Anvisa emite nova nota sobre uso de ivermectina contra COVID-19 [UPDATE]

Por Fidel Forato | 12 de Julho de 2020 às 17h23
HeungSoon/Pixabay

[ATUALIZAÇÃO | 12 jul, 17h23] Após publicar nota na semana passada com ressalvas sobre o uso da ivermectina no combate à COVID-19, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) retomou a questão sobre o uso do vermífugo para o tratamento de pacientes diagnosticados com a doença neste sábado (11). Mesmo que o órgão continue a afirmar que o medicamento não tem eficácia comprovada contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), a nota foi encurtada e dela foi retirada uma série de pontos.

Entre os pontos removidos da primeira nota, estão os possíveis efeitos colaterais da ivermectina, quando usada sem prescrição médica, através da automedicação. Quando comparado, o texto mais recente da Anvisa ainda acrescenta que "não existem estudos que refutem esse uso", referindo-se à ministração do vermífugo no tratamento de pacientes com a COVID-19.

Independente disso, a segunda nota aponta que "as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento" e que o uso fora do previsto na bula "é de escolha e responsabilidade do médico". Ou seja, a decisão de tomar o remédio deverá ser tomada entre médico e paciente.

Anvisa divulga nota sobre uso da Ivermectina para COVID-19 (Foto: Divulgação/ Prefeitura de Itajaí)

A nova orientação é bem menos direta do que a da primeira, cuja nota oficial já foi retirada do ar, a qual afirmava: "não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus".

Conforme publicou o jornal O Globo, as alterações ocorreram para "não gerar conclusões equivocadas", já que ainda não existem estudos finalizados para a nova infecção respiratória. O órgão também informou que inciará discussões para incluir ou não a indicação da Ivermectina para o tratamento do novo coronavírus, assim que houver estudos científicos conclusivos.

A seguir, veja a última nota completa da Anvisa sobre o uso da ivermectina:

Diante das notícias veiculadas sobre medicamentos que contêm ivermectina para o tratamento da Covid-19, a Anvisa esclarece:

Inicialmente, é preciso deixar claro que não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, bem como não existem estudos que refutem esse uso. 

Até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19 no Brasil.

Nesse sentido, as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento.

Cabe ressaltar que o uso do medicamento para indicações não previstas na bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor.

Confira o texto original com a notícia publicada no Canaltech, na íntegra, na última sexta-feira (10):

Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou sobre os riscos de tratamentos para o novo coronavírus (SARS-CoV-2) que utilizam Ivermectina — remédio normalmente indicado para o combate de vermes e parasitas. De acordo com o órgão, não há comprovação científica de que a ivermectina seja efetiva no tratamento da COVID-19.

Se por um lado não há comprovações da eficácia do anti-parasitário, por outro lado está documentando os efeitos colaterais e os riscos do uso do medicamento sem prescrição médica. “No caso da Ivermectina, os principais problemas (eventos adversos) são: diarreia e náusea, astenia [perda da força física], dor abdominal, anorexia, constipação e vômitos; em relação ao sistema nervoso central, podem ocorrer tontura, sonolência, vertigem e tremor. As reações epidérmicas incluem prurido, erupções e urticária”, afirma a nota da Anvisa.

A questão principal é que ainda não existem estudos conclusivos que apontam para o uso seguro desse medicamento no tratamento da COVID-19. “Assim, não há recomendação, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, pontua a Anvisa.

“Ressaltamos que a automedicação pode representar um grave risco à sua saúde. O uso de medicamentos sem orientação médica e sem provas de que realmente estão indicados para determinada doença traz uma série de riscos à saúde”, alerta o órgão de vigilância sanitária.

No cenário de tratamentos para a COVID-19, o Brasil não tem um medicamento específico para esse fim, somente para os sintomas de pacientes com o novo coronavírus. “Os medicamentos atualmente aprovados são utilizados para tratamento dos principais sintomas da doença, como antitérmicos e analgésicos. Para casos em que há infecções associadas, recomenda-se usar agentes antimicrobianos (antibióticos)”, esclarece a Anvisa. O que acontece é que determinados medicamentos podem ser usados em situações especiais, como pesquisas científicas.

O que é a ivermectina?

A ivermectina é um medicamento aprovado para uso desde 1999 e, nos últimos anos, demonstrou ter atividade antiviral in vitro - apenas dentro do laboratório, em experimentos controlados - contra alguns tipos de vírus. Até o momento, existem mais de 25 estudos clínicos no mundo propostos para avaliar a eficácia da ivermectina para o tratamento do novo coronavírus.

No entanto, segundo a Anvisa, “não existem, ainda, resultados conclusivos sobre a eficácia da ivermectina no combate à COVID-19. Também não existem dados que indiquem qual seria a dose, posologia ou duração de uso adequada para impedir a contaminação ou reduzir a chance de gravidade da doença”. Isso porque os resultados encontrados in vitro podem ser muito diferentes dos encontrados in vivo, ou seja, quando testada em pacientes humanos.

Pela falta de estudos conclusivos, o medicamento não pode ser considerado como eficaz para o tratamento da COVID-19. Por exemplo, para a aprovação de novas indicações terapêuticas para um medicamento é necessário a demonstração de segurança e eficácia em um número representativo de participantes, o que ainda não ocorreu. “No caso da Ivermectina, contudo, os estudos disponíveis acerca da sua eficácia no tratamento da COVID-19 ainda não são conclusivos”, completa.

Fonte: AnvisaO GloboCorreio Braziliense

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