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Positivo quer IA democrática e Brasil com independência tecnológica

Por| Editado por Wallace Moté | 08 de Junho de 2024 às 14h00

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(Imagem: Divulgação/Positivo)
(Imagem: Divulgação/Positivo)
Tudo sobre Positivo

A Positivo celebrou em maio de 2024 seus 35 anos, posicionando-se como uma das marcas brasileiras mais conhecidas e influentes do país. A companhia, que começou com o objetivo de fabricar computadores para escolas e centros educacionais do grupo em 1989, já é um conglomerado que vai além dos notebooks e celulares, atendendo outras empresas com soluções para servidores, serviços de pagamento e até tecnologias de segurança.

Para falar um pouco dos próximos passos da empresa, o Canaltech conversou com o Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo, Norberto Maraschin. Além de dar uma amostra do planejamento da companhia para a "era da IA", o executivo também comentou sobre as parcerias com marcas como VAIO e Infinix, falando ainda a respeito dos planos ambiciosos da empresa para sua expansão após a compra da Algar Tech.

Positivo mira em IA democrática

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A Inteligência Artificial é sem dúvida o assunto mais badalado do momento na indústria da tecnologia. Com dispositivos que prometiam "substituir o smartphone" a uma série de novos processadores de computador preparados para a "era da IA", equipados com as Unidades de Processamento Neural (NPUs), um número cada vez maior de gigantes do ramo está investindo em oferecer soluções que possam integrar algoritmos de IA no nosso dia a dia.

Perguntado sobre como a Positivo pretende abordar essa tecnologia, Norberto mostra um posicionamento curioso da marca, que enxerga que será uma coadjuvante, mas mantendo a visão da companhia de buscar democratizar novidades como essa.

"A gente entende que [a Inteligência Artificial] vai demorar até que isso caiba no bolso, nos orçamentos dos CIOs [os Chief Information Officers, executivos responsáveis pela área de TI das empresas] e das pessoas. Então, o nosso trabalho é sempre pensar fora da caixa e inovar de tal forma que a gente consiga democratizar o benefício da IA de forma simples, ao mesmo tempo que seja acessível ou que seja justa. Então, a participação do Positivo vai ser precisa nesse aspecto. Vai ser um coadjuvante para trazer inovação e fazer essa inovação estar acessível a todos." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.
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O executivo também explica que a fabricante já está estudando as possibilidades e os avanços oferecidos pelo Copilot da Microsoft, indicando que veremos as soluções de hardware capazes de rodar grandes modelos de IA localmente em futuros produtos da Positivo, e destacando como esse processamento local vai garantir maior eficiência energética. Dito isso, Norberto enfatiza que os avanços ainda estão em estágio inicial.

"Quais são as ferramentas que vão rodar em cima [do hardware de IA]? Toda essa análise a Positivo está fazendo, então a gente deve inovar trazendo novos hardwares que consigam entregar isso para o processamento local. Aí você pode falar de uma perda de eficiência de processamento local. O fato é que [...] se [o processamento] for feito na nuvem, a energia do mundo não vai ser suficiente para o que todos os especialistas estão dizendo que a IA vai fazer. Vai precisar do processamento local, não há dúvida. [...] É algo que a gente tem que estruturar para trazer. Mas é bastante a ideia de estágio inicial. Essa é a palavra, um estágio inicial." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

VAIO, Infinix e as parcerias

Uma das estratégias mais interessantes trabalhadas pela Positivo é a de estabelecer parcerias com marcar estrangeiras para facilitar sua instalação no Brasil. A lista de companhias com as quais a empresa brasileira trabalha é extensa, e envolve nomes como a Supermicro no segmento de servidores e data centers, a Infinix em smartphones e a VAIO para notebooks. O número de produtos lançados através dessas colaborações tem crescido, e será expandido ainda mais nos próximos meses, conforme aponta Norberto.

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Perguntado sobre a parceria com a Infinix, o Vice-Presidente destaca alguns dos aparelhos mais recentes a estrear por aqui, incluindo o Infinix Smart 8 Pro e o Infinix Hot 40i, e sinaliza que podemos esperar a estreia de um modelo topo de linha ainda neste ano.

"A gente trouxe um produto bem bom para a faixa de R$ 1.000 [...] que entrou no mercado mês passado [em abril], o [Infinix] Smart 8 Pro, [...] ele tem 256 GB, ele tem uma RAM de 4 [GB] que vai a 8 [GB] usando o Memory Fusion [recurso que usa parte do armazenamento para expandir a RAM], ele tem câmera de 50 [MP], é um produto bem legal, eu acho que é um produto bem justo para esse patamar de preço. [...] Esse mês [em maio] vai entrar o Hot 40i, e logo vai entrar o top de linha, que a gente deve fazer um evento para falar." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

Já falando sobre eventuais novidades da VAIO, Norberto revela que teremos novos notebooks da companhia japonesa chegando ao Brasil no terceiro trimestre (entre julho e setembro), oferecendo performance para quem precisa lidar com tarefas mais pesadas, incluindo jogar, apostando na construção premium pela qual a linha é conhecida.

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"A gente em VAIO está com produtos bem especificados, que têm materiais mais premium. Então tem duas linhas que a gente deve trazer agora, em Q3 [no terceiro trimestre], de performance, e é uma performance gamer, com uma performance para o cara que também joga, [com] uma placa [RTX] 3050, 3060, mas com design mais fino, com design mais clean, mais cara de VAIO. [...]" — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

Norberto destaca ainda a importância dessa parceria não apenas pelo papel que a Positivo exerce no desenvolvimento dos projetos, trabalhando junto à VAIO, como também pela existência da parceria em si, que denota a confiança que a empresa japonesa possui apesar das diferenças culturais. Mais do que isso, o Vice-Presidente revela que as duas estão preparando uma "grande novidade em tablets" para o fim do ano, e pretendem posicionar cada vez mais a marca VAIO no segmento de produtos premium.

"A gente deve trazer uma novidade muito grande de tablets também, para o final do ano, que vai ser importante. Eu acho que a gente acertou muito em tablets. [...] Com a VAIO, a gente tem essa parceria desde 2015, [...] está com quase 10 anos já. [...] Isso demonstra também a seriedade da Positivo, uma marca que confiou à Positivo seu bem mais precioso, a sua marca [a VAIO], a ponto de deixar a gente desenvolver produtos para eles. [Com] a VAIO a gente quer cada vez fazer produtos mais premium, a nossa proposta é [oferecer] produtos cada vez mais high-end." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.
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Apesar das colaborações, a empresa brasileira vai continuar investindo em sua própria linha de notebooks, trabalhando para oferecer opções com maior performance nos próximos meses, adotando processadores da linha Ryzen da AMD.

O uso de Snapdragon em PCs

Outra novidade que tem chamado muita atenção nos últimos meses é a investida que a Qualcomm tem feito para se estabelecer como uma alternativa à AMD e Intel no mundo dos computadores.

A empresa, que já é referência de processadores para celulares com a linha Snapdragon, está investindo pesado na família Snapdragon X, prometendo entregar desempenho e eficiência energética em níveis capazes de bater de frente com a Apple e sua família de chips M.

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A iniciativa já conquistou um número considerável de gigantes, incluindo Acer, ASUS, Dell, Lenovo e Samsung, e ao que parece, também está sendo avaliada pela Positivo. Perguntado se há espaço para a linha Snapdragon nos PCs da marca, Norberto revela que há conversas constantes com a Qualcomm, destacando as vantagens que os chips com arquitetura ARM oferecem, além da importância de haver concorrência.

"A gente fez os testes com Snapdragon no ano passado [com o lançamento dos notebooks Compaq com Snapdragon 7c] e a gente tá discutindo com a Qualcomm constantemente. A gente tem tido reuniões mensais com eles. Tem espaço, tem espaço sim. E eles têm uma vantagem, o mundo de [processadores com arquitetura] ARM é um mundo que, bom, quando a Apple foi pra ARM também chacoalhou muito o mercado. Mas o ARM ele tá mais ambientalizado a economizar energia. Isso sempre foi um desafio no smartphone. Como que eu faço a bateria durar mais? Muito mais do que em PCs. Então o chipset com arquitetura ARM ele traz determinadas vantagens, um grau de maturidade que pode propiciar o Snapdragon, a Qualcomm, a entrar nesse mercado, que hoje é dominado pela Intel e pela AMD. Então a gente acha, pra nós também, a gente acha que a concorrência é bom pra todo mundo, porque faz todo mundo se inovar [...]." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

Casa conectada e planos de ecossistema

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A Positivo também tem uma participação forte no mercado de casa conectada, oferecendo dispositivos como lâmpadas, luminárias, robôs aspiradores, fechaduras e até alimentadores de pets inteligentes, através da marca Positivo Casa Inteligente.

Os aparelhos são gerenciados por um aplicativo único, disponível para celulares Android e iOS, e trazem suporte aos principais assistentes de voz do mercado, incluindo Alexa e Google Assistente.

Um ponto que chama atenção é que o app é proprietário, desenvolvido no Brasil, aspecto que o Vice-Presidente faz questão de destacar, enquanto reforça que o propósito da Positivo nesse setor é similar ao de computação, mirando em democratizar o acesso a esses dispositivos.

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"[...] Lá no começo, todos saíram com aplicativos White Label [quando uma marca usa um app ou produto padronizado, apenas colocando sua marca], baseados na Tuya. Então você tinha 30 marcas atuando no Brasil [usando] White Label. O que que a Positivo fez muito rapidamente? A gente não queria ser um White Label, a gente queria ter nosso aplicativo, só que isso é uma jornada difícil. A gente lançou [...] em junho, julho de 2019. A gente investe, desde o lançamento, no nosso aplicativo próprio. [...] E a gente tem uma coisa extraordinária, [...] a gente tem beta testers, [...] cerca de 500 usuários que amam o Positivo Casa Inteligente, e que a gente coloca os produtos pra eles testarem. E eles dão feedback do aplicativo, dão feedback do produto, e eu acho que é uma construção, isso é legal, o Positivo Casa Inteligente é a coisa mais próxima que a gente tem dos usuários hoje, porque eles constroem a Positivo Casa Inteligente junto [...]." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

Mais interessante, quando perguntado sobre o eventual estabelecimento de um ecossistema integrado, Norberto revela que essa é a próxima etapa da companhia, mencionando alguns padrões da indústria que devem ser utilizados, como o Matter.

"[...] O desafio é enorme, mas sim. A gente está trabalhando pra ter esse ecossistema mais e mais integrado. Então, veja, por exemplo, hoje a gente tem o PositivoSEG [a marca de produtos de segurança] [...]. O PositivoSEG tem uma proposta muito mais B2B [empresa para empresa] do que B2C [empresa para consumidor], e [...] um dos passos que a gente quer é que esse ecossistema esteja completamente integrado. E a genialidade nossa [é que] ela vai passar pra que a gente integre qualquer hardware [nessa] plataforma. Ele pode ser um hardware Tuya, ele pode ser um Matter, ele pode ser um cara que não está integrado em nenhum sistema e tem um software próprio ou um hardware muito próprio. A gente vai pegar todos esses dispositivos e todos eles vão trabalhar [no] ecossistema único da Positivo." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

Esforços de sustentabilidade

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Uma tendência de extrema importância de companhias de todos os segmentos é a de investimentos cada vez maiores em sustentabilidade. Casos como a catástrofe recente no Rio Grande do Sul e as temperaturas extremas que diferentes regiões do planeta têm vivenciado são provas da necessidade de avaliar melhor as estratégias das empresa, e buscar um meio de manter a produção de uma forma que reduza ao máximo os impactos ao meio ambiente.

Questionado sobre as iniciativas da Positivo relacionadas à sustentabilidade, Norberto destaca como a empresa é engajada, relembrando os investimentos na startup curitibana ERT (Earth Renewable Technologies), que incluíram a adoção de embalagens de plástico biodegradável baseado em cana-de-açúcar já a partir de maio deste ano.

"A gente investe em cerca de 20 startups brasileiras. A gente coloca dinheiro, a gente coloca 50 milhões por ano em startups. Uma dessas startups, é essa startup que ela utiliza o polímero que, ao invés de vir do petróleo, ele vem da cana-de-açúcar. É mais caro esse plástico, mas ele vira adubo imediatamente. [...] E a gente também, então, todas as embalagens dos nossos produtos, a gente tem trabalhado com materiais biodegradáveis, até o tipo de papelão que a gente utiliza nas caixas. [...]" — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.
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O executivo também reforça que, por ser brasileira, a marca enxerga ser uma obrigação trabalhar de uma forma mais sustentável, como parte do "propósito de país" que a fabricante tem para o Brasil.

"Então, nós somos uma empresa brasileira. Esse é o principal tema. Nosso primeiro propósito é com o nosso país, com o Brasil. [...] E como a Positivo é uma empresa brasileira, não tem acionista estrangeiro aqui, é uma empresa que tem um propósito de país. Então o ESG aqui, sustentabilidade, a governança, o meio ambiente, é obrigação nossa com o país. E a gente tem cumprido, tem governança interna para estar dentro de todas as políticas e atingir todos os níveis de ESG que são necessários." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.

Os próximos passos da Positivo

Para encerrar a entrevista, Norberto comenta então um pouco sobre os próximos passos da Positivo, que vislumbra um futuro mais diversificado, em que a marca deve se expandir para oferecer um potfólio completo de serviços. A ideia, como indica o executivo, é garantir que o Brasil possa cada vez mais crescer como uma referência tecnológica, reduzindo assim a dependência de tecnologias estrangeiras.

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Um dos primeiros passos para esse plano ambicioso foi a compra da Algar Tech, outra empresa brasileira de alcance global cuja especialidade são as soluções de TI. Concluída no início de junho, a transação fez a Positivo praticamente dobrar de tamanho, atingindo um quadro de 9 mil funcionários.

"[...] A Positivo deu um grande passo esse ano, foi a aquisição da Algar Tech. São 4.500 colaboradores. A empresa que a gente comprou é outra empresa nacional extraordinária, e eles têm essa pegada de prestar serviço e prestar consultoria de TI, e eles são muito bons e muito profissionais. Eles têm operação no Brasil e em outros países, [como] México, Colômbia e outros lugares. [...] A Positivo passa a ter 9.000 colaboradores com a aquisição da Algar Tech. Então, o que você vai ver nos próximos anos? Você vai ver uma Positivo que não vende só o dispositivo, mas uma Positivo que vende toda uma solução tecnológica, cada vez mais com patentes, cada vez mais com tecnologia própria [...]." — Norberto Maraschin, Vice-Presidente de Negócios de Consumo e Mobilidade da Positivo.