinações com pequenas manchas escuras que se formavam em torno do objeto.

"Mas essas alucinações cintilantes são apenas a ponta do iceberg. Existem muitas outras técnicas para a indução de alucinações que são similares às patológicas na questão da experiência e de processos neurais subjacentes", explica Pearson. O especialista diz ainda que a pesquisa mostra o quanto é difícil separar alucinações de ilusões e da percepção verídica. Isso é feito pela equipe com o uso de um espectro contínuo de experiência baseado na semelhança entre a estimulação física dos sentidos, como a luz diretamente nos olhos, e a experiência real consciente, que é a imagem "vista".

"Assim que entendermos o que no cérebro leva a pessoa a ver coisas que não existem, seremos capazes de desenvolver tratamentos. No momento, existem poucos tratamentos para a alucinação, e a maioria dos medicamentos pode causar efeitos colaterais indesejados", completa Pearson.

Fonte: MedicalXpress

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