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Musk pode "destruir" o Twitter? Entenda os dilemas dos negócios da rede social

Por| Editado por Claudio Yuge | 18 de Abril de 2022 às 14h30

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Pixabay/Tumisu
Pixabay/Tumisu
Elon Musk

Elon Musk disse, durante a cúpula anual da organização TED na quinta-feira (14), que tem um plano B caso o Twitter rejeite sua tentativa de comprar todas as ações da empresa por US$ 43 bilhões (R$ 198 bilhões). No entanto, não forneceu mais detalhes.

"Você disse que não vai subir mais (a oferta). Existe um plano B?", perguntou a Musk Chris Anderson, o curador-chefe da conferência TED. "Há", respondeu o bilionário, sem estender a resposta, provocando risos da plateia. "Acho que gostaríamos de ouvir um pouco sobre o Plano B", pressionou Anderson. "É para outro momento, eu acho", despistou o executivo.

No início da conversa com Anderson, Musk reconheceu a possibilidade de não conseguir se tornar o único dono da empresa, mas disse que poderia "tecnicamente" adquiri-la. "Tenho ativos suficientes", disse ele, novamente sem dar detalhes.

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Musk já detém US$ 3,3 bilhões (R$ 15,2 bilhões) em ações do Twitter. Para comprar todos os ativos da rede social, precisaria de quase US$ 40 bilhões em dinheiro extra. O ricaço havia dito a Anderson, no início da conferência, que esperava trazer para seu lado quantos acionistas forem permitidos pela lei. Estima-se que Musk, sozinho, tenha na conta bancária US$ 219 bilhões (R$ 1 trilhão), segundo a Forbes.

Segundo a Business Insider, o sul-africano também é conhecido por penhorar suas ações da montadora Tesla como garantia para um empréstimo, mas com o limite de 25% do valor total de sua participação nas empresas que investe. Esse acordo pode deixá-lo com US$ 40 bilhões se ele optar por lançar mão dessa opção para aumentar seu poder no Twitter.

Nãó é só Elon Musk: tem mais gente de olho no Twitter

Como se essa história não estivesse agitada o bastante, a tem mais gente de olho nas ações do Twitter. Já sabemos que a diretoria da empresa se irritou com a oferta de Musk. Agora a gigante americana de capital privado Thoma Bravo está para lançar uma proposta de aquisição da rede social, disseram fontes próximas ao assunto ao The New York Post e depois confirmado pela Reuters.

Ainda não se sabe quanto a Thoma Bravo estaria disposta a pagar pelo Twitter. Como ela tem mais de US$ 103 bilhões (R$ 474 bilhões) sob sua gestão, além de ter no portfólio grandes nomes como a empresa de cibersegurança McAfee e a desenvolvedora de software Landesk, estaria, em tese, apta a superar a proposta de Musk.

Além disso, outro bilionário insatisfeito com Musk abriu o verbo. O príncipe árabe Alwaleed bin Talal, dono da Kingdom Holding Company e também um grande acionista do Twitter, com mais de 5% das ações da companhia, tuitou na quinta-feira (14): “Não acredito que a oferta proposta de Elon Musk chega perto do valor intrínseco do Twitter dadas suas perspectivas de crescimento. Sendo o maior e mais antigo investidor do Twitter, minha empresa e eu rejeitamos essa oferta".

Musk respondeu também por Twitter, com seu jeito ácido de sempre. "Interessante. Duas perguntas, se me permite. Quanto o reino da Arábia Saudita possui do Twitter, direta e indiretamente? Quais são as visões do reino sobre a liberdade de expressão jornalística?".

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Enquanto isso, o site Business Insider disse Musk deixou de ser o maior acionista do Twitter — pelo menos por enquanto. Um gestor de ativos do Vanguard Group disse em um documento apresentado recentemente à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA que desde 8 de abril seus fundos detêm uma participação de 10,3% na rede social.

Outro provável concorrente parece ser a Microsoft, dizem fontes de Wall Street. Segundo a Forbes, a empresa se recusou a comentar se estava considerando ativamente entrar na disputa. A empresa de software já ensaia aquisições de redes sociais há um tempo; tentou comprar o TikTok em 2020 e desistiu por causa da interferência do então presidente dos EUA, Donald Trump, que acusava a plataforma chinesa de espionagem. Também já comprou o LinkedIn em 2016.

O que será do Twitter após a interferência de Elon Musk?

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O Twitter tem ampliado sua moderação de conteúdo para reduzir extremismo. O ex-presidente dos EUA,Donald Trump, foibanido permanentementeda plataforma por conta de incitação à violência no caso da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro do ano passado. Falando a Chris Anderson no TED, Musk disse que fez a oferta porque acredita que é importante ter uma "arena inclusiva para a liberdade de expressão".

Na visão de Musk, qualquer moderação de conteúdo, mesmo em casos extremos como o de Trump, fere a liberdade de expressão. Para ele. o Twitter é como uma praça pública, e sua moderação de conteúdo mais assertiva estaria "minando a democracia". Portanto, especialistas temem que o desejo do bilionário pela plataforma tenha pano de fundo político, tornando-a um lugar ainda mais tóxico, com espaço livre para desinformação e discurso de ódio.

Cronologia do caso Elon Musk x Twitter

No começo de abril, Elon Musk, CEO daSpaceXeTesla, comprou73.486.938 ações do Twitter, equivalente a 9,2% do total de papéis da companhia, e tornou-se seu maior acionista.

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Com o negócio, Musk também foi nomeado para o conselho de administração da rede social. O acordo, porém, tinha um detalhe: em troca do novo cargo, Musk não poderia comprar mais de 14,9% das ações ordinárias do Twitter durante o período de seu mandato mais 90 dias depois.

Uma semana após a compra de ações, Musk e o Twitter anunciaram que o primeirodesistiu de fazer parte do conselhoda empresa. O CEO da plataforma, Parag Agrawal, foi evasivo sobre o assunto; disse apenas que o empresário precisaria, como membro do conselho, "agir no melhor interesse da empresa e de todos os nossos acionistas".

Na semana passada, Musk registrou na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, uma proposta para comprar todo o Twitter por US$ 43 bilhões (R$ 198 bilhões), além de fechar novamente seu capital. Segundo ele, é sua oferta final, e se não for aceita, cogita até mesmo deixar de ser acionista da empresa.

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Fonte: Business Insider, (1, 2), Valor, Forbes, Exame