Coronavírus em tempo real: mapa interativo mostra regiões mais afetadas do globo

Por Fidel Forato | 25 de Março de 2020 às 17h25
NASA

Desde o começo de 2020, não há assunto mais comentando que o novo coronavírus, conhecido como SARS-CoV-2. Descoberto na China no final de dezembro, o vírus é responsável por milhares de internações e óbitos. A doença COVID-19 chegou a pelo menos 114 países — inclusive, ao Brasil —, é oficialmente uma pandemia, como anunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Nas últimas duas semanas, o número de casos da COVID-19 fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a respeito da mudança de classificação. Isso acontece porque muitos países são afetados ao mesmo tempo por essa enfermidade.

Para organizar todos os dados e fontes sobre o tema, pesquisadores da Johns Hopkins University construíram e atualizam regularmente um painel online que rastreia a disseminação mundial do surto de coronavírus, conhecido como SARS-CoV-2.

Universidade lança mapa interativo sobre os casos do coronavírus no mundo (Imagem: Fidel Forato/ Canaltech)

Entenda o mapa do coronavírus

Segundo Lauren Gardner, professora de engenharia civil e co-diretora da CSSE, na Johns Hopkins, "criamos esse painel porque achamos importante que o público entenda a situação do surto à medida que ela se desenvolve com fontes de dados transparentes".

"Para a comunidade de pesquisa, esses dados se tornarão mais valiosos à medida que continuarmos a coletá-los ao longo do tempo", completa uma das responsáveis pelo projeto. Por isso mesmo, o site exibe estatísticas sobre mortes e casos confirmados de coronavírus em um mapa mundial. Nele também é possível que os visitantes baixem os dados gratuitamente.

Fique por dentro:

Para Gardner, disponibilizar os dados para download é "crítico" para os pesquisadores. Por enquanto, a plataforma ainda não prevê para onde o vírus, provavelmente, se espalhará. Essa função que depende de estáticas e algoritmos mais calibrados.

No ano passado, Gardner e uma equipe de pesquisadores identificaram 25 regiões dos EUA com maior probabilidade de sofrer com os surtos de sarampo. Essa análise preditiva foi publicada na revista The Lancet Infectious Diseases e estava baseada no volume de viagens aéreas internacionais, isenções não médicas de vacinas infantis, dados populacionais e informações relatadas sobre surtos de sarampo.

Como funciona?

As estatísticas que permitem a visualização de dados são coletadas de diferentes fontes, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, da Comissão Nacional de Saúde da República Popular da China e do Dingxiangyuan — uma espécie de rede social chinesa para profissionais de saúde que fornece, em tempo real, informações sobre novos casos.

Gardner explica que esses levantamentos, provenientes de diferentes fontes, "podem fornecer avaliações mais oportunas do surto, em comparação com as organizações de relatórios ao nível nacional, que levam mais tempo para filtrar." Inclusive, alguns veículos de imprensa como Newsweek, PBS News Hour e ABC News já citaram o novo painel em seus relatórios sobre o surto.

Atualmente, o site registra mais de 410 mil casos da COVID-19 e 18 mil óbitos em decorrência da infecção no mundo todo. De acordo com o que pode ser visto, a maioria dos casos registrados ainda é na China (são mais de 81 mil), mas em segundo lugar está a Itália (mais de 69 mil). Além disso, o Brasil já registra mais de dois mil casos na plataforma. Confira o mapa aqui.

Mais opções mundiais

Plataforma da OMS detalha casos do novo coronavírus no mundo todo (Imagem: Fidel Forato/ Canaltech)

Mapa da Organização Mundial da Saúde (OMS): a plataforma mais oficial da pandemia permite acompanhar os últimos casos da COVID-19 no mundo. Com dados alimentados pelas próprias organizações da saúde de cada nação, o mapa identifica, com marcação alaranjada, os países que possuem casos confirmados e, quanto maior a circunferência, maior é o número de infecções daquele país. Clicando em um dos países, como a Espanha, o mapa entrega, de forma mais detalhada, o número do total de casos, além de um gráfico que demonstra como o vírus está se comportando.

Buscador da Microsoft, o Bing atualiza o número de casos da COVID-19 no mundo (Imagem: Fidel Forato/ Canaltech)

Mapa do Bing: na plataforma projetada pelo buscador da Microsoft, o usuário consegue monitorar tanto a progressão dos casos da COVID-19 no Brasil quanto no mundo. Com uma pegada semelhante ao da OMS, a maior diferença está nas informações mostradas quando se clica em uma localidade específica, já que aparecem o número total de casos ativos, recuperados e fatais. Isso sem falar que divide os países por estados e também destaca algumas notícias e vídeos relacionados ao avanço da pandemia globalmente.

Mapa The Base Lab destaca regiões com maior volume de casos do novo coronavírus (Imagem: Fidel Forato/ Canaltech)

Mapa The Base Lab: na plataforma, as regiões (marcadas com vermelho-escuro) têm os maiores números de casos, enquanto os países com tons mais claros são os menos afetados pelo novo coronavírus, além de detalhar casos e óbitos. No canto inferior direito, a ferramenta traz recurso para distinguir os continentes e há possibilidade de conferir a curva de crescimento do vírus nas regiões escolhidas.

COVID-19 no Brasil

Para entender a complexidade do novo coronavírus no Brasil, que já atinge todos os estados do território, a startup paranaense SIGA Geomarketing, fundada em 2018, desenvolveu um mapa interativo e online, que detalha os casos confirmados da doença tanto na esfera nacional quanto regional, além do número de óbitos.

Sem anúncios e de consulta gratuita, esse rastreador de casos da COVID-19 foi construído, com bibliotecas de mapa com código aberto e amplia, de certa forma, o acesso à informação da população brasileira a respeito da epidemia.

Startup paranaense cria mapa interativo com casos da COVID-19 no Brasil, com dados do Ministério da Saúde (Imagem: Fidel Forato/ Canaltech)

O mapa interativo da startup é calibrado diariamente com os dados oficiais divulgados pelo Ministério da Saúde, que são um levantamento de casos enviados pelas secretarias da saúde estaduais. Vale notar que um dos dados que contabilizavam no sistema era o de casos suspeito da COVID-19, mas acontece que o órgão federal não divulga mais a informação.

Clicando aqui, o usuário tem acesso a uma página com fundo preto, com zoom e um mapa interativo. Junto a essas informações, está um gráfico, do lado direito, que explica a evolução de casos, de maneira comparativa. Nessa tabela, é visivelmente expressivo que a maioria dos diagnósticos da COVID-19 estão concentradas no estado de São Paulo e, em segundo lugar, está o Rio de Janeiro.

Para entender sua legenda, em vermelho estão o número de casos confirmados, em amarelo estão as suspeitas e em preto os óbitos. Também há, no quadro, o número total correspondente a cada uma das situações, como os casos positivos e os falecimentos, por exemplo.

Fonte: Johns Hopkins University e BBC News

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.