B2B or not 2B | Resumo semanal do mundo corporativo

Por Stephanie Kohn | 24 de Maio de 2019 às 16h12

Bem-vindo ao nosso resumo semanal do mundo corporativo. Toda sexta-feira selecionamos as principais notícias que rolaram nos últimos dias para você ficar por dentro dos assuntos mais relevantes do momento. De estratégias de negócios até problemas judiciais, aqui você se atualiza em poucos minutos. Confira!

Guerra comercial

Em uma manobra que definitivamente pegou a empresa de surpresa, a Google suspendeu seus negócios com a Huawei após a gigante chinesa entrar para uma “lista negra” comercial sugerida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Depois do anúncio da Google, outras empresas do setor também anunciaram cortes no fornecimento de equipamentos e serviços à Huawei. Também citando fontes em anonimato, a Bloomberg relatou que as fabricantes de processadores Intel e Qualcomm, bem como Xilinx, Infineon e Broadcom, já comunicaram a seus funcionários que vão deixar, em graus variados, de trabalhar com a gigante chinesa.

As mais proeminentes — Intel e Qualcomm — são responsáveis, respectivamente, pelo fornecimento de processadores aos laptops e alguns smartphones da Huawei. A Infineon, especializada na oferta de semicondutores, viu suas ações caírem no mercado global após ter paralisado algumas ofertas para a chinesa. Entretanto, a empresa não disse se a mudança tem a ver com a ordem executiva da administração Trump e que ela não é obrigada a obedecer tal legislação (a Infineon é de origem alemã, fora da jurisdição americana).

Mais pro meio da semana, mais dois nomes decidiram se distanciar da Huawei: as gigantes japonesas Toshiba e Panasonic. A Toshiba anunciou que suspendeu o envio de aparelhos eletrônicos para a chinesa e que está investigando se usou peças ou tecnologias originárias dos EUA em seus produtos vendidos para a Huawei — o que configura uma violação à sanção americana.

A Panasonic também havia anunciado que tinha suspendido os seus negócios com a gigante chinesa. Em um comunicado para a BBC, a empresa disse que notificou internamente que deveria suspender as transações com a Huawei e os seus 68 afiliados que foram proibidos pelo governo dos EUA.

No entanto, assim como a conterrânea Toshiba, a Panasonic disse que as operações comerciais que não violassem as regulamentações dos EUA continuariam a ser negociadas normalmente com a Huawei.

Tiro pela culatra

A ordem executiva emitida pelo presidente Donald Trump na última semana, no entanto, pode acabar saindo pela culatra, segundo alguns especialistas e analistas de mercado: apesar de a legislação ferir o desempenho comercial da Huawei nos EUA, empresas americanas como Google e Apple podem ter quedas severas de performance em setores onde a gigante chinesa é mais popular.

Falando especificamente da Apple, o banco de investimentos Goldman-Sachs apontou que há cenários onde a Maçã de Cupertino poderia vir a perder até 29% de sua lucratividade em mercados estrangeiros.

No caso da Google, apesar de a Huawei perder o acesso a atualizações de segurança e aplicativos feitos pela mãe do Android, isso não necessariamente significa um problema à chinesa em outros mercados. Para algumas pessoas na Europa, por exemplo, a capacidade de comprar dispositivos com tecnologia de ponta pode ser mais importante do que o acesso a softwares específicos.

Outra consequência da guerra comercial é a economia global. As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e China no ano passado já estão começando a desacelerar o crescimento e aumentar a inflação, disse a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Como consequência da disputa comercial, até 2021, a produção econômica de ambos os países é estimada em 0,2% -0,3%, respectivamente.

A situação deve piorar com as tarifas extras anunciadas no início deste mês. Se mantidas, as novas taxas dobram o impacto negativo na economia global. No pior cenário hipotético, onde os Estados Unidos e a China impõem tarifas de 25% sobre todo o comércio bilateral restante, o PIB global seria 0,7% menor em 2021.

Nome próprio

A Amazon agora é a empresa que pode usar seu nome como domínio de internet. A informação pode parecer óbvia, mas este é um embate que já somava 8 anos envolvendo a gigante do varejo e governos de países da América Latina, incluindo o Brasil. A disputa é sobre a utilização de domínios relacionados a .amazon e variações deles.

A Corporação para Atribuição de Nomes e Números na Internet (Icann), órgão responsável por liberar endereços, definiu no último sábado (18) que somente a Amazon poderá usar também domínios que levam o nome de sua empresa. A companhia pode começar em 90 dias.

Recompra

A Toshiba quer recomprar sua divisão de chips de memória que havia sido vendida por US$ 17,7 bilhões ao consórcio Bain Capital, formado pelas empresas Apple, Dell, Kingston e Seagate. A informação foi divulgada esta semana pelo The Wall Street Journal.

Mesmo com o negócio, a Toshiba permaneceu com 40% da propriedade da unidade de chips. O acordo inicial foi fechado com a Bain Capital para evitar a aquisição da unidade pela Western Digital, o que reduziria a concorrência do mercado.

Agora, depois do período de turbulência, a Toshiba conseguiu um empréstimo de US$ 11,8 bilhões com bancos do Japão para recomprar as ações do Bain Capital e recuperar o controle da unidade. Vale ressaltar que, depois da compra, a Bain Capital continuará a ser a acionista majoritária da unidade de chips de memória da Toshiba.

Cutucada

A AMD publicou em seu site que seus chips são imunes ao novo quarteto de falhas arquitetônicas que estão atingindo PCs com processadores da Intel. Conhecidas como vulnerabilidades MDS, a Zombieload, RIDL, Fallout e Store-to-Leak Forwarding afetam o desempenho e principalmente as funcionalidades hyper-threading (ou hiperprocessamento) dos chips da Intel. Segundo a AMD, seus componentes possuem proteção de hardware nativa.

O site especializado Phoronix executou testes mostrando que os patches de falhas podem afetar significativamente o desempenho. As máquinas com processadores Intel ficaram em média 16% mais lentas, com as novas atualizações instaladas e o hyper-threading ativado, comparado a apenas 3% em máquinas com chips AMD.

Para piorar a situação, a Apple e a Google aconselharam os usuários da Intel a desabilitarem completamente o hyper-threading se eles realmente quiserem estar seguros. Isso pode causar queda de 40% a 50% no desempenho, dependendo do aplicativo. Novamente, os chips da AMD não precisam ser corrigidos por conta dos novos bugs, e não há necessidade de desabilitar o multi-threading simultâneo (SMT), que é o equivalente da AMD ao hyper-threading da Intel.

Mais um na parada

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou esta semana a compra da Netshoes pelo Magazine Luiza. O negócio tem valor estimado em US$ 62 milhões e foi anunciado no final de abril; a fusão, então, aguardava aprovação regulatória, que veio agora, e espera também a aprovação em uma reunião de acionistas do e-commerce de calçados, marcada para acontecer no próximo dia 30.

No entanto, quando veio a aprovação do Cade, chegou também uma proposição da Centauro, controlada pelo Grupo SBF. A rede de produtos esportivos apresentou um valor 40% maior que o ofertado pelo Magazine Luiza e estaria disposta a pagar US$ 87 milhões, ou US$ 2,80 por ação. A oferta também será avaliada pelos acionistas na próxima semana.

Caso seja aceita, o negócio deverá passar novamente pelo aval do Cade, que avalia questões relacionadas à fusão, monopólio e livre competição no Brasil. Em comunicado sobre a proposta, a Centauro disse que o contrato entre Netshoes e Magazine Luiza abrange a colocação de uma oferta de terceiros, desde que ela seja maior e realizada antes da reunião de acionistas. O aceite envolve o pagamento de multa no valor de US$ 1,8 milhão, um total que a empresa se mostra disposta a pagar.

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