O céu (não) é o limite | Eclipse solar, "sol artificial", China na Lua e mais!

Por Patrícia Gnipper | 12 de Dezembro de 2020 às 20h00
ipicgr/Pixabay/CNNC/CNSA/CLEP

Chegou o dia da semana em que a gente resume as notícias espaciais mais bombásticas dos últimos dias, para que você fique por dentro de tudo o que mais importa — e em poucos minutos.

Mas, ué? Esse dia não era terça-feira, aqui no Canaltech? Era! A partir de agora, esse "resumão" passa a ser publicado aos sábados. Assim, quem só tem tempo para se informar de verdade no fim de semana, já recebe esse apanhado geral ainda mais completo e atualizado.

Vamos lá?

Tem eclipse solar, cometa e chuva de meteoros na segunda-feira!

O máximo de ocultamento do Sol em São Paulo durante o eclipse (Imagem: Reprodução/Time and Date AS)

Na próxima segunda (14), acontece um fenômeno espacial triplo: um eclipse solar total, a passagem de um cometa e uma chuva de meteoros. E, em algumas cidades, será possível registrar os três ao mesmo tempo!

"Algumas cidades" porque o eclipse só será total em regiões mais ao Sul do nosso continente. Aqui no Brasil, ele será parcial, com um ocultamento mais interessante do Sol acontecendo nos estados do Sul e Sudeste. Em outras regiões, o Sol será encoberto só um pouquinho pela Lua, enquanto moradores do Norte e do Nordeste, na verdade, não terão a oportunidade de ver o último eclipse solar de 2020.

Clique aqui para descobrir exatamente onde, como e quando o eclipse pode ser avistado.

Mas falamos que também tem cometa e chuva de meteoros, certo? O cometa da vez se chama Erasmus e, durante o eclipse total (que vai privilegiar quem estiver em determinadas cidades do Chile e da Argentina), será possível avistar sua passagem durante os minutos do ocultamento solar, já que o céu ficará escuro o bastante para que ele dê o ar de sua graça durante o dia.

Cometa Erasmus (Imagem: Reprodução/Michael Jäger)

Já a chuva de meteoros da vez é a Geminídeas, cujo pico acontece na manhã de segunda-feira, mas que já deve nos presentear com "estrelas cadentes" na madrugada entre domingo e segunda, com algumas aparições possivelmente rolando no domingo (13) a partir das 22h. Ou seja: podemos esperar para a próxima semana ao menos alguns belos registros de astrofotógrafos devidamente preparados para registrarem, talvez numa mesma imagem, o eclipse solar, a passagem do cometa e alguns meteoros de brinde!

Saiba tudo sobre esse show celeste triplo, clicando aqui.

Ah! E não se esqueça que dezembro tem ainda um quarto evento cósmico imperdível: a maior aproximação de Júpiter e Saturno desde a Idade Média, algo apelidado de "Estrela de Natal". A partir do dia 16 e até o dia 21, os dois planetas estarão extremamente próximos um do outro no céu noturno. Saiba mais clicando aqui.

"Sol artificial" da China

Instalações do reator em 2019 (Imagem: Reprodução/CNNC Southwestern Institute of Physics/Handout via Xinhua)

A China ativou, pela primeira vez, seu reator de fusão nuclear apelidado de "Sol artificial" — o apelido foi dado porque o reator pode gerar plasma a uma temperatura equivalente a até dez vezes a da estrela do Sistema Solar.

O nome do reator nuclear é HL-2M Tokamak, e ele é o maior do país. Seu funcionamento representa um grande avanço nas capacidades de pesquisa nuclear chinesa para a produção de energia limpa. A instalação trabalha com hidrogênio e deutério, sendo que o desenvolvimento da energia de fusão nuclear não é só uma forma de resolver as necessidades estratégicas de energia do país, mas também tem grande significado para o desenvolvimento sustentável futuro da energia da China e da economia nacional.

Clique aqui para entender melhor essa história.

Sucesso chinês na Lua — com bandeira hasteada e tudo!

O quadrado branco indica a região em que o lander estava, que pode ser visto no ponto claro e brilhante no centro (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC/Arizona State University)

A missão Chang'e 5 tem se mostrado um enorme sucesso. Logo após ter chegado à Lua, a coleta de amostras parece ter sido bem-sucedida, com a cápsula sendo levada à órbita e se acoplando com a nave que reentrará em nossa atmosfera assim que estiver de volta ao lar — algo que deve acontecer ainda em 2020.

Enquanto isso, a NASA fotografou o módulo de pouso da missão chinesa na superfície da Lua, com sua sonda orbital Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), que estuda nosso satélite natural há mais de dez anos.

Clique aqui para saber mais sobre isso.

Além de ser a primeira a coletar amostras lunares desde 1976, a missão chinesa também leva para si outro feito histórico: agora, a China se tornou a primeira nação a hastear uma bandeira na Lua no século XXI, exibindo seu símbolo nacional por lá ao lado dos EUA, que também deixaram sua bandeira durante as seis missões Apollo que pousaram na Lua entre 1969 e 1972.

Clicando aqui, você descobre a tecnologia por trás do hasteamento e sabe tudo sobre a confecção da bandeira chinesa.

A primeira imagem em alta resolução de uma mancha solar

(Imagem: Reprodução/NSO/AURA/NSF)

O Telescópio Solar Daniel K. Inouye foi criado para observar minuciosamente a estrutura na superfície do Sol, descobrindo mais sobre as atividades de nossa estrela, e ele divulgou sua primeira foto de uma mancha solar. Os detalhes da imagem mostram o potencial do observatório havaiano no estudo que tem como principal objetivo compreender melhor as tempestades solares.

A mancha foi fotografada em janeiro deste ano, medindo mais de 16 mil km de largura e sendo uma das primeiras do novo ciclo solar — cada ciclo tem 11 anos de duração e começa com pouca atividade na superfície; ou seja, a foto foi tirada em um período em que poucas manchas apareciam. Os cientistas esperam que a atividade solar atinja seu máximo em 2025, então será importante aprender o máximo possível sobre o Sol antes desse período.

Ficou curioso? Clique aqui e sabia mais sobre a atividade solar.

Sonda japonesa traz amostras de asteroide à Terra

Após seis anos de jornada, a sonda Hayabusa2 voltou à Terra e soltou uma cápsula cheia de amostras do asteroide Ryugu na remota área de Woomera, na Austrália. A agência espacial japonesa JAXA já recuperou a cápsula, e as amostras serão distribuídas para cientistas de todo o mundo, para que sejam estudadas por um time diverso de especialistas.

Com isso, a ciência espera ter em mãos um material valioso para uma melhor compreensão sobre a formação do Sistema Solar, uma vez que este asteroide é uma rocha remanescente do processo de "nascimento" do nosso quintal espacial.

Clicando aqui, você entende melhor a missão japonesa.

NASA escolhe 18 astronautas para o Programa Artemis

A NASA apresentou o grupo de astronautas que serão treinados para possivelmente, irem à Lua nesta década de 2020, algo que ocorrerá pela primeira vez em mais de 50 anos, desde os últimos pousos tripulados do programa Apollo. Os astronautas que compõem a nova Equipe Artemis são divididos entre 9 homens e 9 mulheres — sendo que dois deles serão escolhidos para caminhar em nosso satélite natural, embora ainda seja preciso designá-los a missões específicas. E, talvez, nesta lista já estejamos vendo a primeira mulher que pisará na Lua em toda a história!

Clique aqui para descobrir quem são esses astronautas, e conhecer um pouco mais sobre cada um deles.

Apesar de explosão no pouso, teste de voo do Starship foi um sucesso

A SpaceX fez seu maior teste de voo com o protótipo SN8, do veículo espacial Starship. Durante o “salto” de cerca de sete minutos de duração, o veículo alcançou a altitude de 12,5 quilômetros e se guiou de forma autônoma, com sucesso, até um local mais afastado, onde acabou explodindo ao pousar.

Mesmo com o trágico fim, o CEO Elon Musk fez questão de elogiar o procedimento, comemorando o sucesso em todas as etapas do teste. No Twitter, ele disse "Marte, aqui vamos nós", pois o Starship é o veículo que levará humanos ao Planeta Vermelho, de acordo com os planos da companhia.

Saiba mais sobre como foi o teste e sobre a explosão; clique aqui.

Revestimento escuro pode reduzir brilho dos satélites Starlink pela metade

Astrônomos do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO) registraram como os Starlink prejudicam seus trabalhos. Cada uma das trilhas na imagem mostra a passagem de um satélite (Foto: NSF’s National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory/CTIO/AURA/DELVE)

Finalmente, saíram os resultados dos primeiros estudos sobre as tentativas da SpaceX em resolver o problema que seus satélites Starlink causaram à astronomia — altamente reflexivos, eles acabam aparecendo em observações do céu noturno, prejudicando o trabalho de astrônomos. A empresa testou, meses atrás, algumas soluções para diminuir essa reflexividade, incluindo um revestimento escuro num satélite chamado DarkSat, além de visores em outro chamado VisorSat.

Agora, observações conduzidas pelo Telescópio Murikabushi do Observatório Astronômico Ishigakijima, no Japão, confirmam que esse tipo de revestimento escuro aplicado no DarkSat é capaz, sim, de reduzir a refletividade dos satélites. Os resultados mostram uma redução desse brilho pela metade.

Clique aqui para saber mais a respeito.

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