Revestimento escuro pode reduzir brilho de satélites pela metade, diz estudo

Revestimento escuro pode reduzir brilho de satélites pela metade, diz estudo

Por Patrícia Gnipper | 10 de Dezembro de 2020 às 13h20
Tiago Domezi

Finalmente, saíram os resultados dos primeiros estudos sobre as tentativas da SpaceX em resolver o problema que seus satélites Starlink causaram à astronomia. Como os satélites refletem luz solar, eles acabam aparecendo como pontos brilhantes em observações astronômicas — e inclusive aparecem no céu noturno, visíveis a olho nu, causando espanto entre os mais desavisados, com alguns até mesmo questionando se não seriam OVNIs.

A empresa de Elon Musk fez dois testes para tentar resolver o problema: o primeiro foi chamado de DarkSat, que nada mais era do que um satélite Starlink contando com um revestimento escuro. Depois, veio o VisorSat, uma versão atualizada do DarkSat também contando com o revestimento escuro, com a adição de visores para impedir ainda mais que a luz solar fosse refletida à Terra.

Astrônomos do Observatório Interamericano de Cerro Tololo (CTIO) registraram como os Starlink prejudicam seus trabalhos. Cada uma das trilhas na imagem mostra a passagem de um satélite (Foto: NSF’s National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory/CTIO/AURA/DELVE)

Agora, observações conduzidas pelo Telescópio Murikabushi do Observatório Astronômico Ishigakijima, no Japão, confirmam que esse tipo de revestimento escuro aplicado no DarkSat e no VisorSat é capaz, sim, de reduzir a refletividade dos satélites. Os resultados, publicados no The Astrophysical Journal, mostram uma redução desse brilho pela metade.

Isso mostra que as medidas da SpaceX podem ser bastante efetivas ao considerar que a constelação total de satélites Starlink prevê pelo menos 12 mil unidades, podendo chegar a 30 mil ou até mesmo a 42 mil, e considerando, também, que há outras iniciativas com o mesmo propósito de lançar megaconstelações de satéiltes de internet — como é o caso da OneWeb, da Amazon (com o projeto Kuiper) e até do Facebook (com o projeto Athena).

Assim foi projetado o DarkSat (Imagem: SpaceX)

O Telescópio Murikabushi é capaz de observar diversos objetos espaciais em três diferentes comprimentos de onda, tudo ao mesmo tempo, e, ao comparar dados multicoloridos de uma mesma observação, os cientistas conseguem uma visão mais precisa sobre o real impacto do revestimento escuro do DarkSat na missão de reduzir sua reflexividade. Para este estudo, a equipe do observatório fez análises entre abril e junho de 2020.

O VisorSat é a evolução do DarkSat (Imagem: SpaceX)

Agora, com um primeiro estudo mostrando que as soluções testadas por Elon Musk têm potencial de reduzir o problema, espera-se que a companhia aplique tais soluções a lotes completos de satélites — lembrando que, a cada lançamento Starlink, a SpaceX costuma enviar cerca de 60 unidades e, hoje, já tem quase mil em órbita. Mas, claro, novos estudos seguem em andamento, e certamente outras medidas devem surgir para que a existência de megaconstelações de satélites de internet não signifique um dano irreparável às observações do céu noturno.

Fonte: Phys.org

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.