Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (29/08 a 04/09/2020)

Por Daniele Cavalcante | 05 de Setembro de 2020 às 11h00
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Nesta semana, a NASA selecionou algumas imagens bem misteriosas para compor o Astronomy Picture of the Day (APOD). Uma delas são as dunas avermelhadas parcialmente cobertas por uma camada de linhas brancas e com alto contraste de luz e sombra. Você consegue adivinhar do que se trata antes de ler a explicação?

Também há algumas nebulosas, que sempre marcam presença no APOD, por se tratar de um dos tipo de objetos mais bonitos e diversos do cosmos. Outro destaque é nossa Lua, fotografada ao lado de Júpiter e suas próprias luas galileanas. Talvez o destaque mais fascinante da semana seja o vídeo que simula o comportamento de miniquasar localizado dentro da concha do remanescente de uma supernova que ocorreu há cerca de 20.000 anos.

Sábado (29/08) - Dunas sob geadas

Imagem: Reprodução/HiRISE/MRO/LPL (U. Arizona)/NASA

Consegue decifrar essa imagem? Trata-se da superfície de Marte, fotografada em 24 de janeiro de 2014 pela câmera HiRISE, da sonda Mars Reconnaissance Orbiter. Essas dunas de areia em alto contraste entre luz e sombra ficam dentro de uma cratera no hemisfério sul do planeta.

Esse cenário abrange um território de cerca de 1,5 km, algo que só é possível porque a sonda orbital está a 250 km de altitude acima do Planeta Vermelho, com uma câmera de altíssima resolução. O contraste aqui é tão fascinante que se torna o protagonista da cena. Ele se formou dessa maneira porque o Sol estava cerca de 5 graus acima do horizonte, então apenas o topo das dunas estavam sendo iluminados pela luz solar.

As linhas brancas são formadas por geadas sazonais, porque o inverno estava chegando ao hemisfério sul de Marte. A NASA escolhei esta imagem para celebrar o 15º aniversário do lançamento da Mars Reconnaissance Orbiter, que ocorreu no dia 12 de agosto de 2005.

Domingo (30/08) - Pismis 24

Imagem: NASA/ESA/Jesús Maíz Apellániz

As colunas coloridas neste cenário são estruturas de gás e poeira que formam a nebulosa de emissão NGC 6357. Embora ela seja espetacular, seu formato que lembra uma espécie de catedral gótica, ela não é a única protagonista de destaque na cena. É que logo acima está o aglomerado estelar aberto Pismis 24, com uma estrela chamada Pismis 24-1, considerada uma das estrelas mais massivas que os astrônomos conhecem.

Com mais de 200 vezes a massa do nosso Sol, a Pismis 24-1 já foi fotografada minuciosamente pelo Telescópio Espacial Hubble, e isso revelou que seu brilho se deve não de uma única estrela, mas de pelo menos três. Mesmo assim, essas estrelas ainda ficam perto de 100 massas solares, então continuam na lista das estrelas mais massivas que se tem registro. Na parte inferior da imagem, outras estrelas estão se formando na nebulosa.

Segunda-feira (31/08) - Microquasar no coração do remanescente

Este vídeo impressionante é uma simulação produzida a partir de dados coletados de um sistema binário chamado SS 433. O objeto primário desse sistema é, provavelmente, um buraco negro, ou talvez uma estrela de nêutrons, enquanto a estrela companheira secundária parece ser uma tardia do tipo A. O comportamento desse sistema indica que se trata de um microquasar, o primeiro descoberto.

A primeira cena do vídeo retrata a interação entre os dois objetos: a estrela, presa na influência gravitacional do companheiro misterioso e agitado, tem parte do seu material gasoso arrancado. Este material cai em um disco de acreção do outro objeto, que então emite jatos relativísticos de gás ionizado em direções opostas — cada um a cerca de 1/4 da velocidade da luz.

O vídeo então muda para uma visão bem mais ampla e superior dos jatos produzindo uma espiral. Depois, a uma distância ainda maior, vemos os jatos perto do remanescente da supernova W50. Essa supernova fica na constelação de Aquila, cerca de 18.000 anos-luz de distância, e o microquasar está em seu centro. Os jatos relativísticos do SS 433 estão distorcendo a “concha” do remanescente. É provável que ambos os objetos estejam de alguma forma relacionados a uma supernova que ocorreu há cerca de 20.000 anos.

Terça-feira (01/09) - Salmoura em Ceres

Ceres é um planeta anão que, por muito tempo, foi considerado pouco interessante, mas isso começou a mudar quando a sonda Dawn, da NASA, passou por lá em março de 2015. É que a nave observou formações com material reflexivo, que poderiam ser sinais da presença de gelo ou sais. Mesmo após o fim da missão, os cientistas ainda têm muitos dados para analisar e tentar decifrar a composição do objeto.

O planeta anão fica no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, e tem quase mil quilômetros de diâmetro, sendo o maior corpo do cinturão. Foi também o primeiro planeta anão visitado por uma espaçonave, e se revelou um lugar bastante peculiar. Dados da missão Dawn revelaram a presença de depósitos feitos principalmente de carbonato de sódio — composto formado por sódio, carbono e oxigênio, que provavelmente veio de um líquido que se emergiu até a superfície e evaporou, deixando para trás uma crosta de sal altamente reflexiva.

Recentemente, os pesquisadores determinaram que existe um "extenso reservatório" de salmoura (uma solução de água saturada de sal) abaixo de sua superfície. Isso indica que Ceres é uma alma gêmea com várias luas do Sistema Solar. O vídeo uma coloração rosa para indicar a salmoura evaporada brilhante, chamada Cerealia Facula, na Cratera Occator.

Em 2018, a nave da missão Dawn ficou sem combustível, e foi colocada em uma órbita distante do planeta anão, para permanecer longe da superfície de Ceres por pelo menos 20 anos, evitando assim interferir com qualquer vida que possa existir.

Quarta-feira (02/09) - A Lua, Júpiter, e outras luas

Imagem: Robert Fedez

Essa foto de Robert Fedez capturou com maestria nossa Lua com todo seu encanto no lado inferior esquerdo, mas não apenas isso — no canto superior direito, está o planeta Júpiter, acompanhado por suas famosas luas galileanas. Da esquerda para a direita, estão Io, Ganimedes, Europa e Calisto. Essas luas estão entre as maiores do Sistema Solar.

A foto foi capturada com um único clique em Cancún, no México, e você ainda terá a oportunidade de ver a nossa Lua passando quase na frente de Júpiter e Saturno algumas vezes, pois os dois planetas se aproximam de uma grande conjunção que acontecerá em dezembro.

Quinta-feira (03/09) - Halo de Andrômeda

Imagem: NASA/ESA/J. DePasquale/E. Wheatley/Z. Levay

Confundida com uma nebulosa até os estudos de Edwin Hubble em 1929, a galáxia de Andrômeda é a galáxia espiral grande mais próxima da Via Láctea, localizada a "apenas" 2,5 milhões de anos-luz de distância. Antes de Hubble, a Andrômeda era considerada uma das nebulosas mais próximas da Terra. Essa confusão é justificável. Além de ser um objeto visível a olho nu no céu noturno (em boas condições de visibilidade), ainda não se sabia sobre a existência de sistemas estelares independentes da Via Láctea.

Se estivermos em um local sem poluição luminosa da cidade e sem nuvens para atrapalhar a visão dos corpos celestes, poremos ver a Andrômeda na forma de uma pequenina nuvem. Porém, com instrumentos adequados, podemos enxergar seu enorme halo de gás ionizado quente, que nesta imagem digital é representado em tons roxos. A arte foi produzida com precisão graças a dados do Telescópio Espacial Hubble e do projeto AMIGA. O halo é formado por material que poderá gerar estrelas no futuro e se estende por cerca de 1,3 milhão de anos-luz ou mais da galáxia.

Sexta-feira (04/09) - Nebulosa do Mago

Imagem: Andrew Klinger

A NGC 7380, popularmente conhecida como Nebulosa do Mago, é um aglomerado aberto na direção da constelação de Cepheus, descoberto pela astrônoma Caroline Herschel em 1787. Ela está há cerca de 8.000 anos-luz de distância e só pode ser vista com um telescópio.

A nebulosa foi fotografada por um astrofotógrafo que conseguiu capturar as formas e estruturas de gás e poeira, usando filtros de banda estreita, que capturam apenas uma parte muito pequena do espectro da luz, e são capazes de "enxergar" a luz de comprimento de onda visível dos átomos de hidrogênio, oxigênio e enxofre da nebulosa. Essas ondas são transformadas em cores verdes, azuis e vermelhas na composição digital final.

Fonte: APOD

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