Falta de vitamina D é novamente relacionada a sintomas graves de COVID-19

Por Nathan Vieira | 04 de Novembro de 2020 às 17h14
Beverly Buckley / Pixabay

Cada descoberta, cada estudo realizado, é um passo a mais na luta contra a COVID-19. E dessa vez, quem exerceu um papel nessa batalha foi justamente um estudo brasileiro, associando a falta de vitamina D (ou colecalciferol) no organismo aos casos graves da COVID-19. O estudo, que envolve apenas pacientes idosos, está nas mãos do médico nutrólogo Thiago José Martins Gonçalves, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (Braspen), e aponta que 94% dos pacientes intubados por causa do novo coronavírus tinham índices baixos da vitamina D.

Publicado na revista Clinical Nutrition, da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (Espen), o estudo em questão avaliou 176 pacientes com idade média de 72 anos. Segundo o especialista que o conduziu, manter níveis adequados de vitamina D passa a ser realmente importante neste momento de pandemia.

Acontece que a deficiência de vitamina D é considerada comum no Brasil e no mundo, e ainda é alvo de muitos estudos. Ela é ativada na exposição da pele ao sol, mas pode ser adquirida também através da alimentação. É possível a suplementação, mas associações médicas só recomendam isto para pessoas com condições específicas — idosos com mais de 60 anos; gestantes e lactantes; pessoas com as chamadas doenças osteometabólicas, como raquitismo; entre outras.

Em paralelo, outros estudos recentes sobre o assunto apontaram que 80% dos pacientes com coronavírus em um hospital na Espanha apresentaram deficiência do composto. Embora mostre apenas uma associação e não uma relação de causa e consequência, os resultados sugerem que identificar se há deficiência de vitamina D em pacientes com COVID-19 pode ajudar a melhorar o prognóstico.

COVID-19 e vitamina D

(Imagem: Fusion Medical Animation/Unsplash)

Em setembro, estudos dos EUA que avaliavam a interferência da vitamina D nos casos da COVID-19 foram realizados por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston. E foram também publicados pela revista científica Public Library of Science One (PLOS ONE). A pesquisa da Universidade de Boston coletou amostras de sangue de 235 pacientes internados em hospitais e diagnosticados com a COVID-19. A partir disso, mediram os níveis de vitamina D e os associaram com a gravidade da infecção, a perda de consciência e a dificuldade para respirar.

O estudo aponta, no caso, que pacientes com mais de 40 anos que tinham níveis suficientes de vitamina D apresentavam 51% menos probabilidade de morrer em decorrência da infecção causada pelo coronavírus. 

Enquanto isso, no dia 17 de setembro, o outro trabalho foi publicado, com direito a análise de amostras de mais de 190 mil pacientes. A pesquisa apontou para a prevalência de infecção por coronavírus no grupo dos pacientes que tinha alguma deficiência nos níveis de vitamina D no sangue (uma concentração menor que 20 ng/mL).

Já a Universidade de Córdoba, na Espanha, publicou um estudo do tipo RCT (randomizado e controlado). Na pesquisa, a Vitamina D foi administrada para pacientes com a COVID-19 e que estavam internados com quadro de pneumonia. Foram avaliados 76 pacientes com esse quadro. 

Fonte: Clinical Nutrition via Veja

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