Reino Unido descobre nova variante do coronavírus. Devemos nos preocupar?

Por Fidel Forato | 15 de Dezembro de 2020 às 13h38
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De modo geral, vírus sofrem mutações e podem apresentar algumas alterações em suas estruturas, mas em poucos casos essas variantes afetam o comportamento deles. De acordo com o secretário de Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, uma nova cepa de coronavírus SARS-CoV-2 seria a responsável pelo atual aumento de casos da COVID-19 no sul da Inglaterra. Vale ressaltar que outras variantes já surgiram desde o início da pandemia.

"Identificamos uma nova variante do coronavírus que pode estar associada à disseminação mais rápida no sul da Inglaterra", afirmou o ministro Hancock, nesta segunda-feira (14). "A análise inicial sugere que esta variante está crescendo mais rápido do que as [outras] variantes existentes", completou. No entanto, Hancock informou que não há evidências de que esta nova cepa seja mais mortal ou resistente as vacinas contra a COVID-19.

Nova variante do coronavírus pode se espalhar mais rápido, segundo ministro da Saúde do Reino Unido (Imagem: Reprodução/ Fernando Zhiminaicela/ Pixabay )

Cientistas discutem nova variante

“Não há nada que sugira que os sintomas sejam diferentes, que os testes sejam diferentes ou que o resultado clínico seja diferente para esta variante” explicou o médico e responsável pelo Departamento de Saúde e Assistência Social, Chris Whitty, durante coletiva de imprensa.

"É importante manter uma perspectiva calma e racional sobre a cepa, pois esta é a evolução normal do vírus e esperamos que novas variantes surjam e surjam com o tempo", defendeu Alan McNally, professor da Universidade de Birmingham, em comunicado divulgado pelo Science Media Center.

Afinal, é esperado que o coronavírus sofra mutações com o tempo. Inclusive, é por isso que os cientistas coletam, constantemente, amostras para acompanhar as variações no seu genoma. "É muito cedo para ficar preocupado ou não com esta nova variante, mas estou pasmo com os esforços de vigilância no Reino Unido que permitiram que isso fosse detectado tão rapidamente", completou McNally.

Segundo a geneticista Emma Hodcroft, o novo coronavírus está mutando lentamente e a maioria dessas alterações é inofensiva. Em média, as mutações do vírus da COVID-19 estão em uma taxa de cerca de uma a duas mutações por mês em todo o mundo, de acordo com os especialistas em genética do COVID-19 Genomics UK (COG-UK).

O que sabemos sobre a mutação?

Descoberta pelos pesquisadores britânicos, essa nova variante do coronavírus foi nomeada como VUI - 202012/01. Entre as características analisadas, a cepa carrega uma mutação na região do genoma viral que codifica a proteína espicular, da membrana do agente infeccioso. A ideia é que, por trás dessa variação, esteja a maior capacidade de contaminação entre as pessoas.

Até o último domingo (13), 1.108 casos da COVID-19 foram identificados com a nova variante do vírus. Desse total de novos casos, a maioria é de pessoas que moram no sul e no leste da Inglaterra, segundo informações da Public Health England.

Reino Unido contra a COVID-19

Segundo a plataforma sobre a pandemia desenvolvida pela Universidade Johns Hopkins, o Reino Unido acumula mais de 1,8 milhão de casos diagnosticados da COVID-19 até o momento, sendo 64,5 mil mortos. Atualmente, como relatado pelo ministro da Saúde, o país enfrenta um novo aumento de casos.

Nesse cenário, Londres adotará o nível mais alto de restrições do país, a partir de quarta-feira (16), para barrar o contágio da COVID-19. Entre as mudanças previstas, bares, cafés e restaurantes serão fechados, mas permanecerão funcionando para entregas. Além disso, reuniões em espaços públicos estarão limitadas a até seis pessoas. Por outro lado, a campanha de vacinação já começou com o imunizante da farmacêutica Pfizer e da BioNTech.

Fonte: Business Insider, Yahoo! Finance e BBC (1)(2)   

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