O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (08/09/2020)

Por Patrícia Gnipper | 08 de Setembro de 2020 às 19h00
KIS

Hoje é terça-feira, e vocês já sabem: é aquele dia da semana em que o Canaltech se dedica a resumir as principais notícias científicas dos últimos dias, tudo para que quem não tem lá muito tempo para se manter bem informado, saiba de tudo o que mais importa no momento em poucos minutos de leitura. Aqui, priorizamos o que está "bombando" em assuntos espaciais e também relacionados à pandemia de COVID-19, que ainda nos preocupa — e muito!

Missão chinesa comemora 600 dias no lado afastado da Lua

Módulo estacionário da Chang'e 4 (Imagem: Reprodução/CLEP /CNSA)

A missão Chang'e 4 completou 600 dias explorando o lado afastado da Lua. Isso é um marco importante porque significa que a missão já excedeu (e muito!) sua vida útil inicialmente planejada, que era de apenas três meses.

Além de ultrapassar sua estimativa de vida, o rover da missão, chamado Yutu-2, agora é o veículo lunar robótico que trabalhou por mais tempo na Lua. Ele foi lançado em 7 de dezembro de 2018, entrou em órbita lunar em dezembro de 2018 e pousou no lado oposto da Lua em janeiro de 2019.

Telescópio reformado tira foto impressionante do Sol

(Imagem: Reprodução/KIS)

Após passar por uma bela reforma, o observatório solar europeu GREGOR capturou imagens do Sol que são "de cair o queixo". Ele é equipado com um espelho primário de 1,5 m e recebeu uma importante melhoria técnica neste ano, podendo visualizar um campo de 50 km da superfície de plasma da nossa estrela. Ou seja: ele pode mostrar detalhes bem pequenos com imagens de altíssima resolução. A nova imagem do GREGOR mostra a evolução das manchas solares e estruturas intrindadas no plasma solar.

Descoberta a fusão mais massiva entre dois buracos negros

A onda gravitacional mais intensa já observada na história foi detectada agora, fruto da fusão de dois buracos negros que tinham cerca de 85 e 66 massas solares. O resultado foi a formação de um novo buraco negro de 142 massas solares, provavelmente em um aglomerado estelar.

Se você notou que a conta não fecha, já pode ter uma ideia do quanto a onda gravitacional foi intensa. É que faltam 9 massas solares no buraco negro resultante, mas elas não se perderam — nada no universo se perde, mas pode se transformar. Neste caso, essas 9 massas solares se transformaram em pura energia, irradiada na forma das ondas gravitacionais detectadas.

Além disso, o novo objeto pode ser a peça que faltava no que sabemos sobre a evolução dos buracos negros. É que ele pode ser primeiro buraco negro intermediário já detectado — e isso é algo que os cientistas procuram há muito tempo, até então sem sucesso.

O universo vai se encolher até um novo Big Bang?

Representação do espaço-tempo do Big Bang (o início é à esquerda), e o procedimento de desenvolvimento do universo (Imagem: NASA)

Um novo estudo apoia a hipótese de que nosso universo acabará se encolhendo até acontecer um novo Big Bang. Isso está diretamente ligado a uma ideia bastante controversa no meio científico, que é a do Cenário Ecpirótico. Essa ideia tenta explicar que nosso universo é infinito e existe em um ciclo interminável de expansão e compressão. Ou seja, o Big Bang não é a origem do cosmos, mas sim apenas um novo ciclo que se repete desde sempre.

Nessa hipótese, estaríamos agora em uma fase de “explosão”, que em algum momento vai desacelerar, parar, reverter e reduzir até atingir temperaturas e pressões inimagináveis. Então, o universo iniciará um novo processo de Big Bang. Sabemos que atualmente o nosso universo está em expansão, ou seja, as galáxias e outras estruturas estão se afastando cada vez mais umas das outras, em velocidade cada vez maior. O que ninguém entende até agora é o mecanismo que movimenta essa expansão, e até quando ela vai durar. Por isso alguns alegam que, em algum momento, o universo vai contrair.

Projeto Starlink segue avançando e velocidade da conexão melhora

Antena Starlink (Imagem: Reprodução/SpaceX)

Depois do lançamento mais recente, a SpaceX aumentou a quantidade de satélites Starink na órbita da Terra para mais de 700. Assim, a empresa já soma quantidade suficiente para começar a oferecer sua internet banda larga de alta velocidade e baixa latência por aí.

Na verdade, a internet Starlink já está sendo testada por um seleto grupo de beta testers, e a média de velocidade obtida por eles já aumentou um bocado: de acordo com a empresa, a Starlink mostra agora “latência super baixa e velocidades de download superiores a 100 Mbps”.

Ampliando a busca por inteligências alienígenas para mais de 280 mil sistemas estelares

Uma nova análise de dados coletados sobre a Via Láctea permitiu que uma equipe de cientistas da Universidade de Manchester ampliasse os limites de onde buscar vida extraterrestre tecnologicamente desenvolvida. Agora, o projeto SETI poderá fazer essa busca em mais de 280 mil sistemas estelares.

Esse é o famoso projeto que busca por possíveis civilizações extraterrestres tecnologicamente desenvolvidas — ao menos tão desenvolvidas quanto a nossa. Para isso, eles usam radiotelescópios para detectar sinais de rádio de baixa frequência que, em tese, não poderiam ser produzidos por fenômenos naturais (ou seja, só poderiam ser resultado de tecnologias).

Formações misteriosas encontradas em Marte

Ainda não se sabe o que formou essa textura em Marte (Imagem: NASA/JPL/UArizona)

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, encontrou formações misteriosas no Planeta Vermelho. Na área chamada Aureum Chaos, a sonda fotografou formações irregulares no solo, cuja origem ainda é desconhecida. A equipe de pesquisadores da Universidade do Arizona, que operam a câmera, propôs uma explicação sobre o que poderia causar essa formação: é possível que sedimentos tenham se acumulado tanto pela atividade da água quanto por substância no ar — como ocorreria em erupções vulcânicas.

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A partir de agora, você fica por dentro das principais notícias relacionadas à pandemia de COVID-19, que rolaram na última senana.

152 dias contaminada com COVID-19, porém sem sintomas

(Imagem: Tumisu/Pixabay)

No Rio de Janeiro, uma mulher permaneceu 152 dias infectada com o novo coronavírus de forma potencialmente contagiosa, porém sem apresentar sintomas na maior parte do tempo. Ela adoeceu em março, ficou três semanas com sintomas leves e não precisou ser internada. Depois disso, os sintomas se foram, mas o coronavírus permaneceu em seu organismo mesmo assim. Uma hipótese que poderia explicar esse caso estranho é que tenha sido protegida diretamente por células de seu próprio sistema imunológico.

COVID-19 retirada da lista de doenças relacionadas ao trabalho

O Ministério da Saúde havia determinado que a COVID-19 faria parte da Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), mas voltou atrás. Agora, volta a valer o entendimento anterior do STF, de que a doença pode ser enquadrada apenas como ocupacional (aquela adquirida ou desencadeada em função da realização de atividades cotidianas no trabalho). Na prática, não incluir a COVID-19 na LDRT dificulta que o INSS conceda o benefício previdenciário por auxílio-doença acidentário de maneira volunrária, salvo se houver decisão administrativa ou judicial.

Detectando coronavírus pela saliva

(Imagem: Divulgação/USP)

A USP está desenvolvendo um teste capaz de detectar o coronavírus por meio de amostras de saliva. O teste já se encontra na fase final, e a ideia é que ele custe bem menos que o teste de RT-PCR, realizado hoje por laboratórios no Brasil a um valor que varia entre R$ 350 e R$ 400. Basicamente, o objetivo é aumentar a disponibilidade e a rapidez e diminuir os custos para realização de testes moleculares por meio de simplificações dos processos.

Imunidade contra COVID-19 pode ser duradoura

Mais um estudo reforça a suspeita de que a imunidade contra a COVID-19 pode, sim, ser duradoura. A pesquisa analisou pessoas que se recuperaram das infecções, que foram colocadas em quarentena após exposição viral e que tiveram exposição desconhecida ao vírus. Então, foi avaliada a prevalência de anticorpos em todo o país, examinando um subconjunto de participantes para conferir as mudanças nos níveis de anticorpos, meses após a infecção.

Os resultados do estudo mostraram que mais de 90% das pessoas diagnosticadas com COVID-19 eram soropositivas, ou seja, quando há a presença de anticorpos no sangue, 25 dias após o diagnóstico. O estudo mostrou também que os pacientes que haviam sido hospitalizados eram os mais prováveis a adquirir anticorpos mais rápido após o diagnóstico do que aqueles que tiveram os sintomas mais leves.

Mulher se cura de AIDS espontaneamente

Encerrando o "resumão" de hoje, vamos a um novo mistério da ciência: uma mulher de 66 anos, contaminada com o HIV em 1992, pode ser a primeira pessoa do mundo a ser curada da AIDS sem o uso de medicamentos experimentais ou transplante de medula óssea.

Loreen Willenber já é um "objeto" de estudo há muitos anos, porque seu organismo sempre conseguiu enfrentar o HIV de uma forma bastante eficiente, o que faz dela uma "controladora de elite" desse vírus. Ou seja: ele nunca chegou a se manifestar em seu organismo, e sem o uso de nenhuma medicação. Independente dessa situação rara, o vírus permaneceu por quase 30 anos em seu corpo. E, agora, tudo indica que ela se auto-curou da infecção, pois análises recentes de seu "causo" mostram que ela parece ter erradicado completamente todos os vestígios do vírus em seu corpo.

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