Brasileira passa 152 dias com coronavírus (a maioria deles sem sintoma algum)

Por Nathan Vieira | 01 de Setembro de 2020 às 21h30
Christo Anestev/Pixabay

A COVID-19 continua sendo mistério para a área da medicina, principalmente pela forma como o vírus se transforma e se comporta em casos de pacientes assintomáticos. Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) acompanharam o caso de uma mulher brasileira que permaneceu simplesmente 152 dias infectada com o SARS-CoV-2 de forma potencialmente contagiosa. Trata-se da mais longa persistência de coronavírus já documentada no mundo. 

O trabalho é encabeçado pelos cientistas Luciana Costa, Amilcar Tanuri e Teresinha Marta Castineiras, professores do Instituto de Microbiologia, do Instituto de Biologia e da Faculdade de Medicina da UFRJ. Eles identificaram a mulher como Paciente Número 3. Ela adoeceu em março, ficou três semanas com sintomas leves e não precisou ser internada. Depois disso, os sintomas se foram, mas o coronavírus permaneceu mesmo assim.

Vale apontar que a descoberta faz parte do trabalho da força-tarefa de estudo do coronavírus realizado pela UFRJ e coordenado pela professora Teresinha Marta, que desde março testou por RT-PCR (molecular) mais de três mil pessoas (o número de casos aumenta a cada dia), em sua maioria profissionais de saúde do estado do Rio de Janeiro.

A Paciente Número 3 faz parte de um detalhamento do estudo com os profissionais de saúde. 50 pessoas que retornaram mais de duas vezes para fazer a testagem foram selecionadas. Das 50 pessoas, oito tinham vírus infecciosos, com potencial de transmissão, mesmo após 14 dias. Atualmente, os pesquisadores da UFRJ ainda acompanham as 42 pessoas que não tiveram vírus.

Brasileira assintomática fica 5 meses com o vírus. Trata-se da mais longa persistência de coronavírus já documentada no mundo (Imagem: Tumisu/Pixabay)

A paciente continuou a se testar, e a cada sete dias era colhida uma amostra. Por dois meses, ela foi ao laboratório e continuou positiva. E ela não foi reinfectada: essa possibilidade foi afastada porque a sequência genética do coronavírus era a mesma em todas as amostras. Ela tampouco desenvolveu anticorpos neutralizantes, mas não adoeceu de novo. Uma hipótese é que tenha sido protegida diretamente por células de seu próprio sistema imunológico.

"Essa mulher viveu cinco meses com o coronavírus. O caso dela foi descoberto porque é uma profissional de saúde, mais atenta para o risco de transmissão e desde cedo participou do estudo. Mas suspeitamos que a persistência não é rara. Pode haver muita gente assim, e isso ajuda a explicar por que a circulação do coronavírus continua a se manter",  aponta a cientista Luciana Costa, por trás do trabalho em questão. 

"Uma das características que fazem o SARS-CoV-2 ser perigoso é que ele circula em muita gente sem sintomas, que nem sabe que está infectada. E são essas pessoas que o levam adiante com eficiência. Os doentes são evidentes e nem saem tanto de casa. Mas os assintomáticos são a forma invisível de o coronavírus se espalhar", a especialista finaliza.

Fonte: O Globo

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