Novo mapeamento das Nuvens de Magalhães registra 360 milhões de objetos

Por Danielle Cassita | 08 de Dezembro de 2020 às 22h20
CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/H. Stockebrand

Em um passado bastante distante, a Pequena e Grande Nuvem de Magalhães, duas galáxias anãs que estão bem pertinho de nós, vieram para a órbita da Via Láctea. Essa dupla de galáxias-satélite vizinhas foi registrada em um novo retrato produzido pelo estudo Survey of the MAgellanic Stellar History (SMASH), que, embora não seja o primeiro a mapeá-las, foi o estudo mais extenso já feito delas até o momento.

Para este trabalho, uma equipe internacional de astrônomos utilizou a câmera Dark Energy Camera (DECam). Instalada no telescópio do observatório chileno Inter-American Observatory (CTIO), essa câmera conta com resolução de 520 megapixels e tem alta performance. O instrumento está na ativa desde 2012, e foi criado inicialmente para o estudo Dark Energy Survey. Segundo David Nidever, principal investigador do projeto, o estudo produziu o mais profundo conjunto de dados já feito sobre essas galáxias: “o SMASH está mapeando a estrutura ao longo de sua enorme e vasta extensão para ajudar a solucionar o mistério de sua formação”, diz.

Durante 50 noites de observações, o SMASH cobriu uma área do céu que chega a ser 2.400 vezes maior do que a Lua cheia, com cerca de 4 bilhões de medidas de 360 milhões de objetos. A primeira leva de dados sobre as galáxias foi publicada em 2017; desta vez, a nova remessa conta com novas informações das regiões centrais e mais complexas das Nuvens de Magalhães. Apesar de já terem sido observadas várias vezes, essa nova iniciativa produziu a imagem mais detalhada já feita das galáxias, e compõe um estudo que irá nos ajudar a entender melhor a formação delas.

Diferentemente das outras galáxias-satélite, a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães seguem ativas produzindo de estrelas rapidamente. Enquanto a maioria das outras galáxias-satélite está longe demais para estudos, essas nossas vizinhas permitem que os cientistas as investiguem para entender melhor como ocorre a formação e evolução das pequenas galáxias — mas isso traz uma consequência: elas estão tão próximas daqui que é difícil mapeá-las em toda a extensão. Felizmente, a DECam permitiu que os astrônomos conseguissem detalhes de algumas das regiões mais interessantes das galáxias.

Detalhes dos dados do SMASH, que mostram a Pequena Nuvem de Magalhães (Imagem: Reprodução/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/SMASH/D. Nidever (Montana State University)

Um dos objetivos a longo prazo da equipe é utilizar as informações coletadas sobre a história da formação estelar para criar um "filme" de como essas galáxias evoluíram ao longo do tempo. Assim, a equipe do SMASH está utilizando os dados obtidos para estudar a história da formação das estrelas nas duas galáxias, e eles encontraram evidências de que o par colidiu entre si em um passado bastante recente: "além de produzir imagens incríveis, esses dados nos permitem olhar para o passado e reconstruir como as Nuvens de Magalhães formaram suas estrelas ao longo do tempo; com esses 'filmes' da formação estelar, podemos tentar entender como e porquê essas galáxias evoluíram", explicam os autores.

A equipe do SMASH também espera que os astrônomos busquem aglomerados estelares com a ajuda de cientistas cidadãos, além de medir o conteúdo metálico das estrelas nas Nuvens. Os novos dados do estudo serão disponibilizados para a comunidade astronômica, para que pesquisadores em todo o mundo possam investigar o histórico das vizinhas da Via Láctea.

O artigo com os resultados do estudo será publicado na revista Astronomical Journal, e já pode ser acessado no repositório online arXiv.

Fonte: Universe Today, NoirLab

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