COVID-19 | Vitamina D tem alguma relação com infecções pelo coronavírus?

Por Fidel Forato | 29 de Setembro de 2020 às 22h00
Fernando Zhiminaicela/Pixabay

Desde o início da pandemia da COVID-19, uma série de pesquisas preliminares tentam associar o consumo de algumas vitaminas ou nutrientes com uma suposta imunidade contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Agora, duas recentes pesquisas norte-americanas associaram uma baixa concentração de vitamina D no sangue com maior risco de infecções pelo agente infeccioso. Entretanto, mais investigações são necessárias.

Ambos os estudos dos EUA que avaliavam a interferência da vitamina D nos casos da COVID-19 foram realizados por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston. E foram também publicados pela revista científica Public Library of Science One (PLOS ONE).

Vitamina D pode ter associação positiva contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Lucrezia Carnelos/ Unsplash)

Vitamina D e a COVID-19

Em artigo publicado na última sexta-feira (25), o grupo de cientistas defende que a suficiência de vitamina D está ligada a uma diminuição significativa do nível de marcadores inflamatórios dentro do organismo e a níveis mais elevados de células imunológicas no sangue.

Liderado pelo médico Michael Holick, da Universidade de Boston, a pesquisa coletou amostras de sangue de 235 pacientes internados em hospitais e diagnosticados com a COVID-19. A partir disso, mediram os níveis de vitamina D e os associaram com a gravidade da infecção, a perda de consciência e a dificuldade para respirar.

Segundo o estudo, pacientes com mais de 40 anos que tinham níveis suficientes de vitamina D apresentavam 51% menos probabilidade de morrer em decorrência da infecção causada pelo coronavírus. Na conclusão, os autores defendem: "É recomendado que a melhoria do status da vitamina D na população em geral e em pacientes hospitalizados, em particular, tenha um benefício potencial na redução da gravidade das morbidades e mortalidade associadas à infecção da COVID-19".

No dia 17 de setembro, um outro estudo — agora, em análise retrospectiva e observacional — foi publicado e também contou com a participação do médico Holick. Com a análise de amostras de mais de 190 mil pacientes, a pesquisa apontou para a prevalência de infecção por coronavírus no grupo dos pacientes que tinha alguma deficiência nos níveis de vitamina D no sangue (uma concentração menor que 20 ng/mL).

Nesse caso, também foi observado que aqueles pacientes com níveis deficientes de vitamina D possuíam uma taxa de infecção 54% maior pelo vírus da COVID-19. Isso quando eram comparados com os pacientes que apresentavam níveis adequados de, pelo menos, 30 ng/mL no sangue da vitamina.

Pesquisa da Universidade de Córdoba com Vitamina D

Se os dois primeiros estudos investigaram uma correlação entre a vitamina D e a COVID-19, a Universidade de Córdoba, na Espanha, publicou um estudo do tipo RCT (randomizado e controlado). Na pesquisa, a Vitamina D — mais especificamente um pré-hormônio da formação da vitamina no organismo, o calcifediol — foi administrada para pacientes com a COVID-19 e que estavam internados com quadro de pneumonia.

No estudo, foram avaliados 76 pacientes com esse quadro. Do total, 50 pessoas receberam vitamina D junto ao tratamento básico do hospital para os casos de coronavírus. Já os outros 26 eram parte do grupo controle e receberam, apenas, o tratamento básico. A terapia considerada padrão era composta por uma combinação de hidroxicloroquina com azitromicina.

Nas análises, os pesquisadores observaram que metade das pessoas que não receberam vitamina D tiveram uma piora no quadro e precisaram ser submetidas a tratamento intensivo. Por outro lado, apenas uma pessoa que recebeu vitamina D deu entrada na UTI. Além disso, no grupo que recebeu a vitamina não houve óbito, enquanto no outro foram duas mortes.

Mesmo que seja um estudo pequeno para concluir que boas porcentagens de vitamina D no organismo eliminem o risco de morte em pacientes com a COVID-19, é um resultado positivo para mais estudos na área. “O calcifediol parece ser capaz de reduzir a gravidade da doença, mas estudos maiores com grupos devidamente combinados serão necessários para mostrar uma resposta definitiva”, afirmam os pesquisadores da universidade espanhola.

Afinal, o que é vitamina D?

Mesmo que mais análises precisem ser realizadas para comprovar a ligação positiva da vitamina D com os casos da COVID-19, vale entender a sua função no corpo. Ela é fundamental para a manutenção de uma boa saúde óssea e muscular, por exemplo. Ou seja, o organismo humano precisa, naturalmente, dessa substância para as suas atividades.

Além disso, estudos apontam que a vitamina D tem uma ação imunomoduladora, o que ajuda no controle da liberação das citocinas inflamatórias e também contribui para redução do risco e do agravamento de infecções virais respiratórias, como seria o caso da COVID-19.

Para aumentar os níveis de vitamina D no organismo, o ginecologista e obstetra Odair Albano explica que alguns recursos são: "a exposição ao Sol, diariamente, por pelo menos 15 minutos, entre às 10-14 horas, preferentemente, sem protetor solar; alimentação rica em vitamina D; e se necessário a suplementação em doses 1.000-2.000 UI/dia, recomendadas para reposição nutricional, em cápsulas ou comprimidos".

O primeiro estudo norte-americano sobre vitamina D, publicado na PLOS ONE, pode ser acessado aqui. Para acessar o artigo mais recente, clique aqui. Agora, a pequisa da Universidade de Córdoba pode ser lido aqui.

Fonte: Independent e Telegraph   

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