Rússia suspende lançamentos com foguete Soyuz na Guiana Francesa

Rússia suspende lançamentos com foguete Soyuz na Guiana Francesa

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 28 de Fevereiro de 2022 às 10h56
Roscosmos

A agência espacial russa (Roscosmos) está suspendendo todos os lançamentos com seus foguetes Soyuz a partir do espaçoporto europeu na Guiana Francesa. A decisão foi anunciada em resposta às sanções da União Europeia após a Rússia invadir a Ucrânia.

Em nota divulgada no sábado (26), a agência russa anunciou a suspensão da cooperação com parceiros europeus no espaçoporto de Kourou, na Guiana Francesa, convocando seu pessoal para se retirar da unidade de lançamento europeu.

São pelos menos 87 funcionários russos no espaçoporto dedicados aos lançamentos com o foguete russo Soyuz, incluindo funcionários de empresas russas como NPO Lavochkin a, Progress RCC e TsENKI, envolvidos na montagem do foguete e propulsores.

Após a Rússia invadir a Ucrânia na última quinta-feira (24), União Europeia, Estados Unidos e outros países decretaram severas sanções econômicas ao país. A resposta russa imediata foi suspender os trabalhos em andamento com outras nações.

Relações da Europa com a agência espacial russa

O foguete Soyuz é operado pela empresa europeia de lançamentos Arianespace, que lança satélites a partir do Centro Espacial da Guiana, em Kourou, e do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

Um foguete Souyuz decolando da Guiana Francesa no dia 10 de fevereiro com 34 satélites de internet OneWeb (Imagem: Reprodução/ESA/CNES/Arianespace)

Em abril desse ano, a Arianespace usaria o foguete russo para lançar dois satélites de navegação, parte da constelação Galileo da União Europeia. Agora, com decisão da agência russa, esse cenário certamente mudará.

Thierry Breton, comissário europeu para o espaço, informou que a decisão da Rússia de interromper os lançamentos a Europa não afetaria nenhum serviço. "Confirmo que esta decisão não tem consequências na continuidade e qualidade dos serviços Galileo e Copernicus", acrescentou.

Enquanto isso, a Europa se concentra no desenvolvimento dos foguetes Ariane 6 e Vega C. “Para garantir a autonomia estratégica da Europa no área de lançadores", ressaltou Breton. A Agência Espacial Europeia (ESA) trabalha ao lado da Arianespace para desenvolver ambos.

O foguete Soyuz sendo preparado para o lançamento no Centro Espacial da Guiana (Imagem: Reprodução/ESA/CNES/Arianespace)

A ESA informou que se mantém atenta à situação entre Rússia e Ucrânia para saber o que fazer com missões futuras. Por exemplo, a ExoMars é um trabalho em parceria com a Roscosmos e, até então, está prevista para ser lançada neste ano.

O diretor da Roscosmos, Dmitry Rogozin, declarou achar “inapropriado” continuar qualquer trabalho com os EUA em uma missão para Vênus. Rogozin se referia a missão Venera-D, dedicada a explorar Vênus, mas que agora também segue suspensa.

ESA se posiciona sobre a Rússia

Nesta terça-feira (28), a ESA emitiu uma nota se posicionando em relação aos cortes de profissionais russos do centro de lançamentos na Guiana Francesa. A agência europeia também se lamentou sobre as “trágicas consequências” da Guerra aa Ucrânia.

A missão ExoMars, desenvolvida pela ESA e Roscosmos, não será mais lançada neste ano (Imagem: Reprodução/ESA)

A ESA é composta pelos 22 Estados-Membros da União Europeia, a qual já estabeleceu sanções à Rússia. Enquanto isso, a agência espacial segue avaliando as consequências disso em cada um dos programas em andamento até então conduzidos em parceria com a Roscosmos.

Em relação aos lançamentos previstos para esse ano a partir da Guiana Francesa, a ESA disse que avaliará a melhor maneira de enviar as cargas sob sua responsabilidade com base em seus sistemas de lançamento que envolvem os foguetes Vega C e Ariane 6.

Já a missão ExoMars, prevista para ser lançada até o final desse ano, fica permanente suspensa e sem nova data. “As sanções e o contexto mais amplo tornam um lançamento em 2022 muito improvável”, disse a agência em nota.

Abaixo, você confere, na íntegra, a declaração da ESA:

Lamentamos as baixas humanas e as trágicas consequências da guerra na Ucrânia. Estamos a dar prioridade absoluta à tomada de decisões adequadas, não só para o bem da nossa força de trabalho envolvida nos programas, mas no pleno respeito dos nossos valores europeus, que sempre moldaram fundamentalmente a nossa abordagem à cooperação internacional.

A ESA é uma organização intergovernamental governada pelos seus 22 Estados-Membros e construímos uma forte rede de cooperação internacional nas últimas décadas, que serve à comunidade espacial europeia e global através dos seus programas muito bem sucedidos.

Aplicaremos integralmente as sanções impostas à Rússia pelos nossos Estados-Membros. Estamos avaliando as consequências em cada um de nossos programas em andamento conduzidos em cooperação com a agência espacial estatal russa (Roscosmos) e alinhamos nossas decisões com as de nossos Estados Membros em estreita coordenação com parceiros industriais e internacionais (em particular com a NASA na Estação Espacial Internacional).

Em relação à campanha de lançamento da Soyuz do Porto Espacial da Europa em Kourou, tomamos nota da decisão da Roscosmos de retirar sua força de trabalho de Kourou. Consequentemente, avaliaremos para cada carga institucional europeia sob nossa responsabilidade o serviço de lançamento apropriado com base principalmente nos sistemas de lançamento atualmente em operação e nos próximos lançadores Vega C e Ariane 6.

Sobre a continuação do programa ExoMars, as sanções e o contexto mais amplo tornam um lançamento em 2022 muito improvável. O Diretor Geral da ESA analisará todas as opções e preparará uma decisão formal sobre o caminho a seguir pelos Estados Membros da ESA.

A ESA continua a acompanhar a situação em estreito contacto com os seus Estados-Membros.

Fonte: ESA (1, 2), Via Space.com

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