Guerra comercial entre EUA e China pode reduzir PIB global em 2021, diz OCDE

Por Thaís Augusto | 21 de Maio de 2019 às 17h47

Depois de uma forte desaceleração no segundo semestre do ano passado, a economia global se estabilizou, de acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgados nesta terça-feira (21). Mesmo assim, a notícia não pode ser interpretada positivamente: nos próximos dois anos, o mundo pode esperar apenas um "crescimento moderado, mas frágil".

De acordo com a OCDE, as tensões comerciais são o principal fator que afeta a economia global. "O crescimento está se estabilizando, mas a economia está fraca e há riscos muito sérios no horizonte", disse a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone.

A organização espera que o crescimento do PIB mundial caía de 3,5% do ano passado para 3,2% em 2019, antes de subir ligeiramente para 3,4% no próximo ano. Enquanto isso, o comércio global deverá crescer 2,1% este ano, a menor taxa em uma década, segundo a OCDE. No ano passado, o comércio havia crescido 3,9% e 5,5% em 2017.

Crescimento da economia global por trimestre (Foto: Reprodução / Quartz)

As tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e China no ano passado já estão começando a desacelerar o crescimento e aumentar a inflação, disse a OCDE. Como consequência da disputa comercial, até 2021, a produção econômica de ambos os países é estimada em 0,2% -0,3%, respectivamente.

A situação deve piorar com as tarifas extras anunciadas no início deste mês. Se mantidas, as novas taxas dobram o impacto negativo na economia global. No pior cenário hipotético, onde os Estados Unidos e a China impõem tarifas de 25% sobre todo o comércio bilateral restante, o PIB global seria 0,7% menor em 2021.

O impacto nos Estados Unidos e na China seria ainda maior, em cerca de 0,9% e 1,1%, respectivamente. Outros países também seriam afetados negativamente, dada a importância e o tamanho de ambas as economias. Um declínio inesperado de 2 pontos percentuais no crescimento da demanda doméstica chinesa por dois anos poderá reduzir o crescimento do PIB global em cerca de 0,4 ponto percentual ao ano, prevê a OCDE.

Quando questionada sobre o futuro da economia global, a economista da OCDE disse que a perspectiva é "um pouco sombria". A organização ressaltou que a maioria dos países não pode arcar com quaisquer atrasos adicionais no crescimento. A OCDE já prevê crescimento econômico zero na Itália este ano, além de uma taxa de crescimento menor na Alemanha para 0,7% e a desaceleração da economia japonesa, também para 0,7%.

Apenas alguns países do G20 devem crescer mais rapidamente em 2019 do que no ano passado: Brasil, Arábia Saudita, África do Sul, Argentina (mas continuará em recessão) e Índia, que crescerá a 7,2%, a mais rápida do G20.

De acordo com a OCDE, o crescimento da economia dos Estados Unidos deve diminuir 0,1 ponto percentual para 2,8% este ano, e ainda cair a 2,3% no próximo ano. O crescimento do PIB chinês também cairá para 6,2% e 6% nos próximos dois anos, mesmo com o estímulo fiscal apoiando o reequilíbrio do país em direção a um crescimento econômico mais doméstico.

Fonte: Quartz

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