Moderna x Pfizer: qual vacina é mais eficaz contra a COVID-19?

Moderna x Pfizer: qual vacina é mais eficaz contra a COVID-19?

Por Nathan Vieira | 17 de Dezembro de 2020 às 16h59
Jcomp/Freepik

Estamos cada vez mais próximos da vacinação em massa contra a COVID-19, e duas fortes candidatas nessa verdadeira corrida por uma aliada eficaz contra a doença que tem assolado a população mundial são a  BNT162b2, desenvolvida pela farmacêutica Pfizer e pelo laboratório alemão BioNTech, e a mRNA-1273, produzida pela farmacêutica norte-americana Moderna. Mas, você sabe quais são as diferenças entre as duas? Se não sabe, fique tranquilo: o Canaltech explica!

Como funciona

Moderna

A vacina da Moderna funciona a partir de uma fórmula que carrega um RNA mensageiro. Em outras palavras, o corpo começa a produzir proteínas virais, mas não o vírus inteiro, o que é suficiente para treinar o sistema imunológico para atacar o vírus da COVID-19. A ideia é que essas partículas treinem e preparem o corpo para uma eventual invasão do agente infeccioso, já que foi responsável por desenvolver uma resposta imune, a partir das células T.

Pfizer

A vacina da Pfizer também carrega um RNA mensageiro, que estimula o organismo a produzir uma proteína específica do coronavírus. Depois de produzida, o sistema imunológico pode reconhecer a vacina como um antígeno e, assim, cria imunidade contra a doença.

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Eficácia

Moderna

O imunizante da Moderna se apresentou 94,5% eficaz na prevenção de COVID-19 entre aqueles que foram monitorados por uma média de sete semanas após a segunda dose. Cinco dos 13.934 participantes do estudo que receberam a vacina desenvolveram COVID-19, em comparação com 90 dos 13.883 participantes que receberam o placebo.

Pfizer

Enquanto isso, a vacina da Pfizer foi 95% eficaz na prevenção de COVID-19 entre aqueles que foram monitorados por uma média de dois meses após receber sua segunda dose. Oito dos 18.198 participantes do estudo que receberam a vacina desenvolveram COVID-19, em comparação com 162 dos 18.325 participantes que receberam o placebo.

Pfizer e Moderna: duas empresas que desenvolvem imunizantes com a mesma biotecnologia, mas com diferentes porcentagens de eficácia (Imagem: Fernando Zhiminaicela/Pixabay)

Eficácia em idosos

Moderna

Em seu ensaio de Fase 3, a vacina desenvolvida pela Moderna apresentou 100% de eficácia em pessoas com 65 anos ou mais, e também foi 93,4% eficaz em pessoas com idades entre 18 e 64 anos.

Pfizer

Por outro lado, em seu ensaio de Fase 3, a vacina Pfizer foi 93,7% eficaz em pessoas com 56 anos ou mais. Também foi 95,6% eficaz em pessoas entre 16 e 55 anos.

Eficácia em casos de comorbidade

Moderna

A vacina da Moderna foi 95,9% eficaz em pessoas com um grupo seleto de problemas de saúde, como doença pulmonar crônica, doença cardíaca significativa, diabetes, doença hepática, HIV e obesidade grave.

Pfizer

Já a vacina Pfizer foi 95,3% eficaz em pessoas com comorbidade. Além dos problemas de saúde considerados no ensaio da Moderna, o da Pfizer também examinou o desempenho da vacina em pessoas com câncer, doença renal, demência e doença vascular, entre outras.

Prevenção de casos graves de COVID-19

Moderna

O imunizante foi 100% eficaz na prevenção de casos graves de COVID-19. Onze pessoas no estudo desenvolveram doença grave, e todas elas estavam no grupo que recebeu o placebo. Três desses pacientes estavam doentes tiveram que ser internados em um hospital.

Pfizer

A Pfizer, por outro lado, apresentou 66,4% de eficácia na prevenção de casos de COVID-19 grave com seu imunizante. Acontece que, dos quatro participantes do estudo que desenvolveram doenças graves após receberem duas injeções, um havia tomado a vacina e três receberam o placebo. Dois do grupo de placebo foram hospitalizados, incluindo um que foi internado em uma unidade de terapia intensiva.

Efeitos colaterais

Moderna

Aproximadamente 90% dos que receberam a vacina da Moderna relataram dor de curta duração no local da injeção após as duas doses. No ensaio, a dor no local da injeção foi muito menos comum nas pessoas que receberam o placebo. Os efeitos colaterais mais comuns foram fadiga, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e dores nas articulações. Depois de receber uma segunda dose da vacina, 63% dos participantes do estudo tiveram dor de cabeça, 68% experimentaram fadiga, 45% tiveram dores nas articulações e 48% tiveram calafrios.

Pfizer

No caso do estudo da Pfizer, 80% dos que receberam a vacina relataram dor de curta duração no local da injeção. Quanto aos efeitos colaterais, foram bem parecidos com o da Moderna: fadiga, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e dores nas articulações. No entanto, eles foram relatados com mais frequência no ensaio da Moderna do que no da Pfizer, uma vez que 39% dos participantes tiveram dor de cabeça, 51% experimentaram fadiga, 19% tiveram dores nas articulações e 23% tiveram calafrios após receber a segunda dose da vacina.

Armazenamento

Moderna

O imunizante da Moderna pode ser armazenado em temperaturas de aproximadamente -20 °C, em freezer comum. 

Pfizer

No que diz respeito à Pfizer, uma série de desafios ainda precisa ser superada, como a produção de milhões de doses e sua distribuição. Isso porque o imunizante precisa ser armazenado em uma temperatura de -70 °C. O imunizante em questão depende de temperaturas muito baixas para se manter funcional. Para se ter uma noção, a temperatura necessária de armazenamento é similar à do Polo Sul em um dia de inverno.

Os imunizantes desenvolvidos pela Pfizer e pela Moderna apresentam semelhantes efeitos colaterais, embora em uma frequência diferente (Imagem: Daniel Schludi/Unsplash)

No Brasil

Moderna

Por enquanto, não há uma estimativa para a chegada da vacina da Moderna no Brasil, mas é algo que pode acontecer através do programa COVAX Facility, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Trata-se de uma iniciativa que busca distribuir de forma global as eventuais vacinas contra a COVID-19 tanto entre os países ricos quanto entre os pobres.

Pfizer

O imunizante da Pfizer contra a COVID-19 deve estar disponível para o uso no país até março de 2021, segundo o presidente da farmacêutica para o Brasil, Carlos Murillo. A empresa protocolou na última quarta (16) os resultados de testes da fase 3 de sua vacina na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Fonte: Com informações de Los Angeles Times, The New York Times, The Wall Street Journal

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