Busca por vida alienígena é ampliada para mais de 280 mil sistemas estelares

Por Daniele Cavalcante | 03 de Setembro de 2020 às 16h35
University of Manchester

Uma equipe da Universidade de Manchester fez uma descoberta que pode ser bem relevante para a pesquisa e a busca por vida extraterrestre realizada pelo projeto SETI (Search for extraterrestrial intelligence). Através de uma nova análise de dados coletados da nossa galáxia, eles expandiram o alcance da pesquisa e estabeleceram novos limites para as possibilidades de encontrar vida desenvolvida.

O projeto SETI busca por civilizações extraterrestres que sejam, pelo menos, tão desenvolvidas quanto a nossa. É que o método usado por eles é a detecção de sinais de rádio de baixa frequência captados por radiotelescópios terrestres — em especial o Radiotelescópio de Arecibo. Também há um projeto paralelo chamado [email protected], que usa computadores pessoais de colaboradores ao redor do mundo para processar sinais capturados pelas antenas.

Assim, caso sinais sejam captados, eles serão interpretados e analisados para determinar se a fonte é uma forma de vida inteligente capaz de produzir ondas de rádio, como nós, terráqueos. Ou seja, o SETI não foi projetado para detectar formas de vida “mais simples”, ou seja, civilizações que não desenvolveram ferramentas tecnológicas.

Dito isto, há algumas restrições que podem ser feitas com base nos dados coletados até agora. O novo estudo foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e pode trazer um avanço significativo para estabelecer as chances de encontrar vida extraterrestre na Via Láctea. De acordo com a equipe da pesquisa, busca foi expandida de 1.400 estrelas para 280.000, aumentando bastante as chances de encontrar algo.

Dessas estrelas, menos de 0,04% têm um sistema com potencial de hospedar civilizações avançadas com a tecnologia de rádio equivalente à nossa. O número pode parecer uma má notícia, mas na verdade traz uma forma de levar os limites da busca até estrelas mais distantes. Porém, quanto mais longe o planeta estiver, mais poderosos precisarão ser os sinais de rádio da civilização extraterrestre para que possam ser captados pelos nossos instrumentos.

Para esse resultado, a equipe liderada por Michael Garrett da Universidade de Manchester, usou o catálogo de dados da nave Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), que já mapeou mais de um bilhão de estrelas da Via Láctea. Assim, os pesquisadores selecionaram estrelas a distâncias muito maiores do que anteriormente, chegando até cerca de 33.000 anos-luz. Garrett já tinha a preocupação com o fato de que o SETI até então não considerava objetos cósmicos para do alvo principal estabelecido pelo projeto, mesmo que os telescópios fossem sensíveis o suficiente para ir além.

Com os dados do Gaia, foi possível “conhecer as localizações e distâncias para essas fontes adicionais", disse Garrett, o que melhorou muito a “capacidade de restringir a prevalência de inteligência extraterrestre em nossa própria galáxia e além”. São poucas as possibilidades de encontrarmos alguma civilização avançada nessa região, de acordo com os resultados, mas os limites são ótimos para saber onde olhar e o que procurar. Se encontrarmos um emissor de rádio poderoso dentro dessa área, o próximo passo é descobrir sua fonte.

Além de estabelecer os novos limites e expandir a região analisada, a equipe conseguiu pela primeira vez fazer isso considerando o tipo estelar. É que os dados analisados incluem não apenas estrelas da sequência principal, mas também leva em conta várias estrelas gigantes e anãs brancas.

Fonte: Phys.org

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