Novo "Sol artificial" da China alcança 10 vezes a temperatura da nossa estrela

Por Danielle Cassita | 08 de Dezembro de 2020 às 21h20
Reprodução/VCG via Getty Images/Independent

De acordo com informações da mídia estatal chinesa People’s Daily, pela primeira vez a China ativou com sucesso seu reator de fusão nuclear. Também conhecido como “Sol artificial”, o HL-2M Tokamak é o maior do país, com estrutura e controle mais avançados que seu antecessor, e seu funcionamento representa um grande avanço nas capacidades de pesquisa nuclear chinesa para a produção de energia limpa.

Desde 2006, os cientistas chineses vinham trabalhando em uma versão reduzida da tecnologia, o HL-2A Tokamak. Desta vez, o HL-2M Tokamak fica na província de Sichuan e foi finalizado no ano passado. Então, quando estiver funcionando, o novo reator poderá gerar energia sem correr riscos de derretimento nuclear ou de emissão de gases causadores do efeito estufa. O reator HL-2M Tokamak do sistema funciona imitando as reações que acontecem no Sol, ou seja, com a fusão de núcleos atômicos para gerar enormes quantidades de energia.

Membros do China National Nuclear Corporation (CNNC) Southwestern Institute of Physics trabalhando nas instalações do reator em 2019 (Imagem: Reprodução/CNNC Southwestern Institute of Physics/Handout via Xinhua)

Para isso, a instalação trabalha com hidrogênio e deutério, e pode gerar plasma à temperatura que chega a ser equivalente a até dez vezes a temperatura do núcleo do Sol. Na prática, isso significa cerca de 150 milhões de graus Celsius — daí que vem o apelido de “Sol artificial”. Segundo a publicação, o desenvolvimento da energia de fusão nuclear não é só uma forma de resolver as necessidades estratégicas de energia da China, mas também tem grande significado para o desenvolvimento sustentável futuro da energia da China e da economia nacional.

Agora, a China planeja usar o dispositivo em colaboração com cientistas trabalhando no International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), o maior projeto de pesquisa em fusão nuclear em todo o mundo, que deverá ser finalizado em 2025. Então, de fato, este é um passo importante para o país. Entretanto, a fusão nuclear ainda exige muito mais energia do que a quantidade que está sendo gerada — isso sem mencionar os altíssimos custos envolvidos na operação do reator. 

Fonte: Phys.org, People's Daily 

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