Estudo relaciona predisposição genética a casos mais graves de COVID-19

Por Natalie Rosa | 14 de Dezembro de 2020 às 20h40
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Uma das maiores dúvidas em relação ao coronavírus é a forma como o vírus afeta a pessoa infectada. Enquanto alguns podem não apresentar sintomas e nem ao menos saber se foram infectados, outros acabam tendo complicações extremamente graves, que podem levar à morte. Agora, finalmente, temos uma pista sobre o motivo de isso acontecer: a genética.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature, realizado em mais de 2.200 pacientes internados com a COVID-19 em mais de 200 UTIs do Reino Unido, os genes individuais podem tornar determinadas pessoas mais vulneráveis às formas mais graves da doença. 

Os genes atuam fornecendo instruções para o organismo em relação à forma de reagir em meio aos processos biológicos, como o combate de um vírus, então foram analisados de forma minuciosa os DNAs dos pacientes para comparar com os de pessoas saudáveis. Então, foram identificadas, por exemplo, diferenças no gene TYK2, que faz parte de um sistema que deixa as suas células imunológicas mais "irritadas" e, consequentemente, mais inflamatórias. O gene, uma vez em um estado imperfeito, entra em exaustão e deixa o paciente correndo risco de ter uma grave inflamação pulmonar. 

Imagem: Reprodução/Fernando Zhiminaicela/Pixabay

O líder do estudo, Kenneth Baillie, conta que existe um medicamento anti-inflamatório chamado Baricitnib, usado para doenças como a artrite reumatoide, que já é aplicado sobre o mecanismo biológico citado acima. "Isso faz com que esse remédio seja um candidato plausível a novos tratamentos. Porém, claro, precisamos fazer mais testes clínicos e em grande escala para descobrir se isso é verdade ou não", pondera.

Outra diferença foi encontrada em um gene chamado IFNAR2, que está conectado a uma molécula antiviral potente chamada interferon, que ajuda o sistema imunológico a agir assim que a infecção é detectada. Segundo estudos passados, a produção de pouco interferon pode fazer com que o vírus se replique rapidamente, levando o paciente a um quadro mais grave da COVID-19. Além disso, a doença provocada pelo coronavírus já foi relacionada a casos de mutações genéticas e um distúrbio autoimune que acaba afetando a produção da molécula. A esperança, agora, é que a administração nos primeiros dias de infecção seja eficaz.

Após a divulgação desses estudos, as comunidades médicas e científicas vêm estudando a possibilidade de administrar o interferon nesses casos, como tratamento contra a doença, mas testes já mostraram que a ideia não tem efeito em pacientes com quadros graves. Também foram encontradas diferenças entre pacientes com a doença e saudáveis, nos genes DPP9, que também atuam nas inflamações, e no OAS, que funciona no organismo evitando que o vírus se multiplique. 

O estudo está disponível para consulta no site da Nature e mais pacientes passarão pelos testes.

 

 

Fonte: BBC

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