Retrospectiva | As 10 notícias de saúde mais importantes de 2020

Por Nathan Vieira | 22 de Dezembro de 2020 às 21h15
National Cancer Institute/ Unsplash

É claro que a saúde sempre foi um assunto muito importante, mas em 2020, em especial, todos os olhares estiveram voltados a essa área, por conta da pandemia de COVID-19. Foi um ano que contou com muitos estudos e muitos avanços, seja em prol de mais conhecimentos em torno da doença que assolou (e que ainda vem assolando) a população mundial, seja em prol de outros aspectos. De qualquer forma, o Canaltech traz para você uma retrospectiva das notícias de saúde mais importantes do ano.

Anvisa se posiciona sobre Ivermectina

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou uma nota sobre o vermífugo, mas corrigiu uma semana depois  (Imagem: HeungSoon/Pixabay) 

Na primeira semana de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) trouxe à tona o seu posicionamento a respeito da uso do vermífugo ivermectina para o tratamento de pacientes diagnosticados com a COVID-19. No entanto, uma semana depois, a agência voltou atrás em algumas coisas que foram ditas, com direito a uma nota atualizada sobre seu posicionamento. A última nota completa emitida pela agência dizia o seguinte:

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Diante das notícias veiculadas sobre medicamentos que contêm ivermectina para o tratamento da Covid-19, a Anvisa esclarece: Inicialmente, é preciso deixar claro que não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, bem como não existem estudos que refutem esse uso. Até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19 no Brasil. Nesse sentido, as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento. Cabe ressaltar que o uso do medicamento para indicações não previstas na bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor.

Dentre as alterações, a Anvisa removeu os possíveis efeitos colaterais da ivermectina, quando usada sem prescrição médica, através da automedicação. A nova orientação é bem menos direta do que a da primeira, cuja nota oficial já foi retirada do ar, que dizia: "Não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus".

Mas por que as mudanças? Na época, quem respondeu essa pergunta foi o jornal O Globo, apontando que as alterações ocorreram para "não gerar conclusões equivocadas", já que ainda não existem estudos finalizados para a infecção respiratória.

Leia na íntegra a primeira nota da Anvisa e as correções feitas.

Preço do tratamento com remédio aprovado para a COVID-19

Em julho, Gilead Scienceso anunciou tratamento com o remdesivir custando US$ 3.120, o equivalente a R$ 16,5 mil (Imagem: freestocks.org/Pexels)

No início de julho, a farmacêutica norte-americana Gilead Sciences anunciou o preço do tratamento com antiviral Remdesivir, remédio que recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA) desde maio para uso emergencial para os pacientes contaminados com COVID-19. Na época, o anúncio apontou o tratamento com o remdesivir custando US$ 3.120 (o que representa mais de R$ 16,5 mil) por paciente, dentro de um hospital privado nos Estados Unidos.

O tratamento envolvia seis frascos do medicamento em cinco dias, totalizando os US$ 3.120, mas a terapêutica mais longa, com duração de 10 dias, utilizava em média de 11 frascos com o valor de US$ 5.720 (cerca de 30 mil reais) para os pacientes com seguros de saúde privados. Nos EUA, os medicamentos costumam ter dois preços de tabela: um para os planos de saúde e o outro para governos.

Antes, o Remdesivir já era indicado para impedir que determinados vírus. Com isso, os pesquisadores encontraram algumas evidências de que o remédio poderia acelerar o tempo de recuperação de pacientes graves. No entanto, na própria época do anúncio desse tratamento, a Gilead Sciences garantiu que continuaria a pesquisar a eficácia do medicamento e seus melhores usos.

Veja mais detalhes sobre o tratamento com Remdesivir e os preços.

Mapa interativo mostra regiões mais afetadas pela COVID-19

Pesquisadores da Johns Hopkins University permitiram que a população tivesse acesso a um mapa em tempo real sobre a COVID-19 (Imagem: fernando zhiminaicela/Pixabay)

No início do mês de julho, a fim de organizar todos os dados e fontes sobre a COVID-19, pesquisadores da Johns Hopkins University construíram um painel online que rastreia e apresenta em tempo real a disseminação mundial da COVID-19.

O mapa funciona da seguinte forma: as estatísticas que permitem a visualização de dados são coletadas de diferentes fontes, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, da Comissão Nacional de Saúde da República Popular da China e do Dingxiangyuan — uma espécie de rede social chinesa para profissionais de saúde que fornece, em tempo real, informações sobre novos casos.

Na época, Lauren Gardner, professora de engenharia civil e co-diretora da CSSE, na Johns Hopkins, explicou que o painel foi criado porque os pesquisadores acham importante que o público entenda a situação do surto à medida que ela se desenvolve com fontes de dados transparentes. "Para a comunidade de pesquisa, esses dados se tornarão mais valiosos à medida que continuarmos a coletá-los ao longo do tempo", completa uma das responsáveis pelo projeto. O site também exibe estatísticas sobre mortes e casos confirmados de coronavírus em um mapa mundial.

Confira mais detalhes e acesse o mapa interativo da Johns Hopkins (e outros mais).

A relação entre COVID-19 e vitamina D

Pesquisas norte-americanas associaram uma baixa concentração de vitamina D no sangue com maior risco de infecções de COVID-19 (Imagem:  Beverly Buckley / Pixabay)

Ao longo do ano, muitas teorias relacionadas à COVID-19 vieram à tona. No entanto, em setembro, duas pesquisas da Escola de Medicina da Universidade de Boston associaram uma baixa concentração de vitamina D no sangue com maior risco de infecções pelo SARS-CoV-2.

No dia 17 de setembro, um estudo feito com amostras de mais de 190 mil pacientes apontou para a prevalência de infecção por coronavírus no grupo dos pacientes que tinha alguma deficiência nos níveis de vitamina D no sangue. Na ocasião, também foi observado que aqueles pacientes com níveis deficientes de vitamina D possuíam uma taxa de infecção 54% maior pelo vírus da COVID-19.

Porém, no dia 25, um estudo liderado pelo mesmo médico do estudo anterior defendeu que a suficiência de vitamina D está ligada a uma diminuição significativa do nível de marcadores inflamatórios dentro do organismo e a níveis mais elevados de células imunológicas no sangue. A pesquisa coletou amostras de sangue de 235 pacientes internados em hospitais e diagnosticados com a COVID-19. A partir disso, os especialistas mediram os níveis de vitamina D e os associaram com a gravidade da infecção, a perda de consciência e a dificuldade para respirar. Leia a matéria completa aqui no Canaltech.

Vale ressaltar que o assunto rendeu, e em novembro, um estudo brasileiro que associou a falta de vitamina D no organismo aos casos graves da COVID-19. O estudo, que envolveu 176 pacientes idosos, apontou que 94% dos pacientes intubados tinham índices baixos da vitamina D. Segundo o especialista que o conduziu, manter níveis adequados de vitamina D passa a ser realmente importante neste momento de pandemia.

Imunidade duradoura contra a COVID-19

Imunidade duradoura contra COVID-19 é alvo de estudos ao longo do ano (Imagem: HwangMangjoo/Rawpixel)

Em meio à pandemia, uma questão que atraiu muita discussão por parte dos especialistas foi a imunidade duradoura. Em 23 de outubro, um grupo de pesquisadores portugueses verificou que 90% dos indivíduos apresentam anticorpos detectáveis ​​de 40 dias a 7 meses após contraírem a infecção viral, o que atesta algum grau de imunidade mais duradoura.

O estudo foi feito a partir de exames sorológicos. Desde o comecinho da pandemia, a equipe responsável monitora os níveis de anticorpos de mais de 300 pacientes hospitalares e profissionais de saúde diagnosticados com COVID-19, 2,5 mil funcionários de uma universidade local e 198 voluntários que já tinham se recuperado da doença. Na ocasião, os pesquisadores explicaram que notaram um padrão clássico com um rápido aumento dos níveis de anticorpos nas primeiras três semanas após os sintomas de COVID-19 e uma redução para níveis intermediários depois disso.

Já em 3 de novembro, um estudo realizado pelo UK Coronavirus Immunology Consortium (UK-CIC), Public Health England e Manchester University NHS Foundation Trust, apontou que a imunidade celular (relacionada às células T) contra a COVID-19 pode durar, na maioria dos adultos, por até seis meses após a infecção primária. Esse trabalho analisou 100 indivíduos com teste positivo para COVID-19 em março e abril de 2020, mas que não foram hospitalizados com o vírus. Todos os 100 indivíduos tiveram sintomas leves ou moderados ou eram assintomáticos.

Confira os detalhes do estudo de outubro e do estudo de novembro.

Voluntários da Pfizer relatam efeitos colaterais

Os voluntários que receberam a vacina da Pfizer contra a COVID-19 relataram efeitos colaterais semelhantes a uma “forte ressaca” (Imagem:  CDC / Unsplash)

Forte candidata na corrida pelas vacinas, a Pfizer realizou testes com mais de 43.500 voluntários de seis países, que foram divididos para receber o imunizante contra a COVID-19 BNT162b2, feito em parceria com a BioNTech, ou um placebo. Em 11 de novembro, a Pfizer divulgou um relatório com efeitos colaterais apontados pelos voluntários a testar a candidata.

Os voluntários que receberam a vacina da Pfizer contra a COVID-19 relataram efeitos colaterais semelhantes a uma “forte ressaca”, mas que desapareceram rapidamente. Dias antes, a farmacêutica tinha anunciado que sua candidata a vacina contra a COVID-19 é mais de 90% eficaz na prevenção da infecção. Na ocasião, afirmou não ter identificado nenhuma reação adversa grave ou uma questão séria com a segurança do imunizante.

Na época, o veículo The Independent trouxe relatos de Glenn Deshields, de 44 anos, que relatou esses efeitos colaterais e seu desaparecimento rápido — um teste de anticorpos revelou posteriormente que ele havia desenvolvido anticorpos contra o vírus, o que o convenceu de que havia recebido a vacina real — e de outra voluntária, Carrie, que relatou febre, dor de cabeça e dores no corpo depois de receber sua primeira injeção. Ela comparou a reação com efeitos semelhantes aos da gripe, que pioraram depois que ela recebeu sua segunda injeção.

Veja aqui no Canaltech os relatos completos

OMS interrompe testes com hidroxicloroquina

A decisão da OMS de interromper os estudos com hidroxicloroquina foi tomada como forma de "extrema precaução" (Imagem: Anna Shvets/Pexels)

Em 25 de maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou uma importante decisão: interromper seus testes com a hidroxicloroquina. O medicamento vinha sendo testado contra a COVID-19 por meio da iniciativa Solidarity, responsável por coordenar testes para o tratamento em diversos países.

Na época, o chefe do programa de emergência de saúde da OMS, Mike Ryan, contou que não houve qualquer problema nos testes, mas que a decisão foi tomada como "forma de extrema precaução". Mas acontece que, dias antes desse anúncio, a revista científica The Lancet divulgou um estudo alegando que o uso do medicamento poderia ser fatal.

A pesquisa foi feita com 96 mil pacientes de hospitais do mundo todo, e apontou que a cloroquina (ou hidroxicloroquina), seja associada a antibióticos ou não, apresentava uma taxa de mortalidade consideravelmente maior em relação aos pacientes que não fizeram seu uso. Tal estudo levantou muita polêmica na época, pois foi alvo de investigações por conta de supostas irregularidades. A controvérsia estava ligada a confiabilidade da base de dados utilizada pelos cientistas, que alegavam investigar mais de 96 mil pacientes. Poucos dias depois, o estudo foi removido do site da revista The Lancet e os autores se retrataram. Apesar de toda a confusão, outros estudos identificaram a ineficácia do medicamento contra a COVID-19.

Leia a notícia completa.

Vacinas contra COVID-19 avançam na corrida

Instituições e empresas privadas correm para desenvolver vacinas contra a COVID-19 (Imagem: Cottonbro/Pexels)

Nessa pandemia, uma luz no fim do túnel tem sido o desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19. Essa árdua batalha em busca de um imunizante que apresentasse eficácia e segurança acabou ganhando o apelido de "corrida das vacinas". Agora que estamos no fim do ano, já temos as candidatas que estão mais próximas na linha de chegada:

A vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech carrega um RNA mensageiro (mRNA) estimula o organismo a produzir uma proteína específica do coronavírus e apresenta eficácia de 95%. A fórmula já foi aprovada, de forma emergencial, em vários países, como os EUA, o Reino Unido e o Chile.

A vacina da farmacêutica norte-americana Moderna também desenvolveu uma vacina com RNA mensageiro (mRNA), e sua eficácia é de 94,5%. A fórmula já obteve autorização de uso emergencial nos EUA. Enquanto isso, o Instituto de Pesquisa Gamaleya, parte do Ministério da Saúde da Rússia, desenvolveu o imunizante Sputnik V, que atua a partir da plataforma de vetor viral não replicante, em duas doses. Com uma taxa de 95% de eficácia, o imunizante é utilizado na Rússia.

A farmacêutica chinesa Sinovac desenvolveu o seu imunizante, conhecido como CoronaVac, a partir de fragmentos do coronavírus inativados, Em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, a conclusão dos testes de fase 3 deve ser publicada nos próximos dias.

E por falar em Brasil, o país espera contar com quatro imunizantes, ainda não aprovados pela Anvisa: a CoronaVac; a vacina da Pfizer; a vacina de Oxford, desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, no Reino Unido; e o imunizante da farmacêutica da Johnson & Johnson, a Janssen.

Veja aqui todos os detalhes das vacinas que estão na frente nessa corrida.

Cientistas revertem envelhecimento de células humanas

Para chegar a esse feito inédito, os cientistas contaram com a colaboração de 26 pacientes voluntários (Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)

Em 20 de novembro, aconteceu um feito inédito na ciência: conseguiram reverter o processo de envelhecimento da célula humana. A descoberta foi feita com a ajuda de 26 pacientes voluntários, que se disponibilizaram a ficar em uma câmara de oxigênio hiperbárica, inalando oxigênio puro em uma pressão maior que a da nossa atmosfera, por cinco sessões de 90 minutos, toda semana, durante três meses.

Assim, os pesquisadores viram alguns telômeros das células sendo estendidos em até 20% do tamanho que tinham antes, ficando como eram 25 anos atrás. Vale ressaltar que a pesquisa também foi capaz de reduzir as células senescentes, aquelas que deixam de se dividir e ficam se acumulando no organismo, em 37%, dando espaço para que células novas e saudáveis se multipliquem. No entanto, a descoberta ainda não é motivo para empolgação, pois serão precisos mais estudos com a câmara de oxigênio hiperbárica.

Ficou curioso? Dá uma olhada na notícia completa!

Pesquisadores brasileiros podem ter encontrado cura para HIV

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conseguiram eliminar a presença do HIV do organismo de um homem (Imagem: Anna Shvets/ Pexels)

E por falar em feitos inéditos, para encerrar com chave de ouro a nossa retrospectiva: em julho, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) podem ter desenvolvido um tratamento eficiente para os portadores se curarem da infecção. A pesquisa envolveu, na sua primeira etapa em 2013, a participação de 30 voluntários que possuíam carga viral indetectável e eram tratados com o coquetel, que consiste em três tipos de antirretrovirais.

A equipe conseguiu eliminar a presença do HIV do organismo de um homem que vivia com esse vírus há sete anos, a partir de um tratamento experimental e que não envolve transplante de medula para a cura. Na época, esse paciente estava há 17 meses sem sinal do micro-organismo. Esse modelo de tratamento funciona a partir de células dendríticas (uma das principais células do sistema imune para a identificação de antígenos) e é feito de forma individual, sob demanda, para cada paciente.

Aqui você encontra mais detalhes sobre essa descoberta.

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