O céu não é o limite | Guerra chega ao espaço, foguete se choca com a Lua e mais

O céu não é o limite | Guerra chega ao espaço, foguete se choca com a Lua e mais

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Março de 2022 às 20h00
ESA/CNES/AGI/Virtual Telescope

As ações militares da Rússia na Ucrânia teve grandes impactos na ciência, com missões adiadas e até mesmo uma suspensão da colaboração entre os russos e a NASA nos experimentos da Estação Espacial Internacional. A situação das mais importantes missões afetadas você confere abaixo, além de outras notícias quentíssimas do universo da astronomia.

Vamos lá!

Conflito da Ucrânia afeta pesquisas científicas

Um foguete Souyuz decolando da Guiana Francesa em dia 10 de fevereiro (Imagem: Reprodução/ESA/CNES/Arianespace)

Em resposta às sanções impostas pelos EUA e União Europeia, os russos tomaram uma série de decisões que devem impactar as pesquisas espaciais, tanto aquelas já em andamento quanto as que ainda nem foram lançadas. A primeira delas foi a suspensão de lançamentos dos foguetes Soyuz, usados por empresas e agências espaciais de vários países. Com essa suspensão, missões foram comprometidas, como o lançamento de satélites da OneWeb.

De acordo com a Rússia, esses satélites só serão lançados se a empresa concordar que não serão usados para fins militares e que o governo do Reino Unido remova o investimento que fez na companhia. A Rússia também suspendeu a parceria com experimentos científicos na ISS, enquanto a Alemanha desativou o telescópio eROSITA, desenvolvido e mantido em parceria com a Rússia para mapear buracos negros.

Os russos também suspenderam o fornecimento de motores de foguetes para empresas americanas, mas essa decisão parece não abalar a confiança dos clientes internacionais, como a United Launch Alliance, que alega já possuir motores o suficiente para as próximas missões. Por fim, para ajudar a Ucrânia, que teve os serviços de internet afetados, Elon Musk ofereceu terminais Starlink, que chegaram na Ucrânia na segunda-feira (28).

Animação mostra como foi o choque do foguete na Lua

O estágio do foguete desconhecido em rota de colisão com o lado afastado da Lua finalmente se chocou com a superfície do nosso satélite natural. Não foi possível observar diretamente, mas uma animação mostrou a simulação do impacto. O vídeo foi produzido com softwares adequados para simulações de missões complexas.

Ainda não se sabe a qual foguete o objeto pertencia. A princípio, parecia ser um pedaço do Falcon 9, da SpaceX, mas as suspeitas recaíram para o Long March 3C, usado no lançamento da missão chinesa Chang’e 5-T1. A China nega a afirmação.

Asteroide potencialmente perigoso se aproximou da Terra

Foto do asteroide registrado a 5,4 milhões de quilômetros da Terra (Imagem: Reprodução/Virtual Telescope)

Mais um asteroide passou pela órbita da Terra em segurança. Dessa vez foi o 2001 CB21, um pedregulho espacial com algo entre 560 m e 1,2 km de diâmetro. Sua aproximação foi de 4,9 milhões de quilômetros do nosso planeta, equivalente a quase 13 vezes a distância média entre a Terra e a Lua.

A passagem do objeto foi acompanhada pelo Virtual Telescope Project, utilizando um telescópio robótico localizado em Roma com direito a uma transmissão ao vivo pela internet durante a madrugada da sexta-feira (4).

Sinal misterioso pode ter sido um erro técnico

O espectrômetro EDGES coleta sinais com uma antena de rádio do tamanho de uma mesa (Imagem: Reprodução/CSIRO Australia)

Um sinal identificado em 2018 parecia ter vindo das primeiras estrelas que brilharam no universo, e sugeriam até mesmo que uma nova física fosse proposta para explicá-lo. Entretanto, um novo estudo mostrou que provavelmente tudo não passou de um erro produzido pela antena do instrumento.

Além disso, os autores da nova pesquisa também consideram que a sensibilidade dos dados obtidos com o radiômetro Shaped Antenna Measurement of the Background Radio Spectrum 3 (SARAS 3) é suficiente para descartar uma possível origem cósmica para o sinal. Ainda assim, a busca pelo sinal das primeiras estrelas do universo continua.

Maior cratera de impacto dos últimos 100 mil anos é descoberta

A cratera, quase no centro da imagem, fica na cordilheira de Lesser Xing'an (Imagem: Reprodução/NASA Earth Observatory)

Uma cratera de impacto descoberta na China foi registrada como a maior nos últimos 100 mil anos. Batizada de Cratera Yilan, a formação está na província de Heilongjiang, no nordeste da China, e mede 1,87 km de diâmetro. Com mais de 300 metros de profundidade, ela também é a mais jovem encontrada na superfície da Terra.

A descoberta aconteceu após análises das amostras dos sedimentos coletados no centro da formação e a idade foi medida pelo método de datação por carbono. A conclusão é que a cratera se entre 46.000 a 53.000 anos atrás.

Curiosity encontra formação mineral parecida com flor em Marte

O rover Curiosity encontrou uma formação microscópica... curiosa (com o perdão pelo trocadilho). Menor que uma moeda, o objeto lembra uma pequena flor, mas é, na verdade, uma formação mineral, cujas estruturas delicadas são compostas por minerais precipitados da água.

A imagem é um mosaico composto por seis fotos e foi produzida pelo instrumento Mars Hand Lens Imager (MAHLI). Formações como esta são conhecidas como aglomerados de cristais diagenéticos, isto é, uma recombinação ou reorganização de minerais em aglomerados tridimensionais.

Ingenuity faz 20º voo após um ano em Marte

O helicóptero da NASA completou um ano desde seu pouso em Marte e segue "firme e forte". Para estabelecer ainda mais o sucesso de sua tecnologia, o Ingenuity realizou seu 20º voo, se deslocando por mais de 300 m, à velocidade de 4,4 m/s.

Após este voo de 130,3 segundos, ele ficou mais próximo do local em que pousou, quando ainda estava preso ao rover Perseverance.

Buraco negro mais próximo da Terra pode ser uma estrela "vampira"

O sistema HR 6819, localizado a 1.000 anos-luz da Terra, foi descoberto em 2020 e parecia abrigar o buraco negro mais próximo da Terra. Mais que isso, ele poderia ser o primeiro sistema estelar visível a olho nu com um buraco negro incluso. Entretanto, uma equipe internacional de cientistas concluiu que o HR 6819 é formado por duas estrelas — e nada de buraco negro.

Mas isso não torna o sistema não seja interessante. Pelo contrário, ele é provavelmente formado por uma estrela "vampira" e uma companheira doadora. Enquanto a companheira perde um pouco de seu material, a outra o recebe e começa a girar mais rapidamente”.

1º pouso na Lua do Programa Artemis adiado para 2026

A SpaceX deve construir o módulo de pouso para o Programa Artemis (Imagem: Reprodução/SpaceX)

O Programa Artemis, que tinha o objetivo inicial de levar novos astronautas à superfície lunar em 2024, sofreu mais uma prorrogação: teremos que esperar até 2026, no mínimo. Um dos motivos apresentados em uma audiência do Congresso dos Estados Unidos é que a NASA está tentando cuidar de riscos múltiplos de uma só vez, enquanto tenta também cumprir um cronograma apertado.

No ano passado, oficiais da NASA anunciaram que a missão tripulada à Lua não ocorreria antes de 2025, mas os argumentos na audiência levaram ao novo prazo. Também há desafios relacionados à certificação do módulo de pouso Human Landing System (HLS) e será necessário certificar novas tecnologias “ainda não amadurecidas”.

Leia também:

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.